domingo, 30 de agosto de 2015

Barcos na bacia do Pina


BARCOS NA BACIA DO PINA
Bairro do Pina
Recife, 2009
Fotografia de Clóvis Campêlo

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

A Via Mangue





A VIA MANGUE
Bairro do Pina
Recife, agosto 2015
Fotografias de Cida Machado

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Escola de Capoeira Angola



ESCOLA DE CAPOEIRA ANGOLA
Pátio da Santa Cruz
Bairro da Boa Vista
Recife, agosto 2015
Fotografias de Clóvis Campêlo

domingo, 23 de agosto de 2015

Igreja da Santa Cruz











IGREJA DA SANTA CRUZ
Pátio da Santa Cruz
Bairro da Boa Vista
Recife, agosto 2015
Fotografias de Clóvis Campêlo

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Expressões do meu tempo


José Saramago

EXPRESSÕES DO MEU TEMPO

Clóvis Campêlo

Logo que casei e a minha mulher ainda estava impregnada pelo “maranhês”, a língua popular que se fala no interior do Estado do Maranhão, gostava de utilizar uma expressão que tanto podia significar coisas boas como coisas ruins: “Adeus, tia Chica!”. Uma expressão mais ou menos como o “arretado” pernambucano. Assim, acontecesse algo positivo, logo vinha o “Adeus, tia Chica” dela e o meu “arretado” de aprovação. A mesma coisa para os fatos negativos: as duas expressões se aplicavam da mesma forma. Hoje, depois de 37 anos, quando ela já está impregnada pelo “pernambuquês” do Recife, o “Valeu, tia Chica!” foi substituído definitivamente pelo “arretado”. Coisas da adaptação cultural de cada um.
Todo esse preâmbulo (ou será uma digressão?) serve para lembrar a expressão “conscientizar” que usávamos no grupo Juventude Unida de Brasília e Pina, o Jubrapi, no Pina da minha adolescência, quando nos referíamos à suposta ignorância política em que vivia o povo brasileiro daquele tempo.
Éramos pretensiosos. Achávamos que tínhamos a solução política para aquela população que, de uma forma ou de outra, vivia feliz e isenta de angústias políticas. Havia uma ditadura militar? E daí? Havia também uma praia maravilhosa para que os jovens pobres ou remediados da periferia exercitassem o futebol, a pesca e o namoro. Teriam coisas melhores do que isso?
Mas, insistíamos na tese e na prática de que quando o povo tomasse conhecimento dos absurdos do capital e da mirabolância do marxismo, o mundo seria outro, bem mais justo e equânime. Assim vivi a contradição juvenil de dividir-me entre os prazeres da vida na praia e as obrigações da militância no salão paroquial da igreja. Porém, foi nessa época que conheci pessoas com as quais mantenho uma relação sincera de amizade até os dias de hoje. Ao menos, restou algo consistente e prazeiroso.
Alguns desses amigos, hoje, nem mesmo mais professam o credo marxista/socialista. Alguns até, defendem teses opostas liberais em nome de um mercado evolutivo e que ao mesmo tempo se auto regule, Embora nem sempre concorde, não deixo de achar interessante e respeitar. Outros, negaram e renegaram o passado, mergulhando num auto exílio nem sempre agradável ou criativo. Talvez, estes sejam os mais doentes...
Nessa primeira fase, acreditava que o éden estava aqui e que dependia apenas de uma nova organização cósmica para manifestar a sua eficiência e consequências.
Uma outra expressão do meu tempo, e que perdura até hoje, era “fazer a cabeça”. Ou seja, depois de Marx e Engels, um pouco de Jimi Hendrix e Janis Joplin, a revolução ainda ocidentalizada do prazer e da libertação. “Fazer a cabeça” era abrir mão de um estado sólido de consciência e experimentar as possibilidades de novos experimentos físicos e químicos. “Are you experience?”, perguntava-nos Jimi Hendrix e quem não se arriscasse e encarasse essa onda, era boko moko e careta.
Recentemente, leio na internet uma frase do escritor português José Saramago, onde ele explicita que nunca tentou transformar ideologicamente alguém, por achar que essa atitude também é um ato de colonialismo político e cultural.
Grande visão, grande Saramago! Devia ter te conhecido há mais tempo quando as erupções da juventude me levaram por caminhos nem sempre coerentes.

Recife, agosto 2015

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Igreja da Madre de Deus








IGREJA DA MADRE DE DEUS
Bairro do Recife Antigo
Recife, julho 2015
Fotografias de Clóvis Campêlo

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Longevidade


LONGEVIDADE

Clóvis Campêlo

George Bernard Shaw morreu aos 94 anos de idade, no dia 2 de novembro de 1950. Treze meses depois, na cidade do Recife, no outro lado do Oceano Atlântico, eu nasci. Ou seja, nem contemporâneos fomos.
Mas, sempre me interessei por esse homem longevo, que lamentava a solidão da velhice e que evocava o socialismo com uma sinceridade quase comovente. Defensor intransigente da classe trabalhadora, sempre se colocou contra a sua exploração. Do mesmo modo, defendia direitos iguais para homens e mulheres, coisa impensável na sua época, e a socialização das propriedades produtivas. Um idealista, sem dúvida.
Dizia Shaw que o problema da vida longa era a ausência dos amigos já mortos e a sensação de solidão que disso advinha. Não se vive muito impunemente. Entre outras coisas, dizia: “As nossas escolas ensinam a moral feudal corrompida pelo comércio e oferecem como modelo de homens ilustres e que tiveram sucesso o militar conquistador, o barão ladrão e o explorador”.
Mas nem só de idealismos vivem os longevos. Dona Dita, a minha sogra, por exemplo, aos oitenta e cinco anos, manifesta uma simplória alegria em estar viva. Com a sua simplicidade ingênua, diz-se feliz na velhice e arremata: “Quem não quiser ficar velho que morra jovem”. Livre das doenças crônicas da terceira idade, como a hipertensão e a diabetes, ainda coloca a linha no fundo da agulha sem o uso dos óculos e curte uma cervejinha com moderação.
Tio Luisinho, outro macróbio da família, acaba de completar 99 anos de idade, comemorados com muita festa na cidade de Carolina, onde reside, situada no sul do Estado do Maranhão, às margens do rio Tocantins. Até algum tempo atrás, ainda se arriscava em passeios de bicicleta pela cidade pacata e bucólica.
Um outro tio da minha cara metade, o qual não lembro o nome agora, antecipou-se à família e mandou construir o esquife do seu funeral. Guardado em casa por longos anos, o caixão foi emprestado a vários amigos, antes de abrigar definitivamente o próprio dono. Ou seja, uma família cujos membros costumam viver muito.
Outro dia, ao comentar esse assunto com o amigo e escritor Urariano Mota, ele me recomendou: “Te cuida, Clóvis!”. Isso, num sábado pela manhã, no Mercado da Boa Vista, ao lado do poeta Miró da Muribeca e do amigo Joaquim, quando tudo conspirava contra a abstenção. Mas, contive-me e me comportei como deve se comportar um homem que ainda se recupera de um acidente vascular cerebral isquêmico. Experimentei apenas a gorda rabada servida pela simpática garçonete. Afinal, ninguém é de ferro!
Voltando a Shaw, era vegetariano e, quando lhe perguntavam o por que da sua jovialidade, respondia: “Aparento a idade que tenho. Os outros é que parecem ser mais velho. Mas, o que esperar de quem se alimenta com cadáveres?”.

Recife, agosto 2015

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Ponte Maurício de Nassau


PONTE MAURÍCIO DE NASSAU
Bairro do Santo Antônio
Recife, 2013
Fotografia de Clóvis Campêlo


terça-feira, 4 de agosto de 2015

No bairro do São José


O Mercado do São José

NO BAIRRO DO SÃO JOSÉ

Clóvis Campêlo

O fato mais pitoresco que eu me lembre, no bairro do São José, ocorreu nos anos 60, quando caminhava com o meu amigo Valmir Sá por uma das ruelas ao lado do Mercado e ele foi mordido por um cavalo de carroça, que comia o seu capim aparentemente sem problemas. Eu não imaginava que um cavalo pudesse morder alguém. A sorte do meu amigo é que o cavalo pegou o seu braço de raspão, apenas o arranhando. Imagino que a dentada poderia ter lhe arrancado um pedaço do braço. Por sorte, isso não aconteceu.
Uma outra lembrança, essa mais feliz, é a do Clube Batutas de São José, cuja sede funcionava no Cais de Santa Rita, nos anos 70. Por essa época, nos sábados à noite, acompanhado dos amigos José Arimateia, que hoje mora na cidade de Atibaia, em São Paulo, e Michael Madona, um inglês de pais indianos, que tocava guitarra magistralmente, gostava de frequentar as soirées. Quando o dia amanhecia, íamos para o Mercado de São José, tomar o café da manhã. Sempre nos finais das festas, Michael gostava de subir ao palco e dar uma canja com os músicos populares que animavam o baile. Sempre ficava extasiado com a qualidade e habilidade dos nossos músicos.
No bairro de São José, aliás, nasceram os amigos Liêdo Maranhão e Luiz Guimarães. No bairro, também nasceu Walmir Chagas, que hoje incorpora a malemolência do Véio Mangaba. Conta Mangaba que uma vez, no carnaval, em um dos becos do bairro, flagrou um folião fantasiado de palhaço fazendo sexo anal com outro fantasiado de índio. Irreverente como sempre, parou e gritou: “Ei, rapaz, respeite o índio. Ele é um patrimônio nacional!”.
Segundo Lúcia Gaspar, no site da Fundaj, pelo Censo do IBGE do ano 2000, o bairro, que tem uma área de 178 hectares, ainda possuía 8.653 habitantes.
Hoje, o bairro se transformou em uma área quase que eminentemente comercial. Segundo a autora acima citada, na década de 1930, o localera habitado por comerciantes, funcionários públicos, comerciários, portuários e outros representantes da classe média do Recife. Porém, há muito tempo, o bairro deixou de ser uma zona eminentemente residencial. São poucas as famílias que lá residem e não existem mais quintais e hortas como antigamente.
O ponto nevrálgico do bairro é o Mercado de São José, inaugurado em 1875, na área onde antes existia a Ribeira do Peixe ou Ribeira de São José. Sua estrutura de ferro foi projetada pelo engenheiro francês J. Louis Lieuthier, que se inspirou no mercado de Grenelle, em Paris.
Nas proximidades do Mercado, na Praça Dom Vital, está a Igreja da Penha, o maior templo católico do Recife, onde, todas as sextas-feiras, é celebrada a famosa benção de São Félix. Também na Praça, até certo tempo atrás, funcionava o Cinema Glória, local de programação pornográfica e de prostituição e encontros gays.

Recife, agosto de 2015

domingo, 2 de agosto de 2015

Igreja Matriz do Santo Antônio





IGREJA MATRIZ DO SANTO ANTÔNIO
Bairro do Santo Antônio
Recife, fevereiro 2013
Fotografias de Clóvis Campêlo


sábado, 1 de agosto de 2015

Nos embalos dos sábados recifenses


MICROFONE DO MERCADO DE SÃO JOSÉ

NOS EMBALOS DOS SÁBADOS RECIFENSES

Clóvis Campêlo

Sábado sempre é dia de reencontrar a cidade e arruar pelo Recife, como dizia um dos muitos Mários que por aqui passaram e se encantaram.
Hoje, costumo fechar esses dias de reencontro no restaurante do seu Chang, chinês que há mais de quarenta anos alimenta boêmios e glutões, no Pina, na esquina da Av. Conselheiro Aguiar com a Rua Tomé Gibson, a antiga Rua do Aeroclube. Lá, a especialidade são os galetos, linguiças e asinhas de frango, preparados com um tempero chinês que dona Fa, a esposa do seu Chang, não revela para ninguém. É comum reencontrar por lá velhos amigos pinenses e curtir um sábado regado a algumas cervejas e os quitutes do seu Chang. Imperdível, mesmo agora que já retirei as cervejas do meu cardápio.
Outra opção e alternativa saudável para fechar esses dias especiais, é o restaurante Itapoã, na praia do Bairro Novo, em Olinda. Ali, de frente para o mar histórico da Marim dos Caetés, degusta-se desde deliciosos frutos do mar a um frango à passarinha que é a especialidade da casa. Depois, um passeio no Alto da Sé e seus monumentos históricos, na parte alta de Olinda, um lugar onde a beleza natural não se cansa de nos encantar. Quase que invariavelmente é dessa forma que recarrego as baterias para iniciar a nova semana em grande estilo.
Como toda cidade histórica, o Recife tem informação e cultura por todos os lados e nos exige sempre uma atitude atenta e minuciosa na captação dessas preciosidades plásticas e visuais. Não sei se isso é provocado por meu olhar de filho apaixonado por essa mãe nem sempre gentil, mas não me canso de fotografar essa cidade e seu povo, sua arquitetura e seus monumentos, repletos de história e de acontecimentos que alavancaram mudanças e evoluções.
Infelizmente hoje, alguns desses logradouros, que outrora foram importantes, perdem-se no descaso, estão quase que abandonados pelos poderes públicos e pela grana da iniciativa privada, que, como já disse o poeta, ergue e destrói coisas belas. Afinal, dentro de uma visão política e econômica que me permite questionar tais coisas, embora nela admita uma certa utopia inviável, faço questão de não entender tal abandono. Afinal, para que serve o dinheiro senão para manter viva a nossa memória histórica e fomentar mudanças que beneficiem a sociedade a que as instituições deveriam servir como um todo?
Movido pelo chamado progresso e por outros interesses do sistema que nem sempre passam por aí (a não ser quando querem nos enganar e nos usar como massa de manobra), a cidade se transforma de uma maneira às vezes cruel e assustadora.
E na sua crueldade pragmática, termina por abrigar um povo cada vez mais insensível a essas questões, cada vez mais embrutecido pela necessidade de sobrevivência e pela necessidade de satisfazer falsos parâmetros de realização pessoal.

Recife, agosto 2015

PS.: No sábado passado, após rápida passagem pelo box de Microfone, no Mercado de São José, fico sabendo através de Marcos, seu sobrinho, que no alto dos seus oitenta e poucos anos, afetado pelo Mal de Alzheimer, Microfone já não atina para mais nada e nem reconhece mais ninguém. Lastimável! Mas, é assim que a vida segue.