terça-feira, 28 de julho de 2015

O preço do amor


Fotografia de Clóvis Campêlo / 2015

O PREÇO DO AMOR

Clóvis Campêlo

Consta que o homem é o único animal que se prevalece do sexo em nome do prazer. Para todas as outras espécies, serve o sexo para a manutenção da espécie. Em função disso, nas sociedades ditas modernas, estabeleceu-se uma verdadeira indústria do prazer sexual.
Antes, na era vitoriana, quando apenas aos indivíduos do sexo masculino era permitida a relação sexual fora do casamento, prevalecia a prostituição feminina, com os corpos sendo vendidos nos lupanares da vida. Às mulheres, restava apenas o casamento, quando saia do julgo econômico e social do pai, para ficar sob a responsabilidade financeira do marido. Às que ficavam no caritó, solteironas, restava apenas a fuga freudiana da histeria.
Se aos indivíduos do sexo masculino era permitida a satisfação dos desejos sexuais nos prostíbulos, às mulheres a virgindade era condição sine qua non para conseguirem um marido. Às mulheres que se “perdiam”, envolvidas geralmente por homens de pouco caráter, só restava o caminho da solidão nos conventos ou na meretrício.
No meu tempo de menino, quando os costumes ainda não haviam adquirente um nível tão alto de permissividade, cansei de presenciar moças de família, algumas até irmãs de amigos de infância, serem colocadas de casa para fora, pelo pai, por haverem se aventurado pelos caminhos da satisfação sexual antes dos contratos nupciais. A virgindade, além do dote paterno, quando era o caso, tinha um alto poder de barganha e podia servir de instrumento de ascensão social para quem soubesse ou pudesse usá-la com inteligência. Lembro, por exemplo, da existência de um grupo de meninas, essas já avançadas demais para aquele tempo, que se permitiam o sexo anal, mas mantendo a integridade do hímen, preciosa membrana de alto valor social. Essas moças ousadas e de um autocontrole admirável, eram chamadas pejorativamente de “bundeiras” e nem sempre eram tratadas com o devido respeito pela sociedade excessivamente machista da época.
As mocinhas do interior que vinham para a cidade grande em busca de emprego, e que geralmente trabalhavam como doméstica nas casas de família também sofriam com a discriminação da perda antecipada da virgindade. Para essas, invariavelmente, só restava o “caminho da zona”. Caso fossem engraçadas e fisicamente privilegiadas, podiam acabar numa pensão de melhor nível. Se fossem feias e desajeitadas, iam para as pensões de baixo nível, invariavelmente para morrer de sífilis ou tuberculose, contraídas com os parceiros que não podiam escolher e pelas noites perdida de sono, cigarros, bebida e má alimentação.
Esse foi o preço pago pelas mulheres da minha geração que, por burrice ou ousadia, tiveram a coragem de romper com os padrões vigentes.
Hoje, a situação é outra, bastante diferente. O sexo já não é considerado como algo pecaminoso ou sujo. A virgindade já não vale mais, nada sendo ridicularizada e tratada até com ironia e desdém. Às mulheres foi dado o direito ao prazer e à liberdade sexual. O comércio sexual se ampliou e permite, por exemplo, que um motel instalado em um prédio decadente da Rua da Palma, no centro do Recife, coloque no alto do seu terraço a propaganda acima, onde as pessoas de pouco poder aquisitivo poderão desfrutar de três horas de amor pelo preço módico de R$ 29,90, com direito ainda a uma latinha de cerveja gelada.
Os tempos mudaram, amigos!

Recife, julho 2015

segunda-feira, 27 de julho de 2015

A hora de descansar


A HORA DE DESCANSAR

Clóvis Campêlo

O poeta Ascenso Ferreira nasceu e morreu no mês de maio. Nasceu na cidade dos Palmares, na zona da mata sul do Estado de Pernambuco, e morreu no Recife, a capital do Estado. Nos 70 anos em que viveu, de 1895 a 1965, escreveu poemas diversos e viveu polêmicas diversas também.
Segundo os seus estudiosos, começou escrevendo sonetos, baladas e madrigais, sem relevâncias. Depois, descobriu o Modernismo e a Semana de Arte Moderna, e sob a influência de Guilherme de Almeida, Mário de Andrade e Manuel Bandeira, descambou por um caminho onde afirmou-se como um dos grandes nomes do movimento no nosso Estado.
Segundo o site Releituras, “Distingue-se não pela quantidade, mas pela qualidade, atingindo não raro efeitos novos, originais, imprevistos, em matéria de humorismo e sátira”.
O poema “Filosofia”, que abaixo transcrevemos, insere-se nesse contexto. O poema foi publicado no livro"Catimbó e Outros Poemas" (Editora José Olympio, Rio de Janeiro, 1963). Depois, foi incluído no livro"Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século" (Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2001, pág. 83), organizado por Ítalo Moriconi.
Politicamente, segundo a Wikipédia, participou ativamente da campanha presidencial de Juscelino Kubitschek, em 1955, inclusive participando de comícios no Rio de Janeiro. Em consequência disso, no ano seguinte, foi nomeado por JK para a direção do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, no Recife, mas a nomeação foi cancelada dez dias depois, porque um grupo de intelectuais recifenses não aceitava que o poeta e boêmio irreverente assumisse o cargo. Foi nomeado, então, assessor do Ministério da Educação e Cultura, onde só comparecia para receber o salário.
Dizem que o poeta nos finais de tarde, gostava de passear pelas margens do Rio Capibaribe, na altura do atual shopping Paço da Alfândega, onde em sua homenagem, no Circuito da Poesia Pernambucana, foi erguida a escultura acima, em sua homenagem.
O poema abaixo casa bem com a imagem por nós captada, onde operários descansam deitados na calçada, ao lado da estátua do poeta, sob a sombra de um pé de amêndoa (coração de nego, para nós). Confiram:

FILOSOFIA


Hora de comer — comer!
Hora de dormir — dormir!
Hora de vadiar — vadiar!
Hora de trabalhar?
— Pernas pro ar que ninguém é de ferro!

Recife, julho 2015

quarta-feira, 8 de julho de 2015

As águas do Capibaribe

Fotografia de Clóvis Campêlo / 2015

AS ÁGUAS DO CAPIBARIBE

Clóvis Campêlo

Dizem os historiadores e geólogos que as águas trouxeram a areia e com ela escreveram o seu próprio caminho. A isso se chama de aluvião. Estamos numa planície aluvional. Onde antes existia uma baía. A baía de Paranabuco? Um trabalho longo, paciente e extenuante da Natureza, complementado, séculos depois, pelas mãos do bicho homem. Assim, essa relação íntima, próxima, construtiva, entre nós, a cidade e o rio. Um consórcio gigantesco pela própria concepção.
Na língua tupi dos índios, capibaribe significa o rio das capivaras. Há quem diga que até bem pouco tempo atrás, elas ainda invadiam os quintais dos bairros de Casa Forte e da Várzea do Capibaribe. Outros afirmam, que de manhã cedinho, na Rua da Aurora, era comum se ver os botos dando saltos amostrados e belos. Infelizmente, não cheguei a alcançar isso.
Mas, nos anos 60, lembro bem da violência do vinhoto, resíduo pastoso e mal-cheiroso que sobrava após a fermentação do caldo da cana para a obtenção do etanol. As usinas eram impiedosas. Toneladas de peixes foram mortos e a vegetação que havia no mangue, dizimada. Nessa época, quando o vinhoto era derramado sem o menor escrúpulo ou consciência ecológica, era grande a fedentina no centro do Recife. O Capibaribe quase morreu.
Porém, se até o Tâmisa foi libertado da podridão da sua lama, por que não nós? Um prefeito mais atento replantou a vegetação do mangue e o centro da cidade se tornou mais verde. As usinas foram proibidas da agressão do vinhoto e os peixes e crustáceos ribeirinhos foram reabilitados. E, apesar do lixo e dos esgotos que ainda sujam as suas águas, o Capibaribe tornou-se mais limpo e mais livre. Hoje, ainda é comum se ver pescadores nas pontes, de linha de pescar ou jereré nas mãos, em busca do alimento que o rio nunca nos negou. Ou então, as catadoras de marisco aproveitando a baixa da maré para catar sururu e marisco nas areis do mangue que se confunde com o rio. É antiga essa relação do homem do Recife com o seu rio. Vem dos anos do século XVI, quando os primeiros pescadores desceram as ladeiras de Olinda e se instalaram no areal incipiente para ficar mais próximos do mar e dos peixes marinhos.
Ali nascia a cidade, que cresceu de fora para dentro, extrapolando as areias do mangue, chegando aos engenhos que existiram na periferia do Recife e que terminaram por determinar os nomes de vários dos nossos bairros.
O Rio Capibaribe nasce na cidade de Poção, na Serra da Jacarará, a 240 quilômetros do Recife. Antes de desaguar no Oceano Atlântico, banha 42 municípios pernambucanos. Ao entrar na região metropolitana, corta o Recife ao meio, como uma faca corta uma fruta. A sua visão inspira poetas e torna o Recife uma cidade belíssima, principalmente quando vista de cima. No centro da cidade, encontra-se com o Rio Beberibe, que vem de Olinda, e juntos desaguam no mar.
Não há como interpretar o Recife e o seu povo sem o entendimento do rio. Ele nos traduz. Decifra os nossos mais profundos anseios e nos constrói um cenário ímpar e de extrema plasticidade. Sem ele, não existiríamos.

Recife, julho 2015

- Publicado no livro Crônicas Recifenses, Recife, Clube de Autores, 2018

segunda-feira, 6 de julho de 2015

A Ladeira da Misericórdia


O poeta Plínio Varjão cantando os seus blues na Ladeira da Misericórdia
Fotografia de Clóvis Campêlo/2015

A LADEIRA DA MISERICÓRDIA

Clóvis Campêlo

Pouca gente sabe disso, mas o planeta Waxtraas, com seus quatro sóis e suas doze luas, sobrevoa a Ladeira da Misericórdia, em Olinda. Com seus sete oceanos de água doce, mitiga a sede dos que sobem a ladeira e os purifica dos sentimentos mesquinhos e individualistas que nos consomem.
É assim que canta o poeta e compositor Plínio Varjão, na calçada da ladeira, vendendo o seu segundo CD, repleto de um blues nordestinado e otimista. Com letras simples e composições despojadas. E uma voz áspera que tanto nos lembra Paulo Diniz quanto os velhos blueseiros do Mississipi. No mesmo CD, aliás, canta a própria ladeira, numa música homônima, onde lamenta a ausência sentida dos seus velhos frequentadores. A sua figura, aliás, lembra-nos os velhos hippies dos anos 60 e 70, que habitaram as ruas e ladeiras de Olinda. Trata-se, na verdade, de um rejuvenescido senhor de mais de 50 anos. Um sobrevivente (ou remanescente) daquele ideário. Olinda é assim!
Mais acima, encontro o também poeta e compositor Dido Santos, vendendo os seus CDs e os seus trabalhos como artista plástico. Também oriundo daquela época, tem um trabalho musical mais elaborado e menos onírico. Suas telas coloridas cobrem a calçada da Ladeira a espera dos compradores habituais, turistas alienígenas ou personagens nativos, como eu.
Dizem que a Ladeira da Misericórdia tem esse nome por ser a mais íngreme de Olinda e exigir um esforço demasiado de quem por ela sobre em busca do Alto da Sé. Faz sentido. Segundo outra versão, porém, o nome faz menção à Santa Casa de Misericórdia, a primeiras das Américas, que funcionava no alto da ladeira.
Segundo o site Pelas Ruas que Andei, a Ladeira da Misericórdia foi a primeira rua da cidade, tendo sido chamada anteriormente de Rua Nova e Rua dos Ourives. Lá moravam as pessoas mais importantes da cidade, como o donatário Duarte Coelho. Hoje é uma rua de poucas moradias tomada pelo comércio.
Com sua rua calçada por pedras portuguesas, a Ladeira da Misericórdia também foi cantada por Alceu Valença, na música “Ladeiras”, onde reverencia as ladeiras da velha Marim dos Caetés: “Ladeira da Misericórdia tem pena de mim”.
No alto da ladeira, encontra-se a Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia, cuja origem remonta ao século XVII. Segundo a Wikipédia, “antes do grande incêndio de 1631 já havia registro das atividades, no mesmo local, de uma igreja com uma enfermaria anexa. Destruída sua sede pelo fogo, os Irmãos da Misericórdia abandonaram a cidade e se instalaram no Arraial do Bom Jesus até 1635, passando depois a administrar um hospital criado no Engenho de São João da Várzea, voltando para Olinda somente após a retirada holandesa, em 1654”.
Descendo a Ladeira da Misericórdia, chegamos aos Quatro Cantos de Olinda, onde depois do cruzamento com a Rua Prudente de Moraes, inicia-se a Rua de São Bento, que nos levará ao Mercado da Ribeira e ao Mosteiro de São Bento, passando ainda pela ruínas do antigo senado, pela casa de Alceu Valença e pelo prédio histórico da Prefeitura de Olinda.
Olinda é assim: história, cultura e lazer. E na Ladeira da Misericórdia o reflexo de tudo isso e muito mais.

Recife, julho 2015


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Quando a história é mal contada!











Fotografias de Clóvis Campêlo/2015

QUANDO A HISTÓRIA É MAL CONTADA!

Clóvis Campêlo

Como diz o escritor Urariano Mota, muito pouca gente sabe que o que está ruim ainda pode ficar pior. É o caso, por exemplo, do Forte de Nossa Senhora do Pau Amarelo, na praia do Pau Amarelo, na cidade do Paulista, no litoral norte de Pernambuco.
Segundo a Wikipédia, o monumento, de propriedade da prefeitura do município, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 24 de maio de 1938, sob o número 84 no Livro das Belas Artes. Mesmo assim, encontra-se atualmente em condição inadequada de conservação, com as paredes da parte superior da edificação pichadas, e o que é pior, repleto de lixo e excrementos humanos e animais. Visto de fora, conforme as fotografias acima, ainda apresenta um aspecto imponente e belo, mas, não se pode dizer o mesmo da parte superior.
Ainda segundo a Wikipédia, na sua parte inferior, que estava fechada quando da nossa visita, de acordo com o convênio assinado em 2001, entre a Prefeitura do Paulista e o Instituto de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico e Científico (IPAD) para restauração do forte, estava incluído o disciplinamento do comércio local, a instalação de um posto do Banco do Brasil e um outro da Polícia Militar, além da transformação de uma quadra já existente na frente do Forte em uma praça para grandes eventos. Além disso, nas salas existentes no andar térreo, que já chegaram a ser invadidas por famílias de baixa renda, iriam ser instaladas lojas de artesanato, um centro de informações turísticas e um museu histórico da cidade. Pelo estado de conservação do monumento hoje, porém, não acreditamos que isso tenha acontecido. A quadra em frente ao Forte continua ociosa e ocupada por vendedores de comidas típicas.
De positivo, porém, observamos que as construções irregulares que haviam no entorno do Forte (bares e barracas) foram demolidas. Ao mesmo tempo as ruas que cercam o patrimônio histórico foram calçadas, facilitando o acesso ao prédio. O avanço do mar na área, obrigou as autoridades competentes a construírem um pequeno muro para a contenção das águas marinhas. Desse modo, a praia que existia no local ficou prejudicada, principalmente quando a maré está alta. A grande quantidade de coqueiros que havia na praia, a alguns anos atrás, também foi derrubada pelo avanço da maré.
Segundo o site da Fundação Joaquim Nabuco, existe ainda no local uma capela, cuja padroeira é Nossa Senhora dos Prazeres, salientando que o início da povoação de Pau Amarelo data da construção do Forte, no século XVIII.
Lamentamos, portanto, que o monumento hoje ainda não esteja numa condição que faça jus ao seu valor de patrimônio histórico de Pernambuco. O Forte do Pau Amarelo, ao lado dos outros fortes que ocupam espaços na cidade do Recife e em outras cidades do nosso litoral, integra um sistema de defesa concebido pelos nossos colonizadores portugueses para a sua proteção. Interessante seria que esse circuito histórico fosse valorizado e sistematicamente utilizado como forma de incremento turístico em nosso Estado.
A nossa história precisa ser melhor contada!

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Frank Sinatra e a Grande Nação Pesqueirense


FRANK SINATRA E A GRANDE NAÇÃO PESQUEIRENSE

Clóvis Campêlo

O que teria o cantor americano Frank Sinatra a ver com a cidade de Pesqueira? Aparentemente nada!
Situada no sertão de Pernambuco, no Planalto da Borborema, a uma altitude de 615 metros e a 215 quilômetros do Recife, segundo o Censo 2014, possui pouco mais de 65 mil habitantes. Para muito mais gente, cantou Frank Sinatra no Brasil, em janeiro de 1980, quando colocou para assisti-lo e escutá-lo, no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, cerca de 170 mil pessoas. Ou seja, quase o triplo da população atual de Pesqueira.
Não sei se Sinatra chegou a vir outras vezes ao Brasil. Afinal, naquela época, ainda não estávamos inseridos no roteiro dos grandes shows internacionais, como hoje. Mas, a voz e o carisma de Sinatra, com certeza, no bojo dos grandes meios da comunicação moderna, o levaram até a cidade interiorana, onde fomentou um fã-clube respeitável nos cidadãos nascidos no pós-guerra, senhoras e senhores hoje ostentando 70 ou mais anos.
Uma outra verdade inquestionável: hoje, no Recife, existe um grande número de pesqueirenses que para aqui vieram em busca de melhores condições de estudo e de trabalho. Afinal, a vinte ou trinta anos atrás, Pesqueira ainda não apresentava a estrutura de cidade que hoje apresenta. Esse pessoal forma um grupo chamado de Grande Nação Pesqueirense que se reúne todo segundo sábado de cada mês, na sede do Círculo Militar do Recife. O encontro começa por volta do meio dia e se estende até as quatro horas da tarde. É tão animado e bem frequentado, que até pessoas nascidas em outras cidades pernambucanas, como Tabira, começaram a prestigiá-lo, formando um outro grupo especial dentro do grande grupo.
Foi lá que reencontrei, por exemplo, Carlos Celso Cordeiro, grande pesquisador do futebol pernambucano, com vários livros lançados, tabirense de nascimento, que conheci no Arquivo Público Jordão Emerenciano, nos anos 90, ao lado do jornalista Givanildo Alves, já falecido, um pioneiro nesse resgate.
No Círculo Militar, os encontros da Grande Nação Pesqueirense são animados por Nem dos Teclados, músico competente, também pesqueirense, e com um vasto e eclético repertório, que vai da música popular brasileira de todos os tempos aos grandes nomes da música internacional, entre eles Frank Sinatra.
Curiosamente, Sinatra e Pesqueira são contemporâneos, haja visto que o primeiro nasceu em 1915 e a segunda, com a configuração geo-política que tem hoje, surgiu em 1913.
Mas, os encontros mensais do Círculo Militar são sempre encerrados por Valdo, outro um autêntico filho de Pesqueira, cantando a música New York, New York, segundo a crônica musical especializada uma das três principais músicas da carreira de Sinatra, ao lado de My Way e Fly Me To The Monn. Com sua voz rasgada que mais se aproxima de Louis Amstrong, Valdo sempre encerra a festa em grande estilo para delírio de todos os pesqueirenses presentes. E de bônus ainda canta o Zé da Conceição, com o suínge sincopado de um Miltinho.
A festa sempre termina assim. E todos se despedem com o copo na mão.

sábado, 20 de junho de 2015

Um machado afiado?


UM MACHADO AFIADO?

Clóvis Campêlo

Um dos ícone da literatura de língua portuguesa em todo o mundo, Machado de Assis, amanhã, estaria completando 176 anos de vida.
Nascido no Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1839, e falecido nesta mesma cidade em 29 de setembro de 1908. Segundo a Wikipédia, nasceu no Morro do Livramento, de uma família pobre, mal estudou em escolas públicas e nunca frequentou uma universidade. Seu pai era um mulato que pintava paredes, filho de escravos alforriados, e sua mãe era uma lavadeira portuguesa da Ilha dos Açores. Os biógrafos notam que, interessado pela boemia e pela corte, lutou para subir socialmente abastecendo-se de superioridade intelectual. Para isso, assumiu diversos cargos públicos, passando pelo Ministério da Agricultura, do Comércio e das Obras Públicas, e conseguindo precoce notoriedade em jornais onde publicava suas primeiras poesias e crônicas. Em sua maturidade, reunido a colegas próximos, fundou e foi o primeiro presidente unânime da Academia Brasileira de Letras.
Ou seja, podemos definir Machado de Assis como o "branco mulato" ou o "preto doutor" de que nos fala Dorival Caymmi nas suas músicas. Sem dúvida alguma, o que alguns outros classificariam de um "alpinista social".
 Através do Facebook, entre os nossos amigos virtuais, lançamos uma pequena pesquisa com o intuito de captar como o escritor é visto hoje por seus leitores e admiradores. De imediato, percebemos que voluntariamente ou não, Machado de Assis foi lido pela grande maioria dos que nos responderam. Alguns, por questões disciplinares. Outros, por curiosidade juvenil, e que nem sempre ficou uma boa impressão da leitura.
Alguém chegou a considerá-lo um crítico da burguesia daquela época, enquanto Lima Barreto, um seu contemporâneo, hoje pouco falado, encarregou-se de traçar o retrato do "resto" social que pouco interessou a Machado.
Outro alguém, o classificou como "o pai da língua brasileira, no atacado e no varejo, do romance (Dom Casmurro, Memórias Póstumas...) ao conto (Missa do Galo, O Alienista...), sem falar na poesia... Na dimensão psicológica, eu o acho equivalente a Dostoievski, sem a visão trágica dos eslavos...".
Ou seja, Machado de Assis, na ironia e na ludicidade dos seus textos, permite-nos a dúvida, enquanto em Dostoievski, a dívida é paga com a tragédia. Será que Machado no alto da sua brasilidade mestiça já exercitava literariamente o chamado jeitinho brasileiro?
Mas, se a dúvida foi um dos ingredientes dos textos machadianos, como em Dom Casmurro, onde chegamos ao final do texto sem saber se realmente Bentinho foi traído por Capitú ou por sua imaginação, não se pode dizer o mesmo do mistério, quase ausente. Um outro amigo, porém, conta que estavam ele a esposa lendo na cama As Memória Póstumas de Brás Cubas, quando adormeceram. Ao acordarem, perceberam, que o livro havia sumido. Apesar das buscas intensas, nunca mais foi encontrado. Um verdadeiro mistério machadiano!
Mas afinal, quem seria o menino Joaquim Maria, que caminhos trilhara antes de chegar a ser o maior escritor brasileiro de todos os tempos (pompa contestada por algumas das respostas que recebemos...). Segundo o site Releituras, "de saúde frágil, epilético, gago, sabe-se pouco de sua infância e início da juventude. Criado no morro do Livramento, consta que ajudava a missa na igreja da Lampadosa. Com a morte do pai, em 1851, Maria Inês, à época morando em São Cristóvão, emprega-se como doceira num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor de doces. No colégio tem contato com professores e alunos e é até provável que assistisse às aulas nas ocasiões em que não estava trabalhando".
No final da vida, ainda segundo o site Releituras, "era urbano, aristocrata, cosmopolita, reservado e cínico, ignorou questões sociais como a independência do Brasil e a abolição da escravatura. Passou ao longe do nacionalismo, tendo ambientado suas histórias sempre no Rio, como se não houvesse outro lugar. ... A galeria de tipos e personagens que criou revela o autor como um mestre da observação psicológica. ... Sua obra divide-se em duas fases, uma romântica e outra parnasiano-realista, quando desenvolveu inconfundível estilo desiludido, sarcástico e amargo. O domínio da linguagem é sutil e o estilo é preciso, reticente. O humor pessimista e a complexidade do pensamento, além da desconfiança na razão (no seu sentido cartesiano e iluminista), fazem com que se afaste de seus contemporâneos."
Afinal, cabe a um grande escritor a obrigação de reescrever o mundo com uma proposição mais justa e mais humana, ou o seu papel literário não passa obrigatoriamente por essa função? O que acha disso?

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Grávidos


GRÁVIDOS

Clóvis Campêlo

Fotografia feita no ano de 1978, no prédio em que morávamos, no bairro da Boa Vista, no Recife. Pode ser que não pareça, mas Cida estava grávida de Tatiana. Não lembro quem fez a fotografia. Na dúvida, divido-me entre Zenóbio, um amigo que também morava no bairro e que, na época, frequentava a nossa casa, e meu irmão Carlinhos. Contra Carlinhos, porém, pesa o fato de que, na época, dividia-se entre o Recife e a cidade de Riachão, no Maranhão, onde trabalhou um certo tempo.
Mas, o fato mais importante é que Cida estava grávida do nosso primeiro filho. Não tínhamos como saber, então, qual o sexo da criança. Por isso, a chamávamos de Roberval, numa alusão ao personagem Roberval Taylor, de Chico Anysio, que fazia muito sucesso na televisão, no programa Chico City.
O sucesso desse programa humorístico, inclusive, era tão grande que terminou por batizar até hoje o Conjunto Residencial Brigadeiro Francisco Correia de Melo, no bairro da Vila do Ipsep, na zona sul do Recife. Assim, íamos na onda e no bom humor de brincar afetuosamente com a criança que nasceria alguns meses depois, em janeiro de 1979. Combinamos, então, que se a criança fosse menino teria o nome escolhido por mim. Caso contrário, Cida escolheria seu nome.
Fico pensando aqui comigo, como até poucos anos atrás a tecnologia disponível era precária. No máximo, ouvia-se o coração do bebê batendo, numa zoada que parecia uma lâmina de flandre sendo balançada. Era um sucesso, isso. A audição do batimento cardíaco de Tatiana (na época, Roberval) se deu em uma das visitas feitas no consultório da dra. Aspásia Pires, a obstetra que acompanhou Cida nos seus dois partos (Tatiana e Gabriel). Hoje, já se sabe com quase absoluta certeza do sexo do bebê, da sua posição na bolsa e até do seu sofrimento, nos casos em que a gravidez caminha para um lado indesejado.
Tatiana (na época, Roberval), porém, parecia não ter pressa de vir ao mundo, e no dia 20 de janeiro de 1979, Ano Internacional da Criança, foi marcada a data da cesariana.
Chegamos cedo na maternidade do Hospital Português, mas a dra. Aspásia preferiu o uso dos fórceps, já que a criança estava atravessada e laçada. Até hoje, Tatiana tem na testa as marcas desse procedimento. Mas, apesar do nervosismo do momento, tudo correu bem e veio ao mundo uma menina linda e perfeita.
Vivi esse momento especial da minha vida ao lado dos meus pais, seu Clóvis e dona Tereza, e da minha avó materna, dona Carmelita. Na porta da sala de parto haviam dois bonecos, um masculino, de azul, e outro feminino, de vermelho. Quando o boneco feminino acendeu é que ficamos sabendo do sexo da criança nascida naquele momento. Roberval passava, assim, a ser definitivamente Tatiana, nome escolhido pela mãe, conforme combinado anteriormente.
Começava a ser formada, naquele momento, a família Machado Campêlo, com origens que iam desde a cidade de Carolina, no Maranhão, a Jaboatão dos Guararapes e Ipojuca, cidades na zona da mata pernambucana.
Um ano e dois meses depois, no dia 12 de março de 1980, dia dos aniversários das cidades de Olinda e Recife, nascia Gabriel, o nosso segundo descendente em linha direta. Mas essa já é outra história e outra fotografia.


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Cavalo velho, capim novo?


CAVALO VELHO, CAPIM NOVO?

Clóvis Campêlo

Não sei o que é que tem mulher jovem pra mexer com o imaginário de homens maduros (ou nem tanto) quanto eu.
Lembro que alguns anos atrás, nos tempos do Pasquim, Erasmo Carlos dizia que era preciso se policiar para não dar em cima das amigas dos filhos ainda adolescentes. De vez em quando, era preciso se tocar que, ali, ele já era o pai, o mantenedor, e que existiam regras e convenções sociais explícitas a serem obedecidas. O instinto masculino animal e de preservação da espécie leva-nos a escolher fêmeas novas e ainda com capacidade reprodutora. As convenções sociais, porém, regulam isso. No âmbito das outras espécies animais, porém, é a força do macho jovem que repele os mais velhos e os colocam no seu devido lugar. Assim, garante-se uma boa linhagem genética e filhotes de boa qualidade. Aliás, entre diversas espécies animais os machos mais velhos são colocados na periferia ou nas extremidades dos grupos para serem os primeiros caçados pelos predadores da espécie. Entre os babuínos, por exemplo, é assim. Quem for velho que se segure!
Entre os humanos, porém, existem as regulações sociais para preservar-nos os direitos. E quando isso não funciona, tem a força do poder econômico para contornar a situação. Hoje, os velhos ricos não sofrem. São um bom mercado, e quando se trata de aferir lucros o capitalismo não costuma alimentar puritanismos bobos. Assim, se o camarada for velho mas tiver dinheiro, estará garantido. Que o diga Hugh Hefner, o dono da Playboy, cuja fortuna em 2011 foi avaliada em 43 milhões de dólares.
Uma das mais famosas é Kendra Wilkinson, que já não namora mais com o ricaço. A modelo participa de um reality show e fez revelações sobre sua relação com Hefner durante uma conversa. Kendra Wilkinson, uma das suas namoradas mais jovens e recentes, relatou em um site de entretenimentos, como se deu a sua relação com o velhinho todo poderoso:
- Hef me perguntou se eu queria ser uma de suas namoradas e morar na mansão e eu fiquei tipo "Não sei o que isso significa, mas caramba! Quero ir!". Eu morava em um apartamento feio e pequeno e só rezava para alguma coisa acontecer e me tirar de lá.
— Então, eu me mudei para a mansão e passaram várias semanas, mas eu não sabia que tinha sexo envolvido. Ele perguntava se você queria ir até o segundo andar com ele e era isso. Você não era obrigada, era sua escolha [fazer sexo com Hefner]. Ele realmente vê suas coelhinhas como relacionamentos, Hef realmente ama suas mulheres. Eu tinha 18 anos e ele 78”.
Como se pode ver, uma diferença de 60 anos de idade nunca é escandalosa quando praticada por celebridades endinheiradas. Essa, por sinal, é uma das hipocrisias do sistema em que vivemos. Renato Boca-de-Caçapa, o filósofo do povo, que não tem papas na língua, prefere chamar de prostituição de luxo, E eu, no alto da minha pobreza visceral, não tenho por que não concordar com ele...

Recife, junho 2015

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Bichos mortos




BICHOS MORTOS
Recife, 1992
Fotografias de Clóvis Campêlo

domingo, 17 de maio de 2015

Poeta Waldemar Lopes


Fotografia de Clóvis Campêlo

POETA WALDEMAR LOPES

Um dos maiores sonetistas da poesia brasileira contemporânea, nasceu na cidade de Quipapá, no agreste pernambucano, em 01/02/1911, e faleceu no Recife, em 21/10/2006.
Sua formação intelectual foi firmada em vários campos de atividades em Pernambuco, Rio de Janeiro e Brasília, onde atuou em jornalismo (ótimo cronista e revisor primoroso), literatura (criou e participou de vários grêmios e academias literárias), administração pública, economia, direito público internacional (esses últimos vividos na sua atuação profissional no IBGE e na OEA).
Como jornalista, teve atuação destacada no Jornal do Commercio (Recife), Associação de Imprensa de Pernambuco, A Noite (Rio de Janeiro), Revista Brasileira de Estatística, Revista Brasileira de Municípios e outros órgãos da imprensa brasileira.
No Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi Diretor da Secretaria-Geral, Secretário Geral do Conselho Nacional de Estatística, membro da Comissão Censitária e da Comissão Nacional de Política Agrária.
Na Organização dos Estados Americanos (OEA), onde atuou de 1954 a 1976, foi diretor de seu escritório no Brasil e representante de sua Secretaria-Geral junto ao Governo Brasileiro.
Desde sua residência no Rio de Janeiro, já recebia amigos (juntamente com sua esposa Iracy) nos sábados, para reuniões literárias informais, que foram denominadas Sabalopes. Essas reuniões persistiram até o dia em que foi hospitalizado, antes de sua morte, no Recife.Em vida, publicou mais de vinte livros abordando assuntos diversos, entre poemas, crônicas e outros.
A fotografia acima foi feita por nós, em 1991, no Recife, para o projeto "Escritores Pernambucanos Contemporâneos - um levantamento foto-biográfico", do extinto Grupo 3.

Fontes: Wikipédia e Acervo Clóvis Campêlo

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Nilo Pereira


NILO PEREIRA
Recife, 1991
Fotografia de Clóvis Campêlo


sexta-feira, 1 de maio de 2015

Ambiente de Festival












AMBIENTE DE FESTIVAL
Com Kenny Brown e Derico
Rio Mar Jazz Fest II
Recife, abril 2015
Fotografias de Clóvis Campêlo

segunda-feira, 27 de abril de 2015

George Israel












GEORGE ISRAEL
Presença no II Rio Mar Jazz Fest, com a participação do maestro Edson Rodrigues e do guitarrista Luciano Magno, entre outros.
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, abril 2015

sábado, 25 de abril de 2015

Chega de Saudade





CHEGA DE SAUDADE

Clóvis Campêlo

Começo este texto pensando em homenagear aos mestres Vinícius de Moraes e Tom Jobim, que em meados dos anos 50 compuseram essa joia rara da MPB, a música “Chega de Saudade”.
A música foi gravada pela primeira vez em 1958, por Elizeth Cardoso, com arranjos do próprio Jobim e acompanhamento de João Gilberto ao violão. Elizeth não era exatamente uma cantora revolucionária da MPB. Não cantava em tom de bossa-nova. Mas teve o mérito de se fazer acompanhar pelo violão de João Gilberto, numa batida diferente e que depois seria a marca registrada do novo movimento musical.
Do ponto de vista melódico, a música também não apresenta muitas novidade, repetindo sequências muito utilizadas na MPB de então. Jobim talvez ainda não tivesse assimilado definitivamente a influência do jazz e da dissonância debussiana.
Poeticamente, a letra mostra o coloquialismo de Vinicius de Moraes, com os diminutivos que lhe são peculiares (peixinhos, beijinhos, etc.) e a tentativa de reconstruir uma situação emotiva que anteriormente fora compensatória ao poeta. “Chega de Saudade” não prega uma rutura reconstrutiva na sua letra, mas sim a recomposição de uma situação anterior positiva. A tristeza do poeta lhe serve como moleque de recado. Não nos fica claro, porém, se o poeta foi atendido por sua musa. Percebemos apenas a admissão, no condicional, da beleza da volta.
Assim, de revolucionário mesmo só a batida do violão de João Gilberto, antecipando a síncope bossa novista e nos alertando que naquele momento cultural brasileiro, reflexo de todo um contexto sócio-econômico reinante, haveria espaço para uma nova concepção musical. Nesse sentido, genial.
Há quem diga, porém, como o crítico José Ramos Tinhorão, por exemplo, que a Bossa Nova foi uma excrescência inadequado para o momento em que se deu. O falecido escritor Ariano Suassuna, respaldado pelo Movimento Armorial, também pensava assim. Pode até ter sido mesmo. Mas, acreditamos, que hoje não há mais espaço para esse tipo de contestação. A bossa nova se consolidou e desdobrou-se em influências definitivas para a música popular brasileira. Quem imaginaria a MPB atual se ela? A assimilação desses “estrangeirismos”, além de servir para modernizar a música brasileira, abriria espaços para outros movimentos musicais modernos como a Jovem Guarda e o Tropicalismo.
Do mesmo modo, a poesia coloquial de Vinícius de Moraes quebrava com o tom acadêmico e rebuscado que reinava nas letras das músicas dos anos 40 e 50, talvez influência da poesia arcádica e parnasiana de então. Simplificavam-se as letras e se enriqueciam as harmonias e as sequências melódicas. Na Bossa Nova era só isso o nosso baião. E não era pouco não.
Mas, do mesmo modo que abri essa crônica querendo homenagear os pais da Bossa Nova, pensava em escrevê-la também para falar de um amigo que tem o passado com referência. Aos 85 anos, diz que suas atenções estão todas no tempo que se foi, não ousando fazer planos futuristas que não poderá viver. Costuma dizer que se sente como se estivesse viajando olhando para trás, para o que se vai (ou se fica) e nunca para a frente, para o futuro. Talvez ele tenha razão. Mas esta será uma outra crônica que deixo adiada para o futuro.

Recife, abril 2015

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Escultura do Galo da Madrugada





ESCULTURA DO GALO DA MADRUGADA
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 2005