quarta-feira, 31 de julho de 2013

A maxambomba


A MAXAMBOMBA

Clóvis Campêlo

Segundo o pesquisador Neldson Marcolin, a maxambomba foi o primeiro sistema de transporte urbano sobre trilhos do Brasil, antecipando-se até mesmo aos bondes de burros.
Inaugurado em 1867, o serviço foi explorado pela firma inglesa Brazilian Street Railway Company Limited, após concessão dada pelo governo da Província.
Por essa época, ainda segundo o pesquisador citado, o Recife já era um importante centro financeiro e comercial. A implantação da maxambomba, uma corruptela da expressão inglesa machine pump (bomba mecânica), trouxe as condições necessárias para a impulsão do seu desenvolvimento.
Até os anos de 1860, proliferava o uso de cavalos e carroças para se enfrentar os terrenos alagadiços que compunham o cenário urbano recifense e se chegar a Olinda e aos povoados distantes que se formavam às margens dos rios. Por essa época, a população do Recife era de pouco mais de 75 mil habitantes. A implantação de uma ferrovia urbana percorrida pela pequena locomotiva e seus vagões de passageiros foi a solução encontrada.
De início, as locomotivas começaram puxando apenas três vagões, chegando, depois, a circularem com 17 carros. Até 1890, cada carro transportava 28 passageiros, sendo desenvolvido posteriormente um novo modelo que levava o dobro de passageiros.
As máquinas eram importadas da Inglaterra, chegando a existir no Brasil daquela época 14 locomotivas.
Com 22 quilômetros de trilhos e 20 estações, a maxambomba circulou no Recife até 1914, quando foi substituída pelos bondes elétricos.
Segundo o historiador Leonardo Dantas Silva, a implantação da maxambomba na cidade estimulou a construção de pontes para dar passagem aos seus trilhos, como a ponte de ferro que foi feita, em 1884, ligando os bairros da Capunga e da Madalena, e que antecedeu a atual Ponte da Capunga.

terça-feira, 30 de julho de 2013

O Quinteto Violado na Livraria Cultura





O QUINTETO VIOLADO NA LIVRARIA CULTURA
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 2008

sábado, 27 de julho de 2013

Lula no 5º Concut








LULA NO 5º CONCUT
Fotografias de Clóvis Campêlo
São Paulo, 1994

O que me atrai é o que me assusta


O QUE ME ATRAI É O QUE ME ASSUSTA

Clóvis Campêlo

Evoluir talvez seja quebrar paradigmas, romper convenções, desafiar a lógica. Se respeitarmos sempre as normas, o mundo não se move no rumo das mudanças. Seguir fielmente os modelos pré-concebidos que nos são impostos, talvez seja a melhor maneira de se apodrecer em vida e alcançar altos níveis de insatisfação pessoal.
Como já disse o poeta, gente é pra brilhar e não pra morrer de fome ou de tédio. Navegar contra a correnteza, no entanto, exige uma certa dose de coragem e de irresponsabilidade controlada. E o que mais nos poderá amedontrar nessa "contravenção" rumo à liberdade, será a percepção de que em alguns momentos fundamentais estaremos completamente sozinhos ou "mal" acompanhados.
Esse sentimento, porém, embora possa ser assustador, será o combustível necessário e que servirá de alimento aos espíritos inquietos e renovadores.
Assim sendo, o caminho da segurança não contemplará necessariamente a rota da felicidade.
Por outro lado, a felicidade poderá ser reconhecida nos atalhos acidentados de quem forja o próprio caminho caminhando.
Destoar dos padrões gerais e imobilizantes também exige uma certa dose de cautela para que a carapuça da discriminação não nos caia sobre as cabeças. Os homens "corretos", com suas leis anti-naturais, não costumam perdoar.
Enfim, sentir-se livre talvez seja ter a certeza de que somos definitivamente responsáveis por nossas vidas, nossos riscos, nossos terrores e êxtases.
Viver em comunhão conosco mesmos e coerentes com os nossos planos de vida, só nos custa isso.
Que o fogo das nossas vidas seja como a chama de uma vela acesa, que para arder plenamente se auto-consome.
Não precisamos ter medo da felicidade e da auto-satisfação.

Recife, 2009

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Um jogo de palavras


UM JOGO DE PALAVRAS

Clóvis Campêlo

Que o futebol veio parar no Brasil, na virada do século XX, trazido da Inglaterra pelos filhos da nossa aristocracia, todos já sabem. Como consequência, durante décadas, as palavras de origem inglesa predominaram na nossa terminologia futebolística até se aportuguesarem ou serem substituídas por palavras da nossa língua.
Desse modo, durante muito tempo, zagueiro foi full-back; chuteira, boots; centroavante, center-four; cabeça de área, center-half; escanteio, corner; empate, draw; finta, dribbling; goleiro, goal-keeper; toque de mão, hands; pontapé inicial, kick-off; bandeirinha,linesman; jogo, match; juiz, referee; impedimento, off-side; jogador, player; cara ou coroa, toss; apito,whistle; etc.
Essa linguagem "antiga" nos veio novamente à tona durante a Copa do Mundo dos Estados Unidos, em 1994, e durante a Olimpíada de Atlanta, em 1996, ambas na terra de Tio Sam. Utilizada pela televisão americana nas transmissões, constituiu-se novidade para as gerações mais recentes, enquanto que para as gerações mais velhas trouxe recordações dos tempos voluntariosos do nosso futebol.
A influência da televisão na utilização de novos termos no jargão futebolístico, aliás, deu-se a partir da Copa do Mundo de 1970, no México, a primeira a ser televisionada para quase todo o planeta. Quem não se lembra do famoso repeteco que a televisão mexicana exibia no vídeo a cada jogada repetida na telinha? Era o progresso tecnológico operando o milagre da multiplicação das imagens e influenciando diretamente o nosso modo de falar.

ORIGENS E EQUÍVOCOS

De um modo geral, dos neologismos criados e que enriqueceram o linguajar do futebol alguns merecem destaque, como, por exemplo, a palavra gandula. Os modernos dicionários definem o termo como "menino incumbido de ir buscar e devolver a bola que sai de campo". Poucos sabem , porém, que o termo originou-se de um jogador argentino chamado Gandula que atuou no Vasco da Gama, do Rio de Janeiro. Muito gentil, ele apanhava a bola fora do campo para entregar ao companheiro de profissão encarregado de repô-la em jogo, mesmo quando era um adversário.
Dois outros termos interessantes, mas que não vingaram no gosto popular, foram balípodo e ludopédio. Tanto o primeiro, formado com os radicais gregos bales (bola) epodos (pé), quanto o segundo, do latim ludo (jogo) epedes (pé), foram criados pelos puristas de plantão para substituir o anglicismo futebol, sem sucesso. Consta ainda que o escritor Lima Barreto, por não suportar o esporte bretão, criou a palavra bolapé, usada por ele com um sentido pejorativo. Avesso às novidades modernosas, o escritor carioca via no futebol uma transgressão aos costumes da época.
Alguns outros termos criados são interessantes por fazerem referência direta ou indireta a jogadores que marcaram época no futebol brasileiro de outrora, embora muito destes termos já estejam em desuso. É o caso de belinada, rebatida violenta conforme o estilo de Bellini, o nosso capitão na Copa de 1958; charles, jogada inventada pelo hoje conhecido Charles Miller e que é feita com a parte lateral externa do pé; domingada, jogada defensiva falha e que foge ao estilo clássico com que Domingos da Guia domiva a apelota (outros, porém, consideram que o termo originou-se como uma referência pejorativa ao penalte sem bola cometido pelo grande jogador brasileiro na Copa de 1938);elástico, drible rapidíssimo inventado por Roberto Rivelino; jogar o fino, jogar bem e com inteligência, numa referência ao antigo jogador Danilo Alvim, que, por sua magreza, era conhecido como "o fino da bola";folha-seca, chute de muito efeito, com a bola parada, inventado pelo bicampeão Didi, e, garrinchada, usado quando um jogador tentava, sem sucesso, imitar os dribles desconcertantes de Mané Garrincha.

OUTRAS PALAVRAS

Outros termos tornam-se interessantes por fugirem ao sentido original, assumindo outras conotações: amarelar(correr do jogo por medo ou nervosismo); armandinho(jogador sem ímpeto ofensivo); arrepiar (jogada brusca e decidida na defesa); banheira (impedimento); bonde, perna-de-pau e cabeça-de-bagre (jogador de baixo nível técnico); cartola (dirigente de clube ou federação);catimba e cera (atitudes retardam o jogo e irritam o adversário); chapéu, lençol e banho-de-cuia (jogada aérea de efeito); frango ou peru (gol tomado facilmente pelo goleiro); morcego ou chupa-sangue (jogador que não esforça); traíra (jogador que se vende ao adversário); corta-luz, chuveirinho, etc.
Um grande criador de termos e máximas do futebol foi o falecido técnico Gentil Cardoso, que marcou época no futebol brasileiro nas décadas de 50 e 60. É dele, por exemplo, a expressão dar zebra, criada para determinar um resultado inesperado, numa referência ao clandestino jogo-do-bicho, já que a zebra não se encontra entre os vinte e cinco animais que o compõem.
Para finalizar, o termo canarinha, utilizado hoje para designar a seleção brasileira de futebol, devido a cor amarela das camisas, só surgiu a partir da Copa de Mundo de 1954. Antes, a nossa seleção utilizava camisas brancas como primeiro uniforme, abandonadas após a fatídica derrota na Copa de 1950. Para o nosso escrete,amarelar foi uma atitude que deu certo.

Publicado no jornal Folha de Pernambuco, Recife, 28.05.1998, 5ª feira, Caderno Copa 98, pág. 2.

Paredes


PAREDES
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 2013

terça-feira, 23 de julho de 2013

Paulo Cavalcanti






PAULO CAVALCANTI
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 1991

domingo, 21 de julho de 2013

Retratos do Recife











RETRATOS DO RECIFE
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 2013

Paredes


PAREDES
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 1992

sábado, 20 de julho de 2013

O querer


O QUERER

Clóvis Campêlo

Não te quero redundante,
cuspindo o óbvio e olhando
apenas o que os olhos vêem.
Quero-te inquisidora,
virando-se pelo avesso,
saindo da boca pra fora,
buscando a resposta
não importa qual seja
o preço.

Não te quero rotineira,
trilhando a mesmice que já
nos servem pronta e empacotada.
Quero-te a afrontar o perigo,
desbravadora dos sete mares,
correndo risco de vida
pois navegar é preciso.

Não te quero a lamentar
o tempo desperdiçado,
com os olhos cheios de nada.
Quero-te alvissareira
a desenhar no presente
o branco linho do futuro
qual ágil bordadeira.

Recife, 1991

Paredes


PAREDES
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 1992

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Paredes


PAREDES
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 1992

Ignácio de Loyola Brandão


IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 1991

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Paredes


PAREDES
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 1992

Revoluções por minuto


REVOLUÇÕES POR MINUTO
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 2013

As árvores do Recife e as meninas da China


AS ÁRVORES DO RECIFE E AS MENINAS DA CHINA

Clóvis Campêlo

Se é verdade que o prefeito de Nova York está plantando um milhão de árvores pelas ruas da cidade americana, por que não fazermos o mesmo no Recife?
Apesar de ainda ser uma cidade bem arborizada, a nossa Mauriceia há muito teve a sua cobertura vegetal primitiva modificada pela invasão de árvores exóticas e estranhas à flora natural da Mata Atlântica.
Assim, entendo que replantar a cidade seria devolver ao seu solo estas espécies perdidas ao longo dos anos.
Quem sabe, assim, restaurada a sua flora, não teríamos também de volta a fauna sumida ? Ao menos os passáros que ocupavam os nossos quintais nos anos que já se foram e que não voltam mais: cibitos, sanhaçus, canários, curiós, patativas goladas e choronas, papa-capins, caboclinhos, sangue-de-boi e outros tantos que perderam espaços para os pardais alienígenas.
Repensar a cidade também pode passar por aí.
Mudando de assunto, nos últimos dias a imprensa brasileira tem falado muitas bobagens sobre a China. Por conta da Olimpíadas de Pequim, talvez.
Essa história das duas chinesinhas cantoras, por exemplo, a que cantou e a que encantou, é uma delas.
Eu, porém, com a minha ingenuidade de caboclo recifense, acho apenas que o talento de uma complementou o talento da outra com sucesso e bom-gosto. E ambas sorriram felizes, no final feliz. Afinal, o espetáculo não pode parar.
O ideário do mundo ocidental moderno gosta de se alimentar destas besteiras sem fundamentos e suas falsas indignações.
Enquanto isso, na sala de injustiças, os vereadores do Recife estão saqueando o erário público municipal...
E haja saco para aguentarmos tudo isso.


Obs.: Texto publicado originalmente no blog Inútil Paisagem, em 16/8/2008.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Na Festa de Nossa Senhora do Carmo











NA FESTA DE NOSSA SENHORA DO CARMO
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 2013

terça-feira, 16 de julho de 2013

Paredes


PAREDES
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 1992

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Paredes


PAREDES
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 1992