sexta-feira, 14 de junho de 2013

Violeiros de Olinda


VIOLEIROS DE OLINDA
Fotografia de Clóvis Campêlo
Olinda, 2013

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Fim de tarde


FIM DE TARDE
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 2013

terça-feira, 11 de junho de 2013

O Farol da Barra


O FAROL DA BARRA
Fotografia de Clóvis Campêlo
Salvador, 2013

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Meia lua inteira


MEIA LUA INTEIRA
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 1993

domingo, 9 de junho de 2013

O Farol de Itapuã


O FAROL DE ITAPUÃ
Fotografia de Clóvis Campêlo
Salvador, Bahia, 2013

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Beira-mar


BEIRA-MAR
Praia de Stela Maris
Fotografia de Clóvis Campêlo
Salvador, Bahia, 2013

domingo, 2 de junho de 2013

Maracatu Nação Pernambuco


MARACATU NAÇÃO PERNAMBUCO
Fotografia de Clóvis Campêlo
Olinda, Pernambuco, 1994

sábado, 1 de junho de 2013

Vendedora de caranguejos

 

VENDEDORA DE CARANGUEJOS
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 1993

Igreja da Santa Cruz






IGREJA DA SANTA CRUZ
Recife, 2013
Fotografias de Clóvis Campêlo

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Taís


TAÍS
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 1993

quinta-feira, 30 de maio de 2013

A nau catarineta


A NAU CATARINETA
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 2001

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O diálogo



O DIÁLOGO
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, Pernambuco, 2002

terça-feira, 28 de maio de 2013

Menino lavando louças


MENINO LAVANDO LOUÇAS
Fotografia de Clóvis Campêlo
Bonito, Pernambuco, 1995

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Vendedora de pipocas






VENDEDORA DE PIPOCAS
Fotografias de Cida Machado
Recife, Pernambuco, 2013

domingo, 26 de maio de 2013

Ariano Suassuna


ARIANO SUASSUNA
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 1990

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Rui de Aires Belo


RUI DE AIRES BELO
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, Pernambuco, 1991

terça-feira, 21 de maio de 2013

Duas ou três coisas que elas não sabem sobre eles


DUAS OU TRÊS COISAS QUE ELAS NÃO SABEM SOBRE ELES

Clóvis Campêlo

Como diz o poeta Ferreira Gullar, eu não quero ter razão, eu quero é ser feliz.
As mulheres sempre têm razão. Por isso, sentem-se infelizes.
Penso que um dos grandes erros das mulheres é querer entender o homem sob a ótica feminina.
Homem e mulheres são figuras distintas tanto física quanto psicologicamente.
Por outro lado, enquanto a mulher é mais idealista, o homem é mais instintivo.
A mulher se apaixona, o homem caça.
As regras sociais é que modificam isso e criam situações absurdas.
Quando um homem se sente atraído por uma mulher, ele instintivamente sabe que aquela atração se dá por conta da combinação genética adequada para a reprodução filial.
Como o homem é um reprodutor instintivo, natural, ele pode se sentir atraído por mais de uma mulher sem sentir nenhum constrangimento por isso. Pelo contrário: isso serve como auto-afirmação da sua condição masculina.
Ao homem-instinto interessa propagar a sua marca genética. É claro que as (in)conveniências sociais modificam o seu comportamento e o forçam a estabelecer estratégias de burla.
O homem quase nunca (é claro que existem as exceções patológicas) idealiza a relação com a mulher. Para ele, o objetivo final sempre é a relação sexual.
Não existe nenhum cretinismo nisso, porém. Isso faz parte da sua maneira instintiva de ser.
Sei que essas declaração podem gerar controvérsias, mas eu as estou fazendo desprezando a hipocrisia das conveniências sociais. Estou ficando nú, embora saiba que a minha nudez masculina possa incomodar e parecer provocação.
As mulheres sofrem pela sua capacidade de abstração, de idealizar, de sonhar.
Isso também faz parte da maneira de ser feminina. Só que o homem, dentro das suas estratégias de burla, percebe isso e pode disso fazer usos inescrupulosos.
Por outro lado, essa necessidade constante que o homem tem de disseminar a sua marca genética e que faz com ele se torne um caçador incansável, também lhe provoca estresse e cansaço. É aí que ele cede e procura um colo feminino para o descanso do guerreiro. A essa mulher escolhida, que no inconsciente e imaginário masculino pode lembrar a figura materna, ele se dedica de forma mais sincera.
Já disse algum estudioso maluco que na mulher "escolhida" o homem sempre procura o esteriótipo materno. Talvez ele tenha razão. Afinal, ele também era homem.
Pra finalizar, é coisa da prepotência masculina ocidental achar que o homem é "superior" à mulher. Os orientais, sempre mais sábios, dizem que a mulher é biologicamente superior ao homem pois o seu corpo está preparado para perpetuar a espécie humana gerando novos seres.
Afinal, se somos diferentes é por isso que precisamos tanto um do outro.
Viva o homem e viva a mulher.

Recife, 2008

sábado, 18 de maio de 2013

Porque hoje é sábado


Ao lado da escultura de Clarice Lispector
Fotografia de Cida Machado/2008

PORQUE HOJE É SÁBADO

Clóvis Campêlo

Hoje é sábado e o sábado tem sempre um significado diferente para mim.
É um dia especial, um dia de transição entre os chamados dias úteis e o domingo.
Aos sábados, a cidade ainda se movimenta, ainda não apresenta as ruas desertas dos domingos, mas também não apresenta a agitação dos outros dias.
Gosto de andar pelas calçadas das ruas do Recife, aos sábados.
Passear pelas praças e rever amigos como Liêdo Maranhão e José Rodrigues Correia Filho.
Antes, gostava de ir à Praça do Sebo para conversar com Melquisedec Pastor, o maior livreiro do Brasil. Agora, Melque se aposentou e deixou uma lacuna imensa, tão grande quanto a sua sabedoria, forjada no autodidatismo.
Sábado também é dia de encontrar o poeta e amigo José Calvino de Andrade Lima no seu Fiteiro Cultural, onde quixotescamente tenta ilustrar com literatura os bêbados renitentes da Rua Matias de Albuquerque.
Conta Calvinito, que numa sexta-feira à noite, por esquecimento, deixou o fiteiro aberto. Acordou no sábado pela manhã sobressaltado pelo descuido. Saiu de casa às pressas pensando no desmantelo que iria encontrar. Lá chegando, estava tudo do mesmo jeito como deixara na noite anterior. Aos malandros da noite e aos bêbados convictos não interessara a riqueza dos seus livros, a sabedoria impressa dos seus cadernos, a cultura enciclopédica que ali ficara exposta. Tudo estava a salvo. O povo da noite e das ruas não se interessava por aquilo.
Sábado é dia de atravessar a ponte Buarque de Macedo, rumo ao Recife Antigo, pensando nas caminhadas solitárias que Augusto dos Anjos fez por ali.
Sábado é dia de sentar na Praça Maciel Pinheiro e olhar o sobrado de onde Clarice Lispector, ainda menina, via o carnaval do Recife passar.
Sábado é dia de visitar a casa da Rua da União, hoje Espaço Pasárgada, onde Manuel Bandeira brincava nos quintais do avô paterno.
Sábado é dia de cumprimentar o poeta Ascenso Ferreira, imortalizado em pedras às margens do rio Capibaribe.
Sábado é dia de relembar o Bar Savoy onde tantos poetas escreveram textos antológicos e fizeram dedicatórias de amor eterno ao Recife.
Sábado é dia de deixar-me envolver por esta cidade que eu tanto amo.


Obs.: Texto inicialmente publicado no blog Inútil Paisagem, em 26/4/2008.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Bossa Nova


BOSSA NOVA

Clóvis Campêlo

Tom Jobim morreu no dia 8 de março de 1994, em Nova York, deixando para a música popular brasileira e para o mundo a Bossa Nova e um acervo musical de inquestionável valor. Não foi à toa, portanto, que em 1963 chegou ao topo das paradas musicais americanas com a música Garota de Ipanema, desbancando os Beatles fabulosos, pais do pop rock moderno, em pleno auge da sua carreira. Não foi à toa, também, que ao longo da sua vida profissional chegou a ter sete canções entre as reproduzidas mais de um milhão de vezes em todo o mundo. Tudo isso sem sair do tom.
Para alguns estudiosos da MPB, no entanto, como o crítico José Ramos Tinhorão, a Bossa Nova não teria passado de uma descaracterização elitista da nossa música popular. Na sua visão, Tom Jobim teria sido um deslumbrado rapaz da classe média carioca, admirador do jazz e da cultura americana, que abandonou as raízes em busca do sucesso.
Descaracterização ou não, na verdade, tanto a Bossa Nova quanto Tom Jobim revolucionaram a música brasileira. Segundo Bernardo Gutiérrez, "a estrutura do que foi chamada Bossa Nova é um milagre. Por trás de uma harmonia redonda e suave, desse doce balanço sonoro, esconde-se uma armação complicadíssima de arranjos jazísticos. E tudo repicado com o peculiar ritmo quebrado introduzido pelo violonista João Gilberto".
É bem verdade, também, que a revolução da Bossa Nova não se deu de maneira inesperada e súbita. Alguns compositores brasileiros como Assis Valente e Dorival Caimmy, já incorporavam nas suas composições, anteriores à Bossa Nova, vários dos elementos que caracterizariam o novo estilo. Estes espamos renovadores foram reconhecidos pelo ex-ministro Gilberto Gil, quando na introdução da música Aquele Abraço, na verdade um samba à moda antiga, homenageia Caimmy, João Gilberto e Caetano Veloso, os arautos baianos, em tempos distintos, da revolução da MPB.
No que tange à música pernambucana, até o lendário Capiba, que bebeu em fontes diferentes para compor o seu cancioneiro, deixou-se influenciar pela nova batida, usando acordes dissonantes para criar a melodia de A Mesma Rosa Amarela, poema de Carlos Pena Filho.
Assim, ao mesmo tempo em que se mostrava atento aos acontecimentos musicais do seu tempo, Capiba, embora de maneira tímida, também abria caminho para a elaboração de novas sínteses na música pernambucana. Mas isso já é outra história.

Recife, 2005

terça-feira, 7 de maio de 2013

Narciso moderno


NARCISO MODERNO

Clóvis Campêlo

Narciso moderno,
já não preciso de lagos,
vejo o meu rosto espelhado
em superfícies polidas.

Narciso moderno,
já não preciso ser belo,
nem morrer buscando o eterno,
nem deixar sangrar as feridas.

Nasciso moderno,
meus olhos são tubos de imagens
e em minhas veias correm
sangues intoxicados.

Narciso moderno,
já não carrego culpas
embora traga comigo
todos os sete pecados.

Narciso moderno,
sinto-me observado
pelo olhar escandalizado
dos semáforos,
sinal dos tempos de hoje.

Modernas cavalgaduras,
biônicas criaturas,
comigo disputam um espaço,
consomem o mesmo ar,
buscam uma saída.

Narciso moderno,
procuro o simulacro,
do mundo busco um retrato
vazio de emoção.

Narciso moderno,
basta-me um botão apertar
pra ver o mundo brotar
parido pela televisão.

Recife, 1990

sábado, 4 de maio de 2013

Waldemar Valente


Fotografia de Clóvis Campêlo/1991

WALDEMAR VALENTE

Waldemar de Figueiredo Valente nasceu no Recife, em 9 de novembro de 1908, e faleceu na mesma cidade, em 27 de novembro de 1992. Foi médico, antropólogo, escritor e professor e membro da Academia Pernambucana de Letras.
Formado em Farmácia (aos 18 anos) e em Medicina (aos 23 anos), pela então Universidade do Recife, hoje Universidade Federal de Pernambuco.
Em 1933 trabalhou no combate à epidemia de malária no Rio Grande do Norte. De volta a Pernambuco, foi diretor do Serviço de Assistência Médica aos Flagelados, ligado ao DNOCS - Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, e diretor do Departamento de Cursos e de Educação Sanitária da então Secretaria do Interior, Instrução e Justiça, posteriormente transformada em Secretaria de Educação e Saúde (hoje, Secretaria de Saúde de Pernambuco).
Também foi professor e diretor do Ginásio Pernambucano e diretor do Departamento de Antropologia da Fundação Joaquim Nabuco, onde atuou por décadas.

Fonte: Wikipédia

O fim da Rádio Universitária AM do Recife



O FIM DA RÁDIO UNIVERSITÁRIA AM DO RECIFE

Clóvis Campêlo

A partir de janeiro de 2010, tivemos a satisfação de produzir e apresentar, ao lado do professor Bartolomeu Lima, o programa Trem das Onze, na Rádio Universitária AM do Recife.
Naquela época, a Rádio já se mantinha com dificuldades por conta do seu sucateamento e da falta de manutenção no equipamento técnico, apesar da programação esmerada e de alto nível que apresentava.
Em abril de 2011, com a desculpa de que seria reformulada, a Rádio foi desativada. Entre as promessas feitas pela direção, na época, estava a compra e implantação de um novo equipamento digitalizado, a mudança do local de funcionamento para o centro de Convenções da Universidade Federal de Pernambuco, e a implantação na cidade de Caruaru, de uma outra antena que serviria de ponto de retransmissão, jogando o som da Rádio para todo o sertão pernambucano.
Hoje, dois anos depois, tudo continua na estaca zero. Ou pior. Além de não ter sido efetuada a reforma prometida no espaço destinado à Rádio, no Centro de Convenções universitário, o antigo prédio foi desocupado e todo esse material transferido para o Centro de Convenções de forma precária e nem sempre com o devido cuidado. Nenhum equipamento novo foi comprado e nem mesmo o velho transmissor foi recuperado para que voltasse a funcionar e devolver à comunidade recifense uma rádio com bons serviços prestados.
Consta que a UFPE talvez seja a única universidade federal brasileira a disponibilizar na sua estrutura uma rádio AM, uma rádio FM e uma emissora de televisão. Não entendemos, portanto, o por que de tanto descaso na administração desse patrimônio de todo o povo recifense e pernambucano.
Assim sendo, caberia ao atual reitor estabelecer um cronograma de obras e aquisição de equipamentos que viabilizem o retorno da rádio em um curto ou médio espaço de tempo.
Em que pese os argumentos apresentados por alguns de que as rádios AM seriam mídias ameaçadas de extinção, sabemos que não é assim. Existem pesquisas feitas no mundo inteiro e que mostram que as rádios AM estão entre as mídias com as mais altas médias de acessos diários.
Por outro lado, em um centro de formação de profissionais e de produção do saber, com é a Universidade Federal de Pernambuco, a rádio AM, de muita penetração popular, pode servir de instrumento de educação e de orientação eficiente no combate a doenças endêmicas ou provocadas pela falta de uma estrutura adequada na área de saneamento, educação e saúde. Em tese, uma rádio federal e ligada a uma universidade é do povo e ao povo deve servir.
Por fim, basta prestar atenção ao papel de informar, educar e divertir eficientemente que algumas rádios ligadas à iniciativa privada prestam e verificar que esse serviço poderia e deveria ser prestado com muito mais eficiência por uma rádio estatal.


sábado, 27 de abril de 2013

O Galo da Madrugada dos 500 anos








Fotografias de Clóvis Campêlo/2000

O GALO DA MADRUGADA DOS 500 ANOS

Clóvis Campêlo

Todo mundo sabe que, no Recife, o sábado de Zé Pereira transformou-se no sábado do Galo da Madrugada.
A coisa começou timidamente, em 1978, na Rua Padre Floriano, no bairro de São José, quando Enéas Freire criou o clube de máscaras e alegorias que se transformaria em um dos itens mais referenciados do carnaval pernambucano. Diga-se de passagem, aliás, referenciado e reverenciado. Naquele mesmo ano, ao lado de 17 outros pioneiros, o Galo desfilou pela primeira vez nas ruas de São José.
Em 1995, o Galo da Madrugada foi oficialmente considerado pelo Guinness Book - o livro dos recordes - como o maior bloco de carnaval do mundo.
De lá para cá, o Galo só fez crescer. Segundo estimativas, neste ano de 2013 o Galo teria arrastado 2,5 milhões de pessoas pelas ruas do Recife, para alegrias de uns e tristezas e críticas de outros.
Para alguns, o Galo da Madrugada atual modificou de forma negativa o carnaval do Recife, deixando de lado a sua proposta original e se transformando num carnaval empresarial e que imita, na sua forma, o carnaval da Bahia. As ruas fechadas para a construção de camarotes, excluiria os foliões do trajeto do bloco, privilegiando quem tem condições de pagar por um camarote e assistir o desfile.
Para nós, que o acompanhamos a algum tempo, não restam dúvidas de que o clube hoje está inserido na indústria do entretenimento, transformando-se em fonte de lucro para os que o fazem e esquecendo da importância da participação popular, que, hoje, limita-se a ocupar as ruas periféricas do bairro de São José.
No entanto, apesar de toda essa discussão, o Galo permanece fazendo o carnaval do Recife e servindo de referência mundial. A cada ano, aparece com uma indumentária nova ou com alguma outra novidade que chame a atenção de todos.
No ano 2000, quando comemorava-se os 500 anos da descoberta do Brasil, o Galo da Madrugada, cujas cores oficiais são azul, branco, amarelo, vermelho e verde, vestiu-se com as cores da bandeira brasileira e integrou-se aos festejos comemorativos, colorindo a cidade de verde, amarelo, azul e branco.

sábado, 20 de abril de 2013

O diário público de Anne Souza











O DIÁRIO PÚBLICO DE ANNE SOUZA

Clóvis Campêlo

Descobri Anne Souza no Recife Antigo, durante o carnaval deste ano, quando andava eu com um frevo no pé, uma câmera na mão e muitas ideias possíveis na cabeça.
Aliás, não é de hoje que ando a observar as paredes do velho bairro onde a cidade nasceu. Elas servem para que artistas anônimos exerçam a sua arte e executem os seus trabalhos de grafitagem. Tenho vários deles fotografados e catalogados, muitos identificados apenas pelas características dos traços e da composição dos desenhos. São pintados diretamente sobre as paredes nuas e cruas e sofrem constantes intervenções que vão aos poucos acrescentando a eles novos detalhes ou modificando significativamente o resultado final. Uma espécie de arte coletiva e transgressora.
Com os desenhos de Anne Souza, não foi diferente. Desenhados sobre papel e colados nas paredes, geralmente no tamanho A4, de fevereiro para cá, muitos deles foram parcialmente rasgados ou riscados e tiveram a base escurecida pelo tempo e pela exposição ao sol. No meu modo de entender, ficaram até mais bonitos.
Retratam sempre o rosto da mesma mulher, na maioria das vezes de perfil, como nos desenhos egípcios. Vez por outra ela surge de corpo inteiro, nua ou em forma de uma sereia. Vez por outra também contracena com uma figura masculina, formando composições de uma simetria pós barroca. Em pouquíssimos desenhos a figura masculina aparece sozinha ou aparecem outras composições que não sejam figurativas e referentes ao sexo feminino.
Os desenhos estão colados em paredes de ruas escolhidas, formando uma espécie de via sacra profanizada.
Não sei quem é a Anne Souza que assina os pequenos quadros. O seu traço é simples e sugestivo e as figuras sempre estão em destaque em um fundo neutro. O seu diário é público e sem segredos ou disfarçatez, disponível a todos os olhos e espíritos abertos que andem pelo bairro velho da cidade misturando as visões do ontem com o presente.

Recife, 2013

sábado, 6 de abril de 2013

Subindo o Morro ou na cadência do samba


SUBINDO O MORRO OU NA CADÊNCIA DO SAMBA

Clóvis Campêlo

Em 2008, no Dia Internacional da Mulher, mais uma vez, lá fomos nós subir o Morro da Conceição.
Nós, que tantas vezes já subimos o Morro em ocasiões especiais, quando da festividades da Santa, dia 8 de dezembro, sempre nos emocionamos com a belíssima paisagem desfrutada e com o intenso calor humano ali reinante.
Lá, no Morro, Wilson já estava nos esperando.
A primeira parada foi na casa de José Belo da Silva, o Zé Belo, natural da cidade de Limoeiro, de onde saiu aos 6 anos de idade para fixar-se no Morro da Conceição. Na época da visita, aos 72 anos de idade, que, por coincidência, estavam sendo comemorados no dia da visita, Zé Belo, apesar dos cigarrinhos que ainda traga, demonstra uma boa saúde e uma memória privilegiada.
Falou-nos das tradições do Morro, como os clubes de futebol alí existentes e que eram respeitados em todo o Recife: Tabajara, Taquarani, Forte do Morro e Onze da Lira, todos já extintos, e do Maracatu Águia de Ouro, fundado em 1939, e atuante até hoje.
Disse-nos também dos clubes dançantes que ali havia e que eram mantidos por vereadores, como Rui Alves, Romildo Gomes e Roberval Lins. Inclusive, hoje, no prédio onde funcionava o clube recreativo e dançante mantido pelo vereador Rui Alves, está a sede da Escola de Samba Cultural Galeria do Ritmo.
Ainda segundo Zé Belo, além da Galeria do Ritmo, que está no Morro desde 1963, também existiram na comunidade outras escolas de samba como a Unidos do Dendê e a Leão do Norte, ambas já extintas.
Zé Belo nos falou ainda da Cova da Onça, bar famoso no Morro e que não mais existe, e do clube Acadêmico, onde até hoje a comunidade se diverte.
Ainda segundo Zé Belo,a estátua de N. Sª. da Conceição chegou ao Morro em 1904, vinda da França, e a Igreja foi construída em 1907. Segundo ele, houve muita dificuldade para levar a estátua até o seu pedestal, porque as ladeiras ainda não eram asfaltadas.
Contou-nos ainda, que em 1959 aconteceu uma tragédia na comemoração da festa da Padroeira do Morro. Às 4 horas da manhã, quando se iniciava a celebração da missa pelo Arcebispo do Recife, houve um curto-circuito nas gambiarras das barracas e nos brinquedos da quermesse, provocando uma correria entre as pessoas, que pensavam se tratar de tiros, e que resultou no falecimento de doze fiéis. Depois da tragédia, a parte profana da festa foi transferida para o campo do Ipiranga, na Avenida Norte.
Mesmo assim, as ruas e ladeiras do Morro, ainda segundo Zé Belo, só começaram a ser calçadas em 1960, na gestão do prefeito Pelópidas da Silveira.
Curtindo a oportunidade de um bom papo, disse-nos ainda que a água do Morro era fornecida por um chafariz e vinha bombeada da Rua do Motor. Antes, o pessoal ia buscar água num cacimbão que havia perto do campo do Ipiranga e cuja água era salobra e imprópria para o consumo humano. A água encanada só chegou ao Morro em 1963, depois de muita luta do Conselho de Moradores, destacando-se nessa batalha a figura de dona Odete Gomes de Almeida. Dona Odete, hoje já falecida, teve o seu trabalho reconhecido pela comunidade e pelos poderes públicos que deu o seu nome à praça que existe na frente da igreja.
Na Galeria do Ritmo, nossa segunda parada, fomos recebidos por Valdir Barros, presidente da Escola, e José Genival de Farias, o Amarão, diretor da Ala dos Compositores. Segundo Valdir, confirmando as informações de Zé Belo, a Escola de Samba, na verdade, foi fundada no Alto José do Pinho, onde uma roda de amigos se reunia embaixo de um pé de oiti para batucar um sambinha nas horas vagas. Dessa reunião ocasional, surgiu a idéia de fundar a escola de samba, a qual logo se transferiu para o Morro da Conceição, onde permanece até hoje. Hepta campeã do carnaval recifense de 1999 a 2006, a Escola de Samba Cultural Galeria do Ritmo, cujo lema é "Aqui se aprende a cantar, tocar e sambar", e de onde saíram astros da música popular pernambucana, como Paulo Márcio e a Banda Labaredas, hoje mantém uma escolinha de percussão para crianças a partir dos cinco anos de idade.
Esse trabalho educativo, que se alterna com a escola convencional, faz com que a criançada se mantenha ocupada durante todo o dia, mantendo-se afastada da rua, da violência e do tráfico de drogas, uma realidade contundente nas comunidades periféricas, como o Morro da Conceição. Além das atividades culturais, a meninada também recebe alimentação (leite e sopão).
O presidente Valdir nos contou ainda da falta de patrocínios para a Escola e da dificuldade de se fazer samba na terra do frevo.
Na época, a Escola estava fechando um contrato com a Prefeitura de Ipojuca, na Zona da Mata Sul do Estado, para fazer diversas apresentações na cidade como forma de arrecadar dinheiro para a agremiação se manter.
Desse contato interessantíssimo, regado a cervejas geladíssimas, surgiu o convite para participarmos do ensaio da Escola, no próximo dia 16.
Como já era 3 horas da tarde e ninguém é de ferro, fomos almoçar no Bar da Geralda, um dos restaurantes mais conceituados do Morro e que figura em diversas listas gastronômicas recifenses.
Geralda Cardoso da Silva é uma senhora simpática, de 47 anos, natural da cidade de Surubim, radicada no Morro há mais de vinte anos, e que nos serviu um cozido pernambucano pra poeta nenhum botar defeito.

Recife, 2008

segunda-feira, 1 de abril de 2013

O fruto


O FRUTO

Clóvis Campêlo

Que o teu fruto me alimente o corpo,
tua beleza me alimente o espírito;
que a tua pele me aqueça e acalme
e que eu possa sempre estar ao teu lado.

Que tudo seja doação sem sacrifício
e que os deuses entendam o clamor
da tua alma.

Que os teus olhos estejam sempre acesos
e percebam toda a minha felicidade.

Que sejas sempre a outra metade.