sexta-feira, 18 de maio de 2018

Sob a merencória luz da lua


SOB A MERENCÓRIA LUZ DA LUA

Clóvis Campêlo

 
Talvez não seja fácil escrever uma crônica todos os dias. E muito menos fazer um poema. Os poemas, aliás, sumiram-me faz tempo. As crônicas, os sucederam e não mais se querem ir. Sifu!. Não sou mais um poeta sem estilo, inamadurecido. Sou agora um cronista crônico e revoltado. Afinal, criar imagens com palavras não é lá tão fácil. Muito menos, fazer poesia com a luz. As crônicas podem me resolver a questão temporariamente, mas nunca com a intensidade poética e luminosa das preteridas.
Quem imaginaria que Martha não passava de uma cachorra, cantada com as notas e as harmonias de uma música de Friedrich Von Flottow. Uma valsa acelerada, talvez. E haja habilidade do compositor com as duas mãos. Quando ele quis, aliás, sempre soube ser excludente. Nunca foi, porém, o besouro maldito e mal-amado que o outro queria ser (e o era!).
Martha, aliás nunca teve nada a ver com isso. Apenas era uma cadela amada por um dos homens mais desejáveis do planeta. Às vezes, precisa-se de sorte até mesmo para ser uma cachorra. E Martha, a cachorra querida a teve. Não sei, porém, o fim ela levou.
Talvez tenha morrido ainda no século XX, sem glórias e reconhecimentos inúteis. A morte não só nos redime como também nos rompe definitivamente as amarras com esse mundo cruel, esse vale de lágrimas.
Nunca tive uma cachorra com o nome de Martha, embora durante um certo tempo a tenha querido. A minha cadela preferida, aliás, chamava-se Júlia. E muitas ocasiões, no meio da noite, durante o sono interrompido, a procurava com uma ansiedade inútil. Eu sempre a quis. Ela, porém, nunca me demonstrou mais do que uma afeição superficial e efêmera. Uma cachorra vadia e desinteressada. Não mereceu jamais o carinho que lhe dediquei. Como consolo, fiz-lhe uma canção que cantarolava nas noites mornas de verão, no Pina, quando a carência afetiva batia mais forte e incógnita.

Na verdade, Júlia fugira de casa em uma noite aparentemente calma e rotineira. No dia seguinte, o seu corpo foi encontrado na avenida principal do bairro. Fora atropelada pelo “bacurau”, o último ônibus da noite que sempre fazia a viagem final transportando os operários retardatários. Foi uma morte inglória. Senti deveras.
Naquela noite e nas noites que a seguiram, só me restou a nostálgica luz da lua cheia, hemorrágica luminosidade a ocultar os fatos verdadeiros.
Na primeira noite da semana seguinte, uma chuva torrencial impediu-me de sair de casa e passear à beira-mar como gostava de sempre o fazer. Ainda não havia me acostumado com a ausência de Júlia, mas sempre me restava a lua e a sua luz merencória pintando a aquarela daquele noturno praieiro.
O céu, porém, não se abriu. Abriu-se me apenas a estranha e leve sensação de estar vivo e poder olhar a chuva cair na areia do quintal de casa. Não conseguia escutar a música do mar, diante do barulho ensurdecedor da chuva. O ritmo dos pingos ao cair no chão me fizeram relembra toda uma vida vivida em função de ideias mal concebidas tomadas emprestadas. Nada aquilo até então havia sido originalmente concebido ou criado. Eu era apenas um fantoche nas mãos imaginárias da minha vida inventada.

 

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Clube Banhistas do Pina


CLUBE BANHISTAS DO PINA

Clóvis Campêlo

Segundo a Wikipédia, o frevo-de-bloco é um frevo executado por orquestras de pau-e-cordas. Estas orquestras geralmente são compostas por violões, cavaquinhos, banjos, bandolins, violinos, além de instrumentos de sopro (como flauta e clarinete) e de percussão (como surdo, caixa e pandeiro). É chamado pelos compositores mais tradicionais de "marcha-de-bloco".
O frevo-de-bloco é a música das agremiações tradicionalmente denominadas “blocos carnavalescos mistos”, cujo aparecimento no carnaval de Pernambuco se relaciona a um dado histórico e sociológico: o início da efetiva participação da mulher, principalmente da classe média, na folia de rua do Recife, nas primeiras décadas do século XX.
Segundo matéria publicada no Diario de Pernambuco, em 28/01/2017, “o pastoril já era tradição natalina quando Julieta Leite decidiu estender a brincadeira com as amigas para o período carnavalesco. Era 1932 e elas tinham uma condição: queriam sair às ruas cantando. Para isso, precisavam criar um agregado parecido com os tradicionais blocos formados pela classe média e alta. À época, estava em discussão no Recife a introdução do banho salgado e o uso social da faixa de areia. Em uma reunião, vários nomes surgiram para o bloco da comunidade do Bode: veranistas, praieiros, jangadeiros. Dentre eles, banhistas, uma referência a uma espécie de vocação do bairro e ao mesmo tempo a ousadia de se introduzir naquele debate vigente na capital pernambucana. O primeiro desfile foi com um “flabelo” feito de galhos. A primeira sede, localizada no mesmo endereço da atual, a Rua São Luiz, era uma casa de taipa em um aterramento de área de mangue”. A matéria foi publicada em homenagem às comemorações dos 85 anos do bloco.
E ainda: ““Não existia coral, quem cantava eram as pastoras. Quem entrava no bloco era para tocar e cantar. Os homens eram só para tomar conta das mulheres, que se apresentavam. O bloco era formado por cerca de 20, 30 mulheres”, contou o filho de dona Julieta, o atual presidente do Banhistas do Pina, Lindinalvo Leite. Conhecido na comunidade como Vavá, aos 82 anos ele ainda lembra a empolgação da mãe com as atividades do bloco. Julieta morreu os 69 anos, deixando como legado a união da família em torno da atividade. Para ela, desfilar era uma obrigação de todos os parentes e até hoje a regra é cumprida.
Este ano, em comemoração aos 86 anos de fundação da entidade carnavalesca, em 16 de janeiro, o site G1 da Globo, mostrou a seguinte matéria: “Em comemoração aos 86 anos de fundação, o Bloco Carnavalesco Misto Banhistas do Pina vai realizar uma programação especial, que culmina com o tradicional Baile Azul e Branco, no dia 3 de fevereiro, na sede da agremiação, no bairro do Pina, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Com o tema “Salve Nossas Cores”, a agremiação resgata acervo historiográfico do bloco e realiza exposição no Museu da Abolição. Bloco de pau e corda tradicional, o desfile da agremiação vai trazer um misto de elementos que lembram a origem do bloco, como a relação com a natureza e com a praia, o pertencimento comunitário, o cordão azul do pastoril, a pesca, a espiritualidade e o misticismo do mar do Pina. A programação tem início no dia 27 de janeiro, com o lançamento do "Caderno de Canções Somos Banhistas do Pina", que acontece no Paço do Frevo, no Bairro do Recife, às 17h. No dia 1º de fevereiro, começa a exposição “Banhistas do Pina – 86 anos de Frevo”, no Museu da Abolição, a partir das 17h. Já no dia 2 de fevereiro, será realizada uma oficina de artes plásticas com as crianças da agremiação. O ponto alto dos festejos será no dia 3 de fevereiro. A partir das 19h, ocorrerá uma missa em ação de graças ao Bloco, na Matriz de Nossa Senhora do Rosário, na Avenida Herculano Bandeira, no Pina. Em seguida, um cortejo formado por moradores, foliões, orquestra e corais, segue até a sede do bloco, localizada na Rua São Luiz, nº 316, no bairro do Pina. No local, haverá um grande bolo e será cantado parabéns ao bloco. Por fim, acontece o tradicional Baile Branco e Azul. O evento tem entrada gratuita e para participar é preciso vestir roupas unicamente azul e/ou branco. O bloco participará, ainda, do Desfile de Agremiações do estado, no dia 11 de fevereiro, na Avenida Dantas Barreto. O desfile ainda não tem horário definido”.
Do passado ao presente, essa é a singela história do Bloco Banhistas do Pina, uma tradição da cultura carnavalesca recifense e um dos pontos de resistência cultural do bairro, que hoje passa por profundas e definitivas transformações.

A televisão


A TELEVISÃO
Recife, fevereiro 2015
Fotografia de Clóvis Campêlo

 

Paredes do Recife Antigo







PAREDES DO RECIFE ANTIGO
Recife, julho 2015
Fotografias de Clóvis Campêlo


segunda-feira, 14 de maio de 2018

Lula Cardoso Ayres e Dona Santa

Fotografia de Lula Cardoso Ayres / Data desconhecida

LULA CARDOSO AYRES E DONA SANTA

Clóvis Campêlo
 

Segundo o site Olhavê, "destaca-se na produção fotográfica de Lula Cardoso Ayres, os retratos de Maria Júlia do Nascimento, Dona Santa, a mais famosa rainha de maracatu de baque virado. Personagem antológico do Maracatu Nação Elefante, Dona Santa é lembrada por quem a conhecia como uma mulher altivamente elegante. E toda segunda-feira de Carnaval, Dona Santa tornava-se a Rainha. Vestida como uma majestade europeia, envolta em seda, cetim, ricos bordados e adornada com o exagero próprio das bijuterias típicas do traje. Para dar mais sentido ao seu “papel”, usava como quem nasce com eles, a capa de gola alta, o cetro e a coroa. Mas a imagem soberba de Dona Santa ainda era mais vigorosa por conta do espadim de metal, com o qual abençoava seus “súditos”. Os retratos feitos por Lula desta mulher, Rainha e Mãe de Santo, são movidos pelo olhar penetrante e pela atmosfera hierática. Fotografias que transformam a ideia da fantasia em imaginário valioso e simbólico".
Lula Cardoso Ayres nasceu na cidade do Rio Formoso, na zona da mata sul do Estado de Pernambuco, em 26 de setembro de 1910. Segundo o Google, foi um pintor vanguardista e programador visual. Aluno do artista alemão Hemrich Moser e discípulo de Cândido Portinari, aos doze anos de idade já demonstrava os seus dons artísticos.

Segundo a Enciclopédia Itaú Cultural, em 1925 viajou para Paris, onde visitou a 1ª Exposição Internacional de Arte Decorativa. Em Paris, frequentou museus e ateliês de pintores como Maurice Denis e entrou em contato com os movimentos artísticos modernos da Europa. Regressa ao Brasil no ano seguinte, fixando-se no Rio de Janeiro, estabelece um ateliê no bairro de Laranjeiras, frequentando  informalmente a Escola Nacional de Belas Artes - Enba. Tem aulas de modelo vivo com Rodolfo Amoedo. No ateliê de Carlos Chambelland, estuda desenho e pintura. Conhece Candido Portinari, de quem se torna amigo. Profissionalmente, realiza cenários para teatro e atua como ilustrador e caricaturista na revista Para Todos.
De volta para Pernambuco, em seu processo de pesquisa artística, Ayres começa a realizar fotografias sobre diversos aspectos da vida das populações rurais. No decorrer dos anos 1930 e 1940, intensifica o interesse antropológico por modos de vida e rituais, em parte estimulado pela convivência com o poeta Ascenso Ferreira e o sociólogo Gilberto Freyre. Produz grande quantidade de fotografias e também diversos desenhos de manifestações como o bumba-meu-boi, o maracatu, o carnaval, os rituais do candomblé e de populações indígenas. Parte dessas fotografias integra hoje o acervo do Museu do Homem do Nordeste. Morreu no Recife em 30 de junho de 1987.
Segundo texto publicado no site da Fundaj pela pesquisadora Lúcia Gaspar, "Maria Júlia do Nascimento, a Dona Santa, a mais conhecida rainha dos maracatus recifenses, nasceu no dia 25 de março de 1877, no pátio de Santa Cruz, no Recife. Antes de ser rainha do Maracatu Elefante onde ficou famosa, Dona Santa ou Santinha participou de congadas (dança de origem africana), das troças carnavalescas Verdureira e Miçangueira, foi rainha do Maracatu Leão Coroado e fundou a Troça Carnavalesca Mista Rei dos Ciganos, que se transformou depois no Maracatu Porto Rico do Oriente. Filha e neta de africanos, tinha no sangue o ritmo da zabumba e do "baque virado" do maracatu. Quando era rainha do Leão Coroado, casou-se com João Vitorino, abdicando do trono depois que seu marido foi escolhido para reinar no Maracatu Elefante, fundado, segundo várias fontes, em 1800. Dona Santa foi rainha do Maracatu Elefante durante dezesseis anos, período em que a agremiação teve seu maior destaque. Ao ficar viúva, assumiu sua direção, porém só foi coroada no dia 27 de fevereiro de 1947". Dona Santa, faleceu no Recife, aos 85 anos, em 1962.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

A Igreja Matriz do Santo Antônio


Fotografias de Clóvis Campêlo / 2018

A IGREJA MATRIZ DO SANTO ANTÔNIO

Clóvis Campêlo

Segundo a Wikipédia, a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento do Santo Antônio, situada na Praça da Independência, é um dos mais significativos exemplares de arquitetura barroca na cidade.
Ainda segundo a Wikipédia, no local, hoje ocupado pela Igreja, antigamente havia trincheiras construídas pelos invasores holandeses, e a sua Casa da Pólvora. Um século depois de sua expulsão do Brasil, o terreno então desocupado foi adquirido em 1752 pela Irmandade do Santíssimo Sacramento, para construção de uma igreja. As obras foram concluídas em 1790. A decoração do interior se estendeu até o século XIX, com esplêndida obra de talha principalmente na capela-mor, além de painéis pintados de Sebastião da Silva Tavares. A pintura e a douração foram realizadas por Manuel de Jesus Pinto entre 1790 e 1805.
Sobre a igreja, aliás, no livro Velhas Igrejas e Subúrbios Históricos, o escritor Flávio Guerra narra o seguinte fato inusitado: “Em uma tarde de procissão, verificou-se a morte do pardo Manuel Francisco de Carvalho Oreça que em 1879, estando a repicar os sinos em folguedo com outros rapazes despencou da torre bateu num tabuleiro de doces, falecendo instantaneamente. Entre os que se encontravam na torre com Manuel, estava Jesuíno Jerônimo de Farias, que dois anos antes, também caíra do alto da igreja do Carmo, matando três pessoas e ficando gravemente ferido durante muitos anos”.
Voltando à Wikipédia, “o grande destaque na decoração interna é a capela-mor, com um altar de luxuriante talha rococó em estilo escalonado, como um trono para o Crucificado e o Santíssimo Sacramento no topo, ladeados por nichos contendo as imagens de Santo Antônio e São Sebastião, tendo abaixo o sacrário para o Santíssimo Sacramento, além de painéis pintados nas paredes laterais e mobiliário esculpido”.
Segundo texto da historiadora Semira Adler Vainsencher, publicado no site da Fundação Joaquim Nabuco, “Na parte interna do lado direito da Matriz localiza-se o cemitério. Nele, estão sepultados os corpos decepados dos insurretos da Revolução Pernambucana de 1817. Além desses, entre os túmulos, destacam-se os jazigos de Florismundo Marques Lins, o 2º barão de Utinga, e o de Jerônimo Vilela de Castro Tavares, poeta, político e jornalista. Contudo, até a metade do século XIX, existiam vários tipos de sepultura na Matriz de Santo Antônio. Os suicidas, os católicos condenados e os escravos, por exemplo, eram enterrados em túmulos à parte, algo que era tido como uma humilhação, do ponto de vista social'.
Ainda segundo Semira, “A pintura e a douração da igreja foram realizadas por Manuel de Jesus Pinto, de 1790 a 1805. No altar do consistório, há um painel do Espírito Santo, uma obra realizada pelo mesmo autor. No batistério, por sua vez, observa-se um quadro do início do século XIX - O Batismo de Jesus - pintado por José Elói, o responsável, também, pela pintura dos painéis da igreja do Mosteiro de São Bento, em Olinda”.
Hoje, situada numa parte da cidade que perde importância econômica e social, apesar do seu grande valor histórico, a Igreja Matriz de Santo Antônio passa por mais uma reforma importante e necessária.


quinta-feira, 3 de maio de 2018

Pelé na MPB


PELÉ NA MPB

Clóvis Campêlo

 
Maior e melhor jogador de futebol de todos os tempos, Pelé também enveredou pelas trilhas da MPB. Vejamos o que diz sobre isso o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira: “Seu envolvimento com a música popular se deu paralelamente à de jogador e sempre de maneira amadora, compondo e gravando algumas músicas individualmente ou ao lado de astros da música popular como Elis Regina, Jair Rodrigues e Gilberto Gil, além de tocar constantemente violão em concentrações de seu clube e da seleção brasileira. Sua carreira também serviu de inspiração para vários cantores e compositores que fizeram músicas para homenageá-lo”.
O que nos interessa no momento, porém, não é o Pelé compositor, e sim o Pelé cantado e decantado nas composições dos seus admiradores. De acordo ainda com o mesmo site, são inúmeras as referências e homenagens a Pelé dentro da MPB. A título de ilustração citaremos algumas feitas antes de 1962, quando a nossa seleção conquistou o bicampeonato mundial de futebol. Apesar de Pelé ser ainda um jovem atleta em ascensão, as referências ao seu sucesso já eram muitas: “Em 1960, a Orquestra e Coro RGE gravou a marcha "Pelé, Pelé", de Alceu Menezes. Em 1961, o cantor Luiz Vanderley gravou pela RCA Victor o cha cha cha "Rei Pelé", de Wilson Batista, Jorge de Castro e Luiz Vanderlei. Essa composição foi regravada dois anos depois pelo Coro do Clube do Guri. Em 1962, a dupla sertaneja Craveiro e Cravinho gravou a cana-verde "Pelé dos pobres", de Sulino, Moacir dos Santos e Fernandes. No mesmo período, o cantor Paulo Tito gravou o baião "Pelé", de Gordurinha”.
Depois do bicampeonato conquistado no Chile, em 1962: “Em 1963, o choro "Pelé", de Oiram Santos foi gravado por Eli do Banjo na gravadora Copacabana. Em 1969, prestou histórico depoimento ao MIS (Museu da Imagem e do Som), então dirigido pelo jornalista Ricardo Cravo Albin e que resultou num LP lançado pelo próprio MIS”.
Imaginem então depois do tri, conquistado em 1970, no México: “Em 1970, parte desse depoimento foi relançado em compacto através da Revista Manchete e da gravadora CID contendo ainda a narração do milésimo gol do jogador, além de gols feitos por ele na Copa de 1970. Também nesse disco, o Rei interpreta a "Canção de Natal", sem indicação de autoria. Em 1974, quando já tinha se despedido da seleção brasileira e o Brasil se preparava para jogar a Copa da Alemanha, e a torcida não sabia quem poderia substituí-lo, o sambista Luiz Ayrão compôs o samba "Camisa dez" no qual cantava a angústia da torcida brasileira ao perguntar: "Dez é a camisa dele / Quem é que vai no lugar dele?". No mesmo ano, o cantor Jackson do Pandeiro gravou o rojão "O Rei Pelé", de Jackson do Pandeiro e Sebastião Batista. Em 1977, Caetano Veloso fez sucesso com uma composição que incluiu os versos "Eu canto a canção que comove/Pelé disse love, love, love", numa alusão às palavras do Rei do Futebol por ocasião de sua despedida dos gramados. Como cantor, gravou em 1969 com a cantora Elis Regina o compacto simples "Tabelinha - Elis x Pelé", pela gravadora Phillips, interpretando as músicas "Perdão não tem" e "Vexamão", de sua autoria. Em 1978, foi lançada pela WEA o LP "Pelé", com a trilha sonora original do filme lançado no mesmo ano sobre sua despedida do futebol. Com produção e arranjos de Sérgio Mendes, o disco apresenta o jogador cantando em duas faixas em dueto com a cantora Gracinha Leporace, "Meu mundo é uma bola" e "Cidade grande". Também fazem parte do disco mais duas composições de sua autoria, "Nascimento" e "Voltando a Bauru", além de composições de Sérgio Mendes. Em 1979, lançou pela Som Livre um compacto simples com as músicas "Criança" e "Moleque danado", de sua autoria. Em 2005, ao participar do programa do ex-jogador argentino Maradona na TV em Buenos Aires acompanhou-se ao violão interpretando uma composição de sua autoria. Como compositor, seu grande sucesso foi a balada "Meu mundo é uma bola" gravada por ele mesmo”.
No entanto, apesar da extensa lista acima, lembramos ainda de algumas composições que ficaram de fora do levantamento de Cravo Albin.
A primeira, o frevo “A lua disse”, de Gildo Branco, lançado no carnaval de 1960. Cronista do seu tempo, o compositor aborda numa mesma composição as figuras ilustres de Yuri Gagarin e Pelé, protagonistas de fatos importantes vividos naquele tempo: “Gagarin subiu, subiu, subiu, / foi até ao espaço sideral, / chegou perto da lua e sorriu: / "Vou embora pro Brasil / que o negócio é carnaval". / A lua disse: "Não vá demore mais, pois ouvi que lá na Terra / querem me passar pra trás". / Mas o Gagarin não ligou e deu no pé: "Vou mesmo pro Brasil, eu quero é conhecer Pelé".
A segunda, uma marchinha lançada no carnaval carioca de 1963, cujos autores e intérpretes não consigo lembrar e nem consegui localizar nas minhas pesquisas: “Ai, ai, Adão / me conta como é que é / se a Eva era branca /como foi que nasceu Pelé? / Adão, Adão, Adão / a história não tem razão / ou então no paraíso / a macieira também dava jamelão”.
A terceira, a música Rasta Pé, de Chico Evangelista, segundo alguns um dos pioneiros do reggae no Brasil, e falecido em 2017. Evagelista ficou conhecido nacionalmente em 1980 ao participar do festival MPB 80 com a música citada: “Rasta pé. É, moçada! / No passo dessa dança. Barra mansa. / Pisada de Afoxé / A bola conhece Pelé / Moqueca leva dendê. / Xerém, xaxado, xaréu. / Bicho do bico de brasa. / De olho pregado no céu. / Da estrada lá de casa. / Eu vi um jabuti. / Comendo jabuticaba”.
A última, para não nos alongarmos muito mais, na música “Meio de campo”, feita por Gilberto Gil em homenagem ao jogador Afonsinho, um samba-de-breque onde Pelé, mesmo não sendo o homenageado, é usado como referência mais do que positiva na escala de valores do compositor baiano: “Prezado amigo Afonsinho / Eu continuo aqui mesmo. / Aperfeiçoando o imperfeito. / Dando um tempo, dando um jeito. / Desprezando a perfeição. / Que a perfeição é uma meta. / Defendida pelo goleiro. / Que joga na seleção. / E eu não sou Pelé nem nada. / Se muito for, eu sou um Tostão”.
No nosso entender, Pelé sempre mereceu tudo isso.


quarta-feira, 2 de maio de 2018

O antigo Posto 2

Fotografia de Clóvis Campêlo / 2018

O ANTIGO POSTO 2

Clóvis Campêlo
 

Diferentemente dos demais antigos postos salva-vidas remanescentes, que ficam no calçadão, o antigo posto 2 foi construído nas areias da praia da Boa Viagem, em frente ao Edifício Califórnia e ao Segundo Jardim.
Nele, a temática utilizada para a sua ornamentação focou a situação da mulher negra na sociedade recifense. A grafitagem é de autoria do artista plástico Adelson Boris.
Coincidentemente, ao seu lado, um homem negro que sobrevive no mercado informal da beira da praia vendendo queijo assado, prepara a sua mercadoria para a batalha da sobrevivência diária.
Aliás, diga-se de passagem, nos finais de semana, as beiras das praias recifenses transformam-se num verdadeiro mercado persa onde se compra quase tudo, desde comidas e roupas até objetos ornamentais diversos. Aliás, os excluídos do mercado formal de trabalho servem aos cidadãos da classe média melhores situados na pirâmide social. Afinal, o sol nasceu para todos.
O Recife, aliás, sempre foi reconhecido como a cidade dos mascates. Aliás, sobre o tema, transcrevemos abaixo parte da monografia feita por Maria de Lourdes Carneiro da Cunha Nóbrega, sobre o assunto, visando não só entender o seu aspecto histórico, como também transportá-lo para os dias e as situações de hoje: “A cidade do Recife, entreposto comercial quando colônia, devido a sua geografia portuária, tem uma relação estreita com as atividades de comércio e serviços e as dinâmicas pertinentes a estas atividades como transformadoras do espaço urbano desde a sua formação. Com um comércio inicialmente mercantilista, no século XVI, devido à exploração de madeira e cana-de-açúcar, mas que, com o seu crescimento, muito rapidamente, tornou-se palco de um intenso comércio varejista, (imigrantes portugueses, holandeses, ingleses e franceses muito contribuíram para tal) a cidade dos mascates ainda guarda, no seu núcleo central de colonização, os bairros do Recife, Santo Antônio e São José, aspectos polarizadores de um forte e crescente comércio e serviços varejistas”.
Hoje, diante da crise econômica e social, são os excluídos que, na busca fremente pela sobrevivência, desempenham o papel de mascates modernos. E embora não seja mais o vigor da economia local que os impulsiona, e sim o seu inverso, tornam legítimas essas atividades, muito embora nem sempre sejam atividades reconhecidas pelo poder público oficial.
Viver e sobreviver é um direito inerente à condição humana. O trabalho digno e honesto é o principal instrumento para que aconteça essa realização, seja nas áreas da cidade abandonadas pela edilidade, seja nas áreas mais nobres onde a classe média exercita o seu lazer.
Na praia da Boa Viagem, não poderia ser diferente.


Maracatus



MARACATUS
Recife, fevereiro 2015
Fotografias de Clóvis Campêlo

 

segunda-feira, 30 de abril de 2018

A cidade do Salgueiro

 Igreja de Salgueiro
Fotografia de autor desconhecido

 A bandeira da cidade

A CIDADE DO SALGUEIRO

Clóvis Campêlo

Situada no sertão de Pernambuco a 518 quilômetros do Recife, a cidade do Salgueiro comemora a sua emancipação político no dia de hoje, 30 de abril.
Segundo a Wikipédia, a Lei Provincial nº 580, de 30 de abril de 1864, elevou o distrito à categoria de vila, com a denominação de Salgueiro, desmembrado de Cabrobó, e com sede na antiga vila de Santo Antônio. A mesma lei determinou a subsistência da vila e termo de Cabrobó, o qual foi reunido ao de Salgueiro, que se tornou sede de ambos”.
Segundo o censo do IBGE de 2017, a cidade tem uma população de mais de 60 mil habitantes, numa área de 1.686,815 km², com uma densidade de 35,84 habiotantes por km².
Segundo a mesma fonte, “as terras do município de Salgueiro foram originalmente habitadas por índios Cariris. O povoamento do local foi iniciado em meados do século XVII por habitantes da região sul do Ceará, os quais, atraídos pela fertilidade dos solos de aluvião, edificaram grandes fazendas de criação de gado. Entre os primeiros povoadores da região destaca-se Antônio da Cruz Neves, fundador e proprietário da Fazenda Quixaba, a primeira a se estabelecer. Posteriormente surgiram Umãs, Negreiros, Logradouro e Ouro Preto, todas utilizando o trabalho escravo”.
Segundo o site da prefeitura o nome da cidade surgiu em função do episódio abaixo relatado: “no dia 21 de dezembro de 1835 pela manhã, o Coronel Manoel de Sá saiu para fazer a vistoria na sua fazenda como de costume e ao entardecer regressando a sua casa sentou-se na sua cadeira para descansar. O pequeno Raimundo de Sá, nono filho do casal não apareceu como de costume para sentar-se ao lado do pai, o Coronel estranhando sua ausência, o procurou pela casa, nos arredores e não o encontrou. Como já estava anoitecendo e havia muitos animais e índios na região, o Coronel e sua esposa Dona Quitéria começaram a ficar preocupados com o desaparecimento do pequeno Raimundo, ordenando a um de seus vaqueiros ir até a cidade de Belém e avisar o ocorrido, formando assim um grupo para ajudar a procurar o menino. Dona Quitéria aflita com o ocorrido e pensando no que poderia acontecer com o garoto, fez uma promessa a Santo Antônio que caso encontrasse seu filho com vida, construiria uma capela em sua homenagem. O Coronel Manoel de Sá juntamente com os vaqueiros e alguns escravos, se embrenharam na caatinga para procurar o pequeno Raimundo. Depois de dois dias e duas noites a procura do menino, exatamente no dia 23 de dezembro de 1835, um dos vaqueiros que integrava o grupo de busca organizado pelo Coronel, finalmente conseguiu encontrar o garoto são e salvo, brincando debaixo de um pé de Salgueiro ou, segundo outra versão sobre um formoso Umbuzeiro rodeado de Salgueiros, a aproximadamente 10 Km da sede da fazenda onde a família residia, fora dos limites da Boa Vista”.
Ainda segundo o site da prefeitura, a bandeira do município foi desenhada por José da Cunha Barros (Zé Pintor) e oficializada pelo Decreto nº 10/85, de 02 de abril de 1985. Consta da nossa Bandeira a Cruz - que representa a fé do povo salgueirense, a Estrela grande - o poder executivo, as Estrelas pequenas - a câmara de vereadores, o Ramo de Salgueiro - lembra a origem do município, aliados as cores azul que representa o céu e o branco que representa a paz.
Parabéns, Salgueiro!
 

Um bicho diferente










Fotografias de Clóvis Campêlo / 2015

UM BICHO DIFERENTE
 

Clóvis Campêlo

Faz tempo que os rios e os mangues do Recife foram invadidos pelas garças. Brancas e elegantes, sempre dão um ar romântico e naturalista à cidade feita em pedra e concreto.
Em julho de 2015, porém, nas lamas do Rio Capibaribe, em frente ao prédio do Paço Alfândega, fotografei este pássaro diferente e que contrastava com a brancura das garças. Sem dúvida alguma, um bicho diferente e para mim desconhecido.
Alguém se arriscou a dizer que tratava-se de um socó, e eu, movido pela curiosidade do desconhecimento, fui em busca da veracidade dessa informação.
No Google, o moderno pai dos burros, descubro que são inúmeras as espécies de socó.
A Wikipédia, outra generosa fonte moderna de informação, diz o seguinte: "O termo socó é a designação comum a várias aves pelecaniformes, usualmente paludícolas, da família dos ardeídeos. Tais aves são de ampla distribuição, hábitos diurnos, crepusculares ou noturnos, sendo encontradas isoladas ou aos pares". Diante de tamanha sapiência, fico na mesma. Ou melhor, as minhas dúvidas aumentam.
O que seriam, por exemplo, aves pelecaniformes? O dicionário virtual WikiAves, assim me explica: "Ordem dos pelicanos, das garças, curicaca, guará e afins. Aves de médio a grande porte que vivem em regiões com abundancia de água. Uma característica importante são as patas totiplamadas, cujos dedos são unidos por uma membrana, especializadas para o meio aquático do qual as aves dessa ordem retiram o seu alimento. Têm ampla distribuição geográfica, reproduzindo-se em colônias de diversos indivíduos, mostrando assim uma outra característica comum da ordem, o gregarismo. Destacam-se também os bicos protuberantes e que em muitas espécies terminam em um gancho. São verossímeis pescadores e na base de sua dieta constam peixes, crustáceos e invertebrados aquáticos". Agora sim, sinto que o meu bicho estranho pode ser incluído nessa ordem. Resta-me agora saber o que são aves paludícolas. Mais uma vez o WikiAves me dá a resposta: são aves que estão sempre associadas a ambientes aquáticos. Fico satisfeito.
Resta-me ainda, porém, descobrir o significado de ardeídeos. Volto à minha pesquisa e descubro o seguinte no Dicionário Informal: "Ardeídeos é o nome de uma família de aves, da ordem Ciconiformes, que inclui as garças e os socós. Seus membros vivem em bandos, normalmente em rios, lagoas,
áreas pantanosas e manguezais. Se alimentam principal-
mente de peixes, sapos e outros animais aquáticos".

Pronto. Dou-me quase por satisfeito, muito embora entre as espécies de socós pesquisadas não tenha encontrado uma imagem que se identifique com o meu bicho esquisito. Decido, porém, que ele deve mesmo ser um socó, aproveitando-se da riqueza da flora e da fauna dos nossos mangues.
Seja bem vindo, portanto, amigo socó. Eu te cumprimento em nome dos humanos que quase conseguem enfeiar esta cidade cercada pelas águas.
Que a tua presença e as tuas cores sirvam para acrescentar mais vida ao nosso ambiente urbano, onde outrora outros bichos já se fizeram mais presentes e atuantes.
Seja bem vindo!
 

sexta-feira, 27 de abril de 2018

A Avenida Guararapes

A avenida no início dos anos 60
Fotografia de autor desconhecido
 
   Em 2013, quando da derrubada das árvores
Fotografia de Bruna Monteiro / DP
 
 Em 2018, com a estação do BRT construída
Fotografia de Clóvis Campêlo
 
Sapateira trabalhando na calçada da via
Fotografia de Clóvis Campêlo / 2018

Livros dos sebistas ocupando a calçada
Fotografia de Clóvis Campêlo / 2018
 
A AVENIDA GUARARAPES

Clóvis Campêlo

Segundo a Wikipédia, a Avenida Guararapes, no bairro do Santo Antônio, no centro histórico do Recife, foi considerada, durante algumas décadas, como o cartão postal da cidade.
Ainda segundo a Wikipédia, foi projetada no final da década de 1920 pelos engenheiros José Estelita e Domingos Ferreira e pelo arquiteto Nestor de Figueiredo, com a finalidade de resolver o trânsito e organizar o comércio do centro do Recife.
Sua construção foi realizada na gestão do prefeito Novaes Filho em 1937, ano em que Getúlio Vargas deu um golpe político e instalou o Estado Novo. Sua ocupação, com os modernos edifícios na época, somente foi possível após Novaes Filho conseguir junto a diversos Institutos de Previdência, Correios, entre outros órgãos, a construção dos prédios. O logradouro teve como primeiras edificações o Edifício Trianon e o prédio dos Correios.
O sistema de transporte coletivo da cidade passou então a utilizar a nova avenida para ponto terminal das linhas que vinham dos subúrbios para o centro comercial, então restrito ao bairro de Santo Antonio. Depois, com a modificação da estrutura de transporte do recifense e o crescimento do seu comércio, os automóveis a utilizaram como estacionamento, o que alterou enormemente sua finalidade original.
Posteriormente, completamente esvaziada e e abandonada pela iniciativa privada, voltou a servir como terminal de transporte coletivo, notadamente das linhas que vêm da zona oeste da capital pernambucana.
Nos anos 70, foram plantadas palmeiras nos canteiros centrais da via, visando deixá-la mais aprazível e tropicalizada.
No início desta década, outra modificação foi feita na avenida: as árvores foram derrubadas para a construção da estação do BRT. Segundo matéria em blog do Diario de Pernambuco em 12 de novembro de 2013, foram replantadas nas proximidades do local. A estação está hoje situada em frente à sede dos Correios.
De acordo com a Secretaria das Cidades, a obra fazia parte do projeto Corredor Norte-Sul, exclusivo de transporte rápido de ônibus e não iria alterar as paradas de ônibus ou o itinerário das linhas que já circulavam pelo local. O órgão acrescentou ainda que a retirada da vegetação foi aprovada pela Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura do Recife e pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH).
Considerada pelos estudiosos como uma das avenidas mais curtas do Brasil, a partir dos anos 80 a via foi sendo abandonada pelas grandes empresas, passando a ser ocupada pelo mercado informal e pelo comércio menor, como as casas de jogo do bicho, farmácias, loterias, etc. Alguns prédios hoje, que foram referência nos anos de ouro da avenida, como o Edifício Santo Albino, na esquina com a Avenida Dantas Barreto, estão abandonados e em processo acelerado de decadência.
Suas calçadas atualmente são ocupadas por ambulantes, engraxates, sapateiros e vendedores de livros usados, os famosos sebistas. Nem de longe lembra o glamour e o charme dos velhos tempos.
Para finalizar, o arquiteto Aristóteles Coelho Pinheiro faz algumas considerações importantes sobre a avenida: "É uma via mais larga do que extensa em comprimento, caso único no mundo. A sua concepção foi boa para os anos 1920, quando atendia ao tamanho da cidade. O Recife começava ali e terminava ali mesmo. Não conseguiram nem manter o ambiente como um cartão postal, com o devido tratamento urbanístico. O projeto foi vítima de soluções apressadas, feitas para atender a interesses políticos diversos, que não o da cidade, do usuário. Hoje, está transformada num corredor de edificações em pré-ruína, entupida de vendedores de quinquilharias. O Recife parece não ter saída...".

 

Igreja da Sé









IGREJA DA SÉ
Olinda, julho 2015
Fotografias de Clóvis Campêlo

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Margeando o Capibaribe






MARGEANDO O CAPIBARIBE
Recife, 2015
Fotografias de Clóvis Campêlo

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Arruando pelo Recife












ARRUANDO PELO RECIFE
Recife, julho 2015
Fotografias de Clóvis Campêlo