sexta-feira, 27 de abril de 2018
quinta-feira, 26 de abril de 2018
quarta-feira, 25 de abril de 2018
segunda-feira, 23 de abril de 2018
O Edifício Califórnia
O Edifício Califórnia nos anos 60. Fotografia de autor desconhecido
O Califórnia em 1994. Fotografia de Clóvis Campêlo
O edifício em 2018. Fotografia de Clóvis Campêlo
O EDIFÍCIO CALIFÓRNIA
Clóvis Campêlo
Segundo matéria de Augusto Saboia publicada no blog das Parcerias Público-Privadas, em 14/5/2017, o edifício foi um dos primeiros prédios construídos na avenida Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, sendo considerado um dos ícones da arquitetura moderna pernambucana.
Projetado em 1953 pelo arquiteto Acácio Gil Borsói, o empreendimento, que por anos esteve em estado de má conservação, passa por um processo de revitalização que promete mais que melhores condições estruturais: a proposta pretende movimentar a área com a ofertas de atividades artísticas e gastronômicas.
Na primeira fotografia, provavelmente feita nos anos 60, e na segunda fotografia, de 1994, o prédio ainda aparece isolado, ladeado por diversas casas que hoje não existem mais.
Segundo o site do arquiteto Acácio Gil Borsói, autor do projeto, em matéria sem data, o edifício é composto por dois volumes sobrepostos: o primeiro ao nível da rua, predominantemente horizontal, destinado às funções de comércio e serviços e que, juntamente a uma série de pilotis, suporta um segundo volume vertical que acomoda o uso residencial. A solução para este edifício reflete claramente uma série de características da arquitetura moderna, como os pilotis, as janelas “em fita”, e a rígida setorização das zonas internas do apartamento.
O recuo lateral do volume prismático vertical, em relação ao lote vizinho, permitiu a aposição de esquadrias nas fachadas Leste, Norte e Sul. Na fachada Oeste, por outro lado, o arquiteto opta pela ausência total de fenestrações, provavelmente para impedir a entrada de luz e calor excessivos no interior da edificação.
Em 1978, foi desenvolvido por Acácio Gil Borsoi um estudo para uma reforma no Edifício Califórnia. O objetivo da intervenção seria modificar o uso residencial do edifício, convertendo os apartamentos projetados na década de 50 ao uso de hotel. Entretanto, esta reforma não chegou a ser executada.
No site Pátria Amada, em texto sem assinatura e datado de 19/10/2011, encontramos o seguinte: “O edifício Califórnia, na Av. Boa Viagem, começou a ser construído em 1958 e foi inaugurado em 1960. Assinado por Acácio Borsoi, um importante arquiteto brasileiro, marcou um ciclo de construção de grandes obras na cidade do Recife. Foi um dos primeiros arranha-céus da cidade (o mais alto da época), juntamente com o edifício Acaiaca, de 1958, este também na Avenida Boa Viagem, e o edifício Holliday, de 1957, no cruzamento da rua Salgueiro com a rua dos Navegantes, também uma localização privilegiada do bairro de Boa Viagem, prédios arrojados e modernos que inauguraram um novo estilo de morar.”
Não sei se procede a informação acima de que o edifício Califórnia era o mais alto do Recife naquele tempo, já que durante muitos anos esse título foi atribuído ao edifício Capibaribe, no bairro da Boa Vista, construído na mesma época às margens do rio homônimo.
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sexta-feira, 20 de abril de 2018
Os prédios do Terceiro Jardim de Boa Viagem
Fotografia de Clóvis Campêlo / 2018
OS PRÉDIOS DO TERCEIRO JARDIM DE BOA VIAGEM
Clóvis Campêlo
Segundo a placa existente no calçadão, os três jardins existentes na praia da Boa Viagem foram inaugurados em 31 de março de 1970, durante a gestão do prefeito Geraldo Magalhães Melo.
Os prédios altos ali existentes hoje, foram construídos antes da criação da lei de ocupação do solo urbano, substituindo as casas com quintais repletas de coqueiros que haviam antes.
O belo e portentoso prédio do meio pertence ao hotel Beach Class Suíte. Nele observamos que diferentemente dos outros há uma mudança no estilo arquitetônico.
Enquanto nos dois prédios que o ladeiam se sobressaem as linhas funcionais da arquitetura moderna, em ângulos retos e sem muitas firulas, o edifício central possui curvas e pontas que demonstram muito mais uma função decorativa do que algum objetivo prático. Um exemplo do que convencionou chamar de arquitetura pós-moderna? Talvez sim. Vejamos abaixo algumas considerações sobre isso.
Segundo o site Porto Bello, “a arquitetura também foi profundamente afetada pela onda moderna e se transformou radicalmente, em especial nas primeiras décadas do século XX. Esse foi um período de rejeição aos estilos tradicionais. Ocorreram modificações em diversos aspectos, que deram forma a muito do que é construído até hoje em cidades do mundo inteiro. Quem conseguiu resumir bem o espírito desse momento foi o alemão Mies van der Rohe (1886 – 1969), em uma frase que é, ela própria, exemplo do seu significado: “menos é mais”. A Arquitetura Moderna privilegia tudo o que é simples, mas nunca o que é simplório. Essa característica se manifesta principalmente nas formas (que são básicas) e nos materiais utilizados (o concreto aparente, o aço e o vidro são as matérias-primas favoritas). Ao redor de todas as peculiaridades que marcam essa vertente, está a valorização das funções sociais das construções. Em diferentes graus, todos os grandes arquitetos modernos preocupam-se com a forma como suas criações serão utilizadas na prática pelas pessoas”.
Segundo o blog Arquiteto Fala, diferentemente da primeira, “a arquitetura pós-moderna, nada mais é do que um termo usado para definir as novas propostas arquitetônicas a partir dos anos 60, assim como fazer uma crítica ao movimento anterior, conhecido como arquitetura moderna. Uma crítica ao excesso de funcionalidade, onde a forma seguia a função. No pós-modernismo prevalece o impacto visual. O maior desafio dos arquitetos pós-modernos, é conseguir resolver a separação entre o "gosto" das elites que criam os ambientes, e os diferentes tipos de público que irão utilizar esse determinado espaço. Se antigamente o cliente não participava diretamente da idealização do projeto, agora ele passa a ser o protagonista juntamente com o arquiteto, pois a sociedade da informação permite que o público participe, cabendo ao arquiteto traduzir esses "diversos gostos", com bom senso”.
De um modo geral, as definições acima, se não nos esclarecem completamente quanto aos dois estilos arquitetônicos, podem nos ajudar a ver com mais clareza cada uma dessas propostas.
No que tange ao prédio acima em questão, segundo o arquiteto Aristóteles Coelho Pinheiro, não é pós-moderno nem art decó. É apenas uma cópia em escala reduzida do Miami Beach.
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segunda-feira, 16 de abril de 2018
O Antigo Posto 3
Fotografias de Clóvis Campêlo / 2018
Clóvis Campêlo
Segundo Raul Lopes no site Skyscrapercity, com a chegada dos edifícios a Boa Viagem, entre as décadas de 40 e 50, as pessoas passaram a frequentar mais a praia que leva o mesmo nome do bairro. Com isso, foi preciso construir postos salva-vidas. 70 anos depois ainda restam seis desses antigos postos, uma espécie de patrimônio histórico de Boa Viagem, ou verdadeiros itens de memória afetiva do bairro.
Há cinco anos o publicitário Wellington Ferraz pensava em dar uma nova vida e uso a esses antigos postos –foi aí que ele se uniu à Nuvem Produções para dar vida ao projeto Salva Arte, viabilizado pela Prefeitura do Recife. Agora, no lugar de postos salva-vidas inutilizados, a praia ganhou verdadeiras obras de arte assinadas por artistas locais.
A grafitagem que ornamenta o antigo posto 3, foi feita pelo artista plástico Gláuber Arbos.
Aliás, sobre o bairro da Boa Viagem com a sua praia, vale a pena transcrever as palavras do escritor João Braga no livro Trilhas do Recife – Guia Turístico, Histórico e Cultural: “O bairro de Boa Viagem iniciou o seu adensamento populacional após a implantação da linha de bondes elétricos, em 1924, através da construção de uma ponte metálica de 700 metros sobre a estrutura do emissário de esgotos ali existente. Até então, a única forma de se chegar ao bairro era por barcos. Nessa mesma época, deu-se a implantação da Avenida Boa Viagem. Mas, já na metade do século XVII, surgia a povoação de Boa Viagem. Em 1858, com a passagem do trem da Estrada de Ferro do Recife a São Francisco, começou a ser mais procurada. Em 1906 o bairro possuía apenas cerca de 60 casas. Em 1925, intensificou-se a construção de prédios na avenida”.
Difícil era imaginar, naquele tempo, que o bairro se transformaria nesse conglomerado arquitetônico com uma grande população e com características próprias, cosmopolitas.
Hoje, os velhos postos remanescentes sobrevivem ao lado de postos mais novos feitos em madeira, com outra concepção arquitetônica e bem mais próximos à praia.
Principalmente nos finais de semana, quando a movimentação na praia aumenta de forma impressionante, é necessária a atenção redobrada dos salva-vidas do Corpo de Bombeiros.
Sem falar que hoje a praia da Boa Viagem é considerada uma das mais perigosas do mundo por conta dos ataques dos tubarões.
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Praia da Boa Viagem
sexta-feira, 13 de abril de 2018
As esculturas da Praça da Independência
Escultura do poeta Carlos Pena Filho pintada e pichada
Escultura do empresário Assis Chateubriand solene com um saco de lixo nas mãos
Escultura do jornalista Antônio Camelo, também pintada
Escultura de pessoa desconhecida que teve a placa arrancada
Escultura de Corbiniano Lins em homenagem aos mascates do Recife
Fotografias de Clóvis Campêlo / 2018
Clóvis Campêlo
Situada no bairro do Santo
Antônio, no centro histórico do Recife, segundo a Wikipédia, é a
mais antiga praça da cidade. Durante o domínio
holandês, constava nos mapas da época o local chamado de Terreiro dos Coqueiros.
Mudou de denominação várias vezes, sendo chamada de Praça
Grande, Praça do
Comércio, Praça da
Ribeira e Praça da
Polé. Em 1816, após uma reforma, mudou de
denominação para Praça da União.
Finalmente, em 1833, recebeu o nome atual de Praça
da Independência. Porém, por abrigar
durante muito tempo o prédio
do Diario
de Pernambuco, passou a ser chamada pelo povo
recifense como a Pracinha do Diário.
Segundo texto da
pesquisadora Samira Adler Vainsencher, publicado em 2003 no site da
Fundaj, “a Praça
da Independência é considerada, hoje, como aquela de maior
movimento na cidade do Recife. Por ela, cruzam e iniciam avenidas e
ruas de grande relevância, tais como a rua Duque de Caxias, a rua 1º
de Março, a avenida Dantas Barreto, a rua Nova, a avenida
Guararapes, o Largo do Rosário, a rua Matias de Albuquerque e a rua
Engenheiro Ubaldo Gomes de Matos. Como o coração do bairro de Santo
Antônio, além disso, é nela que onde são realizados os grandes
comícios e de onde partem passeatas, procissões, cortejos cívicos,
os blocos de carnavais. Esse logradouro público, portanto, continua
centralizando os mais recentes acontecimentos, manifestações e/ou
reivindicações ocorridos no Estado de Pernambuco, tanto por parte
da política, das religiões, quanto dos movimentos populares e da
cultura”.
Pois bem, é nessa praça
que estão colocadas esculturas e bustos de personalidades recifenses
ou de grande relevo, homenageadas pela cidade do Recife. A
praça hoje, porém, já não tem mais a relevância que tinha antes
do abandono do centro da cidade pelo poder público e pela iniciativa
privada. Como já dissemos antes em outros textos, encontra-se hoje
ocupada por prostitutas, mendigos e desocupados, os quais,
maltratados pela cidade, nem sempre sabem reconhecer a importância
daquelas figuras de pedra e cimento que ocupam permanentemente o
logradouro. Esvaziada de importância, com os grandes prédios ao seu
redor abandonados e em acelerado processo de ruína, inclusive o
prédio que durante anos abrigou o Diario de Pernambuco, a praça e
suas esculturas são constantemente agredidas pela população.
Na praça encontram-se
esculturas do poeta Carlos Pena Filho, do empresário Assis
Chateubriand, do jornalista Antônio Camelo, além de um busto cuja
placa arrancada não nos deixou identificar o homenageado. Na praça
também existe uma escultura em homenagens aos mascates do Recife,
confeccionada pelo artista Corbiniano Lins, recentemente falecido.
Pelas fotografias acima,
percebe-se que a intervenção popular nas obras nem sempre foram
positivas ou de reconhecimento. Sinceramente não sei a quem culpar
por isso. Se a cidade, por maltratar e abandonar o seu povo sofrido,
ou se a mesmo povo, deseducado e sem grandes esperanças de
reabilitação que devolve à praça a mesma violência e indignação
com a qual é tratada pelos poderes constituídos e pela urbe
ameaçadora.
Fica a pergunta solta no
ar.
O Edifício Acaiaca
Fotografias de Clóvis Campêlo / 2018
O EDIFÍCIO ACAIACA
Clóvis Campêlo
Segundo Rachel Mota, em matéria publicada no site Por Aqui, em 19/5/2017, o prédio nasceu como um local destinado a veraneio, já que era assim que o bairro era visto em seus primórdios. Não se passaram muitos anos até que as famílias descobrissem o quão encantador seria morar em frente ao mar. Segundo o professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Luiz Amorim, o Acaiaca é uma das soluções oferecidas pelos arquitetos Delfim Amorim e Lúcio Estelita para o problema do edifício vertical moderno destinado à moradia. “As características da edificação quando da sua construção, no final dos anos de 1950, o destacaram na paisagem litorânea por sua dimensão, verticalidade e simplicidade volumétrica”, analisa. De acordo com Amorim, o Acaiaca tem propriedades arquitetônicas inusitadas. “As janelas horizontais contínuas voltadas para a paisagem marítima, a aplicação de azulejos desenhados por Amorim para o revestimento das fachadas e o uso do peitoril ventilado para garantir a plena circulação no interior dos apartamentos, mesmo com as janelas fechadas, tornaram-no elemento de referência urbana”, observa.
Segundo matéria publicada no site Notícias NE 10, o edifício que foi construído no fim da década de 50 tem 11 andares e 44 apartamentos - quatro por andar. No meio de tantos prédios, chama a atenção por ser um dos poucos que são horizontais na praia. Delfim Amorim foi o arquiteto da construção, que tem inspiração modernista. Sete funcionários cuidam do edifício. Entre eles, está o único porteiro do condomínio: Mauro Clenio. Ele tem 38 anos e já dedica 12 deles ao Acaiaca. Da janela de sua portaria, enxerga o mar diariamente, porém sem perder a concentração com o serviço de atender os moradores. "O mar é relaxante, mas é preciso atenção. Fico aqui na portaria e também auxílio às pessoas dos apartamentos quando elas precisam", disse Clenio, que se gaba de ter um escritório na praia. "Poucos podem falar isso", brinca.
Segundo o Dicionário Ilustrado Tupi-Guarani, acaiaca é uma árvore, mais conhecida como cedro. A árvore também é conhecida como: cedro amarelo, cedro-rosa, cedro-branco, cedro-vermelho, cedro-da-várzea, aca jucatinga, acajatinga, cedro-balata, capiúva, aiacá, acajacá e acaiacatinga. O nome acaiacá tem origem nas línguas Aruák e Karíb. É também o nome de uma cidade no interiore de Minas Gerais.
Segundo matéria assinada por Guilherme Carréra, publicada no jornal Correio Braziliense, em 17/8/2015, citando dez lugares que revelam a história e a arquitetura do Recife, faz a seguinte referência ao Edifício Acaiaca: “O arquiteto franco-suíço Charles-Édouard Jeanneret-Gris , nascido em 1887, transformou os conceitos da arquitetura. Conhecido como Le Corbusier, é um dos criadores da arquitetura modernista, escola seguida mundo afora, inclusive, no Recife. Principal representante dessa corrente, o edifício Acaiaca foi desenhado pelo português Delfim Amorim, sob forte influência corbusiana. À beira-mar da praia de Boa Viagem, Zona Sul da cidade, é ponto referencial dos frequentadores da orla. Na altura do Segundo Jardim, o Acaiaca possui 11 andares e 44 apartamentos”. Mesmo considerando o erro no que se refere à localização do edifício, na verdade situado bem depois do Segundo Jardim de Boa Viagem, o texto nos esclarece quanto a inspiração do arquiteto ao criar o projeto do edifício.
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