segunda-feira, 16 de abril de 2018
sexta-feira, 13 de abril de 2018
As esculturas da Praça da Independência
Escultura do poeta Carlos Pena Filho pintada e pichada
Escultura do empresário Assis Chateubriand solene com um saco de lixo nas mãos
Escultura do jornalista Antônio Camelo, também pintada
Escultura de pessoa desconhecida que teve a placa arrancada
Escultura de Corbiniano Lins em homenagem aos mascates do Recife
Fotografias de Clóvis Campêlo / 2018
Clóvis Campêlo
Situada no bairro do Santo
Antônio, no centro histórico do Recife, segundo a Wikipédia, é a
mais antiga praça da cidade. Durante o domínio
holandês, constava nos mapas da época o local chamado de Terreiro dos Coqueiros.
Mudou de denominação várias vezes, sendo chamada de Praça
Grande, Praça do
Comércio, Praça da
Ribeira e Praça da
Polé. Em 1816, após uma reforma, mudou de
denominação para Praça da União.
Finalmente, em 1833, recebeu o nome atual de Praça
da Independência. Porém, por abrigar
durante muito tempo o prédio
do Diario
de Pernambuco, passou a ser chamada pelo povo
recifense como a Pracinha do Diário.
Segundo texto da
pesquisadora Samira Adler Vainsencher, publicado em 2003 no site da
Fundaj, “a Praça
da Independência é considerada, hoje, como aquela de maior
movimento na cidade do Recife. Por ela, cruzam e iniciam avenidas e
ruas de grande relevância, tais como a rua Duque de Caxias, a rua 1º
de Março, a avenida Dantas Barreto, a rua Nova, a avenida
Guararapes, o Largo do Rosário, a rua Matias de Albuquerque e a rua
Engenheiro Ubaldo Gomes de Matos. Como o coração do bairro de Santo
Antônio, além disso, é nela que onde são realizados os grandes
comícios e de onde partem passeatas, procissões, cortejos cívicos,
os blocos de carnavais. Esse logradouro público, portanto, continua
centralizando os mais recentes acontecimentos, manifestações e/ou
reivindicações ocorridos no Estado de Pernambuco, tanto por parte
da política, das religiões, quanto dos movimentos populares e da
cultura”.
Pois bem, é nessa praça
que estão colocadas esculturas e bustos de personalidades recifenses
ou de grande relevo, homenageadas pela cidade do Recife. A
praça hoje, porém, já não tem mais a relevância que tinha antes
do abandono do centro da cidade pelo poder público e pela iniciativa
privada. Como já dissemos antes em outros textos, encontra-se hoje
ocupada por prostitutas, mendigos e desocupados, os quais,
maltratados pela cidade, nem sempre sabem reconhecer a importância
daquelas figuras de pedra e cimento que ocupam permanentemente o
logradouro. Esvaziada de importância, com os grandes prédios ao seu
redor abandonados e em acelerado processo de ruína, inclusive o
prédio que durante anos abrigou o Diario de Pernambuco, a praça e
suas esculturas são constantemente agredidas pela população.
Na praça encontram-se
esculturas do poeta Carlos Pena Filho, do empresário Assis
Chateubriand, do jornalista Antônio Camelo, além de um busto cuja
placa arrancada não nos deixou identificar o homenageado. Na praça
também existe uma escultura em homenagens aos mascates do Recife,
confeccionada pelo artista Corbiniano Lins, recentemente falecido.
Pelas fotografias acima,
percebe-se que a intervenção popular nas obras nem sempre foram
positivas ou de reconhecimento. Sinceramente não sei a quem culpar
por isso. Se a cidade, por maltratar e abandonar o seu povo sofrido,
ou se a mesmo povo, deseducado e sem grandes esperanças de
reabilitação que devolve à praça a mesma violência e indignação
com a qual é tratada pelos poderes constituídos e pela urbe
ameaçadora.
Fica a pergunta solta no
ar.
O Edifício Acaiaca
Fotografias de Clóvis Campêlo / 2018
O EDIFÍCIO ACAIACA
Clóvis Campêlo
Segundo Rachel Mota, em matéria publicada no site Por Aqui, em 19/5/2017, o prédio nasceu como um local destinado a veraneio, já que era assim que o bairro era visto em seus primórdios. Não se passaram muitos anos até que as famílias descobrissem o quão encantador seria morar em frente ao mar. Segundo o professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Luiz Amorim, o Acaiaca é uma das soluções oferecidas pelos arquitetos Delfim Amorim e Lúcio Estelita para o problema do edifício vertical moderno destinado à moradia. “As características da edificação quando da sua construção, no final dos anos de 1950, o destacaram na paisagem litorânea por sua dimensão, verticalidade e simplicidade volumétrica”, analisa. De acordo com Amorim, o Acaiaca tem propriedades arquitetônicas inusitadas. “As janelas horizontais contínuas voltadas para a paisagem marítima, a aplicação de azulejos desenhados por Amorim para o revestimento das fachadas e o uso do peitoril ventilado para garantir a plena circulação no interior dos apartamentos, mesmo com as janelas fechadas, tornaram-no elemento de referência urbana”, observa.
Segundo matéria publicada no site Notícias NE 10, o edifício que foi construído no fim da década de 50 tem 11 andares e 44 apartamentos - quatro por andar. No meio de tantos prédios, chama a atenção por ser um dos poucos que são horizontais na praia. Delfim Amorim foi o arquiteto da construção, que tem inspiração modernista. Sete funcionários cuidam do edifício. Entre eles, está o único porteiro do condomínio: Mauro Clenio. Ele tem 38 anos e já dedica 12 deles ao Acaiaca. Da janela de sua portaria, enxerga o mar diariamente, porém sem perder a concentração com o serviço de atender os moradores. "O mar é relaxante, mas é preciso atenção. Fico aqui na portaria e também auxílio às pessoas dos apartamentos quando elas precisam", disse Clenio, que se gaba de ter um escritório na praia. "Poucos podem falar isso", brinca.
Segundo o Dicionário Ilustrado Tupi-Guarani, acaiaca é uma árvore, mais conhecida como cedro. A árvore também é conhecida como: cedro amarelo, cedro-rosa, cedro-branco, cedro-vermelho, cedro-da-várzea, aca jucatinga, acajatinga, cedro-balata, capiúva, aiacá, acajacá e acaiacatinga. O nome acaiacá tem origem nas línguas Aruák e Karíb. É também o nome de uma cidade no interiore de Minas Gerais.
Segundo matéria assinada por Guilherme Carréra, publicada no jornal Correio Braziliense, em 17/8/2015, citando dez lugares que revelam a história e a arquitetura do Recife, faz a seguinte referência ao Edifício Acaiaca: “O arquiteto franco-suíço Charles-Édouard Jeanneret-Gris , nascido em 1887, transformou os conceitos da arquitetura. Conhecido como Le Corbusier, é um dos criadores da arquitetura modernista, escola seguida mundo afora, inclusive, no Recife. Principal representante dessa corrente, o edifício Acaiaca foi desenhado pelo português Delfim Amorim, sob forte influência corbusiana. À beira-mar da praia de Boa Viagem, Zona Sul da cidade, é ponto referencial dos frequentadores da orla. Na altura do Segundo Jardim, o Acaiaca possui 11 andares e 44 apartamentos”. Mesmo considerando o erro no que se refere à localização do edifício, na verdade situado bem depois do Segundo Jardim de Boa Viagem, o texto nos esclarece quanto a inspiração do arquiteto ao criar o projeto do edifício.
Crônicas Recifenses, o livro
CRÔNICAS RECIFENSES, O LIVRO
Marcos Godoy
Clóvis Campêlo é daqueles escritores que se revelam sem qualquer embaraço. A paixão pela cidade do Recife, o cotidiano, as personalidades do seu tempo e outras que povoam o seu universo cultural, os fatos ocorridos; transformam o homem no escritor e o escritor num pássaro de asas de grandes dimensões, qual sobrevoa as memórias da sua própria existência para produzir narrativas apaixonadas e, sobretudo, apaixonantes. Crônicas Recifenses é antes de tudo, um livro de pura sensibilidade e inteligentíssimo, que guarda na sua estrutura literária um exercício da melhor prosa poética extraída de coisas aparentemente simples, comuns e corriqueiras do cotidiano de uma cidade, de personalidades que marcaram épocas, de fatos diversos e da vida do próprio autor. John Updike, na sua notável concepção acerca do fazer literário, diz que “os detalhes são divinos”, como modo de apreciar a narrativa. Nesse sentido, o que aparentemente é simples, comum, realça toda a narrativa deste livro com a divindade dos detalhes tão bem manejados pelo autor. É um texto livre como uma experimentação, no qual Clóvis se permite a certas ousadias impulsionadas pelo seu gênio criativo. Talvez a arte da escrita seja a que mais embriaga de paixão os seus vocacionados. É assim que Clóvis Campêlo se revela: um escritor embriagado de paixão pela literatura. Um escritor engajado, um criador incansável, que tem produzido um magnífico acervo literário ao longo dos anos. Crônicas Recifenses é apenas uma parte desse acervo que agora chega às mãos do público leitor. Numa época em que se verifica a produção cultural e a forma de consumir bens culturais, transformando-se tão radicalmente e em tão curto espaço de tempo, refletindo diretamente nos processos de decisões do consumo de bens (culturais) e, consequentemente, estabelecendo um padrão artístico de sedução, de baixa qualidade; Crônicas Recifenses chega como um saboroso alento para cultura pernambucana e brasileira. E porque não dizer, um brinde à arte!
Crônicas Recifenses é um delicioso passeio pela cidade do Recife, pelos fatos que marcaram épocas e a vida de personalidades, pelas memórias de um homem pernambucano, através da genialidade criativa de Clóvis Campêlo.
- Prefácio feito pelo escritor Marcos Godoy para o meu livro Crônicas Recifenses, o qual poderá ser adquirido no site do Clube de Autores - https://www.clubedeautores.com.br
quinta-feira, 12 de abril de 2018
O Restaurante Samburá
O RESTAURANTE SAMBURÁ
Clóvis Campêlo
Sobre o restaurante
Samburá, no site TripAdvisor, constato a seguinte declaração feita
por alguém que se denomina LoucosporMarketing: “Almocei
domingo com um grupo no Restaurante Samburá, que fica no hotel de
mesmo nome. A história é original, pois ouvi lá do próprio dono,
um senhor de 91 anos que estava no almoço. Ele me contou que fundou
o Restaurante Samburá em 1 de janeiro de 1910, à beira-mar em
Olinda, quando não havia nada em volta. Em seguida, a área em torno
foi loteada e ele vendeu centenas de lotes, que deram origem ao atual
bairro. Na década de 80, o Samburá foi transferido para o outro
lado da avenida, saindo da areia da praia, e construindo um hotel em
cima do atual restaurante. Então, o Samburá não é um restaurante
num hotel, e, ao contrário, é um restaurante que tem um hotel em
cima. A cozinha é deliciosa, com pratos da culinária do Nordeste,
em estilo self-service nos fins de semana”.
Hoje o restaurante e hotel
está situado na Av. Ministro Marcos Freire, 1551, no Bairro Novo, em
Olinda. Antes, porém, em
1953, segundo mensagem que nos foi enviada pelo
mensenger do Facebook pela assessoria de imprensa do hotel, começou
como um quiosque na beira-mar. Posteriormente, evoluiu para um prédio
no formato de um samburá, cesto bojudo e de boca estreita, feito de
cipó ou taquara, e muito
usado para carregar iscas e
apetrechos de pesca, e para recolher o pescado.
Depois,
por conta da legislação municipal que proibia construções na
praia, o restaurante foi transferido, para o local onde se encontra
atualmente. Na época, todos os estabelecimentos
que estavam em situação semelhante tiveram os prédios demolidos.
Como
podemos verificar nos parágrafos acima, há uma divergência de
datas quanto ao início do
funcionamento do estabelecimento comercial. Acreditamos que o ano de
1953, que nos foi informado pela equipe de
comunicação do próprio restaurante e hotel,
seja o mais provável. Deixamos por enquanto a
questão em aberto.
Como podemos observar pela
terceira fotografia acima, já havia na época da sua feitura
um trabalho de contenção do avanço do mar naquela área com a
colocação de pedras e espigões de areias.
Marcadores:
Cidade de Olinda,
Restaurante Samburá
quarta-feira, 11 de abril de 2018
quarta-feira, 4 de abril de 2018
Tio Amaro
TIO AMARO
Clóvis Campêlo
Amaro Regueira era meu tio-avô, irmão do meu avô materno Luís de Albuquerque Regueira. Era um homem simples e pacato, que gostava de criar galinhas, acostumado à vida no interior e no campo.
Lembro dele na nossa casa do Pina, já velho e com problemas circulatórios seríssimos. Fumante inveterado, tinha as pernas escuras por conta da má circulação sanguínea.
Sobre ele, minha mãe contava uma história interessante e engraçada: apesar da mansidão, às vezes ele perdia a paciência com a meninada e dava respostas inesperadas. Curiosa como sempre foi, a minha mãe, ainda menina, pediu-lhe que lhe ensinasse a conhecer quando a galinha estava prestes a por o ovo. Ocupado, tio Amaro não lhe deu atenção. De tanto insistir, recebeu essa resposta: “Minha filha, meta o dedo no rabo da galinha. Se estiver duro, é ovo; se estiver mole, é merda!”. Dona Tereza, minha mãe, contava isso sempre rindo muito.
Marcadores:
Álbum de Família,
Amaro de Albuquerque Regueira
quarta-feira, 28 de março de 2018
A arte de envelhecer
A ARTE DE ENVELHECER
Clóvis Campêlo
Envelhecer não é fácil,
amigos. É preciso se ter maturidade para enfrentar essa fase da vida
(por sinal, a fase final). Algumas pessoas não conseguem aceitar a
chegada da terceira idade e sofrem com isso. Principalmente quem usa
a cara e o corpo como instrumento de profissão. São muitos os
atores e atrizes que entram em depressão com a chegada da fase final
da vida.
Quando jovens, no entanto,
a velhice e a morte sempre nos parecem coisas distantes e
despreocupantes. As visões da velhice na juventude geralmente são
românticas e alegres. Digo isso pensando em dois grandes
compositores que marcaram a minha infância e adolescência e nas
músicas por eles compostas falando da velhice.
O primeiro é Paul
McCartney que ainda na fase dos Beatles, em 1969, no álbum Sargent
Peppers Lonely Heart Club Band, compôs a música Whan I'm
Sixty-Four. Paul, como se sabe, ao contrário de John Lennon,
veio de uma bem ajustada família de classe média inglesa. Seu pai,
nas festas natalinas ou de família, gostava de sentar ao piano e
tocar velhas e tradicionais canções inglesas. Isso Paul absorveu
bem e utilizou com sabedoria nas suas composições.
Na música acima citada,
ele faz uma indagação inocente e bem-humorada: “When
I get older losing my hair / many years from now / will you still be
sending me a valentine”. Ou
seja: “Quando
eu envelhecer, perdendo meus
cabelos
/ Daqui a muitos anos / Você ainda estará me mandando um cartão no
dia dos namorados?”
Paul
que já faz tempo passou dos 64 anos, finaliza a música com uma
proposta e outra indagação: “Send
me a postcard, drop me a line / stating point of view / indicate
precisely what you mean to say / yours sincerely wasting away / Give
me your / answer fill in a form / mine forever more / Will you still
need me / Will you still feed me / When I'm sixty-four”.
Traduzindo:
“Mande-me
um cartão-postal, escreva uma linha / Expressando seu ponto de vista
/ Explique precisamente o que você quer dizer / Com sinceridade /
Dê-me sua resposta, preencha em um formulário / Minha para sempre /
Você ainda precisará de mim? / Você ainda me alimentará? / Quando
eu tiver sessenta e quatro anos”.
Não
é preciso dizer que Paul sempre foi um homem em paz consigo mesmo,
com as mulheres que amou, com seus filhos e sua família. E essa
sensação é transmitida para seus admiradores não só nessa como
em outras músicas suas.
Com
Roberto Carlos não foi diferente. Embora tenha tido a sensibilidade
de transformar em arte e músicas os anseios e sentimentos de toda
uma geração, suas canções falam do mundo e da vida de forma
positiva e propositiva. Na
música Os
Velhinhos,
ele assim se expressa: “Quando a velhice chegar / Eu
não sei se terei / Tanto amor pra te dar / Hoje, vem amor, vem amar
/ Os meus lábios esperam / Te querendo beijar / Amanhã estaremos
velhinhos / Contaremos juntinhos / Os segredos do amor / Para os
nossos netinhos”.
Talvez
a lembrança dessas músicas e desses compositores para mim, que
também já ultrapassei a marca dos 64 anos, sirva para amenizar um
pouco a lembrança do que tempo bom que passou e que, embora não
volte mais, serviu como base para que tenhamos chegado ao momento
atual em que vivemos com nossas famílias, nossos filhos e netos.
sexta-feira, 23 de março de 2018
Moraes Moreira, Benedito Lacerda e o pombo-correio
Benedito Lacerda e Pixinguinha
Moraes Moreira e os Novos Baianos
MORAES MOREIRA, BENEDITO LACERDA E O POMBO-CORREIO
Clóvis Campêlo
Compositor, flautista e
maestro, Benedito Lacerda nasceu na cidade fluminense de Macaé, em
14 de março de 1903. Compositor, cantor e violonista, Moraes Moreira
nasceu na cidade baiana de Ituaçu, no dia 8 de julho de 1947. Quatro
décadas, portanto, separam os nascimentos do dois compositores
brasileiros.
O primeiro, já no Rio de
Janeiro, iniciou sua trajetória musical tocando bumbo na banda do
Exército. O segundo, começou tocando sanfona de doze baixos nas
festas da sua cidade natal.
Lacerda, que chegando ao
Rio foi morar no morro do Estácio, cresceu cercado de chorões e
sambistas, convivendo com gente de peso na MPB, como Noel Rosa.
Moreira, em Salvador, conheceu Tomzé e Baby Consuelo, ao lado da
qual formou o grupo Novos Baianos, do qual foi integrante de 1969 a
1975.
Benedito Lacerda morreu no
Rio de Janeiro, em 16 de fevereiro de 1958, quando Moraes Moreira
tinha apenas dez anos de idade. Este último continua por aí em
carreira solo. Ao todo, segundo a Wikipédia, tem mais de 40 discos
gravados em carreira solo, ao lado dos Novos Baianos ou com outros
grupo e artistas.
Todo esse preâmbulo
introdutório foi por nós utilizado apenas chegarmos a um ponto em
comum nas suas composições: ambos criaram músicas utilizando o
pombo-correio como tema. As composições, inclusive, são
homônimas.
Na sua música
Pombo-Correio, Benedito Lacerda assim se expressa: “Soltei
meu primeiro pombo-correio / com uma carta para a mulher / que me
abandonou; / Soltei o segundo, o terceiro / o meu pombal terminou /
ela não veio e nem o pombo voltou”.
O compositor, portanto,
chora não apenas a perda da mulher amada, mas também a sua
indiferença, não lhe respondendo as cartas e nem lhe devolvendo os
pombos de estimação. Pura ingratidão.
Moraes Moreira canta assim
o seu Pombo-Correio:
“Pombo correio / Voa depressa / E esta carta
leva / Para o meu amor / Leva no bico / Que eu aqui / Fico esperando
/ Pela resposta / Que é pra saber / Se ela ainda
gosta de mim”. No bico do
pombo de Moreira ainda existe a esperança de uma resposta positiva,
portanto, onde retornem o pombo e a mulher amada. Afinal, a esperança
é a última que morre.
Na segunda parte da sua
canção, Lacerda revela como o fim daquele amor desarrumou a sua
vida: “Depois que aquela mulher me abandonou / não sei porque
minha vida desandou / O canário morreu / a roseira murchou / o
papagaio enlouqueceu / e o cano d'água furou. / E até o sol por
pirraça / invadiu a vidraça e o retrato dela desbotou”. Sem o
comando feminino, o mundo do compositor caiu e não só ele foi
vítima desse desequilíbrio, como também tudo o que o cercava. Nada
de um final feliz.
Moreira, pelo contrário,
deixa o final em aberto: “Pombo-correio se acaso um desencontro /
acontecer não perca nem um só segundo / voar o mundo se preciso for
/ o mundo voa / mas me traga uma notícia boa”. Portanto, seja lá
qual for a situação encontrada pelo pombo na sua missão, fica a
esperança do compositor de que ele retorne e lhe traga boas novas.
Afinal, a vida é bela e deve continuar.
Aliás, nos tempos modernos de hoje, onde predominam a internet, o facebook e o whatsapp, é difícil imaginar um singelo pombo-correio atravessando os céus do Brasil para entregar uma carta de amor.
Aliás, nos tempos modernos de hoje, onde predominam a internet, o facebook e o whatsapp, é difícil imaginar um singelo pombo-correio atravessando os céus do Brasil para entregar uma carta de amor.
Gabriel e Tatiana
GABRIEL E TATIANA
Clóvis Campêlo
TATIANA
Conheci Cida em dezembro de 1977, numa cidade chamada Riachão, situada no sul do Maranhão. É interessante frisar que, antes, nenhum de nós dois jamais estivera ali.
Nasci no Recife e fui ao Maranhão acompanhando meu irmão mais novo que ali morara um tempo, trabalhando, e que iria se casar com uma jovem do lugar.
Cida, natural da vizinha cidade de Carolina, também no sul do Maranhão, ali fora acompanhando um irmão mais velho que dirigia um pequeno caminhão, fazendo entrega de café fabricado na torrefação onde trabalhava. Assim, nós nos conhecemos. Nosso primeiro encontro se deu numa festa de 15 anos, acontecida na noite anterior ao casamento do meu irmão. Ali mesmo, começamos a namorar. Terminado o casamento, voltei ao Recife e Cida, a Carolina.
Em fevereiro de 1978, durante o carnaval, fui a Carolina e conhecer os pais de Cida e o restante da sua família.
Ficou decidido que em março eu voltaria à cidade e nos casaríamos, vindo morar no Recife.
E assim foi feito: no dia 11 de março de 1978, nos casamos na Matriz de Carolina e viemos para o Recife. Na época, eu tinha 26 anos e a Cida, 16.
Em 1979, Ano Internacional da Criança, no dia 20 de janeiro, às 7:30 da manhã, dia de São Sebastião, Tatiana nasceu, sendo, portanto, o resultado inicial dessa história especial e inusitada.
Na realidade. deveria ter nascido no dia 1º, Dia da Confraternização Universal. Não sei se erraram na conta, mas se passaram 20 dias do prazo estabelecido para que ela nascesse. Estava atravessada na barriga de Cida e foi retirada a fórceps. Ainda hoje ela tem na testa as marcas do nascimento.
Naquele tempo não havia ainda ultrassonografia para se saber antecipadamente o sexo das crianças. Assim, na porta da sala de parto, haviam dois bonequinhos, um do sexo masculino e outro do sexo feminino. Dependendo do sexo do nasciturno, acendia um ou outro.
Enquanto Cida e Drª Aspásia lutavam na sala de parto para que Tatiana viesse à luz, lá fora, na sala de espera, estávamos eu, meu pai, que assim como também se chamava Clóvis, e minha mãe, dona Tereza, nervosos e ansiosos.
Quando a luzinha acendeu, todos se abraçaram e se confraternizaram, felizes porque tudo correra à contento.
GABRIEL
Quatro meses depois do nascimento de Tatiana, Cida engravidou novamente. Quando Gabriel nasceu, no dia 12 de março de 1980, Tatiana tinha um ano e dois meses.
Com nós meninos ainda pequenos, fomos moram em Rio Doce, na cidade de Olinda, numa casa com um pequeno quintal onde haviam árvores e um tonel cheio de água, onde as crianças gostavam de tomar banho.
Em julho de 1986, nos mudamos e fomos morar num apartamento, no bairro do Cordeiro, no Recife. Ali, os meninos passaram a maior parte das suas vidas. Ali cresceram e fizeram amizades que duram até hoje.
Gabriel nasceu às 7:30 da manhã, em um dia de muita chuva.
Nessa época, morávamos na Ilha do Leite e de lá para o Hospital Português, onde ele nasceu, a distância não era muito grande.
Em circunstâncias normais, eu e Cida, teríamos ido até andando.
Mas chovia muito, algumas ruas estavam alagadas e resolvemos pegar um táxi, um alegre fusquinha azul celeste que contrastava com o dia cinzento.
Chegamos no hospital e a Drª Aspásia Pires, que sempre fez os partos de Cida, já nos esperava.
Ela entrou com Cida na sala de exames e logo a vi correndo de volta, desesperada.
Aflito, perguntei o que estava acontecendo e ela me respondeu: "Ele já está nascendo".
Mal deu tempo Cida entrar na sala de partos e Gabriel já veio à luz, apressado, querendo ver o mundo com os próprios olhos.
Foi um parto tranquilo, normal.
Pouco tempo depois, Gabriel já estava no berçário e Cida sentada na cama, serena, tomando uma canja quentinha.
Foi assim que Gabriel nasceu. Foi assim que veio ao mundo, sendo o nosso caçula e completando a nossa família.
Era tão pequeno que nós o apelidamos de Catotinha.
Recife, 1986
Marcadores:
Álbum de Família,
Gabriel Machado Campêlo,
Tatiana Machado Campêlo
quinta-feira, 15 de março de 2018
Entre o concreto e a natureza
Fotografia de Clóvis Campêlo / dez 2013
ENTRE A NATUREZA E O CONCRETO
Clóvis Campêlo
Nascemos na lama rica do mangue e sobre ela crescemos. Antes um istmo, hoje ocupamos toda a planície que o rio criou e o homem, com a força e a ambição que Deus lhe deu, ajudou. Se isso foi bom ou ruim, talvez seja uma questão de visão ou de opinião íntima definir. Talvez até mesmo o suposto caos que hoje enfrentamos seja o prenúncio de outros tempos ainda maiores virão.
Estaremos preparados? Sinceramente, não sei. Do caos ao mangue ou do mangue aos caos vivemos numa cidade entrelaçada com as águas. E nesse embate entre o que as linhas tortas da natureza criou e o que as linhas retas da compreensão humana alterou ou inventou, ficamos nós respirando e querendo sobreviver. Enquanto isso, a beleza do cenário pode ser encontrada e admirada na sua plenitude.
Ao olhar puramente contemplativo talvez não caiba o questionamento politicamente correto. Viver não significa necessariamente indagar ou criar oposição imaginativas. O olhar reto e direto não necessitaria de retificações. Entre a natureza e o concreto, talvez as águas claras do rio escorra sem a necessidade de interpretações como sintomática e diuturnamente o tempo faz. E ninguém a ele sobreviverá. Morrer sempre será preciso. A vida vive disso.
Por trás da copa das árvores a cidade simplesmente existe. E vista assim de longe mais parece um céu no chão. Para que servem afinal os detalhes deletérios da visão direcionada? Para nada, eu mesmo respondo. A não ser que queiramos alimentar a angústia, as justificativas para o sofrimento, as elaborações filosóficas inúteis e inquietantes.
Nascemos sobre a lama rica do mangue e um dia ao pó voltaremos. Que o tempo a nós oferecido entre estes dois atos extremos seja repleto de alegria e êxtase. Deixemos o olhar vagar por todo o cenário como se a nada buscasse, como se apenas quisesse usufluir da plasticidade do momento que se nos oferece.
Nós merecemos, a cidade merece.
Marcadores:
Cidade do Recife,
Crônicas Recifenses
quarta-feira, 7 de março de 2018
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
Joaquim Nabuco, um pouco da sua histórias e dos seus monumentos no Recife
JOAQUIM NABUCO, UM POUCO DA SUA HISTÓRIA E DOS SEUS MONUMENTOS NO RECIFE
Clóvis Campêlo
Nem sempre, amigos vale a pena se começar um texto ou uma história pelo começo. Quem já seu Os Sertões, de Euclides da Cunha, sabe disso. Só depois de superadas as cansativas falésias (no texto euclidiano) é que se chega aos sertões, ao cerne da narrativa, em alguns momentos eminentemente cinematográfica e compensatória.
Mas, encerremos a curta digressão euclidiana e concentremos as nossas atenções na figura de Joaquim Nabuco, chamado por muitos de Quincas, o belo.
Segundo a Wikipédia, Nabuco padecia de uma doença congênita conhecida como policitemia vera, e que lhe causaria a morte. Faleceu aos 60 anos de idade em Washington, nos Estados Unidos, onde exercia as funções de embaixador, sendo sepultado no Cemitério de Santo Amaro, no Recife.
Segundo os estudiosos do assunto, a policitemia se caracteriza pelo aumento no número de hemácias (também chamadas 'eritrócitos' ou 'glóbulos vermelhos') no sangue. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando nos deslocamos para regiões de elevadas altitudes, onde o ar é rarefeito (contendo pequeno teor de oxigênio). Nessa condição, o organismo através da liberação de um hormônio produzido pelos rins - a eritropoietina -, estimula a produção de hemácias, num mecanismo de compensação para normalizar o transporte de oxigênio para as células. Foi isso que o matou em Washington, em 1910.
Segundo matéria publicada no jornal Folha de Pernambuco, em 1º de novembro de 2016, "no Cemitério de Santo Amaro é possível encontrar obras simbólicas que contam a história do Estado, como a que se encontra no túmulo do abolicionista Joaquim Nabuco. A escultura Emancipação do Elemento Escravo, de 13 de maio de 1888, é formada por um grupo de ex-cativos levando o sarcófago simbólico do grande abolicionista sobre suas cabeças".
Segundo artigo da pesquisadora Semira Adler Vainsencher, publicado no site da Fundação Joaquim Nabuco, "o mausoléu de Joaquim Nabuco é o mais valioso de todos: é uma obra artística do escultor Giovanni Nicolini, professor em Roma, e feita em mármore de Carrara. A obra retrata o fato mais importante na vida do famoso abolicionista: a libertação dos escravos no Brasil. Ela apresenta alguns ex-escravos que levam, sobre suas cabeças, o sarcófago simbólico de Joaquim Nabuco. Na frente do monumento, vê-se o busto do abolicionista. A seu lado, a escultura de uma mulher, simbolizando a História, que enfeita de rosas o pedestal do seu busto, onde é possível se ler: "A Joaquim Aurélio Nabuco de Araújo. Nasceu a 19 de agosto de 1849. Faleceu a 17 de janeiro de 1910".
Na base do pedestal de Nabuco, onde está presente uma coroa de flores, está escrito: "A Joaquim Nabuco, o comandante, officiais e guarnição do "Minas Gerais". Washington, 14-3-1916". E, na parte posterior do mausoléu do abolicionista, lê-se ainda: "Homenagem do Estado de Pernambuco ao seu dileto filho, o Redentor da raça escrava no Brasil".
No centro histórico do Recife, na antiga Praça da Concórdia, anteriormente também conhecida como Largo Major Codeceiras, e que hoje tem o nome do abolicionistas famoso, existe um monumento feito em sua homenagem e inaugurado em 28 de setembro de 1915, que segundo a página Recife de Antigamente, é obra de autoria de João Bereta de Carrara. O seu pedestal é cercado em pedra de cantaria, duas estátuas do mesmo material completam o monumento: uma figura de mulher, simbolizando a glória, depõe, uma coroa de flores aos pés de Nabuco; outra, um escravo com os grilhões partidos, encimado pela grande e bela estátua do abolicionista.
Ainda segundo a página Recife de Antigamente: "Aliás, é bom que se diga, Joaquim Nabuco é um dos pernambucanos mais homenageados pelo governo. Além desse majestoso monumento, é nome de praça, de rua, de escolas, de fundação, patrono da assembleia legislativa, e teve custeado pelo governo estadual o seu mausoléu, no cemitério de Santo Amaro, como constatamos pelo relatório do governador Dantas Barreto, datado de 6 de março de 1914: “ Solenemente inaugurado do cemitério de Santo Amaro e entregue à municipalidade do Recife o mausoléu mandado construir pelo Estado e destinado a guardar os restos mortais de Joaquim Aurélio Nabuco de Araujo, que ocorreu com autorização na lei nº 1009, de 9 de abril de 1910".
Convém também lembrar que em 2000 o compositor baiano Caetano Veloso musicou o texto Noites do Norte, publicado no livro Minha formação, em 1900.
Mas, voltemos ao começo da história. Segundo o site Ebiografia, até os 28 anos de idade, foi essa a trajetória do abolicionista: "Joaquim Nabuco (1849-1910) nasceu no Recife, Pernambuco, no dia 19 de agosto. De família ilustre, pai, avô e bisavô foram Senadores do Império. Filho de José Tomás Nabuco de Araújo e Ana Benigna Nabuco de Araújo, viveu seus primeiros oito anos com os padrinhos Joaquim Aurélio de Carvalho e Ana Falcão de Carvalho, no Engenho Massangana, no município do Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco. Em 1857, foi com a família para o Rio de janeiro. Estudou em Friburgo, em seguida entrou para o Colégio Pedro II. Entre seus colegas estavam Rodrigues Alves, Afonso Pena, futuros presidentes do País, e Castro Alves, o poeta dos escravos. Ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, que era um dos principais centros liberais e abolicionistas do Brasil Imperial. Ainda estudante escrevia matérias para os jornais liberais "Ipiranga", "Independência" e "Tribuna Livre", fundado por ele. Já mostrava seus anseios por um regime livre da escravidão. Foi presidente do Ateneu Paulistano, associação estudantil cujo lema era Deus, Pátria e Liberdade. Em 1869, voltou ao Recife, onde continuou seus estudos na Faculdade de Direito. Formado em 1870, ingressa na carreira diplomática. Em 1876, é nomeado adido em Washington, e depois é transferido para Londres. Em 1878, com a morte do pai, volta ao Rio de Janeiro e troca a vida diplomática pela advocacia".
Ainda segundo o site acima citado, no ano de 1879 é eleito deputado pelo Partido Liberal e faz o seu primeiro discurso no câmara ratificando a postura abolicionista que já defendia na campanha eleitoral.
E prossegue o site: "Em 1880, transformou sua casa, na praia do Flamengo, em uma Sociedade Contra a Escravidão. Em 1887 é reeleito deputado por Pernambuco. Em discurso na Câmara condena a utilização do Exército na perseguição dos escravos fujões. No dia 10 de março de 1888, cai o gabinete do conservador Barão de Cotegipe e assume João Alfredo, que tinha a missão de propor a abolição. Lutando pelo projeto abolicionista, Nabuco encaminhou as medidas de urgência, até que no dia 13 de maio a Lei Áurea foi assinada".
E ainda: "Nessa fase de espontâneo afastamento, Joaquim Nabuco viveu no Rio de Janeiro, exercendo a advocacia e fazendo jornalismo. Frequentava a redação da Revista Brasileira, onde estreitou relações e amizade com altas figuras da vida literária brasileira, Machado de Assis, José Veríssimo, Lúcio de Mendonça, de cujo convívio nasceria a Academia Brasileira de Letras, em 1897.
Nesse período, Joaquim Nabuco escreveu duas grandes obras: “Um Estadista do Império”, biografia do pai, mas que é, na verdade, a história política do país e um livro de memórias, “Minha Formação”, uma obra clássica de literatura brasileira".
Para finalizar esse texto-homenagem, que já se alonga demais, gostaríamos de citar um trecho da colocação atualíssima feita pela leitora que se identifica simplesmente como Ieda, ao comentar sobre a música Noites do Norte, a parceria inusitada de Caetano Veloso e Joaquim Nabuco, e postada no site Answers Yahoo: "Ao advertir que a escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil, Joaquim Nabuco se dava conta de que o fenômeno do cativeiro havia contaminado a sociedade brasileira, dividindo-a, o que conduziria a sérias conseqüências, e estragaria as relações e a harmonia social e política no país, ao longo da história, e alcançaria o século atual. Ao assistirmos o lastimável espetáculo que, atualmente, políticos inferiores encenam, à revelia da vontade e do entendimento popular, a advertência de Joaquim Nabuco se atualiza, porque se vê o quanto a “obra da escravidão” penetrou em nossos corações e mentes".
domingo, 14 de janeiro de 2018
O Museu da Abolição do Recife
O MUSEU DA ABOLIÇÃO DO RECIFE
Fotografias e pesquisa de texto de Clóvis Campêlo
Casarão construído no século XVII pelo fidalgo Pedro Duro, cuja esposa se chamava Madalena Gonçalves.
No século XIX, pertencia ao Barão de Goiana, tio e sogro do Conselheiro do Império, Senador, Ministro e Chefe do Gabinete Imperial, João Alfredo Corrêa de Oliveira, que o recebeu como herança. João Alfredo, assim como Joaquim Nabuco e outros, foi um abolicionista que lutou pelo fim do Sistema Escravagista, assinando, juntamente com a Princesa Isabel, a Lei Áurea.
No século XX encontrava-se abandonado e em péssimo estado de conservação, tendo sido, ao longo do tempo, utilizado pela Cooperativa de Transportes João Alfredo e pela Companhia Pernambucana Autoviária Ltda, como garagem e oficina para conserto de ônibus. Muitas famílias desabrigadas também moraram no imóvel e, durante o período da II Guerra Mundial, foi ocupado por uma unidade do Exército Brasileiro.
Foi transformado em Museu da Abolição no ano de 1957.
Recife, novembro 2014
Fonte: Wikipédia
Casarão construído no século XVII pelo fidalgo Pedro Duro, cuja esposa se chamava Madalena Gonçalves.
No século XIX, pertencia ao Barão de Goiana, tio e sogro do Conselheiro do Império, Senador, Ministro e Chefe do Gabinete Imperial, João Alfredo Corrêa de Oliveira, que o recebeu como herança. João Alfredo, assim como Joaquim Nabuco e outros, foi um abolicionista que lutou pelo fim do Sistema Escravagista, assinando, juntamente com a Princesa Isabel, a Lei Áurea.
No século XX encontrava-se abandonado e em péssimo estado de conservação, tendo sido, ao longo do tempo, utilizado pela Cooperativa de Transportes João Alfredo e pela Companhia Pernambucana Autoviária Ltda, como garagem e oficina para conserto de ônibus. Muitas famílias desabrigadas também moraram no imóvel e, durante o período da II Guerra Mundial, foi ocupado por uma unidade do Exército Brasileiro.
Foi transformado em Museu da Abolição no ano de 1957.
Recife, novembro 2014
Fonte: Wikipédia
Marcadores:
Museu da Abolição,
Textos & Contextos
quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
Para as dores nos ossos
PARA AS DORES NOS OSSOS
Clóvis Campêlo
Com dores nas articulações, vou ao médico. Depois dos exames radiográficos, vem o resultado: artrite e artrose. Segundo ele, coisas da idade. Para as dores, analgésicos, antiinflamatórios e um remédio a base de fitoterapia. Mas com um aviso: "A tendência é isso tudo piorar com o passar do tempo, seu Clóvis". Entendo eu, portanto, que a medicação prescrita trata-se de um mero paliativo.
E agora? Como já sofro de psoríase, uma doença autoimune que também ataca as articulações, preparo-me para o pior, que, com certeza, ainda há de vir.
No entanto (sempre existe um no entanto), lembro dos meus velhos compêndios homeopáticos e resolvo fazer neles uma nova investida. Descubro o eupatorium perfoliatum e me lembro que uma vez eu dei a meu irmão, durante uma crise de dengue, e a coisa funcionou a contento.
Recorro ao Guia da Medicina Homeopática, do dr. Nilo Cairo, e nas suas páginas encontro o seguinte: "Em qualquer moléstia em que predominar o sintoma - dores por todo o corpo como se fossem nos ossos, as quais não aliviam nem pelo repouso nem pelo movimento, está indicado o eupatorium, - influenza de forma reumática (principal remédio), febre intermitente (pela manhã, com vômitos biliosos), dengue, febres biliosas, bronquites, etc. Ossos sensíveis e carnes dolentes. Dor occipital, com sensação de peso, após ter-se deitado".
Com base nessa descrição, acredito ter encontrado o remédio adequado para mim. Resolvo ainda, porém, pesquisar mais na grande rede, e no site Medicina Natural encontro que o eupatorium é uma planta medicinal também conhecida como erva-de-cobra, planta-sudorípara, sálvia-indiana e boneset. Pertence à família Asteraceae.
A publicação diz ainda que a planta, segundo texto do Dr. Pierce publicado em 1895, é um excelente estimulante do apetite, além de ótimo tônico e sudorífero. Consta ainda que foi usada como medicamento durante a epidemia de febre amarela que aconteceu em 1793, na Filadélfia. Seus compostos principais são taninos, glicosídeos, ácido gálico, resina e óleo essencial, além de boas quantidades de cálcio, magnésio, potássio e vitamina C.
Descubro ainda, no artigo citado, que a planta é citada em estudos médicos desde meados do século XVIII. O seu nome popular em inglês (boneset) foi dado por americanos que a utilizaram para tratar a "febre de breakbone", que causava fortes dores ósseas, no início do século XX.
Sinto-me recompensado pela pesquisa e com a quase certeza de que esse é o remédio que preciso. Precisaria, no entanto, fazer aqui uma pequena distinção apenas entre o uso homeopático da planta, conforme se refere o dr. Nilo Cairo no seu livro citado, e o seu uso fitoterápico, conforme a indicação do site Medicina Natural.
Enquanto no segundo caso a o princípio ativo da planta é obtido através de infusão, na forma de chás, na homeopatia é feita a diluição decimal ou centesimal da sua tintura-mãe em farmácias homeopáticas especializadas para isso, sendo esse uso mais indicado para quem tem possíveis problemas alérgicos.
O Dia do Frevo
O DIA DO FREVO
Clóvis Campêlo
Ora, todos nós sabemos que o frevo se celebra durante o carnaval. Então, principalmente na capital pernambucana, os dias do frevo são os dias do tríduo momesco, como se chamava a festa antigamente. Porém, sempre existe um porém, o Dia do Frevo é comemorado hoje em datas distintas, e para ambas existe as devidas justificativas.
O site Paraná Em Foco nos dá logo as duas explicações: "Os pernambucanos comemoram nesta terça-feira (9) o Dia do Frevo. Declarado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, o ritmo comanda as festas de carnaval nas ladeiras de Olinda e também pelas ruas do Recife. A data foi escolhida porque há 109 anos o jornalista Oswaldo Oliveira, que trabalhava no Jornal Pequeno, do Recife, se referiu pela primeira vez à dança chamando-a de frevo".
E didaticamente continua: "Segundo historiadores, a palavra frevo quer dizer ferver. E resultou da maneira incorreta como as pessoas mais humildes flexionavam o verbo ferver trocando a ordem das letras “e” e “r”, ou seja, “frever”. O ritmo é derivado da marcha e do maxixe, e surgiu no Recife no final do século 19 para dar ao povo mais animação nos folguedos de carnaval. O ritmo é extremamente acelerado e a música animada. Nas suas origens, sofreu várias influências ao longo do tempo. Apesar de Pernambuco comemorar hoje o Dia do Frevo, um decreto assinado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2009, instituiu o Dia Nacional do Frevo em 14 de setembro".
O Jornal do Commercio do Recife, na sua edição do dia 14 de setembro de 2016 confirma em linhas curtas a informação acima: "Quem é pernambucano sabe que 9 de fevereiro é comemorado no Recife o Dia do Frevo. A data simbólica registra o dia em que a palavra "frevo" foi publicada no jornal pela primeira vez. No entanto, neste dia 14 de setembro, também foi instituído o Dia Nacional do Frevo, reconhecido no calendário oficial do Brasil".
No entanto, no seu blog, o radialista Antônio Cezar faz o seguinte questionamento: "O Dia do Frevo ou Dia Nacional do Frevo em 14 de setembro de cada ano, é uma comemoração não confirmada no Brasil, que aparece listada em vários calendários brasileiros de dias festivos, creditada a um suposto Decreto Federal de 13 de janeiro de 2009, muito embora o referido Decreto tenha instituído apenas o "Dia Nacional da Música Clássica" no Brasil. Segundo se sabe, essa data comemorativa não confirmada de brasileiros teria por fim, marcar a data do aniversário do nascimento do jornalista brasileiro, Osvaldo da Silva Almeida [conhecido principalmente como Paula Judeu], ocorrido em 14 de setembro de 1882, a quem chegara a ser atribuída à criação da palavra "frevo", referida no livro "Frevo, capoeira e passo" do pesquisador brasileiro, Valdemar de Oliveira. Também se lê muito nos sites que alardeiam essa data festiva, que ela teria sido bastante festejada até 1969 com o apoio da EMETUR [Empresa Metropolitana de Turismo] da cidade brasileira de Recife-PE".
Portanto, para mim, fica a dúvida no ar muito embora as datas sejam plenamente justificáveis, em se tratando de homenagens. Apenas acho que em fevereiro a homenagem é mais seja adequada haja vista a proximidade com o próprio carnaval, festividade com a qual o frevo está diretamente ligado.
Para ilustrar a matéria, escolhemos as duas fotografias acima, e que retratam o nosso carnaval de rua e a dança do passo em dois momentos distintos. A primeira imagem, feita pelo fotógrafo francês mas radicado na Bahia Pierre Fatumbi Verger (já falecido), mostra passistas descontraídos e caracterizados de forma livre e pessoal, como bem soa ao carnaval. A segunda, de autor desconhecido, mostra o frevo sendo executado de maneira bem mais técnica e com passistas vestidos com roupas estilizadas e padronizadas. Nada contra, porém.
Que venha o carnaval de 2018!
- Postagem revisada em 09/02/2018
Assinar:
Comentários (Atom)







































