quinta-feira, 31 de março de 2016

O índio da Rua Duque de Caxias



Fotografias de Clóvis Campêlo / 2015

O ÍNDIO DA RUA DUQUE DE CAXIAS

Clóvis Campêlo

Confesso que nunca havia prestado atenção àquela figura. Foi Liêdo Maranhão, nas nossas andanças dos sábados, que nos levou, a mim e ao poeta José Rodrigues da Silva Fiho, para conhecê-lo.
Mas mesmo Liêdo, nas suas inquietações e pesquisas, não tinha muito para nos dizer. Sabia apenas que ali, naquele prédio, havia funcionado um armazém de tecidos. E só.
Em busca de maiores informações sobre o índio da Rua Duque de Caxias, situada no bairro do Santo Antônio, no centro histórico do Recife, pesquiso na internet e descubro uma edição do Jornal do Commercio do Recife, de 31 de agosto de 2014, onde o arquiteto pernambucano José Luiz Mota Menezes faz referência à imagem: "Na Rua Duque de Caxias, a função do índio, que remete ao homem nativo, é sinalizar a numeração dos prédios. A figura, de cocar e saia de penas, segura numa das mãos a placa com os números 340 e 350".
Segundo o arquiteto, os enfeites decorativos são típicos da arquitetura eclética europeia, copiada pelo restante do mundo. Ainda segundo ele, as imagens chegavam ao Recife por meio de gravuras e litografia".
A mesma explicação, foi me enviada pelos escritores Urariano Mota e Leonardo Dantas Silva em resposta ao e-mail que lhes mandei solicitando ajuda. Essa mesma solicitação, aliás, foi feita por mim a outros amigos e intelectuais pernambucanos, sem que, no entanto, até o momento, me tenha chegado às mãos alguma outra informação.

Recife, março 2016

sábado, 19 de março de 2016

Em nome da democracia
















EM NOME DA DEMOCRACIA
Praça do Derby
Recife, 18/3/2016
Fotografias de Clóvis Campêlo

quarta-feira, 16 de março de 2016

Penso, logo desisto!


PENSO, LOGO DESISTO!

Clóvis Campêlo

Penso, logo desisto! A paráfrase talvez defina o estágio final da maturação do desencanto. E é controversa, já que a manutenção da vida exige persistência e não desistência.
Mas, nesse estágio, talvez desista-se da dualidade, da necessidade de confrontar o que se é com o que se quer ser. Finda a dualidade, finda-se a tensão e poderemos, então, desfrutar simplesmente do ser, sem indagações ou angústias. Fruir a vida como a vida realmente é.
Mas, se o paraíso é uma realidade pronta desde o início, por que necessitaríamos de criar antagonismos e sofrimentos? Que mania de perfeição é essa que nos faz sentimo-nos estranhos no ninho? Foi para isso que desenvolvemos a capacidade de pensar e a memória? Em caso afirmativo, a felicidade estaria na involução, na regressão ao útero materno?
Acho que nem Freud explica! Mas, mesmo assim, arisco-me a dizer que a incerteza do futuro (ou a certeza da morte!) é o que nos assusta. Retrabalhar o mundo poderia significar o adiamento da morte nossa de cada dia. Em um mundo perfeitamente recriado, existiriam menos perigos e ameaças. Em tese, poderíamos viver mais um pouco, e mesmo assim, nem nenhuma perspectiva de alcançarmos os patamares de Matusalém.
Determinados mecanismos nos fogem ao controle. Daí, talvez, a necessidade de transferirmos essa responsabilidade para uma força superior e clemente, capaz de reconhecer-nos o direito de uma sobrevida. Afinal, desistimos mas não somos bobos.
Não saberia dizer se nascemos isentos de conhecimentos ou intenções, ou se já trazemos no chip do nosso inconsciente um esboço das pretensões cósmicas dos nossos ancestrais. Afinal, quem puxa aos seus não degenera!
Mas, do mesmo modo que as nossa vidas dependem de mecanismos intrínsecos que nos fogem ao controle, o mundo em que vivemos também segue essa regra. Querer mudá-lo pode significar esbarrar nas impossibilidades da mudança, embora o pensamento não o entenda. E não o entendendo o pensamento, sobram-nos as inquietações e as angústias. Daí a exatidão do dito popular: “O que não tem remédio, remediado está!”.
O ímpeto da mudança, portanto, assim como as angústias e inquietações consequentes, são inerentes ao ser humano (penso). Não existem (ou sobrexistem) em outras espécies animais. Entre esses, existe o olhar calmo da inefabilidade e do conformismo inconsciente. Impossível, porém, para nós, humanos, segui-los. A lei da evolução nos programou para contestar e planejar revoluções. Faz parte do nosso jeito estúpido de ser. E assim sendo, só nos resta viver!

Recife, março de 2016

sábado, 5 de março de 2016

A Casa da Cultura de Pernambuco









A CASA DA CULTURA DE PERNAMBUCO
Recife, 05/3/2016
Fotografias de Clóvis Campêlo