sábado, 25 de junho de 2011

Governadores de Pernambuco


GOVERNADORES DE PERNAMBUCO

Clóvis Campêlo

Dos governadores de Pernambuco na República, apenas sete exerceram mandato por mais de uma vez: Sigismundo Gonçalves, Carlos de Lima Cavalcanti, Etelvino Lins, Agamenon Magalhães, Miguel Arraes de Alencar, Jarbas Vasconcelos e Eduardo Campos.
O primeiro assumiu o cargo pela primeira vez no século XIX, na condição de vice-governador.No início do século XX, retornou ao Palácio do Campo das Princesas, onde permaneceu de 1904 a 1908.
Nessa época, Carlos de Lima Cavalcanti terminava o curso secundário e, anos depois, participaria da campanha em favor da candidatura de Francisco da Rosa e Silva, representante das oligarquias açucareiras do Estado.
Apesar de ser vitorioso nas urnas, Rosa e Silva não assumiu o Governo do Estado, pois o Governo Federal, em apoio ap movimento popular iniciado no Recife - haviam denúncias de que a eleição teria sido fraudulenta -, garantiu a posse a ser adversário, Dantas Barreto.
Nas primeira décadas do século XX, Carlos de Lima Cavalcanti teve participação ativa na política, antes mesmo de ser empossado governador provisório com a Revolução de 1930.
Filiado ao Partido Republicano Democrático (PRD), Carlos de Lima apoiou o governo de Manoel Borba (1915-1919) e a campanha de José Rufino Bezerra Cavalcanti, sucessor de Borba.
Carlos de Lima participou do movimento que apoiou a tomada do poder por Getúlio Vargas, sendo recompensado com a interventoria de 1930 a 1935.
Ao iniciar seu governo constitucional em 1934, Getúlio delegou a Carlos de Lima Cavalcanti a indicação do novo titular da pasta do Trabalho. Ele indicou Agamenon Magalhães, então seu aliado.
Em 1935, Carlos de Lima foi eleito governador pela Assembléia Constituinte, cargo que exerceu até 1937, quando foi afastado do poder por Getúlio Vargas, com quem passou a ter divergências. Parte dessas divergências do governador com o poder central teve em Agamenon Magalhães um dos principais responsáveis.
Ainda em 1937 Agamenon foi nomeado interventor federal no Estado, cargo no qual permaneceu até 1945, quando veio a redemocratização do país.
Para substituí-lo, indicou Etelvino Lins. Cinco anos depois, venceu a eleição para o governo contra João Cleofas.
Considerado um dos governadores mais importantes que Pernambuco já teve, Agamenon faleceu em 1952, em pleno exercício do mandato. Etelvino Lins mais uma vez o sucedeu, como candidato apoiado pela maioria dos partidos.
Miguel Arraes de Alencar foi eleito governador de Pernambuco pela primeira vez no dia 7 de outubro de 1962. Foi deposto pelo militares no dia 1º de abril de 1964, após anunciar publicamente que não renunciaria ao cargo de governador. Preso, foi levado para a ilha de Fernando de Noronha, onde permaneceu, antes de ser exilado. No dia 15 de setembro de 1979, com a anistia, retornou ao Brasil, sendo carregado pelo povo em triunfo pelas ruas do Recife. Em 1986, foi eleito governador do Estado pela segunda vez, derrotando com larga vantagem o candidato do PFL, José Múcio Monteiro. Em 1994, retornou ao poder pela terceira vez, ganhando a eleição para Gustavo Krause, que também era do Partido da Frente Liberal (PFL).
Jarbas Vasconcelos foi eleito prefeito do Recife em 1985, pelo Partido Socialista Brasileiro, derrotando Sérgio Murilo, o candidato do PMDB. Em 1990, disputou o Governo Estado pela primeira vez, perdendo a elição para Joaquim Francisco, do PFL. Em 1992, elegeu-se novamente prefeito da cidade do Recife, catapultando a sua plataforma eleitoral para 1998, quando, com uma votação histórica, derrotou o mito Miguel Arraes de Alencar, que tentava a sua quarta eleição ao Governo do Estado. Foi reeleito governador em 2002 e senador em 2006.
Eduardo Campos, neto do ex-governador Miguel Arraes de Alencar, foi eleito governador pela primeira vez em 2006, derrotando no segundo turno do pleito ao candidato do PFL, José Mendonça Filho. Em 2010, com a maior votação proporcional obtida em todo o Brasil, conseguiu uma vitória histórica contra Jarbas Vasconcelos, derrotando-o no primeiro turno da eleição, com uma diferença superior a dois milhões de votos, devolvendo assim, em grande estilo, a derrota sofrida pelo avô em 1998.

Recife, 2011


sexta-feira, 21 de maio de 2010

Quero morrer nos braços do amor



QUERO MORRER NOS BRAÇOS DO AMOR

Clóvis Campêlo

Quero morrer nos braços do amor,
sentir seu corpo etéreo, pura luz,
compondo rastro áureo, enganador,
que mesmo ilusório nos conduz
por ruas e vielas de candor.
Singela distorção que nos seduz,
trazendo à noite a cor da madrugada
e dissolvendo o tudo em quase nada.


Recife, 2010

terça-feira, 18 de maio de 2010

Reflexões



REFLEXÕES

Clóvis Campêlo

Com o tempo se fica apreensivo
As lembranças remontam ao passado
O presente se torna sem motivo
E o futuro perigo anunciado


Recife, 2010-


quinta-feira, 6 de maio de 2010

A beata do Juazeiro do Norte


Fotografia de Clóvis Campêlo/1993

A BEATA DO JUAZEIRO DO NORTE

Clóvis Campêlo
 

Com mais de 240 mil habitantes, Juazeiro do Norte fica no sul do Ceará, a 514 quilômetros de Fortaleza. Segundo a Wikipédia, graças à figura de Padre Cícero Romão Batista, hoje a cidade é considerada o maior centro de religiosidade popular da América Latina.
Inicialmente, com o nome de Tabuleiro Grande, era apenas um distrito da cidade do Crato até que o jovem sacerdote lá se instalou. Segundo a lenda, o padre foi o responsável pelo chamado milagre de Juazeiro, quando a hóstia dada à beata Maria de Araújo transformou-se em sangue.
Padre Cícero esteve pela primeira vez em Tabuleiro Grande no Natal de 1871 para rezar a Missa do Galo. Retornaria no dia 11 de abril de 1872 para dali não mais sair. Segundo o próprio padre, a decisão de ali se fixar aconteceu depois de um sonho profético, tido por ele, onde Jesus Cristo e os doze apóstolos lhes apareciam, sentados em uma mesa, cercados por uma multidão de doentes e famintos. Cristo se declarava decepcionado com a humanidade e ordenava ao padre que deles tomasse conta.
Inspirado pelo Padre Ibiapina, Padre Cícero logo tratou de mudar os costumes do lugar, criando as Casas de Caridade que levavam educação, saúde e auxílio religioso ao povo sofrido.
Hábil articulador político, em julho de 1911 consegue a emancipação político do lugar, que passa a se chamar Juazeiro, sendo eleito como o primeiro prefeito da nova cidade.
O mito tomava corpo e se solidificava no imaginário popular.
Fotografei a beata acima, em Juazeiro do Norte, em 1993. As marcas profundas no seu rosto demonstram que pouco mudou para amenizar o sofrimento daquele povo ao longo dos anos. Nada, porém, que seja capaz de desmontar a fé cega da sua crença religiosa.
Ainda segundo a Wikipédia, em 1925, a Coluna Prestes percorria o interior do Brasil. O governo federal montava diversos grupos armados para combater o grupo. Na região o encarregado de organizar a milícia foi o médico Floro Bartolomeu, que criou o chamado Batalhão Patriótico.
Para fortalecer o grupo, Floro teve uma ideia inusitada: convidar o temido cangaceiro Lampião para integrar o Batalhão Patriótico. Como argumentos, o caudilho usou o nome de Padre Cícero e ofertou a anistia ao bando de Lampião.
Em 1926 Lampião chegou em Juazeiro do Norte acompanhado de quarenta e nove homens com o intuito de servir ao Batalhão Patriótico. Ao contrário do que os cangaceiros achavam, Padre Cícero somente ficou sabendo do acordo alguns dias antes da chegada do bando a Juazeiro. Em outra versão, defendida pelo historiador Billy James Chandler, o convite teria sido feito pelo próprio sacerdote.
Como Floro Bartolomeu estava no Rio de Janeiro em tratamento médico, o general das forças juazeirenses Pedro de Albuquerque Uchoa foi o encarregado de conceder a patente de capitão ao cangaceiro.
Ao encontrar Lampião e seu bando, Padre Cícero recomendou que abandonassem o cangaço e que passassem a respeitar as leis. Uma de suas frases mais conhecidas foi proferida nesse encontro: "Quem matou não mate mais, quem roubou não roube mais".
Os cangaceiros deixaram Juazeiro sem receber a anistia prometida e sem nunca enfrentar a coluna Prestes.

 

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Confusão urbana e rural



CONFUSÃO URBANA E RURAL

Clóvis Campêlo

Olhai os lírios do campo,
é tudo vero, veríssimo,
épico, belo, vastíssimo,
incomensurável manto.

Mundo novo admirável
de seres modificados,
códigos adulterados,
hello Dolly, I love you.

O verde lucro da soja,
solidário abril vermelho,
a fome contra o dinheiro,
gafanhotos em revoada.

E assim virão das cidades,
de volta para o futuro,
no estouro, várias boiadas,
derrubando cercas, muros.

Em qualquer esquina do tempo
acontecerão batalhas
de forças revolucionárias
em constantes movimentos.


Recife, 2005

- Postagem revisada e atualizada em 06/01/2018

sexta-feira, 5 de março de 2010

Ensinando o ABC


Café Filho, o presidente tricolor
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ENSINANDO O ABC

Clóvis Campêlo

 
Em novembro de 1916, o Santa Cruz tornou-se a primeira equipe de futebol a sair de Pernambuco para jogar noutro Estado. A notícia do jogo, acertado por um jovem riograndense que estudava no Recife, agitou a cidade. A viagem foi feita de trem e a delegação tricolor partiu da Estação de Cinco Pontas no dia 13 de novembro.
No dia 15, aniversário da Proclamação da República, o Santa Cruz foi a campo e deu uma goleada de 4x1 no ABC, depois do time potiguar ter aberto a contagem.
Na volta, o time foi acolhido com uma recepção festiva, com banda de música e desfile em um bonde ornamentado. A comitiva foi acompanhada até a sede tricolor, na época, na Rua da Glória, pela ala feminina do clube e pela torcida.
Segundo o jornalista Lenivaldo Aragão, o divertido da história é que o rapaz que acertara o jogo e acompanhara orgulhosamente a delegação coral até a sua terra natal não pode assistir a partida. Na capital potiguar, proibido pelo pai, que detestava o chamado esporte bretão, o jovem João Café Filho não pode ir à campo ver a goleada coral.
Mais tarde, o jovem potiguar terminaria fazendo parte da diretoria do Santa Cruz, como secretário. O mais curioso ainda, é que, em 1954, Café Filho assumiria a presidência da República do Brasil em substituição a Getúlio Vargas, que se suicidara. Segundo os jornais da época, o Santa Cruz venceu esse jogo histórico com a seguinte formação: Ilo Just; Mangabeira e Nélson Valença; Arsênio, Theophilo e Professor; Zé de Castro, Pitota, Tiano, Fausto e Doria, além dos reservas Duque e Mário Rosas.
Segundo a Wikipédia, João Fernandes Campos Café Filho nasceu em Natal, no dia 3 de fevereiro de 1899. Faleceu no Rio de Janeiro, em 20 de fevereiro de 1970. Advogado e político de carreira, foi presidente do Brasil entre 24 de agosto de 1954 e 8 de novembro de 1955. Filho de Presbítero da Igreja Presbiteriana, foi o único potiguar e o primeiro protestante a ocupar a presidência da república (junto com Ernesto Geisel, são os únicos protestantes ex-presidentes do Brasil).
Entre 1918 e 1919 atuou como goleiro do Alecrim Futebol Clube, sendo o único presidente a já ter atuado como jogador profissional. Participou da Aliança Liberal na campanha de 1930. Em 1933 fundou o Partido Social Nacionalista (PSN) do Rio Grande do Norte, e alguns anos mais tarde, o Partido Sociais Progressista de Ademar de Barros. Em 1934 e 1945 foi eleito deputado federal.
Nas eleições de 1950 a escolha do vice era desvinculada do presidente. Mesmo assim, Café Filho foi eleito vice-presidente com uma diferença de 200 mil votos para o segundo colocado, Odilon Duarte Braga da União Democrática Nacional (UDN).
Além de ser eleito vice-presidente naquela eleição, Café Filho também foi reeleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte (algo possível na legislação eleitoral da época). Na ocasião, conseguiu ser o deputado federal mais votado de seu estado com mais de 19 mil votos.
Após a presidência, Café Filho trabalhou na iniciativa privada até ser nomeado em 1961 pelo governador Carlos Lacerda para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da Guanabara. Permaneceu como ministro até a sua aposentadoria, em 1969.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O bonde elétrico no Recife


O bonde elétrico no cenário do Recife
Fotografia de Mário de Andrade

O BONDE ELÉTRICO NO RECIFE

Clóvis Campêlo
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Os bondes elétricos surgiram no Recife como consequência do processo evolutivo dos meios de transporte coletivo na cidade.
O serviço de bondes elétricos foi inaugurado oficialmente no dia 13 de maio de 1914, sendo governador do Estado o general Emydio Dantas Barreto. O novo serviço público de transporte coletivo, substituto dos bondes de burros e da maxambomba, era explorado pela companhia inglesa Pernambuco Tramways & Power Company Limited.
Segundo o site da Fundação Joaquim Nabuco, os bondes elétricos eram altos e possuiam estribos para facilitar a subida e a descida dos passageiros. Mediam três metros de largura e tinham bancos largos de madeiras para acomodar cinco ou seis passageiros, cada um. As linhas de ida e de volta, independentes uma da outra, ocupavam quase toda a largura das ruas. Era o único meio de transporte coletivo, naquela época, já que os automóveis eram caros artigos de luxo importados.
Nos carros de primeira classe, era proibido fumar nos três primeiros bancos. Nos reboques de segunda classe, eram carregados fardos de verduras e frutas, além de todo tipo de mercadorias para abastecer os mercados dos subúrbios.
Segundo os estudiosos do assunto, vários fatores colaboraram para a extinção dos bondes elétricos na nossa cidade, apesar de rodarem até praticamente o final dos anos 50, como o crescimento demasiado da área urbana, com a criação de novos bairros, e a dificuldade para se encontrar peças de reposição, após a Segunda Guerra Mundial.
Consta ainda que, apesar do seu espírito pioneiro, o Recife foi a última das grandes capitais brasileiras a instalar o serviço de bondes elétricos.
Em dezembro de 1928, o escritor paulista Mário de Andrade visitou o Recife, como cronista do Diário Nacional, fazendo vários registros fotográficos dos bondes na paisagem metropolitana, como o que ilustra essa matéria.
Em 1960, os bondes elétricos foram definitivamente substituídos por ônibus elétricos, os tróleibus, adquiridos nos Estados Unidos e pertencentes à Companhia de Transportes Urbanos, estatal ligada à Prefeitura da Cidade do Recife.
Era a modernidade chegando definitivamente ao Recife.


Recife, 2010