segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Troça Minha Cobra











TROÇA MINHA COBRA
Olinda, carnaval 2015
Fotografias de Clóvis Campêlo

domingo, 15 de fevereiro de 2015

O Galo de todos


A primeira vez


O GALO DE TODOS

Clóvis Campêlo

Amigos, em relação ao Galo da Madrugada, exercito um misto de admiração e crítica. Ambos os sentimentos, confesso, alimentados por opiniões de quem também ama o Galo e o queria diferente, e de quem gosta do Galo do jeito que o Galo é hoje.
Todos nós sabemos que o Galo da Madrugada nasceu nos anos 70 como mais um grupo de máscaras criado para animar o carnaval do Recife. Desfilou pela primeira vez, em 1977, pelas ruas do bairro de São José, com apenas 17 integrantes. Difícil, naquela época, imaginar que se tornaria uma multidão incalculável. Mas, tornou-se.
Os que o criticam (como uma parte de mim), entendem que ao longo dos anos, ao cair nas garras da indústria do entretenimento, o Galo foi abaianado, com a introdução de trios elétricos e a chegada de artistas que nada – ou quase nada – tinham a ver com o nosso carnaval. Contraditoriamente, porém, foi isso que permitiu a sua sobrevivência e o enfrentamento e a concorrência com o carnaval de Salvador, que, comercialmente, durante anos superou e ameaçou o carnaval do Recife. Assim, o Galo da Madrugada provou do acarajé da Bahia para se fortalecer e sobreviver. Os amantes da tradição carnavalesca recifense, porém, nunca o perdoaram. Apesar disso, o Galo se impôs e cresceu, com o respaldo dos recifenses que, ano a ano, vão às ruas engrossar as suas fileiras e projetá-lo mundo a fora. Não é a toa que hoje, no Rio de janeiro, o também tradicional Cordão da Bola Preta venha se esforçando para superá-lo e ocupar o seu lugar no livro dos recordes e nas manchetes da mídia mundial.
Por isso e muito mais, em nome da glória e da tradição do carnaval do Recife, a invasão do bairro de São José no sábado de Zé Pereira se justifique e seja cada vez mais necessária. Se é multidão o que a mídia (e a indústria do entretenimento) querem, é multidão que vão ter.
Por outro lado, os que condenam a “modernização” do Galo (como a “outra” parte de mim) e defendem a tradição das orquestras de frevo no chão com o povo atrás frevando, saudosistas de um tempo em que talvez houvesse mais harmonia e civilidade entre os foliões, não deixam de ter razão. Porém, do mesmo modo que isso acontece no Recife Antigo, onde a democracia do carnaval se exercita diuturnamente no período momesco, também pode e dever acontecer no bairro de São José. Ao povo o que é do povo! Nas ruas laterais do bairro, nas entrelinhas do Galo, também cabem orquestras de frevo desfilando e tocando para que o povo freva e desopile.
O Galo merece. Hoje, o Galo é muito maior do que possa perceber a nossa vã filosofia. E independentemente do vil metal que a tudo constrói e corrói, sobrevivera no coração e na alma do povo do Recife. Saravá!

Recife fevereiro 2015

- Postagem revisada em 05/02/2018

Igreja Concatedral de São Pedro dos Clérigos






IGREJA CONCATEDRAL DE SÃO PEDRO DOS CLÉRIGOS
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 2013


sábado, 14 de fevereiro de 2015

Enquanto isso, no Galo da Madrugada...














ENQUANTO ISSO, NO GALO DA MADRUGADA...
Recife, carnaval 2015
Fotografias de Clóvis Campêlo

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Papangu tricolor


PAPANGU TRICOLOR
Fotografia de Clóvis Campêlo
Bezerros, 2009


terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Entre a neurastenia e o estresse


ENTRE A NEURASTENIA E O ESTRESSE

Clóvis Campêlo

É interessante como no dinamismo de uma língua algumas palavras deixam de ser utilizadas e são substituídas por outras. A palavra neurastenia é uma delas.
O Minidicionário Escolar da Língua Portuguesa, da Companhia Melhoramentos, assim a define: “1. Fraqueza do sistema nervoso. 2 Esgotamento nervoso”. Hoje, ninguém mais é chamado de neurastênico, ninguém mais sabe o que é neurastenia. Hoje, existe o estresse e o estressado. Segundo o mesmo dicionário, estresse é a “reação do organismo a influências nocivas de ordem física, psíquica, infecciosa, capazes de perturbar o equilíbrio interno”.
Ou seja, a primeira definição nos dá a impressão de que o problema é orgânico, interno; enquanto na segunda, a alteração ocorre por conta de fatores externos diversos que nos influenciam. Existe uma certa diferença nas definições, portanto.
Segundo a Wikipédia, Virgínia Woolf, Marcel Proust e Max Weber seriam neurastênicos notáveis. A primeira, durante toda a sua vida foi forçada a fazer repousos terapêuticos, os quais descreve no livro “On Being III”, traduzido em “Por estar doente”, onde a escritora tenta estabelecer a doença como um assunto sério da literatura.
Marcel Proust, na verdade, era um maníaco depressivo, condição essa adquirida, talvez, em razão do consumo desenfreado de açúcar – as madalleines – que o autor descreve na sua obra “Em busca do tempo perdido”. Filho de família rica e frequentador dos salões da sociedade francesa da época, podia se dar ao luxo de ter uma alimentação excessivamente rica em carboidratos. Maravilhado, descobri a certo tempo que o petisco tão louvado pelo autor, tratava-se nada mais nada menos do que os bolinhos de bacia tão consumidos nas feiras das cidades do Nordeste do Brasil. Aliás, a ligação entre o consumo demasiado de alimentos adocicados e os surtos depressivos já são considerados pela medicina moderna, coisa desconhecida naquela época.
Max Weber, sociólogo e historiador, teria tido uma grave crise neurastênica, após a morte do pai, com o qual havia rompido pouco antes. Com certeza, Freud explicaria o fato. A verdade é que, entre 1897 e 1901, esteve internado em sanatórios, tendo ficado vários meses em Roma, onde recuperou as forças.
Já o termo estresse foi usado pela primeira vez em 1936, pelo médico Hans Selye, na revista Nature.
Na verdade, em ambos os casos, existe um sofrimento do indivíduo causado pelo enfrentamento de situações que lhe provocam ansiedade e depressão, embora essa capacidade de enfrentamento de tais situações varie de indivíduo para indivíduo.
Enfim, o mundo moderno em que vivemos, com suas exigências e seus desafios constantes serve de motivo para que estressados ou neurastênicos aprendam a com ele conviver e superar os impasses constantes que se oferecem.
Sobreviver é preciso.

Recife, fevereiro 2015

O enigma



O ENIGMA
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 1996


domingo, 8 de fevereiro de 2015

Pombos nos fios


POMBOS NOS FIOS
Recife, maio 2014
Fotografia de Clóvis Campêlo


Escadas



ESCADAS
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 1991


sábado, 7 de fevereiro de 2015

O urso de Bezerros


O URSO DE BEZERROS
Bezerros/PE, carnaval de 2009
Fotografia de Clóvis Campêlo


Barcos na bacia do rio Pina


BARCOS NA BACIA DO RIO PINA
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 2000


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Pescadores do Pina


PESCADORES DO PINA
Recife, maio 2014
Fotografia de Clóvis Campêlo


Telhados do Convento de São Francisco


TELHADOS DO CONVENTO DE SÃO FRANCISCO
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 1998


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Filhotes


FILHOTES
Recife, 1989
Fotografia de Clóvis Campêlo


Hilton Sette


HILTON SETTE
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 1991


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Quem puxa aos seus não degenera!


QUEM PUXA AOS SEUS NÃO DEGENERA!

Clóvis Campêlo

Isso quem diz é o dito popular. Mas, se a voz do povo é a voz de Deus, não há do que reclamar. Assim, herdamos dos nossos antecessores não só as características positivas, como também o que há de ruim e negativo.
Do meu pai, por exemplo, herdei a hipertensão severa que, como doença degenerativa que é, já se desdobra em outras consequências. Meu pai morreu cedo, em consequência de acidente vascular cerebral hemorrágico acontecido poucos dias antes do seu aniversário de 63 anos. Morreria poucos meses depois, em outubro de 1983.
Assim como ele, fiquei hipertenso cedo, aos 33 anos. De lá para cá tem sido uma longa caminhada de convivência e conhecimento da doença. Embora tenha deixado de fumar na época, só larguei a cervejinha agora, aos 63 anos, depois de de uma isquemia cerebral que me deixou dez dias no hospital, em novembro próximo passado. Coincidentemente, a isquemia também aconteceu poucos dias antes do meu 63º aniversário. Na UTI do hospital, reencontro Paulo Felinto, um primo da minha mãe, da cidade do Rio Formoso, o qual não via há mais de 30 anos. Recuperei-me e tive alta, mas Paulo não teve a mesma sorte, vindo a falecer. Quando se entra na chamada terceira idade, tudo pode acontecer a qualquer hora do dia ou da noite.
Da minha mãe, herdei a diabetes melitus. No entanto, contrariamente à hipertensão, a doença só veio se manifestar no início de 2013. Outra doença que evolui, mesmo com os cuidados necessários, e nos priva de alguns dos muitos prazeres da vida. Diante da evidência desse dois males, só nos resta repensar a vida e o nosso comportamento diante dela.
Não nos basta, porém, a dieta adequada. O uso de medicamentos passa a ser necessário e, assim, nos vemos diante de outros problemas e situações. Se a medicação por um lado nos ajuda a controlar as doenças, por outro lado pode nos provocar reações inconvenientes e problemáticas. As chamadas doenças iatrogênicas podem se desenvolver a partir daí. Reações alérgicas são possíveis, mesmo para medicamentos que já são utilizados há muito tempo. Alterações físicas, químicas e psicológicas podem ocorrer no nosso organismo, provocando sintomas nem sempre agradáveis ou suportáveis. É preciso estar atento e forte na observação e no controle desses efeitos. Nessa estratégia de sobrevivência, médicos e pacientes tornam-se quase parceiros. Quiçá se tornem até amigos ao longo dos anos.
Mas a herança genética familiar pode até mesmo nos levar à doenças herdadas de parentes mais distantes. Hoje, sofro também de artrite gotosa, provocada pelo excesso de ácido úrico no meu organismo, por minha incapacidade orgânica de eliminar convenientemente as purinas. Meus pais não sofriam desse mal. Descubro, porém, um primo longínquo, pelo lado materno, portador desse mal e de onde pode ter vindo essa minha outra herança. Chamava-se João. Eu o conheci já velho, quase cego, capengando com as juntas entrevadas. Atendia a todos, sem ressentimentos pela alcunha de João da Gota. Je vou salue, João, pela dignidade de ter vivido a vida do que jeito que a vida a ti se ofereceu. Além de João, a todos eu saúdo pela herança genética que fez de mim o que eu sou.
Afinal, quem puxa aos seus não degenera!

Recife, fevereiro 2015

Liêdo Maranhão


LIÊDO MARANHÃO
Recife, janeiro 2010
Fotografia de Cida Machado


Igreja Matriz de Santo Antônio





IGREJA MATRIZ DE SANTO ANTÔNIO
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 2013


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Quando o carnaval chegar


QUANDO O CARNAVAL CHEGAR
Recife, fevereiro 1993
Fotografia de Clóvis Campêlo


Barcos no Rio Capibaribe


BARCOS NO RIO CAPIBARIBE
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 2013


Perder uma batalha não significa perder a guerra!


PERDER UMA BATALHA NÃO SIGNIFICA PERDER A GUERRA!

Clóvis Campêlo

Convenhamos, amigos corais, ser derrotado às vésperas de completarmos 101 anos não faz bem a ninguém. Ainda mais quando o vencedor é o nosso maior adversário no âmbito estadual. Mas, sejamos justos, o time da Ilha sobrou em campo enquanto nós fomos apenas voluntariosos no primeiro tempo e incapazes no segundo. Não existimos no ataque, enquanto a defesa e o meio-campo ainda se mostram desarticulados. Mas, nada como um dia atrás do outro e uma noite no meio dos dois para que tudo se recomponha e surja uma nova perspectiva no horizonte. Perdemos uma batalha, mas não a guerra. Refaçamos as forças e vamos à luta. O tempo bem que pode ser o nosso maior aliado.
Em que pese a derrota passada, porém, hoje é um dia de festas e alegrias. Nesta terça-feira, dia 3 de fevereiro de 2015, completamos mais um ano de vida e de glórias. Um time de futebol nascido no seio da classe média recifense, quando o esporte bretão ainda era uma atividade elitizada. Nascemos para vingar e vingamos.
Do bairro da Boa Vista até o Arruda, foram muitos anos e uma longa caminhada. E no Arruda, construímos a nossa grandeza.
Pra falar a verdade, foi depois na sua inauguração, em 1970, que conquistamos a grande maioria dos nossos títulos dentro de campo.
Um estádio erguido com a ajuda e determinação de uma torcida fiel.
Desde a desapropriação da área pertencente ao comendador Arthur Lundgren, nos anos 50 do século passado, pelo prefeito José do Rego Maciel, até a reforma e ampliação do estádio em 1982, é bem verdade com a ajuda do governo do Estado de Pernambuco, sempre houve essa parceria e simbiose entre a agremiação e a torcida coral. Juntos, superamos momentos tensos e negativos e construímos, pedra sobre pedra, a história de um dos maiores clubes de massa do Brasil. A fidelidade canina dessa relação entre torcida e clube nos projetou nacional e internacionalmente.
Soubemos superar, principalmente, os momentos de adversidade e improdutividade dentro dos gramados para renascer das cinzas e se impor com galhardia novamente.
Talvez a cobra coral tenha sete vidas como os gatos. Talvez, como os gatos, tenha a capacidade de cair sempre em pé e no momento seguinte já estar pronta para o bote. É esse fôlego incomum que nos fará construir mais 101 anos de história e de glórias.
Parabéns, Santinha! Feliz aniversário, Cobra Coral! Vida eterna às Repúblicas Independentes do Arruda.

Recife, 03/02/2015

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Portas de Olinda



PORTAS DE OLINDA
Olinda, janeiro 2015
Fotografias de Cida Machado

A negra do maracatu


A NEGRA DO MARACATU
Recife, fevereiro 2009
Fotografia de Clóvis Campêlo


Campeões do mundo


CAMPEÕES DO MUNDO

Clóvis Campêlo

Hoje, 29 de junho, Dia de São Pedro, faz 53 anos que conquistamos na Suécia o nosso primeiro título de campeões mundiais de futebol.
Jogamos vestidos de azul, com camisas compradas na véspera do jogo, já que a Suécia, a dona da casa e a outra seleção finalista, jogaria de amarelo.
A partida foi realizada às 14 horas, no Estádio Rasunda, em Estocolmo, sendo assistida por mais de 51 mil pessoas. O Brasil jogou e ganhou com Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Orlando, Nilton Santos, Zito, Didi, Garrincha, Vavá, Pelé e Zagalo.
Ganhamos e ganhamos bem. 5X2 foi o placar com gols brasileiros de Vavá (2), Pelé (2) e Zagalo. O jogo foi apitado pelo árbitro francês Maurice Gulgue.
Consta que essa foi a primeira Copa do Mundo televisionada, sendo acompanhada por vários países europeus. O lançamento da segunda versão do satélite soviético Sputinik, em janeiro de 1958, permitiu a transmissão dos jogos para toda a Europa. Segundo a Wikipédia, 11 países europeus aderiram ao consórcio capitaneado pela estatal Sveriges Radio, que detinha os direitos de transmissão. Também foi a primeira Copa cujas eliminatórias foram disputadas por países da Ásia e da África.
Poucos meses antes da Copa de 1958, o avião que transportava alguns jogadores do Manchester United, que era a base da seleção inglesa, caiu em Munique. Enfrentamos a seleção inglesa, ainda pelas oitavas de finais, no dia 11 de junho, em Gotemburgo, empatando por 0x0. Esse, aliás, ainda sem Pelé e Garrincha no time, foi o único jogo que não ganhamos, em 1958. Consta que após esse jogo, os jogadores brasileiros se reuniram com o treinador Vicente Feola e decidiram que Garrincha e Pelé entrariam no time em substituição a Joel e Dida. A decisão mostrou-se acertada pois no jogo seguinte, contra a União Soviética, vencemos por 2x0 com grande atuação de Garrincha.
Uma outra curiosidade interessante sobre a Copa e a seleção brasileira diz respeito à camisa 10 de Pelé, que iniciou o torneio como reserva do nosso escrete. Consta que os dirigentes da Confederação Brasileira de Desportos não enviaram para a FIFA a relação dos nosso jogadores com a respectiva numeração. Feito o sorteio pela própria FIFA, coube a Pelé a camisa nº 10, que se tornaria mítica e seria eternizada por aquele que até os dias de hoje é considerado como o Rei do Futebol em todo o mundo.
O Brasil, que no início da Copa não constava entre os favoritos, realizou seis partidas, ganhando cinco e empatando uma. O nosso ataque marcou 16 tentos e a defesa sofreu apenas 4 gols. Uma campanha meritória para uma equipe desacreditada. A conquista abriria espaço para o bicampeonato no Chile, em 1962, e para a conquista do tri, no México, em 1970. Serviria também para a afirmação do nosso futebol diante do mundo inteiro e para estimular a nossa auto-estima, jogando por terra o complexo de vira-latas de que tanto falava o jornalista e escritor Nélson Rodrigues.
Salve a seleção!


Obs.: Texto publicado originalmente no Blog Inútil paisagem, em 29/6/2011