segunda-feira, 19 de junho de 2017

Vicente Celestino, a Voz Orgulho do Brasil


VICENTE CELESTINO, A VOZ ORGULHO DO BRASIL

Clóvis Campêlo

Talvez as gerações brasileiras mais novas já não saibam quem foi Vicente Celestino. Afinal, muitos afirmam que somos uma nação sem memória. Pode ser, embora se considerarmos a memória como alguma coisa utilitária, talvez encontremos justificativas para esse esquecimento.
Por isso, não nos custa nada reativar essas lembranças e trazer de volta informações ainda hoje necessária para que possamos conhecer melhor a história e as influência e desdobramentos da nossa música popular.
Filho de italianos da Calábria, Vicente Celestino nasceu no Rio de Janeiro, no bairro de Santa Teresa, ainda no século 19, em 12 de setembro de 1894. Trazia, assim, na sua formação musical todos os componentes e valores reinantes naquela época, e que marcariam de forma inexequível as suas composições.
A sua voz grave de tenor, por muito tempo, e numa época em que o rádio ainda não havia sido implantado no Brasile formado ídolos e moldando preferência, impôs-se como grande cantor e grande compositor. Aos poucos, porém, depois, foi sendo preterido em nome de cantores e compositores que se utilizavam de uma linguagem mais moderna e ao gosto popular do início do século passado. Por isso, na época, a incompreensão de alguns, e, hoje, o grande esquecimento.
O cantor Orlando Silva chegou a chamá-lo de bebê chorão do rádio, por conta do sentimentalismo exacerbado repetidamente cantados por ele: chorar a traição da mulher amada, sofrer masoquistamente por amor, afogar irracionalmente as mágoas na bebida...
É claro que a afirmativa maldosa encontrava uma explicação: vinte anos mais jovem do que Vicente Celestino e sob a proteção de nada mais nada menos do que Francisco Alves, Orlando Silva alcançava o sucesso quando Celestino já decaía no gosto do povo e da crítica. Como afirma o texto de Marco Aurélio Carvalho e Marcos Leite, no site Todas as Vozes, da EBC, a voz grave ainda era ótima, mas Celestino começava a ser rejeitado pelo Teatro Municipal.
Por isso, quando Caetano Veloso, no disco-manifesto Tropicália ou Panis et Circenses, lançado em julho de 1968, gravou a canção Coração Materno, com um arranjo fantástico do maestro Rogério Duprat, todos pensaram que se tratava de mais uma chacota, o que logo foi contradito pelo compositor baiano, que afirmou tratar-se de uma homenagem.
Ironicamente, Vicente Celestino morreu em São Paulo, no Hotel Normandie, em agosto de 1968, quando se preparava para participar de uma gravação em sua homenagem, na gafieira Pérola Negra, ao lado de Caetano Veloso e Gilberto Gil, a qual seria apresentada em um programa televisivo. Seus restos mortais foram enterrados no Rio de Janeiro, no Cemitério de São João Batista, sob os aplausos do público, depois de ser velado na Câmara Municipal por uma multidão de admiradores.
Segundo a insuperável Wikipédia, “começou cantando para conhecidos e era fã de Enrico Caruso. Antes do teatro cantava muito em festas, serenatas e chopes-cantantes. Estreou profissionalmente cantando a valsa Flor do Mal no teatro São José e fez muito sucesso e, também, entrou no seu primeiro disco vendendo milhares de cópias em 1915 na Odeon (Casa Edison).
Em 1920 montou uma companhia de operetas, mas sem nunca deixar o carnavalesco de lado, emplacando sucessos como Urubu Subiu. Rapidamente, depois de oportunidade no teatro, alcançou renome. Formou companhias de revistas e operetas com atrizes-cantoras, primeiro com Laís Areda e depois com Carmen Dora. As excursões pelo Brasil renderam-lhe muito dinheiro e só fizeram aumentar sua popularidade. Nos anos 20, reinava absoluto como ídolo da canção. Vicente Celestino teve uma das mais longas carreiras entre os cantores brasileiros”.
Ainda segundo a Wikipédia, “Vicente Celestino, que tocava violão e piano, foi o compositor inspirado de muitas das suas criações. Duas delas dariam o tema, mais tarde, para dois filmes de enorme público: O Ébrio (1946), que foi transformada em filme por sua esposa, e Coração Materno (1951). Neles Vicente foi dirigido por sua mulher Gilda Abreu (1904 - 1979), cantora, escritora, atriz e cineasta. No total, gravou em 78 RPM cerca de 137 discos com 265 músicas, mais dez compactos e 31 LPs, nestes também incluídas reedições dos 78 RPM”.
Finalmente, diz a Wikipédia: “Seu eterno arrebatamento, paixão e inigualável voz de tenor, fizeram com que o povo o elegesse como A Voz Orgulho do Brasil”.

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