sábado, 28 de fevereiro de 2015

Contra a luz



CONTRA A LUZ
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 2013


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

A Catedral de Brasília






A CATEDRAL DE BRASÍLIA
Fotografias de Clóvis Campêlo
Brasília, 1994


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O que pode dar certo?


O QUE PODE DAR CERTO?

Clóvis Campêlo

Tudo bem, admito quer alguns só se interessem pelo que pode dar certo. Em nome das utopias, porém, peço clemência. O que seria do homem moderno sem o direito de sonhar e idealizar coisas? Não me arrisco a responder. Como diria o meu amigo Renato Boca-de-Caçapa, o mundo é uma bomba chiando. A qualquer hora pode explodir. É necessário, assim, que existam válvulas de escape bem ajustadas. As utopias nos servem de contra-peso à dureza da existência. Imaginar e idealizar é preciso, portanto.
Porém, nem tudo o que se pense e se idealize será viável nesse mundo de usuras. Assim, por um senso precioso de justiça, se a produção agrária de um país só lhe permite comer um quilo de feijão por semana, comer dois significa tirar o feijão da boca de alguém. Mas, numa sociedade de consumo que estimula o individualismo e a concentração de renda, será que alguém mais além de mim se arriscaria a pensar assim?
Nesse mundo complexo e perdulário, talvez nem mesmo se tenha o direito de pensar dessa maneira. Esse tipo de pensamento comunista exigiria um esforço de reeducação muito grande e desprendido. Talvez eu esteja querendo demais.
Hoje se inventa e se produz de tudo no mundo mecanizado e industrializado. A finalidade dessa produção não é atender às vicissitudes primárias do cidadão, mas sim criar falsas necessidades, alimentando vaidades e ambições doentias.
Não acredito em quase nada do que o Papa fala, mas quando ele se coloca contra o consumismo excessivo e deletério, não posso deixar de lhe dar razão. Não é a toa que o filósofo do povo acima citado, nos delírios etílicos nas mesas dos bares do Recife, costume dizer com ênfase que o consumismo é pior do que o comunismo. Homem do povo, dado a libertinagens e teorias libertárias, coerente com o seu modo incômodo e anticapitalista de ser, nunca o vi defender nenhum sistema de acumulação de bens. Como afirma com veemência, isso só existe no “mundo civilizado”. Aqui, somos educados para a nulidade e a falta de visão comunitária. O homem urbano moderno é um triste solitário que se esconde da vida com medo de perder seus parcos vinténs. Ilude-se com o vil metal.
Mas, afinal qual a maneira certa e satisfatória de enfrentar a vida? Nem eu mesmo sei! Somos tão condicionados e deformados pela (des)educação da vida moderna que perdemos o prumo da verdadeira liberdade e da satisfação pessoal.
Somos repetitivos como o cão de Pavlov. Raciocinamos em bloco, robotizados como androides produzidos em série e incapazes de nos desviarmos da programação a que fomos submetidos desde a mais tenra idade.
Talvez nos fosse necessário um novo grito do Ipiranga, ríspidos, às margens do rio da vida, olhando nos olhos furiosos do futuro, quebrando os grilhões do presente e do passado.

Recife, fevereiro 2015

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Visões do Recife





VISÕES DO RECIFE
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 2013


sábado, 21 de fevereiro de 2015

Ascenso Ferreira e o Recife



ASCENSO FERREIRA E O RECIFE
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 2013


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Mamulengueiros



MAMULENGUEIROS
Fotografias de Clóvis Campêlo
Brejo da Madre de Deus, 1991


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Newton Carneiro





NEWTON CARNEIRO
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 1991


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Nas margens do rio tem uma cidade



NAS MARGENS DO RIO TEM UMA CIDADE
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 2000


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Nas paredes de Olinda




NAS PAREDES DE OLINDA
Fevereiro 2015
Fotografias de Clóvis Campêlo

Na paz de Olinda...











NA PAZ DE OLINDA...
Fevereiro 2015
Fotografias de Clóvis Campêlo

Troça Minha Cobra











TROÇA MINHA COBRA
Olinda, carnaval 2015
Fotografias de Clóvis Campêlo

domingo, 15 de fevereiro de 2015

O Galo de todos


A primeira vez


O GALO DE TODOS

Clóvis Campêlo

Amigos, em relação ao Galo da Madrugada, exercito um misto de admiração e crítica. Ambos os sentimentos, confesso, alimentados por opiniões de quem também ama o Galo e o queria diferente, e de quem gosta do Galo do jeito que o Galo é hoje.
Todos nós sabemos que o Galo da Madrugada nasceu nos anos 70 como mais um grupo de máscaras criado para animar o carnaval do Recife. Desfilou pela primeira vez, em 1977, pelas ruas do bairro de São José, com apenas 17 integrantes. Difícil, naquela época, imaginar que se tornaria uma multidão incalculável. Mas, tornou-se.
Os que o criticam (como uma parte de mim), entendem que ao longo dos anos, ao cair nas garras da indústria do entretenimento, o Galo foi abaianado, com a introdução de trios elétricos e a chegada de artistas que nada – ou quase nada – tinham a ver com o nosso carnaval. Contraditoriamente, porém, foi isso que permitiu a sua sobrevivência e o enfrentamento e a concorrência com o carnaval de Salvador, que, comercialmente, durante anos superou e ameaçou o carnaval do Recife. Assim, o Galo da Madrugada provou do acarajé da Bahia para se fortalecer e sobreviver. Os amantes da tradição carnavalesca recifense, porém, nunca o perdoaram. Apesar disso, o Galo se impôs e cresceu, com o respaldo dos recifenses que, ano a ano, vão às ruas engrossar as suas fileiras e projetá-lo mundo a fora. Não é a toa que hoje, no Rio de janeiro, o também tradicional Cordão da Bola Preta venha se esforçando para superá-lo e ocupar o seu lugar no livro dos recordes e nas manchetes da mídia mundial.
Por isso e muito mais, em nome da glória e da tradição do carnaval do Recife, a invasão do bairro de São José no sábado de Zé Pereira se justifique e seja cada vez mais necessária. Se é multidão o que a mídia (e a indústria do entretenimento) querem, é multidão que vão ter.
Por outro lado, os que condenam a “modernização” do Galo (como a “outra” parte de mim) e defendem a tradição das orquestras de frevo no chão com o povo atrás frevando, saudosistas de um tempo em que talvez houvesse mais harmonia e civilidade entre os foliões, não deixam de ter razão. Porém, do mesmo modo que isso acontece no Recife Antigo, onde a democracia do carnaval se exercita diuturnamente no período momesco, também pode e dever acontecer no bairro de São José. Ao povo o que é do povo! Nas ruas laterais do bairro, nas entrelinhas do Galo, também cabem orquestras de frevo desfilando e tocando para que o povo freve e desopile.
O Galo merece. Hoje, o Galo é muito maior do que possa perceber a nossa vã filosofia. E independentemente do vil metal que a tudo constrói e corrói, sobrevivera no coração e na alma do povo do Recife. Saravá!

Recife fevereiro 2015

Igreja Concatedral de São Pedro dos Clérigos






IGREJA CONCATEDRAL DE SÃO PEDRO DOS CLÉRIGOS
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 2013