domingo, 30 de novembro de 2014

Trovando em Canhotinho


Passeio em Canhotinho com Pedrinho Trovador.
Canhotinho, 2009
Vídeo de Clóvis Campêlo


A eterna deusa morta


A ETERNA DEUSA MORTA
Recife, 1992
Fotografia de Clóvis Campêlo


Íbis Esporte Clube


ÍBIS ESPORTE CLUBE

Clóvis Campêlo

O Íbis foi fundado no dia 15 de novembro de 1938 pelos funcionários da fábrica Tecelagem de Seda e Algodão de Pernambuco (TSAP), que ficava localizada na Avenida Suassuna, no bairro de Santo Amaro, no Recife.
Segundo o jornalista Duda Guennes, quem batizou o clube foi buscar na mitologia egpícia o símbolo do deus Thoth, juiz dos mortos, com corpo de homem e cabeça de íbis, o pássaro preto, encarnando assim, o mito da imortalidade.
Em 1947, nove anos após ser fundado, o Íbis fez a sua estréia em campeonatos estaduais, sofrendo uma goleada do Náutico por 9x2.
O Íbis, no entanto, ao longo da sua história, não se cacaterizou apenas por ser um eterno saco de pancadas. Por duas vezes, foi campeão do Torneio Início do campeonato pernambucano, além de ter sido campeão estadual de juniores nos anos de 1948 e 1995.
No Íbis, também, foram revelados dois grandes jogadores que marcaram época no futebol pernambucano e brasileiro: o centroavante Vavá, bicampeão mundial em 1958/62, e o lateral esquerdo Rildo, que disputou a Copa do Mundo de 1966 e as eliminatórias da Copa de 1970.
No que tange aos seus jogadores, porém, a história mais inusitada é a do goleiro Jagunço, que teve a sua contratação paga com uma bicicleta e uma dentadura. Consta ainda que Jagunço foi o pior goleiro da história do clube, sofrendo 366 gols em dez anos de carreira.
Entre 1977 e 1979, conquistou a fama de ser o pior time do mundo ao disputar 75 jogos e vencer apenas quatro. Nesse período, em 11.10.1978, sofreu a sua maior goleada ao ser derrotado pelo Santa Cruz, no Estádio do Arruda, pelo placar de 13x0.
Entre 1979 e 1983, superou a própria marca negativa, disputando 69 jogos, vencendo apenas um, empatando quatro e perdendo 62 partidas. Nesse período, sofreu mais de 300 tentos e marcou apenas 22. Nos anos de 1979 e 1981, inclusive, não conseguiu uma única vitória.
O Íbis esteve na Primeira Divisão do futebol pernambucano pela última no ano de 2000, quando derrotou o Náutico, nos Aflitos, no dia 25 de março, por 1x0, sua última grande façanha.
Existem registros ainda, no acervo ibiense, de duas vitórias históricas conseguidas contra o Sport, no dia 28.08.1947, por 5x4, no Estádio dos Aflitos, e outra vitória contra o Náutico, em 25.07.1948, também nos Aflitos, pelo placar de 5x3.
Esse é o perfil do Íbis Esporte Clube, o rubro-negro das Salinas, o pior time do mundo e orgulho do futebol pernambucano.

Recife, 2008

sábado, 29 de novembro de 2014

Cenas recifenses




CENAS RECIFENSES
Recife, novembro 2014
Fotografias de Clóvis Campêlo

Clayton Santana


O músico Clayton Santana interpreta "Garota de Ipanema", de Tom Jobim na orla de Brasília Teimosa.
Recife, 13/9/2009
Vídeo de Clóvis Campêlo


Os meninos da banda



OS MENINOS DA BANDA
Brejo da Madre de Deus/PE, 1991
Fotografias de Clóvis Campêlo


Bacalhau no Morro da Conceição



Fotos: Clóvis Campêlo/2008

BACALHAU NO MORRO DA CONCEIÇÃO

Que Bacalhau é um dos mais ilustres torcedores do Santa Cruz, todo mundo já sabe.
Poucos sabem, porém, da sua devoção por Nossa Senhora da Conceição.
E, cumprindo um ritual de mais de 40 anos, no dia 8 de dezembro de 2008, mais uma vez, lá estava Bacalhau no Morro da Conceição dando vazão à sua fé.
Bacalhau, cujo nome verdadeiro é Jairo Mariano da Silva, nasceu em Gameleira, cidade da zona da mata sul de Pernambuco, em 1942.
Assistiu o primeiro jogo do Santa Cruz aos 10 anos de idade, levado pelo pai que queria ver no filho a continuidade da sua paixão pelo Mais Querido.
Dois anos depois, com a morte do pai, resolveu atender aos seus apelos. Fez uma promessa de torcer pelo Santa Cruz em qualquer circunstância, indo a todos os jogos e até mesmo aos treinos quando possível. Até hoje cumpre a promessa a risca.
Na década de 60, para livrar-se do serviço militar obrigatório, foi parar na cidade de Garanhuns, no agreste pernambucano, cidade que ama e onde vive até hoje. Versátil, sobrevive trabalhando como marceneiro, pintor, pedreiro, eletricista e encanador.
Torcedor fanático, mandou arrancar todos os dentes que ainda tinha na boca para usar uma dentadura tricolor.
No Morro da Conceição, Bacalhau rezou com fé, pedindo proteção e sucesso para si e para o clube coral que tanto ama.

Recife/2008


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Renato Rodrigues


Depoimento de Renato Rodrigues, técnico em refrigeração e integrante da Turma do Pina pós Jubrapi.
Depoimento prestado a Clóvis Campêlo em 06/9/2009, na sua casa, em Brasília Teimosa.

O papangu coral


O PAPANGU CORAL
Bezerros/PE, 2009
Fotografia de Clóvis Campêlo


Quem poderá entender o mundo?


QUEM PODERÁ ENTENDER O MUNDO?

Clóvis Campêlo

Não somos os donos do mundo. Muito pelo contrário. Estamos nele inseridos e nem sempre conseguimos entender a lógica do seu funcionamento. Para complicar ainda mais, a natureza nos deu o dom do pensamento e da memória. A partir daí, idealizamos e entramos em choque com o real. Essa angústia é inerente ao ser humano.
Vejam as galinhas, as maiores amigas do homem (não é o cahorro e nem o uísque). Simplesmente vivem. Ciscam, poem seus ovos em paz (não sei se curtem a TPM diária, as consequências da ovulação constante). Não têm preocupações com o comunismo, com as oscilações das bolsas de valores, não poluem os oceanos e nem os ares. Simplesmente vivem sem idealizar nada do que seja. Com seus olhos de galinha, não enxergam nada que não seja a realidade imediata: a comida, os pequenos insetos que as alimentam, a água para beber, etc. Tudo muito simples.
A complexidade da vida quem inventou fomos nós, os humanos. Adulteramos a natureza, criamos máquinas nem sempre úteis, evoluimos, perdemos a nossa condição intuitiva e instintiva. Inventamos a literatura, as religiões, as leis, as regras sociais, os sentimentos baratos, a angústia e a infelicidade. E ainda nos achamos feitos à semelhança de algum ser superior existente.
Somos realmente inteligentes ou a inteligência foi apenas mais um mecanismo diabólico inventado para a nossa infelicidade?
Sei que não é de bom aviltre filosofar antes da hora do almoço. Sabe como é: a barriga vazia, a hipoglicemia podem nos fazer delirar, inventar fantasias, nos trair. Como seres perdidos no deserto, andamos em cículos sem nos encontrarmos e ficamos a delirar, imaginando fantasias exóticas e oásis ideais.
Que diabo de mundo é esse onde o pensamento do ser humano em vez de levá-lo à felicidade cria dicotomias, guerras fratricidas, insatisfações, violência, artificialismos degradantes.
Sei lá! A vida é curta, passa depressa e nem sempre devemos alimentar a ilusão de que temos controle sobre isso tudo.
Imaginem se usassemos mais de 10% da nossa cabeça animal. Poderia ser muito pior. O mundo é simples se o entendermos como o vemos, sem idealizações bobas e sem fantasias construtivistas inúteis.
Não sei se isso é possível, já que essa crônica besta é mais uma divagação, uma construção teórica sobre o nada.
Mas que ao menos tentemos exercitar a simplicidade e a compreensão.
Antes que o outro nos destrua.

Recife, 2010

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A beata de amarelo



A BEATA DE AMARELO

Feito no dia 16 de julho de 2009, dia da comemoração do centenário de Nossa Senhora do Carmo como padroeira do Recife.

Vídeo de Clóvis Campêlo

Todas as mulheres do mundo


TODAS AS MULHERES DO MUNDO

Clóvis Campêlo

TÂNIA FRANÇA

Rústico ambiente,
ânsias de verdes varandas,
mar de azul fremente.

DALVA AGNE LYNCH

Cordeiro divino,
imenso abismo purpúreo,
astro matutino.

VERÔNICA AROUCHA

Doce irmã dos pássaros,
frequentes tardes bucólicas,
estrelado lábaro.

CONCEIÇÃO PAZZOLA

Solidez de pedras,
influente demiurga,
altivez que medra.

VILMA ABUBUA

Voz da liberdade,
doce água do afluente,
clara luz que arde.

LIRIS LETIERES

Colo amorenado,
libertária voz poética,
pureza imagética.

MARTHA GALRÃO

Olhos de remanso,
dorso largo de enseada,
flor ensimesmada.

OLGA MATOS

Música dos pampas,
correnteza do rio grande,
natural estampa.

LUCELENA MAIA

Pálidos crisântemos,
precipitadas crisálidas,
sabores amenos.

CRISTINA HENRIQUES

Imensa, frenética,
acridoce melodia,
intensa alegria.

SÍLVIA CÂMARA

Nota em tom maior,
sinfonia campesina,
siará menina.

GERLANE NEVES

Romântico cais,
sonoro caleidoscópio,
cores tropicais.

CIDA MACHADO

Sólido refúgio,
florido jardim edênico,
mito ecumênico.

IRANI PAIVA

Firme elegância,
côco verde e tamarina,
forte substância.

ALINE MACHADO

Carne feita em pedra,
areias de Moçambique,
consciente dique.

CLÁUDIA CORDEIRO

Musa inspiradora,
alicerce dos poetas,
luz que nos desperta.

SIMONE GUIMARÃES

Deusa carioca,
samba-enredo cristalino,
esplêndido hino

JACIARA SENA

Olhos verde-mar,
tranquilo sorriso franco,
puro linho branco.


Recife, 2008

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A mão


A MÃO
Recife, 23/11/2014
Vídeo de Clóvis Campêlo


O círculo e o quadrado


O CÍRCULO E O QUADRADO
Palmares/PE, 1996
Fotografia de Clóvis Campêlo


O verdadeiro caminho do sol


O VERDADEIRO CAMINHO DO SOL

Clóvis Campêlo

O verdadeiro caminho do sol
despe-se do escuro
e veste-se de verde.
Talvez seja apenas
uma linha reta,
insípida e previsível,
mas nele está contida
toda a alegria da manhã.
O verdadeiro caminho do sol
descerra-me o azul piscina
pairando sobre a cidade.
Talvez seja apenas
a abóbada celeste
diariamente reinventada
pela Natureza,
mas nele eu mergulho
a minha alegria
recém despertada.

Recife, 2010

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A Via Mangue


A VIA MANGUE

Travessia da Via Mangue, nova via de acesso ao bairro da Boa Viagem.

Recife, 22/11/2014.
Vídeo de Clóvis Campêlo

Marcos Lothar


MARCOS LOTHAR

Depoimento de Marcos Lothar, ex-integrante do JUBRAPI, músico, compositor e líder na comunidade do Encanta Moça, no Pina. Depoimento prestado em 23/8/2009 a Clóvis Campêlo.

Corda de caranguejos


CORDA DE CARANGUEJOS
Cujupe/MA, 2012
Fotografia de Clóvis Campêlo


Meninos do Brasil


Fotografia de Clóvis Campêlo/1993

MENINOS DO BRASIL

Clóvis Campêlo

Os meninos do Brasil olham o futuro sem medo. Olhares miscigenados, cafusos. De que riem os caborés? Talvez das nossas caras pálidas de quem tudo quer e nada oferece em troca. Riem desarmados, confiantes, alegres e serenos. Felizes.
As gravuras na parede compõem o cenário da fé. No balcão, mezinhas, cafés, vidros reutilizados, um comércio tênue, sazonal.
Na tosca casa de taipa em Juazeiro do Norte, no Ceará, uma incrível estrela do mar, branca, orienta-lhes o caminho do sertão ao litoral.


Recife, 2010

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Spok Frevo Orquestra


SPOK FREVO ORQUESTRA
Gravado quando da posse do maestro Spok na Academia Pernambucana de Música, Recife, 19/5/2010.
Vídeo de Clóvis Campêlo



Hilton Sette


HILTON SETTE
Recife/PE, 1991
Fotografia de Clóvis Campêlo


domingo, 23 de novembro de 2014

O surto

O SURTO

Video feito em 16/7/2009 durante as comemorações do centenário de Nossa Senhora do Carmo como padroeira do Recife.


Papangu


Fotografia de Clóvis Campêlo/1994

PAPANGU

Clóvis Campêlo

Para nós, recifenses, já se tornou uma tradição, no domingo de carnaval, subir a Serra da Russa, rumo à cidade dos Bezerros, para assistir a Folia de Papangus.
Situada no agreste de Pernambuco, a cerca de 90 quilômetros do Recife, a cidade tem um carnaval tranquilo e que lembra os carnavais de outrora.
No domingo, a partir das 9 horas da manhã, na Praça de São Sebastião, começa o desfile oficial dos papangus, com direito a premiação e tudo mais.
Dizem que tradição dos papangus surgiu no início século passado, quando um grupo de amigos saia fantasiado com máscaras de pano para comer e beber sem ser reconhecido.
Como a comida servida era a base de milho, o famoso angu nordestino, o nome pegou e terminou, ao longo dos anos, por transformar uma brincadeira entre amigos em uma das atrações mais prestigiadas do carnaval pernambucano.


Recife, 2010

sábado, 22 de novembro de 2014

Valmir Sá


Depoimento de Valmir Sá, integrante do Jubrapi (Juventude Unida de Brasília e Pina) nos anos 60 e 70. Recife/PE, 22/7/2009.

Mesquisedec Pastor e João Câmara


MELQUISEDEC PASTOR E JOÃO CÂMARA
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 1991

Aconchego



ACONCHEGO

Clóvis Campêlo

No teu colo, calo
mas a carne não renega
o meu mudo falo.


Recife, 2010

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Liêdo Maranhão declama Baudelaire


LIÊDO MARANHÃO DECLAMA BAUDELAIRE
E fala sobre a solidão
Olinda, 13/01/2010
Vídeo de Clóvis Campêlo


Wilson Araújo de Souza


WILSON ARAÚJO DE SOUZA
Recife, 1991
Fotografia de Clóvis Campêlo


Com o sol em capricórnio


COM O SOL EM CAPRICÓRNIO

Clóvis Campêlo

Vocês verão
com o sol em Capricórnio,
vocês verão
com o sol nos olhos dela -
janela da alma,
tranquila, serena
e calma -
que o passado
é tão somente
um velho filme
guardado
nos porões
da mente
e se agitar
é lance
de Sagitário.
Pois é preciso coragem
pra mexer
no lado acidental
dos corações;
pois é preciso coragem
pra mexer
no lado ocidental
de velhas transações.

Recife, 1976

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Antônio Abujamra declamando Auto-Retrato


O prazer de ver  o meu poema AUTO-RETRATO declamado por Antônio Abujamra no seu programa Provocações, em julho de 2013.

Um novo refrão


UM NOVO REFRÃO
Recife, 2008
Fotografia de Clóvis Campêlo


Querer é poder?


QUERER É PODER?

Clóvis Campêlo

Querer não é poder, querer é saber!
Saber ter sossego, saber olhar,
saber cheirar, atar elos
e desatar nós.
O querer pode ser forte
mas também tem de ter
uma boa dose de sorte.
Sorte de estar no lugar certo,
na hora certa;
sorte de ter o desejo
possível e uma saudade
não patológica.
Enfim, ter um norte.
Querer é saber que o todo,
o tudo, os cabelos, a pele,
o mundo formam um só
corpo e como corpo
sólido que é, não pode
contraiar as leis da física
dos homens e ocupar
de outro corpo sólido
o mesmo lugar no espaço.
Finalmente, querer é saber
que tudo é possível
porque tudo se inventa.
E quando a gente se
contenta com a própria
invenção, independentemente
das convenções sociais ou dos
sentimentos de posse mesquinhos
o querer pode ser tão bom
e tão simples
como simples e bom
é o prazer de
querer e de ter.


Recife, 1994

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Jomard Muniz de Britto


JOMARD MUNIZ DE BRITTO
Recife, 1991
Fotografia de Clóvis Campêlo


Salve o povo brasileiro!


SALVE O POVO BRASILEIRO!

Clóvis Campêlo

De onde vem essa raça,
de onde vem essa força,
de onde vem essa fé?

Que imagens vêem esses olhos,
que caminhos pisam esses pés,
que futuro constróem essa mãos?

Por onde anda o povo brasileiro?
De onde ele vem e pra onde ele vai?

Com que letras se escreve a sua luta,
de que se alimenta a sua coragem?
Da secular fé mariana ou dos restos da
lata do lixo?
Do passado calejado dos seu velhos ou
do olhar tranquilo das suas crianças?

Em quantas ideologias se baseia a sua
consciência?
Nas utopias revolucionárias dos tempos
modernos,
no conhecimento pragmático dos seus
ancestrais subjugados e dizimados
ou no imaginário lúdico empresarial do
homem contemporâneo?

Pouco importa! Entre dúvidas e
certezas, tristezas e alegrias, dia a dia,
o povo brasileiro escreve a sua história.

Salve o povo brasileiro!

Recife, 1999

terça-feira, 18 de novembro de 2014

À margem do rio


À MARGEM DO RIO
Recife, 2003
Fotografia de Clóvis Campêlo


Sólido


SÓLIDO

Clóvis Campêlo

Tudo se liga, tudo se ata
formando um artefato sólido
que se desmancha como um bólido
ao corromper a inércia inata.

Recife, 1994

sábado, 8 de novembro de 2014

Quem viver, verá!



QUEM VIVER, VERÁ!

Clóvis Campêlo

Interessante essa história de José Sarney apoiar Dilma Rousseff e votar em Aécio Neves para presidente. Mais interessante, ainda, foi a desculpa dada por ele ao ser flagrado no ato. Disse que assim o fizera em homenagem a Tancredo Neves, avô de Aécio e primeiro presidente civil eleito pelo colégio eleitoral do Congresso Nacional.
Tancredo foi eleito mas não assumiu a Presidência. Uma diverticulite mal curada nos poupou do seu governo. Para quem não se lembra, foi o próprio Sarney, na condição de vice-presidente eleito, que se tornou o primeiro presidente civil pós-ditadura.
Como um pouco de história não faz mal a ninguém, vale lembrar também que Tancredo e Sarney bateram chapa com Paulo Maluf (ele mesmo!) e Flávio Marcílio, os candidatos do Governo Militar de João Figueiredo. Vitória significativa com 480 votos (72,4%). O povo brasileiro foi às ruas e aplaudiu o fim da ditadura. Com a morte de Tancredo Neves, político oriundo do Partido Social Democrático (PSD) e um dos líderes do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) na luta pela redemocratização do país, assumiu José Sarney, instituindo a Nova República.
Transcrevo na íntegra a definição de Sarney dada pela Wikipédia: “José Sarney é o político brasileiro com mais longa carreira (59 anos) no plano nacional, superando o senador Limpo de Abreu (53 anos de carreira política e 36 como senador vitalício). Ruy Barbosa, o mais duradouro político no período republicano, foi senador por 31 anos contra os 36 de Sarney e Limpo de Abreu. Durante sua vida pública José Sarney atuou sob quatro constituições (1946, 1967, 1969 e 1988, esta última convocada por ele, no exercício da Presidência da República) e quatro governos sob a Constituição de 1946, seis no governos militares e, depois de seu mandato presidencial, cinco sob a Constituição de 1988 — 15 governos. Como parlamentar integrou 13 legislaturas, quatro como deputado federal e seis como senador. Era parte da oposição ao governo antes de 1964 e, a partir daí, parte das forças de apoio ao regime militar. Paradoxalmente, acabou sendo o primeiro presidente civil após o regime militar, em razão da morte de Tancredo Neves”.
Ou seja, na sua política longa e de certa forma coerente ideologicamente, talvez tenha sido esse o momento de maior sinceridade por ele expressado. Sozinho, no recesso da urna, não imaginava que alguém teria a perspicácia de observar-lhe o ato de cidadania e decifrar, pelos movimentos dos dedos, a definição do seu voto.
Cumprindo mais um mandato que lhe foi conferido pelo voto popular e um dos líderes do PMDB, partido fisiologista e com a maior bancada no Congresso Nacional, cujo apoio e composição é condição indispensável para viabilizar qualquer administração presidencial, Sarney ainda estará presente no cenário político brasileiro por um bom tempo.
Quem viver, verá!

Recife, novembro de 2014

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Liberdade de imprensa, responsabilidade e ética


LIBERDADE DE IMPRENSA, RESPONSABILIDADE E ÉTICA

Clóvis Campêlo

Liberdade de imprensa pressupõe responsabilidade e ética. Não é admissível que uma grande revista nacional, na véspera do segundo turno da eleição presidencial, divulgue reportagens dúbias e afirmações não comprovadas. Mais do que isso, aliás, informações que atingiam em cheio a candidata Dilma Rousseff e que depois seriam desmentidas pelos envolvidos.
Não é de se admirar, também, que no dia da eleição tenha sido forjada na internet a notícia de que o doleiro Alberto Youssef teria sido encontrado morto no hospital onde estava internado, numa atitude de provável queima de arquivo. Essa última notícia foi desmentida pela própria fila do doleiro, que foi à imprensa afirmar que pai estava vivo e bem.
A mentira da revista Veja, afirmando que o Youssef dissera que Lula e Dilma sabiam de um possível esquema de corrupção na Petrobras, foi desmascarada pelo próprio advogado do doleiro, Antônio Figueiredo Basto. Em matéria publicada pelo Jornal do Commercio do Recife, no dia 31/10/2014, quando afirmou com convicção: “Asseguro que eu e minha equipe não tivemos nenhuma participação nessa divulgação distorcida. Acho mesmo que isso tem que ser investigado. Queremos uma apuração rigorosa”. Não é preciso que se seja um expert em contrapropaganda política para se perceber qual o objetivo da mentira e o boato. Não é mais possível que se confunda liberdade de expressão com irresponsabilidade e mentira.
Por coincidência, dois dias antes, o senador Jarbas Vasconcelos, do alto da tribuna do Congresso Nacional, pediu que haja uma fiscalização sobre a censura aos veículos de comunicação do País. O senador que não disputou a reeleição por não se sentir seguro, preferindo garantir um mandato de deputado federal na próxima gestão, entre outras bobagens, disse o seguinte: “Infelizmente a presidente da República já deu exemplos da sua postura autoritária e da sua falta de apreço pelas críticas e questionamentos. O Partido dos Trabalhadores também sinalizou claramente que pretende implantar medidas de cunho bolivariano contra a imprensa, copiando o que de pior surgiu na América Latina, nas últimas décadas”. E terminou o seu depoimento defendendo o direito da revista Veja de ir às ruas divulgando um fato categoricamente negado. Seria de se perguntar a serviço de quem está o senador.
Voltando à revista Veja, o advogado do doleiro negou que no dia 22 de outubro Youssef tenha citado Lula e Dilma, no âmbito da delação premiada, como sabedores do esquema de corrupção da estatal. Segundo ele, nesta data, nem mesmo teria havido depoimento. Convicto afirmou: “Isso é mentira. Desafio qualquer um a provar que houve oitiva da delação premiada na quarta-feira”.
Na verdade, as mentiras e os boatos não impediram a reeleição de Dilma Roussef. O povo brasileiro passou por cima disso e lhe garantiu mais quatro anos de governo e avanços sociais.

Recife, novembro 2014