terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A simplicidade da Raposa









Fotografias de Clóvis Campêlo/2012

A SIMPLICIDADE DA RAPOSA

Clóvis Campêlo

Segundo estimativas de 2009, naquele ano, a cidade da Raposa tinha mais de 25 mil habitantes. Com apenas 64 km², juntamente com Paço do Lumiar, São Luís e São José do Ribamar, está situada na Ilha de São Luís.
Segundo a Wikipédia, a cidade foi fundada no final dos anos 40 do século passado, por dois imigrantes cearenses, Antônio do Pocal e José Baiaco, que ali se estabeleceram com suas famílias. A cidade tem como atividades principais a pesca e a produção de rendas de bilro, ambas feitas de maneira artesanal.
Devido ao seu isolamento inicial, sem sofrer influência significativa das outras cidades da ilha, a comunidade foi considerada por muito tempo como uma ilha linguística cearense. Essa situação só se modificou a partir dos anos 60, com a construção do primeiro acesso rodoviário e o seu asfaltamento, em 1977.
Apenas em 1994, porém, conseguiu a sua emancipação política, separando-se de Paço do Lumiar e elegendo o seu primeiro prefeito.
Do ponto de vista turístico, seus principais atrativos são os passeios nas praias e dunas da região, seu vasto manguezal preservado e a gastronomia com frutos do mar e pescados. Afinal, a cidade abriga a maior colônia de pesca do Maranhão.
A tradição das rendas de bilro foi trazida pelas mulheres cearenses que formaram a primeira comunidade, sendo passada de mãe para filha desde as gerações iniciais. Quase todas as portas das moradias, geralmente palafitas construídas sobre o mangue, da rua principal, também chamada de Corredor das Rendeiras, abrigam pequenas lojas de artesanato, onde são comercializados toalhas de mesa, panos de prato, passadeiras, saídas de praia, chapéus, cortinas e outros artefatos confeccionados em renda de bilro por mulheres dos pescadores.
Também chama a atenção na Raposa o seu conjunto urbanístico de casas de madeira, tipo palafita, que apesar da simplicidade mostra a adaptação da comunidade ao meio ambiente em que vive.
Apesar do avanço do mar que se observa em alguns pontos das suas praias, a zona do cais chama a atenção dos visitantes pelo colorido dos barcos de pesca e pela escultura de São Pedro, o padroeiro dos pescadores. No outro lado, avista-se a praia de Carimã, consideradas uma das mais bonitas da ilha, repleta de dunas e lagoas, com aproximadamente 15 quilômetros de extensão. São as Fronhas Maranhenses, em referência aos Lençóis Maranhenses de Barreirinhas, assim chamadas por conta da sua menor dimensão territorial.

Fonte: Wikipédia

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Passaredo


PASSAREDO

Clóvis Campêlo

Minha casa tem palmeira
onde canta o sabiá;
guriatã de bananeira
que canta no pé de ingá;

tem sanhaçu, tem sebito,
rouxinol e curió;
por ser tudo tão bonito,
canto eu em fá e dó.

Na minha casa tem flores,
abelhas transando o mel.
A ave que lá gorjeia,

só fala dos meus amores.
Esse arremedo de céu,
meu coração incendeia.

Recife, 2013

domingo, 20 de janeiro de 2013

Os pássaros


OS PÁSSAROS

Clóvis Campêlo

Que me venha a passarada,
com toda a luz da manhã,
sem dor ou febre malsã,
ativando a madrugada.

Que cantem os sabiás,
anunciando a alegria
que vem no bojo do dia,
que se espalha pelo ar.

Que se perca a noite insone
na claridade do sol,
onde a vida se consome.

Pois viver é dividir-se
entre o bom e o ruim,
é cantar e iludir-se.

Recife, 2013

sábado, 19 de janeiro de 2013

Caboclos de lança





CABOCLOS DE LANÇA


Fotografias, montagens e pesquisa de textos de Clóvis Campêlo

Os caboclos de lança integram os maracatus rurais, também chamados de maracatus de baque solto ou maracatus de orquestra.
Segundo a escritora Virgínia Barbosa, em pesquisa publicada no site da Fundação Joaquim Nabuco, até a década de 1920, os caboclos de lança não despertavam tanto interesse e nem fascinavam as pessoas. Na sua maioria, eram trabalhadores das lavouras de cana-de-açúcar que viviam e desfilavam nas cidades interioranas de Pernambuco. A partir da década de 1930, no entanto, com a decadência dos engenhos banguês, o crescimento das indústrias e a modernização da economia, esses trabalhadores passaram a se deslocar do campo para as zonas urbanas das cidades litorâneas, notadamente da capital do Estado, trazendo consigo essa tradição cultural.
Embora a origem do maracatu rural ainda seja desconhecida, alguns pesquisadores acreditam que ele tenha surgido devido à mistura de vários elementos das culturas indígenas e africanas e de outros folguedos, como cambinadas, bumba-meu-boi, cavalo-marinho, caboclinhos, folia de reis, etc. Os caboclos de lança, que também são conhecidos como lanceiros africanos, caboclos de guiada ou guerreiros de Ogum, integram o maracatu de baque solto ao lado de outras figuras como o mateus, a catirina, a burrinha, o babau, o caçador, baianas, damas de buquê, a dama do paço, calungas e caboclos de pena.
Os caboclos de lança se submetem a um verdadeiro ritual, antes de saírem para as ruas durante o carnaval. Primeiro, abstinência sexual completa, que começa na sexta-feira anterior ao início do carnaval e vai até a quarta-feira de cinzas. Para não “abrir o corpo” e aumentar as suas defesas, o caboclo também não toma banho durante esses dias, obrigando-se a dormir sujo, do jeito que veio da rua. Existem ainda, antes da saída dos caboclos para o carnaval, cerimônias realizadas em terreiros, com a benção da lança e da flor, que carregam na boca, e com a tomada do azougue, coquetel preparado com pólvora, azeite e cachaça.
Suas vestimentas são formadas pelo chapéu de palha, ornamentado com fitas onde predomina a cor do seu guia espiritual; um lenço colorido, colocado no pescoço; uma grande gola coberta de lantejoulas, que cobre os ombros, o peito e as costas do caboclo; a fofa, calça frouxa com franjas; o surrão, uma armação com chocalhos que o caboclo carrega nas costas; os óculos escuros e uma flor presa nos lábios, geralmente um cravo branco.
O destaque especial é a lança de madeira, feita de imbiriba ou quiri, com dois metros de comprimento, cortada por eles mesmos na mata, assada e enterrada na lama por quatro a cinco dias, para endurecer; depois descascada e afilada na ponta de quatro quinas e coberta de fitas coloridas, com cerca de 60 cm, cada, consagradas e batizadas em um terreiro de umbanda, com rezas e defumadores.

Recife, 2011

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Buceta


BUCETA

Clóvis Campêlo

Na largura da buceta,
com a sua boca estreita,
passou toda a humanidade.

Recife, 2013

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

As histórias de São José do Ribamar










Fotografias de Clóvis Campêlo/2012

AS HISTÓRIAS DE SÃO JOSÉ DO RIBAMAR

Clóvis Campêlo

Terceira cidade mais populosa do estado do Maranhão, São José do Ribamar está situada a 32 quilômetros do centro de São Luís, ao leste da ilha. O seu nome é uma homenagem ao santo padroeiro do Maranhão.
Segundo a Wikipédia, o local onde situa-se a cidade era primitivamente uma aldeia indígena tradicional da etnia potiguaras. O nome atual da cidade decorre de uma lenda. Diz a tradição que um navio que vinha de Lisboa para São Luís devou-se da sua rota e em plena Baía de São José esteve ameaçado de ir a pique por conta de uma grande tempestade. Os tripulantes invocaram a proteção do santo homônimo, prometendo-lhe erguer uma capela na povoação ao longe avistada. Tal foi a força das súplicas, que imediatamente o mar se acalmou e todos chegaram a terra sãos e salvos.
Para cumprir a promessa, os sobreviventes trouxeram de Lisboa uma imagem colocando-a em uma igrejinha então erguida de frente para o mar. Ainda segundo a lenda, alguns devotos residentes na antiga Anindiba, hoje a cidade de Paço do Lumiar, retiraram a imagem escondido e a levaram para a ermida daquela povoação. No dia seguinte, porém, como por um milagre inesplicável, a imagem estava colocada de volta no devido, repetindo-se esse fenômeno em outras ocasiões em que a imagem fora novamente levada para Paço do Lumiar. Compreenderam, entaõ, os moradores de Anindiba que os anto desejava permanecer em sua capela, de frente para o mar, no que foi respeitado a partir de então.
Tempos depois, os devotos da cidade resolveram construir uma nova igreja de frente para a entrada da cidade, intento não alcançado pelos constantes desmoronamentos das paredes do novo templo. Os fiéis compreenderam, então, que mais uma vez o desejo do santo era ficar de frente para o mar, no que também foi atendido.
Ao lado da praça em frente à igreja, existe hoje a gruta de N. Sa. de Fátima que guardada por um preto velho contador de histórias. Segundo ele, o santo passou a ser chamado de São José do Ribamar por ter sido colocado em uma capela construída sobre um pequeno morro, acima do nível do mar.
Hoje, São José do Ribamar é um santo de grande devoção por parte do povo maranhense. Daí a profusão dos Josés e Marias de Ribamar entre os maranhenses. A festa do santo milagreiro acontece no mês de setembro, em data móvel, sempre por ocasião da lua cheia.
Segundo os historiadores maranhenses, foi nas praias da Baía de São José, exatamento onde hoje se localiza a cidade de Icatu, que aconteceu a famosa Batalha de Guaxenduba, onde os portugueses derrotaram os franceses, sob a proteção divina, com a aparição aos seus batalhões da imagem de Nossa Senhora da Vitória, o que elevou o ânimo das tropas lusitanas, levando-as à vitória.
Hoje, Nossa Senhora da Vitória é a padroeira da cidade de São Luís.

Fontes: Site da Prefeitura da Cidade de São José do Ribamar e Wikipédia.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Noites agrestinas


NOITES AGRESTINAS

Clóvis Campêlo


Nenhum lobisomem,
gato preto no caminho,
um morcego insone.



Recife, 2009

domingo, 13 de janeiro de 2013

Meninos lanceiros do Maracatu Cruzeiro do Forte





MENINOS LANCEIROS DO MARACATU CRUZEIRO DO FORTE
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 1994

sábado, 12 de janeiro de 2013

Amolador de facas





AMOLADOR DE FACAS
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 1994

Carlitos


CARLITOS

Fotografia e pesquisa de texto de Clóvis Campêlo


Segunda a Wikipédia, Carlitos foi o principal e mais famoso personagem de Charles Chaplin. Consistia em um andarilho pobretão que possui todas as maneiras refinadas e a dignidade de um cavalheiro, usando um fraque preto esgarçado, calças e sapatos desgastados e mais largos que o seu número, um chapéu-coco ou cartola, uma bengala de bambu e - sua marca pessoal - um pequeno bigode-de-broxa.
Segundo o site Adoro Cinema, Chaplin nasceu em Londres, em 16 de abril de 1889. Começou sua carreira artística ainda na Inglaterra, quando fez pequenas participações no teatro ainda criança. Filho de artistas, Chaplin teve uma infância difícil, em que viu o divórcio dos pais ser seguido por alcoolismo, por parte do pai, e doença, por parte da mãe. Após muita dificuldade, o jovem conseguiu espaço para se apresentar no Music Hall, dando início a sua trajetória de sucesso. Viveu tempos conturbados, como as duas Grandes Guerras e a crise de 29 nos Estados Unidos.
Segundo a revista Bula, em artigo assinado por Euler de França Belém, Chaplin foi um dos primeiros workaholics do cinema, e não parava de trabalhar. Era uma “máquina” de produzir filmes, quase sempre de alta qualidade. Ao mesmo tempo que trabalhava muito, o ator-diretor tinha uma vida sexual intensa e pouco ortodoxa. Ele dizia que gostava de fazer sexo quando “estava chateado”. “Sua preferência era por garotinhas; o resultado disso foram quatro casamentos (três com mulheres de 18 anos ou mais moças), 11 filhos, e um harém de amantes.”
Ainda segundo a revista, era um homem de energia invulgar, tanto artística quanto física. Batizou o seu pênis de “oitava maravilha do mundo” — devido ao tamanho “avantajado”, e gostava mais do que qualquer outra coisa de deflorar uma meninota virgem. “A forma mais bonita da natureza humana é a menina bem mocinha começando a desabrochar”, disse, nada politicamente correto para os tempos atuais.


Fotografia feita no Recife, 1992

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Soneto do disparate vermelho


SONETO DO DISPARATE VERMELHO

Clóvis Campêlo

Um dia, pintei-me de vermelho
só para negar ao mundo
o seu azul mais profundo,
do qual não quis ser o espelho.

Também neguei o poeta
que pintara os seus sapatos
no mesmo tom insensato,
na sua matriz predileta.

Prossegui no disparate
de uma nova fantasia,
iniciando o embate,

dessa nova alegoria,
e nesse novo arremate,
reinventando a poesia.

Recife, 2011


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Ulisses Guimarães




ULISSES GUIMARÃES
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 1991


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Os casarões de São Luís











OS CASARÕES DE SÃO LUÍS

Clóvis Campêlo

Muito tenha sido fundada pelos franceses em 8 de setembro de 1612 (informação esta contestada por alguns historiadores maranhenses), é nos casarões portugueses, alguns com suas fachadas de azulejos, que São Luís estabelece a sua diferenciação.
Segundo a jornalista Dalva Rêgo, em matéria publicada no site da Globo, em 05/9/2012, São Luís possui “um acervo de casarões coloniais que refletem bem como viviam os colonizadores que chegavam à cidade. Esse conjunto arquitetônico é tão importante que foi declarado Patrimônio da Humanidade”. Ainda segundo ela, “talvez, São Luís seja a primeira cidade colonizada por portugueses com características mais fortes de organização do espaço urbano. Os lugares onde os portugueses se instalavam, até então, eram desordenados, não seguiam um padrão de construção. Isso só aconteceu na capital maranhense no início do século XVII”.
E ela tem razão. Diferentemente, por exemplo, do Recife, onde os becos e ruelas sempre desaguam em algum pátio, conforme a concepção urbana ibérica da sua época, São Luís é talvez tenha sido uma das primeiras cidades portuguesas a receber um traçado bem orientado e geométrico, oriundo dos engenheiros militares submetidos às ordenações filipinas, já que Portugal, na época, encontrava-se sob o controle da Espanha.
No entanto, se os casarões e a geometria ludovicense é portuguesa, o nome da cidade foi escolhido pelos franceses seus fundadores em homenagem ao rei da França Luíz IX, também chamado de São Luís. Durante o seu reinado, a França teve um grande poder político, ecônomico, militar e cultural, no chamado “século de ouro de São Luís”.
Segundo a Wikipédia, “a capital maranhense, lembrada hoje pelo enorme casario de arquitetura portuguesa, no início abrigava apenas ocas de madeira e palha e uma paisagem quase intocada. Ali, ficava a aldeia de Upaon-Açu, onde os índios tupinambás viviam da agricultura de subsistência e das ofertas da natureza, caçando, pescando, coletando frutas. Nos arredores, habitava a etnia indígena dos potiguares”.
Em 1987, o governo estadual do Maranhão, iniciou o Projeto Reviver, visando recuperar e revitalizar o conjunto arquitetônico do centro histórico de São Luís. O projeto teve duas fases distintas: a primeira, dedicou-se às obras consideradas prioritárias ou emergenciais; depois, intervenções urbanas mais profundas, revitalizando mais de 200 imóveis, com 107.000 metros quadrados tombados pelo Patrimônio Histórico Nacional, restaurando o aspecto original dos prédios, através de fotografias antigas, descaracterizado ao longo dos anos. Por outro lado, um desdobramento do Projeto Reviver, o Projeto Habitacional, vem promovendo desde 1993 a fixação de famílias na área da Praia Grande, resgatando a memória histórica da cidade e do seu patrimônio arquitetônico.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Escadas



ESCADAS
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 1991