quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Frevos e maracatus












FREVOS E MARACATUS
Fotografias de Cida Machado e Clóvis Campêlo
Recife, 2012

A síntese



A SÍNTESE

Clóvis Campêlo

Neguei todos os preceitos
como quem renega a vida,
atingindo o próprio peito,
dilacerando a ferida

(a mesma mão que afaga
acende o fogo e o apaga).

Fiz do mundo o seu avesso,
vestido de manto espesso
para ser inacessível,

e conclui o desfecho
na imensidão do impossível.

Recife, 2011


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Entre Olinda e o Recife

















ENTRE OLINDA E O RECIFE
Fotografias de Cida Machado e Clóvis Campêlo
Recife e Olinda, 2012

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Troça Carnavalesca Mista Lenhadores da Mangabeira







TROÇA CARNAVALESCA MISTA LENHADORES DA MANGABEIRA

Clóvis Campêlo

Enquanto no sábado de Zé Pereira o Galo da Madrugada toma conta do Recife e arrasta uma multidão para o bairro de São José, no domingo é dia das pequenas troças desfilarem na Boa Vista, no Pátio da Santa Cruz.
É o caso da Troça Carnavalesca Mista Lenhadores da Mangabeira, bairro pobre do Recife, localizado entre o Alto José do Pinho e a Bomba do Hemetério, com uma população de mais de 7 mil habitantes, segundo o Censo 2000 do IBGE.

Recife, carnaval 2012

A antítese



A ANTÍTESE

Clóvis Campêlo

Queria a revolução,
toda a mudança possível,
toda a certeza do não,
queria todo o não crível:

sabia que em pleno avesso
haveria um recomeço.

Não contava, no entanto,
que para toda alegria
haveria o mesmo pranto,

que todo não era um sim,
e todo começo, um fim.

Recife, 2007


- Publicado no livro Antologia 2007 dos Poetas Independentes, Recife, Editora do Livro Rápido, 2007, página 43.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Esperando o Galo




ESPERANDO O GALO

Clóvis Campêlo

Desde o ano passado que o Galo da Madrugada mudou o seu tradicional percurso, deixando de circular pela Rua da Concórdia, estreita e repleta de casarões antigos, e passando a circular pela Avenida Dantas Barreto, no bairro de São José.
Pois bem, se isso trouxe vantagens para os organizadores e foliões, também deixou a Rua da Concórdia livre para que as pequenas orquestras de frevo circulem e animem a moçada enquanto o Galo não chega.

Recife, 2012

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A Troça da Besta Fubana












A TROÇA DA BESTA FUBANA


Clóvis Campêlo

Criada em 2006, a Troça da Besta Fubana desfilou dois anos no carnaval do Recife e depois se recolheu. Este ano, voltou a desfilar e animar o carnaval do Recife Antigo.
A concentração foi na Rua da Guia, no restaurante Sabor de Pernambuco, na noite do dia 14 próximo passado.

Depois de organizada e devidamente turbinada, a troça saiu pelas ruas do bairro histórico, animando ainda mais a semana pré-carnavalesca.
Nem mesmo a falta de energia elétrica, que por alguns minutos escureceu a Rua da Guia, arrefeceu o ânimo da tropa fubânica.
O registro fotográfico foi feito por Cida Machado, a fotógrafa foliã.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Amor à primeira vista


A seleção do Irã com a camisa coral
-
AMOR À PRIMEIRA VISTA

Clóvis Campêlo

Desde pequeno que sempre gostei de futebol. Diziam que eu levava jeito para jogar, ao contrário do meu irmão mais novo, Carlinhos, que era completamente desengonçado com a bola nos pés. Acho que herdou a inabilidade paterna.
O meu pai nunca gostou de futebol. Contava que a sua única e frustada tentativa de praticar o esporte bretão se dera na juventude, em Jaboatão dos Guararapes. Escalado para jogar de zagueiro, deu uma furada hilariante na primeira bola que veio em sua direção, enganando o goleiro do seu time e abrindo caminho para a derrota. Foi tirado do time e nunca mais voltou a jogar.
Assim dito, fica plenamente compreensível que eu tenha precisado buscar outras alternativas para alimentar e expandir a minha paixão futebolística.
Jogar, eu jogava na Rua Jeremias, na praia do Pina, no areial do Aeroclube, numa época em que os espaços urbanos livres ainda permitiam isso. Ir aos estádios, porém, era diferente. Ainda menino, precisava de alguém para me acompanhar. A solução era apelar para os meus tios maternos, Luís e Maurício, ambos torcedores do Clube Náutico Capibaribe.
Para desespero deles, no entanto, não segui o caminho por eles trilhado de torcer pelo clube alvirrubro pernambucano. Bastou-me ver o Santa Cruz entrar em campo, nos Aflitos, numa tarde ensolarada de domingo, para perceber que aquele era o clube do meu coração. Meus tios esmoreceram, desanimaram. Haviam reforçado o inimigo. Nosso caminhos futebolísticos se separavam ali, nas arquibancadas da vida.
Meu tio Luís não jogava nada. Mas Maurício era habilidoso. Atuava no Botafogo do Pina, time suburbano organizado e mantido pelos filhos do tenente Beltrão. Morávamos na mesma rua, éramos vizinhos. Descubro, feliz, que o tenente Beltrão torcia pelo Santa Cruz. Mais do que torcedor, aliás, era sócio patrimonial e não perdia um jogo. Estava resolvido o meu problema. A partir daquela data, passei a integrar a comitiva coral que saia da Rua Jeremias, em dias de jogo, a bordo de um Buick azul, rumo aos estádios do Recife.
Naquela época, no início dos anos 60, o Santa Cruz ainda não tinha o Estádio do Arruda, que só viria a ser inaugurado em 1969. O jeito era ver o time jogar na Ilha do Retiro e nos Aflitos, estádios alheios.
Só fui a um estádio de futebol com o meu pai pela primeira vez em 1972, no Arruda, durante a Copa Independência, realizada no Brasil pela Confederação Brasileira de Desportos para comemorar a conquista do tri mundial, no México, dois anos antes.
Não vimos a seleção brasileira atuar, mas chegamos a ver a seleção do Irã, vestindo a camisa gloriosa do Santa Cruz, enfrentar a Irlanda, num empate de 2x2.
Para mim, foi um momento de grande felicidade.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Com açúcar e sem afeto


Glória Swanson
-
COM AÇÚCAR E SEM AFETO

Clóvis Campêlo

Vejo em uma revista que Madonna, a grande artista pop, não consome açúcar branco refinado e nem permite que seus filho o façam.
A atriz Glória Swanson, diva do cinema americano, já falecida, também pensava assim. Dizia que não permitia a entrada do açúcar refinado nem na sua casa, quanto mais no seu corpo. Coincidência ou não, Swanson, que também praticava hatha yoga, passou dos 80 anos sempre bela e elegante
Um dos seus últimos maridos, o jornalista William Duft, escreveu um livro interessantíssimo chamado "Sugar Blues", em que estuda a chegada do açúcar no Ocidente, na Idade Média, através da cana-de-açúcar introduzida pelos árabes na Península Ibérica, e a sua influência no comportamento e no modo de pensar do homem moderno.
A escritora brasileira Sônia Hirscth, em um dos seus livros sobre alimentação natural, afirma que na Idade Média o açúcar refinado era um artigo tão caro e desconhecido que os nobres europeus o consumiam em bandejas de prata nas festas palacianas como um excitante exótico.
O cientista japonês George Oshawa, que no começo do século XX sistematizou e introduziu a filosofia e a alimentação macrobiótica no Ocidente, considerava o açúcar branco refinado como o inimigo nº 1 da humanidade. Segundo ele, o açúcar para ser metabolizado rouba cálcio e vitamina B do organismo humano. Ou seja, desalimenta.
Oshawa morreu aos 76 anos. Segundo os seus seguidores, supostamente envenenado. Juntamente com um físico francês, cujo nome não lembro no momento, ele havia descoberto como transformar cobre em ouro. Por se negar a fornecer a fórmula às grandes potências ocidentais, teria sido envenenado para que o segredo não caisse em mãos inimigas. A sua viúva, Lima Oshawa, também adepta das formas naturalistas de vida e alimentação, faleceu com mais de cem anos.
Para nós, nordestinos brasileiros, descobrir a malignidade do açúcar é terrível.
A sua cultura nos forjou a história, destruiu as nossas matas originais, contaminou os nosso rios, provocou guerras absurdas e permitiu o surgimento de sociologias explicativas dos nossos extâses e declínios sociais e econômicos. De certo modo, justificou a casa grande e a senzala. E quando os engenhos foram substituídos pelas usinas produtoras de açúcar, agudizou as desigualdades no campo e criou uma nova elite social e dominante.
"Sugar fields forever", como já disse o poeta ao observar a paisagem monótona e desequilibrada dos nossos campos.
Com açúcar e sem afeto.

Recife, 2010


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Os cães


OS CÃES

Clóvis Campêlo

Os cães ladram para a lua cheia como lobos sedentos de amor.
Os cães ladram e a caravana nem sempre passa.
Os cães farejam cadelas no cio, lutam, sangram, esporram no rabo delas e perpetuam a espécie.
Apesar da ignorância dos homens, os cães respeitam a Natureza: não poluem os oceanos, não derrubam matas, não intoxicam as nascentes.
Apenas comem as rações ordinárias que lhes são oferecidas, envenenam o próprio sangue e cagam uma merda industrializada com todos os impostos pagos em dia.
Precisamos libertar os cães, esses nossos companheiros de viagem.


A prosperidade dos ímpios



A PROSPERIDADE DOS ÍMPIOS

Clóvis Campêlo

Meus pés quase resvalaram
ao invejar arrogantes,
que acumulam riquezas
e ocupam-se com malícias.

Têm os corpos bem nutridos
e semeiam a violência;
sua língua varre a terra,
zombam, oprimem e matam.

No entanto, estão em terreno
escorregadio e bruto,
precipitam-se em ruínas
por eles mesmos criadas;

são carne sem coração,
zumbis que andam sem alma,
desvairadas criaturas
negando a essência da vida.

Recife, 2008


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Solidão



SOLIDÃO

Clóvis Campêlo

Definitivamente perdido
entre o escuro da imensidão
e feixes fugidios de luz,
entre o azul terrestre e
o vermelho marciano,
entre as luas de Saturno
e o brilho dos
teus olhos,
entendi que a solidão
é o desencontro da raça
e o encontro do ser.
Haverá um momento
em que só teremos
a nós mesmos
para decifrar os
mistérios do mundo
e de nada valerá a
ilusão da consciência
coletiva.

Recife, 2010


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O Sputinik e a música popular do Nordeste



O SPUTINIK E A MÚSICA POPULAR DO NORDESTE

Clóvis Campêlo

No dia 4 de outubro de 1957, a então União Soviética enviava ao espaço o primeiro satélite artificial da História, o Sputinik, iniciando a corrida espacial contra os Estados Unidos.
O Sputinik era uma esfera metálica de 83 quilos, dotada de quatro antenas e dois transmissores de rádio. Foi lançado no Cazaquistão, às 2 horas e 28 minutos daquele dia, acoplado a um foguete R7, antecessor do Soyuoz.
Um mês depois do lançamento do Sputinik 1, os soviéticos colocaram em órbita a cadelinha Laika, a bordo do Sputinik.
Nesse mesmo local, quatro anos depois, em 12 de abril de 1961, a União Soviética mantinha a liderança da corrida espacial lançando ao espaço o astronauta russo Yuri Gagarin, o primeiro homem a viajar ao espaço sideral.
Juro que nas noites limpas do Pina, quando o céu era de brigadeiro, procurei em vão com meus olhos de menino essa estranha maquinária flutuando entre as estrelas na abóbada celeste.
Se o Sputinik a mim não se mostrou, inspirou, juntamente com a corrida espacial, a vários compositores e cantores populares do Nordeste, cronistas da sua época, como o paraibano Jackson do Pandeiro e o pernambucano Gildo Branco que os cantaram embalados pelos ritmos nordestinos.
Do primeiro, paraibano nascido na cidade de Alagoa Grande, em 31 de agosto de 1919, e cujo nome de batismo era José Gomes Filho, lembro que gravou a toada "Eu vou pra lua", de autoria de Luiz de França, falecido em 2007, compositor de jóias do cancioneiro nordestino, como o frevo-de-bloco "Panorama de Folião" e que fazia o programa Repórter da Semana na antiga Rádio Clube de Pernambuco. Na música citada, Zé Gomes mistura o Sputinik com o Graf Zeppelin, fazendo do Campo do Jiquiá, onde está localizada a única torre de atracagem do dirigível alemão ainda existente no mundo, local de lançamento para as naves espaciais: "Eu vou pra lua, / mamãe eu vou morar lá, / pego o meu Sputinik no Campo do Jiquiá".
Consta que Jackson do Pandeiro, quando menino, queria tocar sanfona, um instrumento caro para a família pobre poder comprar. Terminou tocando pandeiro para acompanhar a mãe, que era cantadora de côco. O nome artístico vem do ator de faroeste americano Jack Perry, do qual era fã. Jackson do Pandeiro morreu em Brasília, no dia 10 de julho de 1982.
Do segundo, lembro do frevo "A Lua disse", sucesso do carnaval pernambucano de 1962, na voz de Evaldo França: "Gagarin subiu, subiu, subiu, / foi até o espaço sideral, / chegou perto da lua e sorriu, / vou embora pro Brasil que o negócio é carnaval. / A lua disse: "Não vá, demore mais, / pois ouvi que lá na Terra querem me passar pra trás" / Mas o Gagarin não ligou e deu no pé: / "Vou mesmo pro Brasil, eu quero é conhecer Pelé".
Gildo Branco nasceu no Recife, em 27 de julho de 1921, em uma família de músicos flautistas. Era irmão de Aline Branco, famosa cantora da Rádio Clube de Pernambuco, na década de 30. Compositor de frevos-canções, morreu na capital pernambucana, no dia 7 de junho de 1979.

Recife, 2008


- Publicado no livro Crônicas Recifenses; Recife, Clube de Autores, 2018.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

As formigas


AS FORMIGAS

Clóvis Campêlo

Trabalham, trabalham as formigas.
Não sabem de Marx e da mais-valia.
Trabalham apenas por que a Natureza precisa ser construída.
E nesse labutar incessante, justificam a necessidade da vida.
Não precisam se preocupar com a camada de ozônio, o que prova que o trabalho não deve ser destrutivo.
Não se preocupam com as Bolsas de Valores, o que prova que o trabalho não precisa gerar lucros.
Não se preocupam com a especulação imobiliária, o que mostra que o trabalho pode ser solidário e ter um sentimento coletivo.
São umas comunistas, essas formigas!


Recife e Olinda



RECIFE e OLINDA

Clóvis Campêlo

Do Recife
ví os altos coqueiros,
soberbo estendal;
De Olinda,
escutei os guerreiros,
Marim dos Caetés;
Das pontes
vi o rio caudaloso,
correndo incessante;
Das praias
vi o peixe amarelo,
a cauda de Iemanjá;
Dos coqueiros,
vi o sol nascendo,
prometendo um novo dia;
Das gaivotas,
vi o vôo livre, rasante,
cortando o ar.

Dos carnavais,
vivi fantasias e
bebi alegrias;
Dos bares
curti o som festivo
e revi companheiros;
Das jangadas,
vi a luta dos homens
em busca da vida;
Das cirandas,
vi o rosto do povo,
dançando e
cantando a alegria;
Dos amores,
vivi as ilusões
de grandes paixões.

Do poema,
vesti-me de versos;
Da lua,
mergulhei no espaço;
Do sol,
alimentei a
minh'alma;
Dos arrecifes, avistei e
amei a cidade;
Dos morros,
deslumbrei horizontes
e decifrei a
planície.

Recife, 2007


domingo, 5 de fevereiro de 2012

E-mail não é lixeira!


Fotografia de Clóvis Campêlo/1995

E-MAIL NÃO É LIXEIRA!

Clóvis Campêlo

Comecemos por Marshall MacLuhan! Foi ele que, na década de 60, criou o termo. Iniciavam-se os tempos da comunicação via satélite. Cada vez mais, as visões e imagens do mundo chegavam até nós. Eram os primórdios da cultura do simulacro. Estávamos na aldeia global.
Para alguns, a partir dali, a humanidade se transformaria. As características culturais de cada povo se enriqueceriam. A comunicação intensa provocaria um nivelamento por cima. Para outros, no entanto, o mundo se tornaria mais chato e prevísivel, perdendo cada povo as suas características individuais.
Como consequência da nova forma de comunicação mundial, nós, brasileiros, aqui no Terceiro Mundo, pudemos assistir à chegada do Homem na Lua, em 1969. No ano seguinte, em plena época da ditadura militar e ainda em preto em branco, assistimos à Seleção Brasileira ser tricampeã mundial de futebol no México. O mundo parecia encolher. Encolhidos também parecíamos nós, aqui em Pindorama, sob a tutela do governo Garrastazu Médici. O futuro, porém, nos parecia promissor. Este era um país que ia para a frente!
A nossa modernidade chegou assim: Caetano Veloso, exilado na Inglaterra pelo regime militar, mandava, via Intelsat, notícias para o Pasquim. A ditadura militar que matou, esfolou, sequestrou e exilou centenas (ou milhares) de brasileiros, concomitantemente, mandava para o espaço sideral os satélites que abririam os caminhos para nos comunicarmos com o resto do mundo. Era o progresso chegando no bojo da repressão. Quem viveu aquela época sabe disso. Quem não viveu, precisa saber.
Com a ditadura militar, criou-se também a Rede Globo de Televisão, hoje uma das três maiores do planeta, com transmissões simultâneas para quase todo o mundo. Partíamos para atingir a maturidade na área da comunicação. Se não tínhamos um regime político adequado, tínhamos a possibilidade de ver e escutar as cores e os sons do mundo. E o mundo que também nos aguardasse.
Passou o tempo, veio a normalização democrática do nosso país e a evolução da rede mundial de comunicação. Surge a Internet. Com a popularização dos microcomputadores, aumenta cada vez mais o número de brasileiros com acesso à rede internacional. E a grande novidade com o surgimento da Internet passa a ser o controle individual da mensagem comunicativa. No entanto, com a democratização cada vez maior da Internet e com o surgimento do controle individual da mensagem comunicativa, aparece um novo problema: o lixo internáutico. Dominamos a forma, mas ainda não dimensionamos de maneira correta o valor conteudístico das mensagens.
Portanto, companheiros internautas, ao enviarem suas mensagens lembrem-se de que e-mail não é lixeira!

Recife, 2001


- Publicado no livro Crônicas Recifenses, Recife, Clube de Autores, 2018.
 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Do povo, com o povo, para o povo



DO POVO, COM O POVO, PARA O POVO

Clóvis Campêlo

É notório nas entrelinhas dos textos dos nossos historiadores que o futebol chegou no Recife no bojo da República e do positivismo. Coisa de Primeiro Mundo.
O Náutico, que sempre foi Capibaribe, surgiu em 1901 como um desdobramento do Recreio Fluvial, clube criado para comemorar o massacre de Canudos. Isso não foi dito por mim. Está inserido nos grande textos sobre as origens do nosso futebol.
O Sport nasceu no seio da burguesia mercantil recifense, cujos rapazes saudáveis e felizes tiveram a sorte de ir estudar na Inglaterra e se interessar pelo esporte bretão. Nada mais simbólico de que tenha sido criado nos fundos de uma loja de modas, na Rua da Imperatriz.
Quando o Santa Cruz veio à luz, em 1914, o novo brinquedo da elite recifense já havia se popularizado e seduzido a classe média. Os meninos que o fundaram eram alunos do Colégio Salesiano do Sagrado Coração e que moravam nas imediações da Igreja da Santa Cruz, no bairro da Boa Vista. Ou seja, já nascemos no seio do povo, criados pelo e para o povo. O Santa Cruz já nasceu mais querido. Nada mais democrático.
Mas, além dessa contravenção social, o Santinha também foi o primeiro clube a aceitar nas suas fileiras o negro Teófilo de Carvalho, o Lacraia. O futebol se amorenava, criava manhas, esquecia os ingleses e a nossa vergonha de sermos o que de fato éramos.
Mas Lacraia também não foi apenas o primeiro jogador negro a iluminar os campos do Recife com a sua arte de jogar o futebol bem jogado. O negro Lacraia, inserido no seu lugar de direito, foi quem concebeu o escudo do Santinha: uma âncora devidamente cravada no coração do povo. A paixão tornava-se irreversível.
Hoje, quando completamos 98 anos de uma vida feita de lutas e superações constantes tudo isso nos parece muito simbólico. E o povo tricolor do Recife, uma cidade que sempre foi agente das suas próprias (r)evoluções, mostrou que o futuro se constrói na perseverança do presente e na base sólida do passado.
O projeto coral para o ano do nosso centenário, em 1914, é mais um desafio a ser conquistado com o ferro e o fogo das certezas que se eternizam em realizações concretas e definitivas.
Parabéns, Santa Cruz!
Parabéns , torcida coral!
Salve as Repúblicas Independentes do Arruda!


Recife, 03/02/2012

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Considerações sobre a homeopatia



CONSIDERAÇÕES SOBRE A HOMEOPATIA

Clóvis Campêlo

Um dos principais equívocos alimentados em relação à homeopatia, é confundi-la com a medicina de ervas (fitoterapia).
Essa confusão, no entanto, é facilmente explicável: enquanto a fitoterapia utiliza-se apenas do reino vegetal, a homeopatia é muito mais ampla, utilizando-se dos reinos animal, vegetal e mineral.
Além do mais, a homeopatia também faz uso dos nosódios, que são remédios elaborados a partir de partes e secreções dos próprios organismos doentes (humanos ou animais).
Assim, por exemplo, temos a tuberculina, um medicamento que é feito a partir do próprio escarro do doente e que tem uma atuação muito eficaz no combate da tuberculose e de algumas espécies de alergias.
Um outro exemplo: a homeopatia pode valer-se dos próprios remédios alopáticos para elaborar as suas substâncias, como, por exemplo, o gardenal. Nem sempre, porém, a atuação do novo medicamento obtido será na mesma esfera do remédio alopático original (segundo o Dr. José Laércio do Egito, o medicamento obtido a partir do gardenal, por exemplo, presta-se muito bem a combater alguns tipos de alergias).
Uma outra questão que povoa o imaginário das pessoas que questionam a homeopatia, diz respeito a ação lenta do remédio homeopático sobre os organismos doentes. Nada mais falso. O remédio homeopático age com rapidez desde que tenha sido escolhido acertadamente.
A grande diferença é que, na homeopatia, não existem procedimentos padrões. O remédio é individualizado e busca-se atuar de forma ampla sobre o desequilíbrio orgânico da pessoa. Ou seja, a homeopatia visa curar o doente e não apenas a doença.
Assim sendo, cabe à sensibilidade do médico homeopata a percepção do remédio correto, que corresponderá à soma dos sintomas experimentados pelo doente e que atuará, de forma adequada, sobre o organismo desequilibrado.
Uma outra questão interessante, ainda, diz respeito às dinamizações dos medicamentos. Assim, o mesmo remédio homeopático pode ser utilizado em diversas diluições, cada uma com uma forma de atuar diferenciada. Nas dinamizações mais alta, desaparecem as características químicas das substâncias restando apenas a influência energética (que Hanneman, o pai da Homeopatia, chamou de força vital). É essa força energética que atua no processo de cura.
Dentro da medicina homeopática, existem diversas correntes e concepções, cada qual com a sua maneira característica de atuar.
Os unicistas, por exemplo, acreditam que deva ser ministrado um único remédio, o qual deverá atuar de forma decisiva sobre toda a sintomatologia do doente e sobre todas as formas de manifestação da doença.
O Dr. Roberto Costa, médico homeopata carioca já falecido, no entanto, mencionava nos seus livros a prática do que ele chamava de homeopatia tridimensional, com um remédio de baixa dinamização atuando sobre os sintomas agudos; um remédio de média dinamização atuando sobre os sintomas que já se encaminham para a cronicidade, e um remédio de alta dinamização, o qual corresponderia aos sintomas crônicos e seria, também, o remédio que atuaria sobre a constitucionalidade do doente. Essa também era a forma de atuar de Ambrozino Cruz, que durante muitos anos foi o decano da homeopatia em Pernambuco. Mesmo sem ser médico, era um profundo conhecedor da matéria e atendia a todos que o procuravam, sem distinção, na sua residência no bairro de San Martin. Autodidata, interessou-se pela homeopatia ao contrair impaludismo, na juventude. Falando fluentemente inglês, francês, alemão e indiano, mantinha-se constantemente atualizado. Falecido em 1997, deixou uma grande lacuna na homeopatia pernambucana.
Para finalizar, seria interessante frisar que a homeopatia combina com uma forma de vida despojada. Nesse mundo complexo, em que vivemos, onde os aditivos alimentares, as ondas eletromagnéticas, as radiações nem sempre benéficas dos equipamentos domésticos exercem uma influência deletéria sobre os nossos organismos, exercitar a simplicidade pode ser muito mais saudável do que imaginamos.

Recife, 2008



domingo, 29 de janeiro de 2012

O Recife em movimento



O RECIFE EM MOVIMENTO

Clóvis Campêlo

Esquina da Rua Siqueira Campos com a Avenida Dantas Barreto, no bairro de Santo Antônio, no centro do Recife.
Antigo centro nevrálgico da cidade, hoje a área está abandonada pelo poder público e pela iniciativa privada.
Calçadas quebradas, ruas esvaziadas, prédios desocupados, com a predominância do sub-comércio e do comércio ambulante.
Nem longe nos lembra a pujança daquela área nos anos 60 e 70 do século passado.
O centro histórico do Recife vem se transformando ao logo dos últimos anos numa área decadente, completamente abandonada pelos poderes públicos.

Recife, 2012

sábado, 28 de janeiro de 2012

Os caminhos do baião



OS CAMINHOS DO BAIÃO

Clóvis Campêlo

"Eu vou mostrar pra vocês
Como se dança um baião
E quem quiser aprender
É favor prestar atenção
"

Segundo o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, o baião, cujo nome derivaria de "baiano", uma dança popular nordestina, em fins do século XIX já era conhecido no interior nordestino, sendo executado em sanfonas pelo sertão. Restrito e esquecido no interior nordestino, o baião se consolidaria como gênero da MPB através da dupla Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.
Em 1946 foi gravada a música "Baião", de autoria da dupla, pelo grupo 4 Ases e Um Curinga, pelo selo Odeon, fazendo enorme sucesso.
O gênero logo tornou-se um sucesso nacional levando o jornal Diário Carioca a afirmar: "o baião vem fazendo estremecer todo o vasto império do samba, e já agora não se poderá mais negar a influência decisiva desse gênero musical na predileção do povo".
A partir de 1950, o baião tornou-se um ritmo internacional com a música "Delicado", de Valdir Azevedo, que recebeu ao longo dos anos 50 orquestrações dos maestros americanos Stan Kenton e Percy Faith.
Em 1953, a música do filme "O cangaceiro", baseado no baião "Muié rendeira", de Zé do Norte, recebeu a menção honrosa no Festival de Cannes, na França.
Assim, até o início dos anos 60, o baião foi o gênero musical brasileiro de maior influência no exterior, perdendo essa posição apenas com a chegada da Bossa Nova.
No entanto, na década 70, em plena euforia do Tropicalismo, Gilberto Gil lançou músicas com nítida inspiração no ritmo do baião, a começar com "Domingo no Parque", com a qual participou do Festival de Música da Record de 1967.
Posteriormente, o ritmo voltou a influenciar artistas das novas gerações, como Raul Seixas, que realizou a fusão do baião com o rock, criando o baioque.

"Morena chegue pra cá
Bem junto ao meu coração
Agora é só me seguir
Pois eu vou dançar o baião
"

Segundo Tárik de Souza, no site CliqueMusic, repetindo a opinião de Tinhorão, foi Luiz Gonzaga quem imprimiu o formato urbano (e portanto pop) ao baião.
Imigrante pobre no começo da década de 40, Gonzaga passava o pires nos bordéis do Mangue carioca enquanto tocava na sanfona valsas, sambas e serestas de sucesso na época. O advogado e compositor cearense Humberto Teixeira, foi o parceiro que lhe forneceu o respaldo poético que faltava às suas composições musicais.
Ainda segundo Tárik, o sucesso de Gonzaga na empreitada foi tão grande que ele desequilibrou o eixo da MPB do meio para o fim dos anos 40 até meados dos anos 50. Antes o mercado musical brasileiro era lastreado no samba, na marcnhinha, no choro e em outros produtos musicais do centro cultural do país, o Rio de Janeiro. Assim, Gonzagão colocou, com destaque, o Nordeste no mapa da MPB. Além de Teixeira, o Rei do Baião teve outro parceiro fixo, o médico pernambucano José de Souza Dantas Filho, o Zé Dantas, falecido em 1962.

"Eu já dancei balanceio
Chamego, samba e xerém
Mas o baião tem um que
Que as outras danças não tem
Quem quiser é só dizer
Pois eu com satisfação
Vou dançar cantando o baião
"

Segundo o folclorista Câmara cascudo, citado por Tárik de Souza no site acima citado, a palavra "baião" se associava aos termos "baiano" e "rojão", este último, um pequeno trecho musical executado pelas violas nos intervalos dos desafios das cantorias.
Também reconhece no compositor cearense Lauro Maia, o antecessor de Gonzagão na utilização e formatação do ritmo, através do "balanceio". Maia foi autor de vários sucessos, entre eles "Trem de Ferro", gravado inclusive por João Gilberto.

"Eu já dancei no Pará
Toquei sanfona em Belém
Cantei lá no Ceará
E sei o que me convém
Por isso eu quero afirmar
Com toda convicção
Que sou louco pelo baião
"

Para finalizar, encontramos no site Terra Brasileira uma outra explicação para a origem do termo "baião". Segundo o site, "baião" viria de "baiano" por influência do verbo "baiar", forma simplificada de bailar, baiar, baio (baile).

Recife, 2007


-Publicado no livro Crônicas Recifenses, Recife, Clube de Autores, 2018.

domingo, 22 de janeiro de 2012

A barbárie



A BARBÁRIE

Clóvis Campêlo

Quando fugiu a barbárie
das ruas estreitas do gueto,
expondo da vida a cárie,
cantando a morte em dueto,

com a fúria de cão sem dono
quando descobre o abandono,

qual sinistra procissão
sem benção ou extrema-unção,
sem chance de algum perdão,

devolveu ao mundo fausto
as dores do holocausto!

Recife, 1991

- Publicado no livro Antologia 2007 dos Poetas Independentes, Recife, Editora do Livro Rápido, 2007, página 44.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Preferência nacional



PREFERÊNCIA NACIONAL

Clóvis Campêlo


Segundo Renato Boca-de-Caçapa, o filósofo do lumpen-proletariado, se existem duas coisas que mexem com o imaginário do brasileiro são a bunda e o futebol.
Diferentemente dos americanos, que preferem um peito suculento e exagerado, a bunda é tão querida por nós que até o circunspecto poeta Carlos Drummond de Andrade dedicou-lhe o poema rotundo abaixo.

Na Bahia, o filósofo e escritor Antônio Risério dedicou-lhe uma monografia repleta de citações científicas e levando em conta todas as regras da ABNT. Ou seja, coisa séria! E não poderia ser diferente, diante dessa magnífica região corpórea onde a nossa imaginação pagã vagueia sem lenço e sem documento. A bunda hipnotiza o brasileiro.

A BUNDA, QUE ENGRAÇADA

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
redunda.

 
Quanto ao futebol, ele representou o início da nossa redenção, enquanto povo moreno e terceiro-mundista. Segundo o escritor Nelson Rodrigues, foi o futebol que, nos distantes anos 50 e 60 do século passado, nas conquistas do bicampeonato mundial, na Suécia e no Chile, nos livrou da pecha de vira-latas .
O futebol, também, em que pese toda a conotação de mercadoria valiosa por ele adquirida hoje em dia, devolve-nos o sentimento de coletividade que, de certo modo, perdemos diante do individualismo desenfreado da vida moderna. Coisa boa é irmos aos estádios e nos identificarmos com a torcida do nosso time querido, abraçar quem nunca vimos, gritarmos gritos de guerra e cantarmos em uníssono os nossos hinos. Para mim, o futebol é a demonstração viva de que o homem é um ser coletivo, de que a individualidade é uma coisa forjada em nós pelo sistema. Bom é estar ali, no meio do povo, a cantar, a dançar, a sorrir, a vibrar, independentemente de tudo. Bom, naquele momento, é sermos aquela família.

Sobre o futebol também manifestou-se o poeta Drummond, e seguindo a lógica rodrigueana de que a seleção brasileira era a pátria de chuteiras, dedicou ao nosso escrete que disputaria a Copa do Mundo no México, em 1970, o poema abaixo, pouco citado e pouco lembrado. Fica claro que a paixão de Drummond pelo futebol superava até o momento político delicado que se vivia naquela época, colocando-o ao lado dos 90 milhões que unidos torciam pelo sucesso da seleção de Zagallo.

MEU CORAÇÃO NO MÉXICO

Meu coração não joga nem conhece
as artes de jogar. Bate distante
da bola nos estádios, que alucina
o torcedor, escravo de seu clube.
Vive comigo, e em mim, os meus cuidados.
Hoje, porém, acordo, e eis que me estranho:
que é de meu coração? Está no México,
voou certeiro, sem me consultar,
instalou-se, discreto, num cantinho
qualquer, entre bandeiras tremulantes,
microfones, charangas, ovações,
e de repente, sem que eu mesmo saiba
como ficou assim, ele se exalta
e vira coração de torcedor,
torce, retorce e se distorce todo,
grita: Brasil! Com fúria e com amor.

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Recife, 2012

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Retrato de uma moça nem sempre bem comportada



RETRATO DE UMA MOÇA NEM SEMPRE BEM COMPORTADA

Clóvis Campêlo

Para falar a verdade, de Simone de Beauvoir conheço apenas a fama de que era uma mulher à frente do seu tempo. E essas mulheres sempre me interessaram. Mas, nunca li nenhum dos seus livros, embora me causem curiosidade pelo menos dois deles: “Memórias de uma moça bem comportada”, de 1958, livro auto biogáfico e onde critica os valores burgueses, e “A cerimônia do adeus”, de 1981, onde evoca a figura de Jean Paul Sartre, o companheiro de tantos anos e ações.
Apesar desse vago conhecimento, interessei-me em saber mais sobre a escritora francesa a partir da fotografia acima, descoberta por mim na grande rede numa época em que andava pesquisando imagens fotográficas de celebridades femininas nuas. Pensava em homenagear as imagens, não necessariamente as celebridades, com poemas exaltando a nudez. Nessa empreitada, descobri vários nús, quase todos trabalhados na sua composição. A fotografia de Simone atraiu-me justamente por mostrar um certo despojamento e uma simplicidade que só desfrutamos quando a imagem da nossa nudez não corre o risco da divulgação pública.
Nua, diante do pequeno espelho, Beauvoir ajeita os cabelos com naturalidade. A generosidades das suas curvas contrapõem-se às linhas retas da pia branca na sua frente. O banheiro simples, aliás, também denota despojamento: a toalha de rosto branca e comum, a explícita utilidade do rolo de papel higiênico, uma pequena prateleira com escova de dentes e desodorantes ou perfumes.
A porta do banheiro entreaberta, sugere que o fotógrafo era alguém que desfrutava da sua intimidade e que a tenha pegado de surpresa, o que realça ainda mais a beleza do quadro. Na realidade, a fotografia foi feita pelo fotógrafo americano Art Shay, amigo do escritor Nelson Algren, um dos amantes de Beauvoir, e que havia cedido o seu apartamento para o casal. Na época, Simone tinha 44 anos.
A extrema sensualidade, porém, fica por conta do salto alto que ela usava, nua, realçando o seu belo porte feminino. Como já disse alguém, La Beauvoir não era de se jogar fora.
Simone nasceu em Paris, no dia 9 de janeiro de 1908. Conheceu Sartre em 1929, aos 21 anos de idade (ele tinha 24), no curso de Filosofia da Universidade de Sorbonne, em Paris. No final do curso, ele obteria o primeiro lugar, e ela ficaria em segundo. Logo se uniriam estreitamente, cultivando uma relação afetiva profunda e ao mesmo tempo libertária e permissiva, onde prevalecia a liberdade sexual e de relacionamento aberto em ambos os lados, bem ao estilo das teses existencialistas que defendiam, onde cada pessoa deveria ser o responsável por si própria.
Ela morreria em Paris, no dia 14 de abril de 1986, aos 78 anos, em Paris, vitimada por uma pneumonia. Os seus restos mortais estão enterrados ao lado de Sartre, no Cemitério de Montparnasse, na Cidade Luz.

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Recife, 2012