quinta-feira, 21 de abril de 2016

Em nome da esperança











EM NOME DA ESPERANÇA
Recife, 17 de abril de 2016
Fotografias de Cida Machado e Clóvis Campêlo

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Dois dedos de prosa


DOIS DEDOS DE PROSA

Clóvis Campêlo

Como dizia a minha avó, quem com porcos se junta, farelo come! Talvez tenha sido esse o caso do Partido dos Trabalhadores ao chegar ao poder.
Em nome de uma suposta governabilidade, virou as costas aos movimentos sociais e populares que sempre o apoiaram e fomentaram o seu surgimento, para fazer acordos com setores da sociedade que sempre se prevaleceram da estrutura do poder para se locupletar. E parece que a lição da esperteza foi aprendida por alguns petistas. Assim, o partido descaracterizou-se e perdeu a sua identidade. Não foi a toa que ao ser solto, de pois de ser sequestrado sob as ordens do juiz Sérgio Moro, o ex-presidente Lula, no seu pronunciamento, fez uma exortação ao retorno do partido àquela posição de questionamento e representatividade política. Já era tarde, porém, e a vaca já estava indo para o brejo.
Isso também ficou claro quando no dia anterior à votação do impeachment, no ato de Brasília, os representantes do MTST e MST reivindicaram a retomada das propostas reformistas, por parte do Governo Dilma, mostrando a todos nós que a apoio não era mais incondicional e que, mesmo com a vitória de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, o que não ocorreu, no dia seguinte estariam nas ruas retomando a luta daquelas entidades.
Mesmo assim, foi com eles e outros setores de vanguarda dos movimentos sociais, que o PT e o Governo Federal contou na hora em que precisou de apoio popular. Hoje, a possibilidade do afastamento de Dilma da presidência da República é mais do que concreta. Como disse o escritor Ruy Castro em um artigo publicado na Folha de São Paulo, a presidenta abusou da arte de se cercar de gente traidora e calculista, a começar pelo próprio vice-presidente da República.
A situação pode ser vexatória, já que a presidenta pode ser afastada do cargo sem provas efetivas de que tenha cometido crime de responsabilidade. Ironicamente, poderá vir a ser afastada por ter feito exatamente a mesma coisa que os seus antecessores fizeram. Isso demonstra que, acima de tudo, o impeachment é político e está sendo comandado até o momento por políticos envolvidos em escândalos financeiros, alguns até já indiciados em processos de corrupção.
A politização, porém, não se limita apenas às instâncias parlamentares. No Poder Judiciário também se observa claramente as tendências políticas de cada juiz ou tribunal. E embora do ponto de vista pessoal eu ache justo que cada pessoa possa ter as suas opções e escolhas, no exercício do cargo deveria prevalecer, porém, apenas as questões técnicas e legais. As decisões deveriam ser baseadas na legislação e nas jurisprudências deixadas por decisões anteriores. Não é isso o que se observa, porém.
Acredito que como todo esse movimento tem apenas a intenção de apear o PT do poder. Penso que após o impeachment será feito um grande acordo de “paz”, jogando-se mais uma vez para debaixo do tapete irregularidades comprovadas ao longo de décadas.
O que já se convencionou chamar de “luta seletiva contra a corrupção” teria apenas a intenção de atingir o Partido dos Trabalhadores e teria sido estabelecido pela CIA americana (essa teoria foi defendida pelo jornalista Paulo Henrique Amorim), preocupada com a hegemonia do pré-sal e com os rumos que a política externa brasileira estaria tomando.

Recife, abril 2016

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Numa tarde de domingo











NUMA TARDE DE DOMINGO
Recife, 17 de abril de 2016
Fotografias de Cida Machado e Clóvis Campêlo

- Postagem revisada em 05/02/2018

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O socialista da Concórdia


Fotografia de Clóvis Campêlo / 2016

O SOCIALISTA DA CONCÓRDIA

Clóvis Campêlo

Segundo o site da Fundaj, em artigo assinado pela pesquisadora Lúcia Gaspar, fica explicado que a Rua da Concórdia, localizada no bairro de São José, teve o seu nome nascido de uma disputa entre dois dos seus moradores, Manuel José e José Fernandes. Cada um reivindicava o privilégio de ter o seu nome na rua. Em 1840, por iniciativa do presidente do Conselho Municipal, Maciel Monteiro, 2º Barão de Itamaracá, o impasse foi resolvido: lendo uma poesia de sua autoria, intitulada A Concórdia, propôs aos contendores que a rua se chamasse Rua da Concórdia, o que foi aceito por ambas as partes.Portanto, não há a menor possibilidade de discórdia na Rua da Concórdia.
Nos anos 60, durante muito tempo, a linha de ônibus Pina Rua do Sol, por ali passava, levando a mim, estudante do Ginásio Pernambucano, antes de fazer o seu terminal na Rua do Sol, ao lado da antiga Casa de Detenção do Recife, onde, entre outros, foi prisioneiro o cangaceiro Antônio Silvino e o paraibano João Dantas, assassino de João Pessoa, na época da sua morte, presidente da província da Paraíba.
É na Rua da Concórdia, também, onde mora o meu amigo Tuca Frazão, bem pertinho da sede do Galo da Madrugada, onde no sábado de Zé Pereira, dia de desfile do clube de máscaras, fazemos uma parada obrigatória. Ali, naquela residência amiga, nos idos dos anos 70, curti muita batucada e algumas cachaçadas.
Também, é no final da rua, ao lado da ponte de ferro que liga o bairro do São José ao bairro da Boa Vista, que existe uma escultura magistral do abolicionista Joaquim Nabuco. A obra é composta pela estátua do emitente homem público e por várias outras estátuas representando negros libertos e agradecidos. Hoje, uma dos negros que compõem o monumento teve o braço esquerdo arrancado e a mão direita está sem os dedos. Parece que o povo não tem mesmo memória. A obra foi inaugurada em 1915, com Joaquim Nabuco já morto, em comemoração às Leis do Ventre Livre e dos Sexagenários.
Durante algum tempo, a escultura de Quincas, o Belo, como também era conhecido, destacou-se no noticiário local por conta de um enxame de abelhas africanas que se alojou no seu ouvido esquerdo e que, vez por outra, colocava os incautos a correr fugindo das suas ferroadas.
Portanto, em um lugar histórico e democrático como a Rua da Concórdia, não me causou estranheza a camioneta acima, onde um lado estampava a figura do comandante cubano Fidel Castro, e, do outro, a imagem de Ernesto Che Guevara, o guerrilheiro argentino que um dia sonhou em libertar a América Latina do jugo capitalista.
De onde viria tal veículo? Qual o significado daquilo? Estaria ligada a algum partido político de esquerda? Ou o seu proprietário seria simplesmente um admirador retardatário daqueles homens?
Não tive tempo de lhe perguntar isso. Nem mesmo consegui fotografar o lado oposto da camioneta, onde Guevara ostentava o seu enigmático olhar. Mas, as barbas do comandante foram fixadas no campo magnético da minha máquina Sony capitalista. Afinal, fotografia hoje se faz assim, com magnetismos e oportunidades.
É exultante, para o meu lado fotográfico e utopista, perceber no mundo (e mais especificamente na cidade do Recife) identificações ideológicas e filosóficas.
Com certeza, a mim, só resta efetuar seus registros.

Recife, abril 2016

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Raspa-raspa de macaíba




Fotografias de Cida Machado / 2016

RASPA-RASPE DE MACAÍBA

Clóvis Campêlo

Segundo os entendidos no assunto, a macaíba é uma excelente fonte de betacaroteno (pigmento que se transforma em vitamina no organismo). Quando ingerido o betacaroteno pode se transformar em vitamina A se o corpo estiver deficiente dessa vitamina.
A vitamina A desempenha papel essencial na visão, no crescimento e desenvolvimento dos ossos e no fortalecimento da imunidade. Também apresenta uma boa ação antioxidante. Além disso, a macaíba é rica em ômega 3, 6 e 9, vitamina E e vitamina C. Portanto, é uma fruta deliciosa e saudável.
Para outros, ainda, o suco da macaíba batido no liquidificador com leite, é excelente para os que sofrem de problemas articulares, artrites e artroses.
Não é a toa, portanto,  que o pediatra dos meus netos compra semanalmente na Rua da Praia, próximo ao Mercado de São José, no centro histórico do Recife, a polpa da fruta já pronta para o uso. Segundo ele, um alimento delicioso e eficaz nessas questões.
Segundo o site Dicas de Saúde, a macaíba, cujo nome científico é Acrocomia aculeata, é uma palmeira que pode alcançar até 20 metros de altura. São bastante resistentes à queimadas e secas e ainda possuem espinhos longos e pontiagudos. Pode ser encontrada em quase todo o Brasil. Os frutos da macaíba são importantes para a fauna nativa, pois alimentam araras, cotias, capivaras, antas e emas.
Segundo a Wikipédia, o termo, que vem do tupi ma'kaí'ba (através da junção de bacaba mais yuba, que significa "coco amarelo"), é visto em vários topônimos no Brasil, entre os quais a cidade de Macaíba, no Rio Grande do Norte.
Portanto, foi com grande satisfação que descobri na praia da Boa Viagem um vendedor de raspa-raspa com suco de macaíba no seu estoque de sabores. Seu Zé é o único, em toda a praia, que o vende. Não poderia deixar isso passar em branco, e não só usufrui da iguaria, como pedi a Cida Machado para registrar, com as suas lentes, o vendedor e o seu cliente.
Viva a macaíba! Viva a flora brasileira!

Recife, abril 2016

sábado, 9 de abril de 2016

O caminho do sol


Fotografia de Clóvis Campêlo/2016

O CAMINHO DO SOL

Clóvis Campêlo

Segundo a Wikipédia, a praia da Boa Viagem é a praia urbana mais famosa do Recife, tendo aproximadamente sete quilômetros de extensão e estando situada no bairro da Boa Viagem (zona sul da capital pernambucana), sendo delimitada ao norte pela praia do Pina, e ao sul, pela praia da Piedade. A maior parte da praia é protegida por uma barreira de recifes naturais, os quais deram nome à cidade. Era área de pescadores e depois de veraneio para os recifenses, até a chegada dos edifícios nas décadas de 1940 e 1950.
No seu livro Trilhas do Recife - Guia Turístico, Histórico e Cultural, o escritor João Braga diz que o bairro da Boa Viagem iniciou o seu adensamento populacional após a implantação da linha de bondes elétricos, em 1924, através da construção de uma ponte metálica de 700 metros sobre a estrutura do emissário de esgotos ali existente (o famoso cano do Pina). Até então, a única forma de se chegar ao bairro era através de barcos. 
Porém, segundo o mesmo autor, já na metade do século XVII, surgia a povoação de Boa Viagem. Em 1858, com a passagem do trem da Estrada de Ferro do Recife a São Francisco, o local começou a ser mais procurado.
Por seu lado, no livro O Recife e Seus Bairros, o pesquisador Carlos Bezerra Cavalcanti afirma que nas terras doadas por Baltazar da Costa Passos e sua esposa, Ana de Araújo Costa, através de escritura datada de 6 de janeiro de 1707, resolveu o padre Leandro de Carvalho construir uma igreja sob a invocação de Maria Santíssima e mandou fazer uma imagem com o título de Boa Viagem para que os pescadores, nas viagens pelos mares, tivessem os sucessos almejados.
A capela da Boa Viagem, portanto, ainda segundo o pesquisador citado acima, deu o nome não só à praia, como também a todo o bairro.
Hoje, Boa Viagem é um bairro moderníssimo, com uma infra-estrutura invejável, quase uma cidade autônoma dentro da cidade do Recife. Composta de prédios altíssimos e modernos, em quase nada relembra a antiga orla repleta de altos coqueiros e de soberbo estendal. A sua praia é um espaço democrático, que propícia momentos de lazer a todos os recifenses.
É o verdadeiro caminho do sol.
Segundo o sociólogo Gilberto Freyre, no Guia Prático, Histórico e Sentimental da Cidade do Recife, e antes do aparecimento dos tubarões nas nossas águas mornas, “um banho em Boa Viagem é um dos maiores regalos que o Recife oferece a adventícios, tanto quanto a nativos".

Recife, abril 2016

quinta-feira, 31 de março de 2016

O índio da Rua Duque de Caxias



Fotografias de Clóvis Campêlo / 2015

O ÍNDIO DA RUA DUQUE DE CAXIAS

Clóvis Campêlo

Confesso que nunca havia prestado atenção àquela figura. Foi Liêdo Maranhão, nas nossas andanças dos sábados, que nos levou, a mim e ao poeta José Rodrigues da Silva Fiho, para conhecê-lo.
Mas mesmo Liêdo, nas suas inquietações e pesquisas, não tinha muito para nos dizer. Sabia apenas que ali, naquele prédio, havia funcionado um armazém de tecidos. E só.
Em busca de maiores informações sobre o índio da Rua Duque de Caxias, situada no bairro do Santo Antônio, no centro histórico do Recife, pesquiso na internet e descubro uma edição do Jornal do Commercio do Recife, de 31 de agosto de 2014, onde o arquiteto pernambucano José Luiz Mota Menezes faz referência à imagem: "Na Rua Duque de Caxias, a função do índio, que remete ao homem nativo, é sinalizar a numeração dos prédios. A figura, de cocar e saia de penas, segura numa das mãos a placa com os números 340 e 350".
Segundo o arquiteto, os enfeites decorativos são típicos da arquitetura eclética europeia, copiada pelo restante do mundo. Ainda segundo ele, as imagens chegavam ao Recife por meio de gravuras e litografia".
A mesma explicação, foi me enviada pelos escritores Urariano Mota e Leonardo Dantas Silva em resposta ao e-mail que lhes mandei solicitando ajuda. Essa mesma solicitação, aliás, foi feita por mim a outros amigos e intelectuais pernambucanos, sem que, no entanto, até o momento, me tenha chegado às mãos alguma outra informação.

Recife, março 2016

sábado, 19 de março de 2016

Em nome da democracia
















EM NOME DA DEMOCRACIA
Praça do Derby
Recife, 18/3/2016
Fotografias de Clóvis Campêlo

- Postagem revisada em 27/01/2018

quarta-feira, 16 de março de 2016

Penso, logo desisto!


PENSO, LOGO DESISTO!

Clóvis Campêlo

Penso, logo desisto! A paráfrase talvez defina o estágio final da maturação do desencanto. E é controversa, já que a manutenção da vida exige persistência e não desistência.
Mas, nesse estágio, talvez desista-se da dualidade, da necessidade de confrontar o que se é com o que se quer ser. Finda a dualidade, finda-se a tensão e poderemos, então, desfrutar simplesmente do ser, sem indagações ou angústias. Fruir a vida como a vida realmente é.
Mas, se o paraíso é uma realidade pronta desde o início, por que necessitaríamos de criar antagonismos e sofrimentos? Que mania de perfeição é essa que nos faz sentimo-nos estranhos no ninho? Foi para isso que desenvolvemos a capacidade de pensar e a memória? Em caso afirmativo, a felicidade estaria na involução, na regressão ao útero materno?
Acho que nem Freud explica! Mas, mesmo assim, arisco-me a dizer que a incerteza do futuro (ou a certeza da morte!) é o que nos assusta. Retrabalhar o mundo poderia significar o adiamento da morte nossa de cada dia. Em um mundo perfeitamente recriado, existiriam menos perigos e ameaças. Em tese, poderíamos viver mais um pouco, e mesmo assim, nem nenhuma perspectiva de alcançarmos os patamares de Matusalém.
Determinados mecanismos nos fogem ao controle. Daí, talvez, a necessidade de transferirmos essa responsabilidade para uma força superior e clemente, capaz de reconhecer-nos o direito de uma sobrevida. Afinal, desistimos mas não somos bobos.
Não saberia dizer se nascemos isentos de conhecimentos ou intenções, ou se já trazemos no chip do nosso inconsciente um esboço das pretensões cósmicas dos nossos ancestrais. Afinal, quem puxa aos seus não degenera!
Mas, do mesmo modo que as nossa vidas dependem de mecanismos intrínsecos que nos fogem ao controle, o mundo em que vivemos também segue essa regra. Querer mudá-lo pode significar esbarrar nas impossibilidades da mudança, embora o pensamento não o entenda. E não o entendendo o pensamento, sobram-nos as inquietações e as angústias. Daí a exatidão do dito popular: “O que não tem remédio, remediado está!”.
O ímpeto da mudança, portanto, assim como as angústias e inquietações consequentes, são inerentes ao ser humano (penso). Não existem (ou sobrexistem) em outras espécies animais. Entre esses, existe o olhar calmo da inefabilidade e do conformismo inconsciente. Impossível, porém, para nós, humanos, segui-los. A lei da evolução nos programou para contestar e planejar revoluções. Faz parte do nosso jeito estúpido de ser. E assim sendo, só nos resta viver!

Recife, março de 2016

sábado, 5 de março de 2016

A Casa da Cultura de Pernambuco









A CASA DA CULTURA DE PERNAMBUCO
Recife, 05/3/2016
Fotografias de Clóvis Campêlo