sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Sobre cores e goleiros


Lev Yashin, o Aranha Negra

SOBRE CORES E GOLEIROS

Clóvis Campêlo

No futebol, os goleiros sempre foram participantes diferenciados. Tanto é assim que dentro da pequena área, onde ele pisa, a grama não cresce. Além do mais, em um esporte que é praticado com os pés, dentro da grande área, ele é o único atleta que pode movimentar a bola com as mãos. O goleiro, em geral, submete-se a um treinamento mais intensivo do que o dos outros jogadores - e com um treinador específico -, pois precisa ter muito mais atenção, rapidez e elasticidade que os demais, embora muitas vezes careça de outros dotes. Em suma, é um atleta normalmente com caraterísticas muito distintas dos demais jogadores. E, diferentemente dos outros futebolistas, nunca pode falhar. A sua falha pode significar a derrota da equipe e o seu ostracismo. Grandes goleiros já passaram por isso.
Desde os tempos de antigamente que essa diferenciação também se reflete na sua indumentária. O traje do goleiro diferencia-se do traje dos outros jogadores da sua equipe. Naquele tempo distante, os goleiros vestiam-se de preto ou de cinza. O russo Lev Yashin, um dos maiores goleiros da história do futebol mundial, só jogava de preto, o que lhe rendeu a alcunha de Aranha Negra. Começou como goleiro de hóquei no gelo, passando depois a atuar no futebol de campo. Consta que durante a sua carreira, teria defendido cerca de 150 penaltes. Gostava de jogar se antecipando e projetando-se para fora da área, como um líbero.Pela seleção soviética de futebol, participou das Copas do Mundo de 1958, 1962, 1966 e 1970, embora nessa última, já aos 40 anos, tenha ido apenas como reserva. Fã do futebol brasileiro e do goleiro Gilmar, do Santos e da Seleção brasileira bicampeã do mundo, em 1965 obteve licença de seu governo para visitar o Brasil, escolhendo a cidade do Rio de Janeiro. Passava as manhãs na praia e às tardes treinava os goleiros do Flamengo, onde também mantinha a forma. Faleceu em 1990, aos 60 anos de idade. Sempre de preto, tornou-se uma lenda do futebol.
No futebol brasileiro dos anos 60, quem quebrou o estigma de jogar sempre de preto ou de cinza, foi o goleiro Raul Plassmann, do Cruzeiro. Na fortíssima equipe mineira de então, ao lado de Tostão, Piazza e Dirceu Lopes, gostava de usar uma camisa amarela. Essa diferenciação lhe rendeu na época o apelido de Wanderléa, numa referência pejorativa à musa da Jovem Guarda. Raul jogou ainda no São Paulo e no Flamengo de Zico, onde encerrou a sua carreira. Pela seleção brasileira de futebol, atuou apenas 17 vezes.
Dois outros grandes goleiros, que romperam com o estigma de serem apenas defensores passivos, foram o colombiano René Higuita e o brasileiro Rogério Ceni. Higuita, com seu longo cabelo cacheado, uniformes estranhos e um jeito peculiar para criar as maiores maluquices, o goleiro se tornou ícone da irreverência dentro de campo. Seu estilo "louco" de jogar, em que saia de sua área jogando e driblando adversários muitas vezes interferia no resultado do jogo (favorável ou desfavoravelmente). Higuita também ficou famoso por seus gols de faltas, de pênaltis, e pela folclórica defesa escorpião, em que se joga para frente defendendo a bola com os pés. Enfim, um goleiro maluco e colorido como nunca antes se havia visto no futebol mundial.
Revelado em 1990 pelo Sinop, do Mato Grosso, Rogério ceni foi contratado no mesmo ano pelo São Paulo, equipe da qual é titular desde 1997. Sua principal característica é a lealdade ao clube que serve, sendo atualmente o jogador que mais vestiu a camisa de um mesmo clube na história do futebol mundial, tendo superado Pelé, que vestiu a camisa do Santos em 1.116 jogos, além do norte-irlandês Noel Bailie, que mantém o recorde europeu com 1.013 jogos pelo modesto Linfield, e Ryan Giggs, que disputou 963 partidas pelo Manchester United.
Ceni possui inúmeros outros recordes expressivos, tal como o de maior goleiro-artilheiro da história do futebol mundial (com 129 gols até o momento), o jogador que mais vezes foicapitão de uma mesma equipe (961 jogos), e também o de jogador que mais venceu por um mesmo clube na história (com mais de 601 vitórias, batendo o recorde de Ryan Giggs, que era de 589 vitórias).
Destaca-se por ser o maior goleiro-artilheiro na história do futebol mundial até hoje. Sua precisão nas cobranças, tanto de faltas quanto de pênaltis, fizeram dele, em agosto de 2006, o goleiro com o maior número de gols marcados na história do esporte, superando o paraguaio Chilavert.
Chama a atenção também por ser o jogador com mais vitórias pelo mesmo time, superando o britânico Ryan Giggs, do Manchester United, que possui 589 vitórias. Ultrapassou essa marca no jogo contra o Goiás, em 27 de outubro de 2014, em jogo válido pelo campeonato brasileiro.
Outro recorde batido por Rogério foi o de jogador com o maior número de partidas como capitão em jogos oficiais: 866, contados entre 14 de agosto de 1994 e 24 de novembro de 2013. O número atual é de 953 partidas.

Recife, novembro 2015

sábado, 14 de novembro de 2015

Barcos na bacia do Pina


BARCOS NA BACIA DO PINA

Fotografia e pesquisa de texto de Clóvis Campêlo

Segundo o site Pesca Nordeste, em artigo assinado por Chrony Joseph, a capital pernambucana é conhecida mundo afora como a Veneza brasileira. O emaranhado de rios que entrecorta a metrópole nordestina lembra os canais da cidade italiana e faz da presença ribeirinha uma realidade sempre presente na vida de seus conterrâneos. Hoje, já fortemente marcada pela presença humana, não mostra mais a exuberância de outrora, porém, mesmo após anos de agressão, a vida natural teima em mostrar a sua resiliência.
Um exemplo palpável dessa realidade é a Bacia do Pina,composta pelas confluências dos rios Capibaribe (braços sul), Tejipió, Jordão e Pina. Com características estuarinas, a região sofre os impactos ambientais causados pelo homem, principalmente despejos de esgotos domésticos e industriais. Tem grande importância para a população local, pois é a principal fonte de alimentação de comunidades carentes que subsistem em seu entorno através da pesca.
Segundo matéria publicada no Jornal do Commercio do Recife, em 14/3/1999, assinada por Alex Maurício Araújo, a Bacia do Pina está situada após a bacia portuária do Porto do Recife, em plena zona urbana da cidade e é separada do Oceano Atlântico por meio de um dique, o qual impede o contato direto de suas águas com as do oceano. Possui uma extensão de aproximadamente 3,6 quilômetros e larguras variáveis, sendo a mínima de 0,26 quilômetros, e a máxima de 0,86 quilômetros, perfazendo uma área total de espelho d'água de aproximadamente 2,02 quilômetros quadrados.
É um ambiente dinâmico do ponto de vista hidrográfico com características estuarinas sujeitas à ação das marés provenientes do Porto do Recife e às alterações ambientais devido aos despejos de efluentes domésticos e industriais nos seus rios formadores (Tejipió, Pina, Jordão) e contribuinte (Rio Capibaribe via braço morto e antiga ponte giratória). Durante o verão, época mais crítica em termos ambientais, a contribuição das vazões dos rios fica minimizada relativamente à das águas do mar.

Bairro do Pina
Recife, 2000


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Escultura de Chico Science



ESCULTURA DE CHICO SCIENCE

Fotografias e pesquisa de texto de Clóvis Campêlo

Segundo o site da Prefeitura da Cidade do Recife, a obra faz parte do projeto Circuito da Poesia e foi confeccionada pelo artista plástico Demétrio Alves, à base de fibra de vidro.

O Circuito da Poesia é constituído ainda pelas estátuas de João Cabral de Melo Neto, na Rua da Aurora; Manoel Bandeira, também na Aurora; Clarice Lispector, Praça Maciel Pinheiro; Mauro Mota, na Praça do Sebo; Chico Science, no memorial do artista (Rua da Moeda); Solano Trindade, no Pátio de São Pedro; Ascenso Ferreira, no Cais da Alfândega; e Luiz Gonzaga, na Estação Central do Metrô. O projeto foi iniciado em 2005 e concluído em 2007 e tem por objetivo homenagear expoentes da cultura pernambucana e aproximar a história deles do público recifense.
Segundo o Diario de Pernambuco, a imagem do compositor e criador do manguebeat não poderia estar em outro local. A Rua da Moeda, no Bairro do Recife é o ponto original dos eventos do movimento mangue e faz parte do Polo Anfândega, junto com as Ruas Madre de Deus, da Alfândega, Aluísio Periquito, Aluísio Magalhães e trechos da Vigário Tenório e Alfredo Lisboa. O movimento, que mistura ritmos regionais com rock, hip hop, samba-reggae, funk e rap nasceu no Recife da década de 90 e foi responsável por colocar Pernambuco nos holofotes da cultura em todo o mundo.

Bairro do Recife Antigo
Recife, julho 2015


sábado, 7 de novembro de 2015

Igreja Matriz da Boa Vista











IGREJA MATRIZ DA BOA VISTA
Fotografias e pesquisa de texto de Clóvis Campêlo

Segundo a historiadora Semira Adler Vainsencher, em texto publicao no site da Fundaj, "Situada no bairro da Boa Vista, a Igreja Matriz da Boa Vista é considerada como um dos templos mais bonitos do Recife. A sua construção teve início em 1784, porém os trabalhos só foram concluídos 105 anos depois (em 1889), graças aos novos recursos votados pela Assembléia Provincial de Pernambuco.
O altar-mor da igreja não apresenta imagens: apenas o Cordeiro de Deus e o Santíssimo Sacramento, gravados na própria pedra de cantaria (por um artista pernambucano), e que são expostos diariamente aos fiéis. No interior da matriz, existem vitrais e pinturas de valor. Entre duas figuras de mulheres sentadas, vê-se um cisne, com as asas abertas e um longo pescoço. Estão presentes anjos, vasos, mostradores de relógios e guirlandas.
A fachada, toda em pedra de cantaria e sem pintura, possui um estilo renascentista, equivalente ao santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, cidade situada ao norte de Portugal. Os blocos de pedras vieram de Portugal, sendo necessário de três a quatro juntas de bois para conseguir retirá-los dos navios lusos, que estavam ancorados no porto do Recife, e levá-los até às obras. Observa-se na fachada, ainda, oito grossas colunas, de capitéis dóricos (na parte inferior) e capitéis coríntios (na parte superior)".

Bairro da Boa Vista
Recife, julho 2015