sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Um menino do bairro de São José


UM MENINO DO BAIRRO DE SÃO JOSÉ 

Clóvis Campêlo

Luiz Guimarães faz poemas com a mesma concepção com que compõe suas músicas, carnavalescas ou não: uma simetria barroca.
No entanto, não existe nisso nenhuma atitude antiga ou superada. Luiz é um inovador nos acordes utilizados. O barroquismo diz respeito apenas à simetria, ao equilíbrio dos acordes e à utilização das estruturas melódicas.
Seus poemas são quase acrósticos, feitos a partir da utilização e repetição de uma palavra-chave que vai se desdobrando em considerações poéticas, filosóficas ou sentimentais. Conheci-o pessoalmente assim, primeiro o poeta.
Com toda a simplicidade do mundo, aportou no grupo virtual Poetas Independentes e, no grupo, participou das duas antologias por nós organizadas, nos anos de 2007 e 2010.
Do mesmo modo, no ano passado, dispôs-se a ter uma participação especial conosco no programa Trem das Onze, que apresentávamos todas as quartas-feiras na Rádio Universitária AM do Recife. Foi uma bela oportunidade de mostrarmos ao público ouvinte do horário tanto os seus frevos de rua e frevos de bloco, quanto outras belas canções e também suas composições jazísticas. Foi um programa de alto nível e com uma boa conversa, já que LG também demonstra uma boa memória e uma boa capacidade de transformar essa memória em histórias interessantes para o público ouvinte.
Isso tudo, levou-nos a aceitar o convite e comparecer ao lançamento da sua biografia, Luiz Guimarães – um menino de São José -, ontem à noite, na Associação Atlética Banco do Brasil, no bairro das Graças, no Recife.
O livro, financiado pela Fundarpe, através de projeto aprovado, foi impresso e encadernado na Companhia Editora de Pernambuco. Escrito por Vanda Phaelante e Renato Phaelante, conta a história da vida de Luiz Guimarães desde o namoro dos seus pais até os dias de hoje.
Escrito numa linguagem fácil e acessível, contextualiza o ano do nascimento do compositor – 1934 – e traz depoimentos de muita gente ligada à área musical, além de um bom acervo fotográfico pessoal e da cidade do Recife, com ênfase para o bairro de São José, na época eminentemente residencial.
Vem acompanhado de dois CDs com uma boa parte da produção musical de Guimarães, além das partituras das suas músicas, no final.
Enfim, um trabalho bem feito e que merece ser visto com atenção pela importância ainda não totalmente reconhecida do compositor na música popular pernambucana e brasileira.
É uma pena que compositores do nível e competência de Luiz Guimarães, com seus frevos e chorinhos inovadores, não seja executado pelas grandes rádios AM e FM do Recife e do Brasil. Quem perde somos nós, ouvintes e amantes da boa música, que deixamos de experimentar o biscoito fino da sua produção musical.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Comício de Lula no Recife


COMÍCIO DE LULA NO RECIFE
Recife, 1989
Fotografia de Clóvis Campêlo

- Postagem revisada e atualizada em 16/01/2018

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Pescador jogando a rede


PESCADOR JOGANDO A REDE
Recife, 1997
Fotografia de Clóvis Campêlo

domingo, 25 de novembro de 2012

O cinema e a imagem em movimento


Irmãos Lumiére

O CINEMA E A IMAGEM EM MOVIMENTO

Clóvis Campêlo

De onde vem o cinema?
Como essa estranha máquina inventada por austeros cientistas transformou- se numa engenhoca de contar histórias para grandes plateias?

O MALABARISTA E O CANGURU

Alguns historiadores consideram que as primeiras imagens da história do cinema foram conseguidas pelos irmãos alemães Max e Emil Skladanowsk que, em novembro de 1895, apresentaram no teatro de novidades de Wintergarten as cenas de um malabarista e de um canguru boxeador.
As controvérsias, porém, não param por aí: Robert W. Paul e Birt Acres, na Inglaterra, e os irmãos Latham, nos Estados Unidos, por esse mesmo tempo, também executaram projeções públicas com ou sem bilheteria. Também nos Estados Unidos, Thomas Edison começava a exibir e a faturar com os filmes feitos para o seu cinetoscópio: a clientela incipiente pagava 25 centavos de dólares para apreciar cenas de danças e acrobacias.
Pode-se considerar, portanto, que o cinema teve vários pais e surgiu na esteira do desenvolvimento e da pesquisa científica da época.
No entanto, foram os irmãos Lumiére - burgueses mistos de químicos, industriais e inventores - que constaram para a posteridade como os pioneiros a apresentarem o cinema como um espetáculo. Desenvolvendo uma boa máquina de projeção, a partir do cinestocópio de Edison, exibiram no subsolo do extinto Grand Café de Paris, no dia 28 de dezembro de 1895, para uma platéia de 35 pessoas (lotação esgotada ao preço de 1 franco), o filme "A saída da Fábrica Lumiére".
De curiosidade científica, o cinema começou, assim, sob a visão mercantilista da burguesia dominante, a ser visto como um negócio promissor.

A LANTERNA MÁGICA

A história dos antecessores do cinema começa, porém, no século XVII, com o jesuíta Athanasius Kircher, construtor da primeira lanterna mágica dos tempos modernos - equipamento capaz de projetar imagens fixas e que já era conhecido no Egito dos faraós -, concebida a partir da câmara escura do napolitano Giovanni Batista della Porta, acusado de feitiçaria justamente por sua descoberta. Em 1160, em Roma, o dinam,arquês Wangenstein desenvolveu uma lanterna mágica que utilizava luz artificial em vez de luz solar.
A invenção da fotografia, também no século XIX, abriu caminho para que o cinema pudesse surgir como uma combinação da lanterna mágica com as imagens fixadas em filme.
As pesquisas em busca de máquinas que pudessem reproduzir as imagens em movimento prosseguem durante o século XIX. Diversos cientistas procuram fixar movimentos rápidos e imperceptíveis a olho nu: o francês Pierre Janssen elabora uma "câmara-revólver" para registrar a passagem de Vênus pelo Sol, em 1873; o inglês Muybridge monta um complexo equipamento com vinte e quatro câmeras para estudar o galope de um cavalo; o francês Marey, para analisar o voo de um pássaro, inventa um "fuzil fotográfico" capaz de captar doze imagens em apenas um segundo.

ENGENHOCA BURGUESA

A máquina cinematográfica, portanto, surge como consequência de todo esse trabalho de pesquisa e reflete o auge da consolidação burguesa que, através da Revolução Industrial, transforma os meios de produção, as relações de trabalho e a sociedade.
Segundo Jean-Claude Bernadet (O que é cinema, Editora Brasiliense, 1981), "no bojo de sua euforia dominadora, a burguesia desenvolve mil e uma máquinas e técnicas que não só facilitarão seu processo de dominação, a acumulação de capital, como criarão um universo cultural à sua imagem. Um universo cultural que expressará o seu triunfo e que ela imporá às sociedades, num processo de dominação cultural, ideológico e estético".
E embora a burguesia tenha praticado a literatura, o teatro, a música e as artes plásticas, estas eram formas de arte que já existiam antes dela. A arte que ela cria e que surge a partir da experimentação científica é o cinema.
Será que alguma vez, no escurinho do cinema, você chegou e pensar nisso tudo?

(Artigo publicado originalmente no jornal SindPress nº 9, Recife, agosto de 1995)

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Fotógrafo Lambe-Lambe

Fotografia de Clóvis Campêlo /1989

FOTÓGRAFO LAMBE-LAMBE

Segundo a Wikipédia, fotógrafos lambe-lambe ou fotógrafos à la minuta eram profissionais ambulantes que exerciam as suas atividades nos espaços públicos como jardins, praças e feiras. Presentes a partir do século XIX nos espaços públicos, tiveram um papel importante na popularização da fotografia.
Ainda segundo a Wikipédia, existem diferentes explicações para a origem do termo. A mais comum é a de que se lambia a placa de vidro para saber qual era o lado da emulsão ou se lambia a chapa para fixá-la. As circunstâncias exigiam tempo mínimo de lavagem e mínima quantidade de água. Portanto, para garantir a qualidade do trabalho, eles tocavam a língua nas fotos durante a lavagem para avaliar a qualidade da fixação e da própria lavagem. Os clientes e passantes que viam aquela cena não podiam entender por que aquele homem a cada instante "lambia" as fotografias.
Os fotógrafos ambulantes surgiram nas primeiras décadas do século XX, trabalhando em praças e parques. Eram quase sempre procurados para registrarem momentos especiais, familiares ou para tirar retratos para documentos do tipo 3x4.
O equipamento fotográfico, conhecido como máquina-caixote, é revestido com couro cru, madeira ou metal e coberto na parte posterior com uma espécie de saco negro, com três aberturas: dois orifícios para os braços e um para enfiar a cabeça na hora de bater e revelar as fotografias.
Além de ser utilizada para o registro fotográfico, também servia para mostruário, com as laterais cobertas de fotos.
Para se obter uma fotografia convencional são essenciais o processo de revelação, fixação e lavagem.
A revelação ocorre quando a película é submetida à solução alcalina capaz de transformar os sais de prata sensibilizados pela luz em prata metálica.
A fixação ocorre quando a película revelada é submetida a uma solução ácida de tiossulfato de sódio, agente que em contato com um sal de prata tende a formar um tiossulfato de prata, decompondo-se rapidamente em sulfeto de prata e ácido sulfúrico. Sem a fixação a vida útil de uma fotografia fica reduzida a poucos minutos.
A fixação consiste na formação de complexos de tiossulfato solúveis, que serão eliminados durante a lavagem da fotografia. Se a fixação tiver sido completa, os sais doces solúveis serão eliminados facilmente na lavagem. Esse processo tornará o tempo de vida útil da fotografia indeterminado. Caso contrário, os sais amargos insolúveis bem como os de sabor metálico não poderão ser eliminados. Neste caso, a vida da fotografia estará seriamente comprometida.
No Recife, até alguns anos atrás, os fotógrafos lambe-lambe proliferavam. Concentravam-se principalmente no Mercado de São José e nas principais praças do centro histórico do Recife, como a Praça Joaquim Nabuco, onde fiz a fotografia acima. Infelizmente, a única feita por mim destes trabalhadores avulsos tão interessantes.
O historiador Liêdo Maranhão, já falecido, fez um grande apanhado deste fotógrafos aqui no Recife, colhendo dados pessoais e imagens importantíssimas que, acredito, ainda devam constar no seu acervo pessoal.


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Forte do Picão


FORTE DO PICÃO
Recife, 1997
Fotografia de Clóvis Campêlo

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Lula no Recife





LULA NO RECIFE
Recife, 2000
Fotografias de Clóvis Campêlo

-Postagem revisada e atualizada em 06/01/2018

domingo, 18 de novembro de 2012

Duas ou três coisas que eu sei sobre elas


Fotografia de Clóvis Campêlo 2008

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI SOBRE ELAS

Clóvis Campêlo

Como pessoa do sexo masculino, muitas vezes não me sinto à vontade para discutir ou opinar sobre questões que dizem mais respeito às mulheres do que aos homens.
O aborto, por exemplo. Eu pessoalmente sou contra, mas admito que que cabe às mulheres decidirem sobre o que fazer com o seu corpo e com o que ele abriga.
A minha posição contra o aborto, porém, não se prende a nenhuma questão moral ou religiosa.
Diz respeito apenas às amplas possibilidades que as mulheres têm hoje de evitar a gravidez.
Deixar-se engravidar, portanto, pode ser um ato de extrema irresponsabilidade completamente evitável. Pode ser uma aposta na esperteza e na impunidade.
Uma outra questão séria para mim, e essa me envolve diretamente como marido, pai e avô, é a questão da divisão do trabalho na família.
Para mim, caros amigos, a divisão do trabalho no lar reflete simplesmente a divisão do trabalho na sociedade em que vivemos.
Reflete a estrutura vertical do poder instituída no aparelho estatal, nas entidades privadas e até mesmo nas sociedades religiosas.
O poder é privilégio de poucos. Assim sendo, repetimos o adágio popular: "Manda quem pode e obedece quem tem juízo".
Não é só dentro do lar que as pessoas têm a sua força de trabalho explorada.
Assim sendo, embora tenha sido permitido às mulheres, ao longo dos últimos tempos, por uma imposição do capitalismo que sempre precisa se reciclar para continuar lucrando, ocupar determinados espaços que antes eram só dos homens, não se repensou a questão da divisão do trabalho na família simplesmente por que isso não interessa ao sistema.
Penso que é de pleno direito as reclamações e questionamentos femininos. Penso também que nós, homens, precisamos nos reciclar e adotar posturas mais participativas na divisão desse trabalho incessante e necessário.
Quando as mulheres têm dinheiro e poder, porém, transferem essa carga de trabalho a outras mulheres ou mesmo homens, pagando por isso e repetindo o esquema do sistema.
Toda essa visão de exploração do outro esta entranhada em nós, imposta pela educação que recebemos dentro e fora do lar. Assim, as próprias mulheres também são culpadas por isso.
É preciso mudar. Sempre.
Já se disse que o preço da liberdade é a eterna vigilância. Eu digo que o preço do equilíbrio é o eterno movimento e o preço da justiça é a eterna concessão. Quem ama concede e compartilha. Quem não consegue amar, explora o outro e se justifica pelos modelos disponíveis.
É claro que conceder e partilhar também implica em perder.
Não se pode querer tudo ao mesmo tempo agora.
Nós, homens, não somos cachorros para sermos amestrados como tal. Somos seres pensantes e temos o direito de questionar e modificar os costumes de forma consciente e humanizada.

Recife, 2008

sábado, 17 de novembro de 2012

Escadas



ESCADAS
Recife, 1991
Fotografias de Clóvis Campêlo

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A Praça Maciel Pinheiro

Fotografia de Clóvis Campêlo/1989

 Fotografia de Alexandre Belém/JC
Fotografia de autor desconhecido

A PRAÇA MACIEL PINHEIRO

Clóvis Campêlo

Situada no bairro da Boa Vista, hoje a Praça Maciel Pinheiro apresenta problemas que são inerentes àquele bairro e, de uma maneira geral, a todo o centro histórico do Recife. Abandonada pelo poder público municipal e pelo poder econômico privado, já que a área hoje não apresenta mais um grande valor comercial, é ocupada por moradores de rua e pelo lixo acumulado nas suas dependência.
No que diz respeito ao abandono da praça, aliás, em 29 de março deste ano, o site LeiaJá publicou uma matéria chamando a atenção para a situação de abandono e sujeira do logradouro, bem como para a ocupação do local: “O sentimento de insegurança ao andar pelo bairro da Boa Vista, área central do Recife, não é novidade para ninguém, mas esse medo toma maiores proporções em algumas áreas específicas. Um desses locais é a praça Maciel Pinheiro, que já viveu dias melhores, mas que hoje ostenta o triste rótulo de "lugar a ser evitado". O equipamento público foi ocupado por moradores de rua, porém, deixou de abrigar apenas pessoas em busca de um lugar para se refugiar.
Os flagrantes de uso de drogas e outros produtos que fazem mal a saúde são comuns, em qualquer horário, inclusive durante o dia, principalmente cola de sapateiro. À noite, a situação é pior. O risco aumenta, junto com o consumo de crack e álcool. E com isso, vêm os crimes. "Fumam muito aqui. Tem cliente meu que deixou de vir. Meu estabelecimento já foi arrombado uma vez", revela um comerciante, que preferiu não se identificar”.
Mas nem sempre as coisas foram assim na praça, que antes viveu momentos de esplendor e de beleza.
Sobre a história da praça, aliás, assim se manifesta a pesquisadora Semira Adler Vainsencher, em artigo postado no site da Fundação Joaquim Nabuco: “ Na ocasião de sua inauguração, a Praça apresentava um grande chafariz, bonitos lampiões antigos que iluminavam todo o ambiente, muitos bancos de madeira, e o seu jardim era todo cercado por grades de ferro. Inicialmente, possuiu vários nomes: Moscoso, Largo do Aterro ou da Matriz, Boa Vista e Conde d'Eu. Nesse logradouro público, porém, foram feitas algumas modificações. Em primeiro lugar, o seu chafariz não mais existe: em seu lugar, é instalada uma fonte. Por sua vez, as grades originais são retiradas e outras, posteriormente, vêm ocupar o seu lugar. Por fim, somente muitos anos depois a Praça vem se chamar Maciel Pinheiro, em homenagem ao talentoso jornalista e abolicionista”.
E prossegue: “ Apesar de pequena, tal logradouro possui um precioso troféu: sua bela fonte de pedra contendo leões, máscaras, ninfas e uma índia. Descrevendo a fonte mais detalhadamente é possível dizer que, de sua base, foi construído um tanque redondo. Em cima dele, quatro imponentes leões jazem sentados olhando os transeuntes - como que guardando, serenos, os pontos cardeais. Sobre as cabeças desses animais é erguida a primeira bacia d'água circular da fonte. Do centro dessa bacia, em pé, podem ser apreciadas quatro ninfas seminuas, bem semelhantes à Vênus de Milo. Um pouco acima de suas cabeças, brotando da coluna central, jaz a segunda bacia circular da fonte. A coluna detalhada se eleva mais um pouco e eis que surge a terceira bacia, a menor de todas. Em cima dela, observam-se três máscaras de pedra, esculpidas sobre a coluna central, de cujas bocas abertas emanam as águas que alimentam o tanque redondo, após escorrer pelas três bacias. No topo da fonte, finalmente, representando a população nativa do País, surge uma índia monumental, munida de arco e flecha, como que reinando, absoluta, com o seu corpo voltado para a Igreja-Matriz da Boa Vista e a rua Imperatriz Theresa Christina”.
Entre os poucos sobrados que ainda existem e resistem a ação do tempo e do descaso das autoridades municipais na Praça Maciel Pinheiro, está o de nº 387, na esquina com a Travessa do Veras, onde a escritora Clarice Lispector morou de 1925 a 1937.
Segundo matéria publicada no Diario de Pernambuco no dia 7 de novembro próximo passado, a escritora, nascida na Ucrânia, mas naturalizada brasileira, escreveu inúmeros romances, contos e ensaios, tornando-se uma das escritoras brasileiras mais importantes do século 20”. Mesmo assim, o prédio encontra-se em precário estado de conservação, embora tenha sido tombado pela Fundarpe este ano. Na praça, aliás consta uma estátua da escritora, obra do artista Demétrio Albuquerque, e que faz parte do Circuito da Poesia do Recife, onde outros artistas são homenageados com esculturas colocadas em diversos locais da cidade.
No livro Trilhas do Recife – Guia Turístico, Histórico e Cultural, o escritor João Braga assim se refere ao local: “Com a construção da igreja (Matriz da Boa Vista), nasceu o Largo do Aterro, que passou a ser chamado de Praça da Boa Vista, para, em 1870, ser denominada de Conde D'Eu (Luís Felipe Gastão de Órleans, esposo da princesa Isabel, francês, naturalizado brasileiro e que substituiu Caxias no comando das tropas brasileiras na Guerra do Paraguai. Passou, em 1889, a ser chamada Praça Maciel Pinheiro, homenagem ao advogado paraibano, promotor e juiz Luís Ferreira Maciel Pinheiro, voluntário na Guerra do Paraguai. Na praça há uma fonte em referência à participação do Brasil na Guerra do Paraguai. Em 1876 foi instalado um monumento vindo de Lisboa, com leões que sustentam uma grande bacia, quatro ninfas e uma índia adornada, representando a nação brasileira”.
No livro O Recife e seus bairros, o pesquisador Carlos Bezerra Cavalcanti afirma o seguinte: “Conforme se comprova na planta geográfica, parte da área que corresponde hoje à Praça Maciel Pinheiro, já foi a primitiva Praça N. S. da Conceição da Boa Vista, em outra época também chamada de Largo do Moscoso ou Largo do Aterro. O primeiro ornamento desta Praça foi um belo chafariz, mandado construir pela Companhia do Beberibe”.


Obs.: Atualizado em 29/12/2017

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O Graf Zeppelin no Recife


O GRAF ZEPPELIN NO RECIFE

Clóvis Campêlo

O Graf Zeppelin aportou pela primeira vez no Recife às 19h28 do dia 22 de maio de 1930. Vindo de Sevilha, na Espanha, após evoluções sobre a cidade, atracou na primitiva torre do Campo do Jiquiá. Foi recebido por uma multidão superior a 15 mil pessoas, oriunda do Recife, de cidades vizinhas e até de outras cidades do Nordeste, atraída pela nova maravilha do século.
A escala forçada no Recife, já que a rota original era ir direto da cidade espanhola ao Rio de Janeiro, foi provocada por ventos contrários enfrentados pelo dirigível ao sobrevoar a Ilha de Fernando Noronha.
Ao desembarcarem, os ocupantes foram recebidos pelas autoridades estaduais, a frente o então jovem sociólogo Gilberto Freyre, secretário particular do governador Estácio Coimbra.
Entre os passageiros estavam o infante da Espanha, Dom Afonso de Bourboun e o professor Vicente Licínio Cardoso, da Escola Politécnica do Recife, o primeiro brasileiro a viajar no belo dirigível.
A aeronave permaneceu no Recife até o dia 24, quando, pela madrugada, alçou vôo para o Rio de Janeiro, seu verdadeiro destino. Nesse meio tempo, ocorreram na cidade diversas manifestações de carinho, como recepções, almoços e jantares, além de presentes ofertados pela colônia alemã, como uma plaqueta cravejada de brilhantes.
A visita inusitada foi registrada em versos pelo poeta Ascenso Ferreira:

"Apontou / parece uma baleia se movendo no ar /
Parece um navio avoando no ares! /
Credo, isso é invento do cão! /
Ó coisa bonita danada. /
Viva seu Zé Pelin! /
Vivôoo...
"


Estes versos do poeta estão gravados na placa aposta ao pé da torre metálica do Jiquiá, pelo Governo do Estado de Pernambuco, em 15/9/1981, para perpetuar a lembrança dos 51 anos da primeira escala do Graf Zeppelin no Recife, transformando-a em monumento tombado pela FUNDARPE, após sua restauração, por se tratar da única ainda existente no mundo.
Entre os pernambucanos que viajaram no Graf Zeppelin (236m de comprimento e 30m de diâmetro), constam o Conde Pereira Carneiro, João Cleófas de Oliveira, José Pessoa de Queiroz, Lael Sampaio, Severiano Lins e J. Brito Passos.
Outro ilustre viajante foi o presidente Getúlio Vargas que, em 1933, embarcou para o Rio de Janeiro no Campo do Jiquiá, congratulando-se, na chegada, com o presideente Hindenburg, da Alemanha, "por esta forma de transporte aéreo que o gênio alemão revelou ao mundo".
A última escala do Graf Zeppelin no Recife aconteceu no dia 4 de maio de 1937, vindo do Rio de Janeiro. Daqui, voou direto para Friedrichshafen, percorrendo 7.872 Km, em 88,28 horas, numa velocidade média de 88,8 Kh/h, encerrando o ciclo dos dirigíveis.
Dois dias depois, no Campo de Lackehurst, nos Estados Unidos, o Hinderburg, foi destruído por terrível incêndio, vitimando 36 pessoas entre tripulantes e passageiros, encerrando o ciclo dos dirigíveis.
Durante a sua existência, o Graf Zepellin realizou 65 viagens para o Brasil, com 130 pousos no Campo do Jiquiá.

Recife, 2008

Fonte:
- MACEDO, Napoleão. "Os ventos trouxeram o Graf Zeppelin", in "Recife, Paixão e Tragédia". Coordenação Fernando Menezes. 2 ed. rev. e ampl. Recife: PROPEG, 2000. p. 15/17.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Mulheres do Juazeiro










MULHERES DO JUAZEIRO
Juazeiro do Norte, 1993
Fotografias de Clóvis Campêlo


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Menino do MST


MENINO DO MST
Recife, 1997
Fotografia de Clóvis Campêlo

- Postagem revisada e atualizada em 05/01/2018

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Poema inacabado para João


Fotografia de Clóvis Campêlo / 1991

POEMA INACABADO PARA JOÃO

Clóvis Campêlo

Meu caro João,
a noite ainda não chegara aos teus olhos
mas já existia;
e a vida atravessava a avenida
com a naturalidade de um cão
prestes a ser atropelado.
Nada havia a ser dito
mas muitas palavras ecoaram.
Inútil e seca paisagem.
Não havia lágrimas,
não havia cores,
nem mesmo o som do rio capibaribe
ou as mulheres de sevilha.
Tão difícil a tua alma,
tua ansiosa calma.
Teu grito calado,
calcado na mesmice que insistiam
em jogar sobre ti.
Nem mesmo havia transpiração
naquela noite tropical.
Naquela noite, a eternidade do tempo
pairava sobre as águas da guanabara,
negra sombra na noite clara.
E nem mesmo eu sabia dos aviões
quando segurei pela última vez
na tua mão.

Recife, 2011
-

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Mascarados


MASCARADOS
Recife, carnaval 2000
Fotografia de Clóvis Campêlo


domingo, 4 de novembro de 2012

Barcos de Suape


BARCOS DE SUAPE
Cabo de Santo Agostinho, 1991
Fotografia de Clóvis Campêlo


sábado, 3 de novembro de 2012

Imagens de Nossa Senhora da Conceição



IMAGENS DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
Recife, 1995
Fotos de Clóvis Campêlo


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Liêdo Maranhão











LIÊDO MARANHÃO
Olinda, 2008
Fotografias de Cida Machado


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A Rua da Aurora


A RUA DA AURORA

Clóvis Campêlo

Situada nos bairros da Boa Vista e de Santo Amaro, no Recife, a Rua da Aurora nasceu no começo do século XIX, com o aterro de uma área de pântano localizada na margem esquerda do rio Capibaribe, pertencente ao comerciante Casimiro Antônio Medeiros.
Considerada uma das ruas mais características da cidade, por estar voltada para o rio e ainda conservar casarões autênticos do século XIX, tem esse nome por receber o sol em cheio nas primeiras horas da manhã.
Dez anos após a assinatura da Lei do Ventre Livre, promulgada pelo visconde de Rio Branco em 28 de setembro de 1871, dando liberdade aos filhos dos escravos nascidos a partir daquela data, deram-lhe o nome de Rua Visconde de Rio Branco, mas a mudança não vingou.
Graciosa por natureza, a Rua da Aurora foi endereço do conde da Boa Vista, governador de Pernambuco, e outras famílias nobres.
O conjunto urbano foi projetado pelo engenheiro José Mamede Alves Ferreira, em 1855, mas os primeiros sobrados foram construídos em 1841, situados entre as ruas do Riachuelo e Princesa Isabel.
A primeira construção foi a casa de nº 405, que serviu de moradia para o Conde da Boa Vista. Levantamento histórico feito pela Fundarpe indica que o palacete foi construído pelo corpo do comércio e oferecido ao Conde.
O prédio tem estilo diferente dos demais, com colunas dóricas encaixadas, suntuosa sacada no primeiro andar e o brasão colorido de Pernambuco no frontal clássico.

Recife, 2008


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Andarilho blues


ANDARILHO BLUES

Clóvis Campêlo

Perdido pela cidade
me encontro em tons azuis,
roques, baladas e blues,
toda a musicalidade

que emerge das suas ruas:
o som sereno do rio,
os cães latindo no cio,
gatos miando pra lua;

o ruído dos motores,
as frenéticas buzinas,
o vapor que contamina,
a vida em estertores.

Perdido pela cidade,
olhando a face do povo
em busca de algo novo,
procuro a felicidade.

Recife, 2010

sábado, 20 de outubro de 2012

As características da arte moderna


Picasso

AS CARACTERÍSTICAS DA ARTE MODERNA

Clóvis Campêlo

Segundo José Guilherme Merquior no livro "Formalismo e tradição moderna: o problema da arte na crise da cultura", de 1974, é dentro da própria consciência geradora do saber da cultura ocidental que a estética moderna encontrará campo para dar vazão ao sentimento de insatisfação que a invade. Mostra-nos o autor que nada "poderia ser mais eloquente do que a simples menção da influência de duas ciências humanas na arte moderna: a psicanálise e a antropologia". E ambas se prestam a esse papel por provocarem constantes "deslocamentos" no pensamento que as gerou. Assim, munidos de novos "instrumentos", os artistas modernos encontram condições de manifestar a negação e a perplexidade da arte em relação aos caminhos dos tempos contemporâneos. Valorizando os impulsos libertários do inconsciente, bloqueados pela ética do pensamento conservador, os modernos passam a salientar o "caráter repressivo do princípio da realidade" como uma limitação às possibilidades vitais do homem. Assumem, desse modo, uma postura "vocacionalmente surrealista", instalando, no bojo do seu pensamento, a "mística da liberdade espiritual", fonte da contracultura de vanguarda no final do século passado.
A desconfiança da arte moderna ante os valores da cultura ocidental faz com que, juntamente com a vontade de ruptura cultural, desenvolva-se, na primeira, uma tendência ao hermetismo. Tal tendência intensifica o isolacionismo cultivado pelo artista a partir do pós-romantismo, afastando, com desdém, a estética moderna das massas (muito embora estas se mostrem cada vez mais alfabetizadas) e encaminhando a arte moderna para uma postura semântica elitista. O poeta moderno cerca de obstáculos o acesso ao significado da mensagem poética e, almejando alcançar um público seleto, cria obras que jogam com significados incertos, esquivos e obscuros.
Por compreender que o fácil entendimento das obras significa a banalização e a alienação da informação (tal assertiva torna-se interessante em um mundo caracterizado pela "democratização" da informação e pela proliferação do simulacro enquanto meio de consciência cósmica, ao mesmo tempo em que serve para desnudar mais um aspecto contraditório das artes modernas), o bardo moderno envereda por caminhos esotéricos e inusitados (mudança quanto ao conteúdo), enquanto adota contra a linguagem comum (alteração quanto à forma) o que Ramon Jakobson, numa tentativa de definir a literatura sob a ótica dos formalistas, classificou como "violência organizada".
Concomitantemente a esse movimento de afastamento das massas verificado na estética moderna, a arte de vanguarda experimenta uma "universalização dos horizontes mentais", estabelecendo entre os artistas modernos uma comunicabilidade definitivamente diluidora do sentimento de "cor local" dos românticos e que, transcendendo as nacionalidades, provoca o cruzamento de temas e estilos, em que pese cada literatura estar irremediavelmente ligada ao espírito da sua língua.
Desse modo, segundo a ótica de Merquior, são quatro os movimentos que caracterizam a passagem da arte romântica para a arte moderna: a mudança de uma concepção mágica de arte para uma concepção lúdica, desdobrada em visão grotesca (jogo quanto ao conteúdo) e experimentalismo (jogo quanto à forma); transformação da oposição cultural romântica em ruptura; afastamento das grandes massas e tendência para o hermetismo, e, encaminhamento da poética atual para o cosmopolitismo e para um futuro planetário.
No entanto, se o primeiro movimento faz com que a arte moderna manifeste uma saudável tendência de revigoramento e renovação, ao mesmo tempo em que nega os valores culturais que contradizem a afirmação humana, tendência essa confirmada no movimento de ruptura (afastamento), o terceiro movimento (elitização e hermetismo) é contraditório e caminha em sentido inverso aos anteriores. Por seu lado, o quarto movimento (cosmopolitismo) parece nos indicar que a grande arte, perdida a sua função mágica e situada em uma cultura de massa onde prevalece a divisão de classes (característica supranacional), exercita essa permeabilização universalista como forma de uma adaptação necessária à sua sobrevivência.
Para finalizar, consideremos que o conceito de arte moderna, ainda segundo Merquior, prende-se muito mais aos fatores internos observados nas obras de arte do que a sua contemporaneidade. Tal fato se deve a permanência, ainda hoje, na tradição da arte moderna de elementos românticos não submetidos ao novo estilo e que atuam como fatores de estreitamento e de enfraquecimento da arte moderna, reduzindo a sua capacidade de elaboração de uma crítica da cultura e diminuindo a sua energia criadora. Dessa maneira, nem toda a arte contemporânea pode ser considerada "arte moderna", assim como podemos estabelecer a existência de diversos graus de "modernidade".

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Poema para Saramago


POEMA PARA SARAMAGO

Clóvis Campêlo

Quando chegares aos céus
não mais terás consciência
para percebê-lo.
Serás etéreo, vapor,
nuvem passageira.
No entanto, também serás
a essência preservada
da natureza,
simples circunstância.
O teu, era um sonho
terreno, consistente,
feito em rocha,
não mais caberia
nas nuvens.
O que te alimentava
era o desvendar
e a recriação constante
do código dos homens.
Nada era definitivo
e a verdade escondia-se
nas entrelinhas.
Talvez tenhas sido
o bobo da colina
ou o último guardião
das possibilidades negadas.
Teu vulto frágil
era assustador
e o verbo, desde
o princípio, recusava
o sonho inútil
e o tempo desperdiçado.

- Publicado no jornal Folha de Pernambuco, Recife, quinta-feira, 24/6/2010, Caderno Programa.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Sufragando e naufragando no vermelho



SUFRAGANDO E NAUFRAGANDO NO VERMELHO

Clóvis Campêlo

Eleição é sempre um tempo de reencontro, conosco mesmo e com os outros.
Lembro que no já longínquo ano de 1982, em plena Avenida Guararapes, no centro do Recife, às vésperas de mais uma eleição, com o democrata (a palavra ainda não havia sido deturpada) Marcos Freire disputando o governo do Estado contra o biônico Roberto Magalhães, ao lado dos amigos Valmir Sá e Gílson Ayres (já falecido) discutíamos sobre em quem votar.
Enquanto Gílson defendia o voto no incipiente Partido dos Trabalhadores, que tinha em Manoel da Conceição (torturado e o mutilado por um dos governos da ditadura militar), eu e Valmir defendíamos o “voto útil” no PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), surgido naquele mesmo ano após uma fusão do antigo MDB com o Partido Popular (PP) de Tancredo Neves, em nome da restauração da democracia e pelo fim do regime arbitrário que mesmo exaurido ainda se mantinha. Além do mais, Miguel Arraes estava de volta, após o exílio na Argélia, e era preciso fazer-lhe justiça, elegendo-o deputado federal.
Arraes se elegeu deputado federal com 191.471 mil votos, votação recorde em todos os pleitos estaduais até então, abrindo caminho para o seu retorno ao executivo estadual, em 1986.
No entanto, para governador, perdemos todos nós. O petista Manoel da Conceição teve uma votação irrisória e Marcos Freire, inesperadamente, foi derrotado por Roberto Magalhães. A democracia ainda engatinhava, pensávamos nós, e na sua imaturidade ainda permitiria aquele equívoco.
Anos depois, às vésperas de uma outra eleição estadual, reencontro Gílson Ayres em plena Avenida Conde da Boa Vista, também no centro do Recife. Sem a presença de Valmir Sá, reavaliamos as nossas posições. Eu, finalmente, havia optado e postava no peito a estrela vermelha do PT, na esperança de uma revolução para a esquerda que sucedesse a revolução que já tínhamos sofrido para a direita. Para minha surpresa, Gílson era agora um direitista empedernido, criticando as utopias socialistas que ainda me alimentavam alma e fazendo campanha para o mesmo Roberto Magalhães que havia sido governador biônico do regime militar. Mudanças, mudanças, mudanças...
Penso nisso agora que, depois de muitos anos votando no Partido dos Trabalhadores, abri mão dessa prerrogativa para votar em um candidato olímpico, Roberto Numeriano, do Partido Comunista Brasileiro. O que me levou à isso? A patifaria interna do PT na escolha do seu candidato, jogando no lixo a propalada democracia interna e, sob a mão de ferro do Diretório Nacional, empurrando-nos goela abaixo um candidato “biônico”, o senador Humberto Costa. Com esse gesto de autoritarismo, muitas foram as perdas para o partido e isso se refletiu diretamente na campanha e na eleição. O partido encolheu, no Recife, perdendo vereadores, a prefeitura e o respeito dos seus eleitores.
Durante a própria campanha, refletiu-se também na falta de rumo e propostas do candidato petista. Foi uma campanha mal feita e desorientada. Entendo que isso tudo prejudicou o desempenho do partido muito mais do que o julgamento do famigerado mensalão.
Passado o cataclismo, penso que resta ao Partido dos Trabalhadores calçar as sandálias da humildade, fazer um mea culpa e, principalmente, retomar os rumos e as ligações sociais que fizeram desse partido uma agremiação única na história partidária brasileira. Se isso não acontecer, não acredito que ele possa sobreviver com a dignidade e a retidão suficientes para levar em frente um projeto nacional, de reforma política e administrativa desse país.
Precisamos de revoluções benignas na educação, na saúde pública, na habitação, no transporte coletivo e em outras áreas que devem ser monitoradas e administradas sempre pelo poder público.
Para mim, hoje, não interessa à caça às bruxas. Quem deve, deve pagar pelo que fez. No entanto, não somos tolos o suficiente de acreditar que a “justiça” é neutra e justa. O jogo pelo poder é muito mais sujo e hipócrita do que imagina a nossa vã filosofia, e ao PT também cabe a culpa de ter acreditado e apostado nele.

Recife, 2012

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Amsterdão não é aqui!


AMSTERDÃ NÃO É AQUI!

Clóvis Campêlo

Não só o Haiti não é aqui, como vaticinou o poeta baiano, mas também Amsterdã.
Consta que o mundo é apenas um só.
O que mudam são as visões, os olhos de quem o vê.
O olho olha e vê e sente o que quer sentir.
O olhar faz parte integrante da maneira de ser do fotógrafo.
Antes de fotografar, ele vê...
O registro, no celulóide ou nas retinas, é apenas um detalhe secundário e posterior. O importante é ver.
No entanto, embora o registro seja algo secundário e posterior, da sua efetivação dependerá muita coisa.
Se o registro ocorrer apenas nas retinas e na massa cinzenta do fotógrafo, que um dia os vermes da terra irão devorar, muita coisa não se terá ganhado. A humanidade será privada de compartilhar dessa visão idílica ou terrível (tanto faz!).
Se o registro se der na fita de celulóide ou no magnetismo digital, poderá ser multiplicado ad infinitum. Será perpetuada e muitos outros olhos e mentes a compartilharão no presente e no futuro.
A diferença fundamental é essa! Socializar as visões, tendo o cuidade, porém, de não se expor desnecessariamente.
E viva o simulacro!

Recife, 2006