segunda-feira, 18 de abril de 2016
Numa tarde de domingo
NUMA TARDE DE DOMINGO
Recife, 17 de abril de 2016
Fotografias de Cida Machado e Clóvis Campêlo
- Postagem revisada em 05/02/2018
sexta-feira, 15 de abril de 2016
O socialista da Concórdia
Fotografia de Clóvis Campêlo / 2016
Clóvis Campêlo
Segundo o site da Fundaj, em artigo assinado pela pesquisadora Lúcia Gaspar, fica explicado que a Rua da Concórdia, localizada no bairro de São José, teve o seu nome nascido de uma disputa entre dois dos seus moradores, Manuel José e José Fernandes. Cada um reivindicava o privilégio de ter o seu nome na rua. Em 1840, por iniciativa do presidente do Conselho Municipal, Maciel Monteiro, 2º Barão de Itamaracá, o impasse foi resolvido: lendo uma poesia de sua autoria, intitulada A Concórdia, propôs aos contendores que a rua se chamasse Rua da Concórdia, o que foi aceito por ambas as partes.Portanto, não há a menor possibilidade de discórdia na Rua da Concórdia.
Nos anos 60, durante muito tempo, a linha de ônibus Pina Rua do Sol, por ali passava, levando a mim, estudante do Ginásio Pernambucano, antes de fazer o seu terminal na Rua do Sol, ao lado da antiga Casa de Detenção do Recife, onde, entre outros, foi prisioneiro o cangaceiro Antônio Silvino e o paraibano João Dantas, assassino de João Pessoa, na época da sua morte, presidente da província da Paraíba.
É na Rua da Concórdia, também, onde mora o meu amigo Tuca Frazão, bem pertinho da sede do Galo da Madrugada, onde no sábado de Zé Pereira, dia de desfile do clube de máscaras, fazemos uma parada obrigatória. Ali, naquela residência amiga, nos idos dos anos 70, curti muita batucada e algumas cachaçadas.
Também, é no final da rua, ao lado da ponte de ferro que liga o bairro do São José ao bairro da Boa Vista, que existe uma escultura magistral do abolicionista Joaquim Nabuco. A obra é composta pela estátua do emitente homem público e por várias outras estátuas representando negros libertos e agradecidos. Hoje, uma dos negros que compõem o monumento teve o braço esquerdo arrancado e a mão direita está sem os dedos. Parece que o povo não tem mesmo memória. A obra foi inaugurada em 1915, com Joaquim Nabuco já morto, em comemoração às Leis do Ventre Livre e dos Sexagenários.
Durante algum tempo, a escultura de Quincas, o Belo, como também era conhecido, destacou-se no noticiário local por conta de um enxame de abelhas africanas que se alojou no seu ouvido esquerdo e que, vez por outra, colocava os incautos a correr fugindo das suas ferroadas.
Portanto, em um lugar histórico e democrático como a Rua da Concórdia, não me causou estranheza a camioneta acima, onde um lado estampava a figura do comandante cubano Fidel Castro, e, do outro, a imagem de Ernesto Che Guevara, o guerrilheiro argentino que um dia sonhou em libertar a América Latina do jugo capitalista.
De onde viria tal veículo? Qual o significado daquilo? Estaria ligada a algum partido político de esquerda? Ou o seu proprietário seria simplesmente um admirador retardatário daqueles homens?
Não tive tempo de lhe perguntar isso. Nem mesmo consegui fotografar o lado oposto da camioneta, onde Guevara ostentava o seu enigmático olhar. Mas, as barbas do comandante foram fixadas no campo magnético da minha máquina Sony capitalista. Afinal, fotografia hoje se faz assim, com magnetismos e oportunidades.
É exultante, para o meu lado fotográfico e utopista, perceber no mundo (e mais especificamente na cidade do Recife) identificações ideológicas e filosóficas.
Com certeza, a mim, só resta efetuar seus registros.
Recife, abril 2016
Nos anos 60, durante muito tempo, a linha de ônibus Pina Rua do Sol, por ali passava, levando a mim, estudante do Ginásio Pernambucano, antes de fazer o seu terminal na Rua do Sol, ao lado da antiga Casa de Detenção do Recife, onde, entre outros, foi prisioneiro o cangaceiro Antônio Silvino e o paraibano João Dantas, assassino de João Pessoa, na época da sua morte, presidente da província da Paraíba.
É na Rua da Concórdia, também, onde mora o meu amigo Tuca Frazão, bem pertinho da sede do Galo da Madrugada, onde no sábado de Zé Pereira, dia de desfile do clube de máscaras, fazemos uma parada obrigatória. Ali, naquela residência amiga, nos idos dos anos 70, curti muita batucada e algumas cachaçadas.
Também, é no final da rua, ao lado da ponte de ferro que liga o bairro do São José ao bairro da Boa Vista, que existe uma escultura magistral do abolicionista Joaquim Nabuco. A obra é composta pela estátua do emitente homem público e por várias outras estátuas representando negros libertos e agradecidos. Hoje, uma dos negros que compõem o monumento teve o braço esquerdo arrancado e a mão direita está sem os dedos. Parece que o povo não tem mesmo memória. A obra foi inaugurada em 1915, com Joaquim Nabuco já morto, em comemoração às Leis do Ventre Livre e dos Sexagenários.
Durante algum tempo, a escultura de Quincas, o Belo, como também era conhecido, destacou-se no noticiário local por conta de um enxame de abelhas africanas que se alojou no seu ouvido esquerdo e que, vez por outra, colocava os incautos a correr fugindo das suas ferroadas.
Portanto, em um lugar histórico e democrático como a Rua da Concórdia, não me causou estranheza a camioneta acima, onde um lado estampava a figura do comandante cubano Fidel Castro, e, do outro, a imagem de Ernesto Che Guevara, o guerrilheiro argentino que um dia sonhou em libertar a América Latina do jugo capitalista.
De onde viria tal veículo? Qual o significado daquilo? Estaria ligada a algum partido político de esquerda? Ou o seu proprietário seria simplesmente um admirador retardatário daqueles homens?
Não tive tempo de lhe perguntar isso. Nem mesmo consegui fotografar o lado oposto da camioneta, onde Guevara ostentava o seu enigmático olhar. Mas, as barbas do comandante foram fixadas no campo magnético da minha máquina Sony capitalista. Afinal, fotografia hoje se faz assim, com magnetismos e oportunidades.
É exultante, para o meu lado fotográfico e utopista, perceber no mundo (e mais especificamente na cidade do Recife) identificações ideológicas e filosóficas.
Com certeza, a mim, só resta efetuar seus registros.
Recife, abril 2016
segunda-feira, 11 de abril de 2016
Raspa-raspa de macaíba
Fotografias de Cida Machado / 2016
RASPA-RASPE
DE MACAÍBA
Clóvis
Campêlo
Segundo
os entendidos no assunto, a macaíba é uma excelente fonte de
betacaroteno (pigmento que se transforma em vitamina no organismo). Quando
ingerido o betacaroteno pode se transformar em vitamina A se
o corpo estiver deficiente dessa vitamina.
A
vitamina A desempenha papel essencial na visão, no crescimento e
desenvolvimento dos ossos e no fortalecimento da imunidade. Também
apresenta uma boa ação antioxidante. Além disso, a macaíba é rica em ômega 3, 6
e 9, vitamina E e vitamina C. Portanto, é uma fruta deliciosa e saudável.
Para
outros, ainda, o suco da macaíba batido no liquidificador com leite, é
excelente para os que sofrem de problemas articulares, artrites e artroses.
Não
é a toa, portanto, que o pediatra dos
meus netos compra semanalmente na Rua da Praia, próximo ao Mercado de São José,
no centro histórico do Recife, a polpa da fruta já pronta para o uso. Segundo
ele, um alimento delicioso e eficaz nessas questões.
Segundo
o site Dicas de Saúde, a macaíba, cujo nome científico é Acrocomia aculeata, é
uma palmeira que pode alcançar até 20 metros de altura. São bastante resistentes
à queimadas e secas e ainda possuem espinhos longos e pontiagudos. Pode ser
encontrada em quase todo o Brasil. Os frutos da macaíba são
importantes para a fauna nativa, pois alimentam araras, cotias, capivaras,
antas e emas.
Segundo
a Wikipédia, o termo, que vem do tupi ma'kaí'ba (através
da junção de bacaba mais yuba, que significa
"coco amarelo"), é visto em vários topônimos no Brasil, entre os
quais a cidade de Macaíba, no Rio Grande do Norte.
Portanto,
foi com grande satisfação que descobri na praia da Boa Viagem um vendedor de
raspa-raspa com suco de macaíba no seu estoque de sabores. Seu Zé é o único, em
toda a praia, que o vende. Não poderia deixar isso passar em branco, e não só
usufrui da iguaria, como pedi a Cida Machado para registrar, com as suas lentes,
o vendedor e o seu cliente.
Viva
a macaíba! Viva a flora brasileira!
Recife,
abril 2016
sábado, 9 de abril de 2016
O caminho do sol
Fotografia de Clóvis Campêlo/2016
O CAMINHO DO SOL
Clóvis Campêlo
Segundo a Wikipédia, a praia da Boa Viagem é a praia urbana mais famosa do Recife, tendo aproximadamente sete quilômetros de extensão e estando situada no bairro da Boa Viagem (zona sul da capital pernambucana), sendo delimitada ao norte pela praia do Pina, e ao sul, pela praia da Piedade. A maior parte da praia é protegida por uma barreira de recifes naturais, os quais deram nome à cidade. Era área de pescadores e depois de veraneio para os recifenses, até a chegada dos edifícios nas décadas de 1940 e 1950.
No seu livro Trilhas do Recife - Guia Turístico, Histórico e Cultural, o escritor João Braga diz que o bairro da Boa Viagem iniciou o seu adensamento populacional após a implantação da linha de bondes elétricos, em 1924, através da construção de uma ponte metálica de 700 metros sobre a estrutura do emissário de esgotos ali existente (o famoso cano do Pina). Até então, a única forma de se chegar ao bairro era através de barcos.
Porém, segundo o mesmo autor, já na metade do século XVII, surgia a povoação de Boa Viagem. Em 1858, com a passagem do trem da Estrada de Ferro do Recife a São Francisco, o local começou a ser mais procurado.
Por seu lado, no livro O Recife e Seus Bairros, o pesquisador Carlos Bezerra Cavalcanti afirma que nas terras doadas por Baltazar da Costa Passos e sua esposa, Ana de Araújo Costa, através de escritura datada de 6 de janeiro de 1707, resolveu o padre Leandro de Carvalho construir uma igreja sob a invocação de Maria Santíssima e mandou fazer uma imagem com o título de Boa Viagem para que os pescadores, nas viagens pelos mares, tivessem os sucessos almejados.
A capela da Boa Viagem, portanto, ainda segundo o pesquisador citado acima, deu o nome não só à praia, como também a todo o bairro.
Hoje, Boa Viagem é um bairro moderníssimo, com uma infra-estrutura invejável, quase uma cidade autônoma dentro da cidade do Recife. Composta de prédios altíssimos e modernos, em quase nada relembra a antiga orla repleta de altos coqueiros e de soberbo estendal. A sua praia é um espaço democrático, que propícia momentos de lazer a todos os recifenses.
É o verdadeiro caminho do sol.
Segundo o sociólogo Gilberto Freyre, no Guia Prático, Histórico e Sentimental da Cidade do Recife, e antes do aparecimento dos tubarões nas nossas águas mornas, “um banho em Boa Viagem é um dos maiores regalos que o Recife oferece a adventícios, tanto quanto a nativos".
Recife, abril 2016
quinta-feira, 31 de março de 2016
O índio da Rua Duque de Caxias
Fotografias de Clóvis Campêlo / 2015
O ÍNDIO DA RUA DUQUE DE CAXIAS
Clóvis Campêlo
Confesso que nunca havia prestado atenção àquela figura. Foi Liêdo Maranhão, nas nossas andanças dos sábados, que nos levou, a mim e ao poeta José Rodrigues da Silva Fiho, para conhecê-lo.
Mas mesmo Liêdo, nas suas inquietações e pesquisas, não tinha muito para nos dizer. Sabia apenas que ali, naquele prédio, havia funcionado um armazém de tecidos. E só.
Em busca de maiores informações sobre o índio da Rua Duque de Caxias, situada no bairro do Santo Antônio, no centro histórico do Recife, pesquiso na internet e descubro uma edição do Jornal do Commercio do Recife, de 31 de agosto de 2014, onde o arquiteto pernambucano José Luiz Mota Menezes faz referência à imagem: "Na Rua Duque de Caxias, a função do índio, que remete ao homem nativo, é sinalizar a numeração dos prédios. A figura, de cocar e saia de penas, segura numa das mãos a placa com os números 340 e 350".
Segundo o arquiteto, os enfeites decorativos são típicos da arquitetura eclética europeia, copiada pelo restante do mundo. Ainda segundo ele, as imagens chegavam ao Recife por meio de gravuras e litografia".
A mesma explicação, foi me enviada pelos escritores Urariano Mota e Leonardo Dantas Silva em resposta ao e-mail que lhes mandei solicitando ajuda. Essa mesma solicitação, aliás, foi feita por mim a outros amigos e intelectuais pernambucanos, sem que, no entanto, até o momento, me tenha chegado às mãos alguma outra informação.
Recife, março 2016
Marcadores:
Rua Duque de Caxias,
Textos & Contextos
sábado, 19 de março de 2016
Em nome da democracia
EM NOME DA DEMOCRACIA
Praça do Derby
Recife, 18/3/2016
Fotografias de Clóvis Campêlo
- Postagem revisada em 27/01/2018
quarta-feira, 16 de março de 2016
Penso, logo desisto!
Clóvis Campêlo
Penso, logo desisto! A paráfrase talvez defina o estágio final da maturação do desencanto. E é controversa, já que a manutenção da vida exige persistência e não desistência.
Mas, nesse estágio, talvez desista-se da dualidade, da necessidade de confrontar o que se é com o que se quer ser. Finda a dualidade, finda-se a tensão e poderemos, então, desfrutar simplesmente do ser, sem indagações ou angústias. Fruir a vida como a vida realmente é.
Mas, se o paraíso é uma realidade pronta desde o início, por que necessitaríamos de criar antagonismos e sofrimentos? Que mania de perfeição é essa que nos faz sentimo-nos estranhos no ninho? Foi para isso que desenvolvemos a capacidade de pensar e a memória? Em caso afirmativo, a felicidade estaria na involução, na regressão ao útero materno?
Acho que nem Freud explica! Mas, mesmo assim, arisco-me a dizer que a incerteza do futuro (ou a certeza da morte!) é o que nos assusta. Retrabalhar o mundo poderia significar o adiamento da morte nossa de cada dia. Em um mundo perfeitamente recriado, existiriam menos perigos e ameaças. Em tese, poderíamos viver mais um pouco, e mesmo assim, nem nenhuma perspectiva de alcançarmos os patamares de Matusalém.
Determinados mecanismos nos fogem ao controle. Daí, talvez, a necessidade de transferirmos essa responsabilidade para uma força superior e clemente, capaz de reconhecer-nos o direito de uma sobrevida. Afinal, desistimos mas não somos bobos.
Não saberia dizer se nascemos isentos de conhecimentos ou intenções, ou se já trazemos no chip do nosso inconsciente um esboço das pretensões cósmicas dos nossos ancestrais. Afinal, quem puxa aos seus não degenera!
Mas, do mesmo modo que as nossa vidas dependem de mecanismos intrínsecos que nos fogem ao controle, o mundo em que vivemos também segue essa regra. Querer mudá-lo pode significar esbarrar nas impossibilidades da mudança, embora o pensamento não o entenda. E não o entendendo o pensamento, sobram-nos as inquietações e as angústias. Daí a exatidão do dito popular: “O que não tem remédio, remediado está!”.
O ímpeto da mudança, portanto, assim como as angústias e inquietações consequentes, são inerentes ao ser humano (penso). Não existem (ou sobrexistem) em outras espécies animais. Entre esses, existe o olhar calmo da inefabilidade e do conformismo inconsciente. Impossível, porém, para nós, humanos, segui-los. A lei da evolução nos programou para contestar e planejar revoluções. Faz parte do nosso jeito estúpido de ser. E assim sendo, só nos resta viver!
Recife, março de 2016
Mas, nesse estágio, talvez desista-se da dualidade, da necessidade de confrontar o que se é com o que se quer ser. Finda a dualidade, finda-se a tensão e poderemos, então, desfrutar simplesmente do ser, sem indagações ou angústias. Fruir a vida como a vida realmente é.
Mas, se o paraíso é uma realidade pronta desde o início, por que necessitaríamos de criar antagonismos e sofrimentos? Que mania de perfeição é essa que nos faz sentimo-nos estranhos no ninho? Foi para isso que desenvolvemos a capacidade de pensar e a memória? Em caso afirmativo, a felicidade estaria na involução, na regressão ao útero materno?
Acho que nem Freud explica! Mas, mesmo assim, arisco-me a dizer que a incerteza do futuro (ou a certeza da morte!) é o que nos assusta. Retrabalhar o mundo poderia significar o adiamento da morte nossa de cada dia. Em um mundo perfeitamente recriado, existiriam menos perigos e ameaças. Em tese, poderíamos viver mais um pouco, e mesmo assim, nem nenhuma perspectiva de alcançarmos os patamares de Matusalém.
Determinados mecanismos nos fogem ao controle. Daí, talvez, a necessidade de transferirmos essa responsabilidade para uma força superior e clemente, capaz de reconhecer-nos o direito de uma sobrevida. Afinal, desistimos mas não somos bobos.
Não saberia dizer se nascemos isentos de conhecimentos ou intenções, ou se já trazemos no chip do nosso inconsciente um esboço das pretensões cósmicas dos nossos ancestrais. Afinal, quem puxa aos seus não degenera!
Mas, do mesmo modo que as nossa vidas dependem de mecanismos intrínsecos que nos fogem ao controle, o mundo em que vivemos também segue essa regra. Querer mudá-lo pode significar esbarrar nas impossibilidades da mudança, embora o pensamento não o entenda. E não o entendendo o pensamento, sobram-nos as inquietações e as angústias. Daí a exatidão do dito popular: “O que não tem remédio, remediado está!”.
O ímpeto da mudança, portanto, assim como as angústias e inquietações consequentes, são inerentes ao ser humano (penso). Não existem (ou sobrexistem) em outras espécies animais. Entre esses, existe o olhar calmo da inefabilidade e do conformismo inconsciente. Impossível, porém, para nós, humanos, segui-los. A lei da evolução nos programou para contestar e planejar revoluções. Faz parte do nosso jeito estúpido de ser. E assim sendo, só nos resta viver!
Recife, março de 2016
sábado, 5 de março de 2016
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
Tony Curtis no Recife
Clóvis Campêlo
A história já nos havia sido contada nos anos 90, a mim e ao poeta José Rodrigues Correia Filho, por Mário Lanza, na Praça do Sebo. Evidentemente que não se tratava do tenor americano, que na verdade se chamava Alfred Arnold Cocozza, mas de um recifense seu fiel admirador e possuidor de um acervo fabuloso sobre ele, adquirido no próprio sebo ao longo de vários anos de pesquisa.
Um dia de sábado, pela manhã, como sempre fazíamos naqueles tempos, ficamos sabendo, no Sebo, da morte de Lanza, o admirador. O seu acervo fabuloso nos interessava, principalmente ao poeta Rodrigues, colecionador compulsivo. Corremos para a praia da Boa Viagem, onde ele morava no Edifício Holliday. Chegamos tarde. Alguém mais apressado do que nós já havia adquirido a coleção, vendida por um dos seus filhos. Como dizia Liêdo Maranhão, os maiores inimigos de um acervo arduamente construído ao longo de uma vida, não são as traças. Mas sim a família do falecido, quando não se identifica com tudo aquilo.
Mas, deixando a digressão de lado e voltando ao nosso assunto principal, através de Lanza, naquele dia, tomamos conhecimento da visita que o ator americano Tony Curtis e sua esposa na época, a atriz Janet Leigh, fizeram ao Recife, em 1961. Segundo o nosso interlocutor, os dois, de mãos dadas, atravessaram a ponte Duarte Coelho, no centro da cidade, posando para fotografias.
No entanto, segundo a fotografia publicada no Diario de Pernambuco do dia 26 de setembro de 1961, acompanhados por amigos e familiares, os atores teriam passeado pela cidade em uma caminhonete escoltada por guardas da Delegacia de Trânsito, antes de seguirem viagem áerea.
Uma outra versão, consta no livro Estudo de Cinema Socine, segunda a qual, os atores, acompanhados das filhas Kelly e James Lee Curtis, com apenas dois anos, passearam pela cidade por conta de uma parada no Recife do navio em que viajavam. Ainda segundo o livro, os repórteres Fernando Spencer e Selênio Homem de Siqueira acompanharam o casal nas visitas em que fizeram a vários pontos turísticos recifenses, finalizado com um passeio descontraído de Janet e das filha pelas areias mornas da praia da Boa Viagem.
Segundo a fotografia em preto e branco publicada pelo Diario de Pernambuco, como era comum na época, Tony Curtis trajava calça branca e um paletó pardo, além de sapatos e cinto pretos. Janet, bem descontraída, uma sandália escura aberta, pulseiras, um vestido também pardo e uma bolsa branca. Ambos se mostraram simpáticos e solícitos. Os dois guardas da Delegacia de Trânsito, como não poderia deixar de ser, vestiam seus trajes de gala, o que nos leva a supor que a visita fora previamente anunciada.
Tony Curtis morreu em Las Vegas, em 29 de setembro de 2010. Janet Leigh, em 3 de outubro de 2004. O repórter Fernando Spencer, que depois se transformaria em um dos destaques do ciclo do cinema super-8 no Recife, também já faleceu. Selênio Homem de Siqueira faleceu no Recife, no ano passado.
Assim, a história mesmo confirmada por mais de uma fonte, faz parte do passado glorioso da cidade do Recife.
Recife, fevereiro 2016
Um dia de sábado, pela manhã, como sempre fazíamos naqueles tempos, ficamos sabendo, no Sebo, da morte de Lanza, o admirador. O seu acervo fabuloso nos interessava, principalmente ao poeta Rodrigues, colecionador compulsivo. Corremos para a praia da Boa Viagem, onde ele morava no Edifício Holliday. Chegamos tarde. Alguém mais apressado do que nós já havia adquirido a coleção, vendida por um dos seus filhos. Como dizia Liêdo Maranhão, os maiores inimigos de um acervo arduamente construído ao longo de uma vida, não são as traças. Mas sim a família do falecido, quando não se identifica com tudo aquilo.
Mas, deixando a digressão de lado e voltando ao nosso assunto principal, através de Lanza, naquele dia, tomamos conhecimento da visita que o ator americano Tony Curtis e sua esposa na época, a atriz Janet Leigh, fizeram ao Recife, em 1961. Segundo o nosso interlocutor, os dois, de mãos dadas, atravessaram a ponte Duarte Coelho, no centro da cidade, posando para fotografias.
No entanto, segundo a fotografia publicada no Diario de Pernambuco do dia 26 de setembro de 1961, acompanhados por amigos e familiares, os atores teriam passeado pela cidade em uma caminhonete escoltada por guardas da Delegacia de Trânsito, antes de seguirem viagem áerea.
Uma outra versão, consta no livro Estudo de Cinema Socine, segunda a qual, os atores, acompanhados das filhas Kelly e James Lee Curtis, com apenas dois anos, passearam pela cidade por conta de uma parada no Recife do navio em que viajavam. Ainda segundo o livro, os repórteres Fernando Spencer e Selênio Homem de Siqueira acompanharam o casal nas visitas em que fizeram a vários pontos turísticos recifenses, finalizado com um passeio descontraído de Janet e das filha pelas areias mornas da praia da Boa Viagem.
Segundo a fotografia em preto e branco publicada pelo Diario de Pernambuco, como era comum na época, Tony Curtis trajava calça branca e um paletó pardo, além de sapatos e cinto pretos. Janet, bem descontraída, uma sandália escura aberta, pulseiras, um vestido também pardo e uma bolsa branca. Ambos se mostraram simpáticos e solícitos. Os dois guardas da Delegacia de Trânsito, como não poderia deixar de ser, vestiam seus trajes de gala, o que nos leva a supor que a visita fora previamente anunciada.
Tony Curtis morreu em Las Vegas, em 29 de setembro de 2010. Janet Leigh, em 3 de outubro de 2004. O repórter Fernando Spencer, que depois se transformaria em um dos destaques do ciclo do cinema super-8 no Recife, também já faleceu. Selênio Homem de Siqueira faleceu no Recife, no ano passado.
Assim, a história mesmo confirmada por mais de uma fonte, faz parte do passado glorioso da cidade do Recife.
Recife, fevereiro 2016
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
Yes, nós temos bananas!
Clóvis Campêlo
No quintal da casa em que morávamos, no Pina, havia, entre outras fruteiras, três pés de banana. Dois de banana prata, e um de banana maçã. Os pés de banana prata ficavam na parte posterior do quintal, perto de um terraço que havia na cozinha. O local, sempre úmido, devido a água utilizada que escorria pelo quintal, era adequado para os pés de banana prata. Segundo o meu pai, eles gostavam mais da umidade. O pé de banana maçã ficava numa área mais afastada e arenosa.
Como as frutas eram utilizadas apenas para o consumo doméstico, podíamos esperar que os passarinhos, geralmente sanhaçus e guriatãs que frequentavam o nosso quintal, dessem a primeira bicada em uma das bananas do cacho. Era o sinal de que já estavam adequadas para serem utilizadas. As bananas pratas, grandes e doces. As bananas maçãs, menores e com um sabor mais diferenciado. Elas faziam a nossa festa.
Hoje, que as casas com quintais praticamente desapareceram do Recife, fazemos a colheita das bananas nos supermercados. E, embora ainda possam ser encontradas as bananas pratas e as bananas maçãs, proliferam nas prateleiras as bananas pacovan. Não me lembro de ter referências desse tipo de banana até alguns anos atrás. Como sempre faço em caso de dúvidas, vou ao google em busca de explicações e descubro, no site da Ceplac o seguinte esclarecimento: “banana pacovan - resultante de uma mutação da banana prata, é atualmente a bananais plantada no Norte e Nordeste do país. Possui porte alto (6 a 7 m). Os cachos são cônicos, com peso de 16 Kg e 7,5 pencas, em média. Os frutos são grandes, com quinas salientes (mesmo quando maduros) e casca grossa. Pesam 122 gramas em média, e apresentam sabor menos intenso que a prata. É susceptível àsigatoka amarela e negra e ao moko, moderadamente susceptível ao mal-do-panamá, medianamente resistente aos nematóides e brocas. É sujeita ao tombamento pela ação dos ventos”.
Muito prazer, banana pacovan. Acabo de conhecer a tua história. O teu sabor, já conhecia e o sabia menos agradável do que o gosto da banana prata normal. Eu e os morcegos que invadiam a nossa cozinha, à noite, no bairro do Cordeiro, em dia de bananas prata na fruteira. Comiam as bananas e sujavam tudo com as suas fezes frenéticas. De vez em quando, colocavam Cida, minha cara metade, para correr. As bananas pacovan, porém, nunca os interessou. Amadureciam intactas. Isso sempre me chamou a atenção.
Como diria Braguinha na sua marcha carnavalesca famosa dos anos 30 do século passado, em parceria com Alberto Ribeiro, “Yes, nós temos bananas!”. A música, gravada originalmente por Almirante, em 1937, catapultou a carreira de Carmem Miranda nos States e foi regravada por um monte de gente, inclusive Caetano Veloso.
Mas é com os versos bucólicos do compositor pernambucano Aristides Guimarães, meu amigo, que nos anos 70 agitou o panorama musical recifense, que encerro estas mal traçadas linhas. Não lembro o nome da música, mas os versos eram assim:
“A lua tem quintal e bananeira,
A lua tem estrelas.
A lua tem quintal e bananeira
e quem mais queira”.
Recife, fevereiro 2016
Como as frutas eram utilizadas apenas para o consumo doméstico, podíamos esperar que os passarinhos, geralmente sanhaçus e guriatãs que frequentavam o nosso quintal, dessem a primeira bicada em uma das bananas do cacho. Era o sinal de que já estavam adequadas para serem utilizadas. As bananas pratas, grandes e doces. As bananas maçãs, menores e com um sabor mais diferenciado. Elas faziam a nossa festa.
Hoje, que as casas com quintais praticamente desapareceram do Recife, fazemos a colheita das bananas nos supermercados. E, embora ainda possam ser encontradas as bananas pratas e as bananas maçãs, proliferam nas prateleiras as bananas pacovan. Não me lembro de ter referências desse tipo de banana até alguns anos atrás. Como sempre faço em caso de dúvidas, vou ao google em busca de explicações e descubro, no site da Ceplac o seguinte esclarecimento: “banana pacovan - resultante de uma mutação da banana prata, é atualmente a bananais plantada no Norte e Nordeste do país. Possui porte alto (6 a 7 m). Os cachos são cônicos, com peso de 16 Kg e 7,5 pencas, em média. Os frutos são grandes, com quinas salientes (mesmo quando maduros) e casca grossa. Pesam 122 gramas em média, e apresentam sabor menos intenso que a prata. É susceptível àsigatoka amarela e negra e ao moko, moderadamente susceptível ao mal-do-panamá, medianamente resistente aos nematóides e brocas. É sujeita ao tombamento pela ação dos ventos”.
Muito prazer, banana pacovan. Acabo de conhecer a tua história. O teu sabor, já conhecia e o sabia menos agradável do que o gosto da banana prata normal. Eu e os morcegos que invadiam a nossa cozinha, à noite, no bairro do Cordeiro, em dia de bananas prata na fruteira. Comiam as bananas e sujavam tudo com as suas fezes frenéticas. De vez em quando, colocavam Cida, minha cara metade, para correr. As bananas pacovan, porém, nunca os interessou. Amadureciam intactas. Isso sempre me chamou a atenção.
Como diria Braguinha na sua marcha carnavalesca famosa dos anos 30 do século passado, em parceria com Alberto Ribeiro, “Yes, nós temos bananas!”. A música, gravada originalmente por Almirante, em 1937, catapultou a carreira de Carmem Miranda nos States e foi regravada por um monte de gente, inclusive Caetano Veloso.
Mas é com os versos bucólicos do compositor pernambucano Aristides Guimarães, meu amigo, que nos anos 70 agitou o panorama musical recifense, que encerro estas mal traçadas linhas. Não lembro o nome da música, mas os versos eram assim:
“A lua tem quintal e bananeira,
A lua tem estrelas.
A lua tem quintal e bananeira
e quem mais queira”.
Recife, fevereiro 2016
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
Sônia Braga, quem diria, acabou no Oceania!
Fotografia de Clóvis Campêlo (18/01/2016)
Clóvis Campêlo
Sônia Braga, quem diria, é paranaense da cidade de Maringá, onde nasceu no dia 8 de julho de 1950. Consta que começou a sua carreira de atriz aos 14 anos. Em 1968, aos 18 anos, participou da montagem brasileira da peça Hair, causando escândalo ao aparecer nua em cena. Ainda em 1968, participaria do filme O Bandido da Luz Vermelha, dirigido por Rogério Sganzerla, e considerado hoje um clássico do cinema marginal brasileiro. Em 1975, representaria o papel título da novela Gabriela, baseada no livro homônimo do escritor baiano Jorge Amado. A novela atingiria recordes de audiência para a sua época, com cerca de 25 milhões de pessoas, tornando a atriz definitivamente famosa no Brasil e no mundo.
O Edifício Oceania foi construído na praia do Pina, nos anos 50 do século passado, quando o bairro eminentemente ocupado por pescadores e operários, começou a despertar a atenção da classe média e da pequena burguesia. Assim, a atriz e o prédio são contemporâneos, de uma época em que tanto o bairro do Pina, quanto a cidade e o país mostravam um perfil social e econômico que os tempos modernos trataram de modificar.
Kleber Mendonça Filho nasceu no Recife, em 1968. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco, trabalhou na imprensa pernambucana como crítico de cinema, antes de enveredar na sétima arte como diretor. Em 2013, dirigiu seu primeiro filme, O Som ao Redor, o qual foi aclamado por diversas fontes como o melhor, ou um dos melhores lançamentos do ano. Entre eles, o crítico americano de cinema A. O. Scott, do jornal The New York Times, e o compositor brasileiro Caetano Veloso, que na sua coluna do jornal O Globo, o classificou como “um dos melhores filmes feitos recentemente no mundo”. Era a glória.
Em agosto do ano passado, Sônia Braga cegou ao Recife para participar das filmagens de “Aquarius”, o novo filme de Kleber, com cenas filmadas em diversos locais da nossa cidade.
Segundo o Diario de Pernambuco do dia 7 de julho, “A atriz Sônia Braga, um dos ícones da dramaturgia brasileira e internacional, sobretudo pela atuação em Gabriela, vai protagonizar o próximo filme do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, batizado de Aquarius. Ela dará vida a uma escritora viúva, de meia-idade, crítica de música aposentada e mãe de três filhos, com o poder de "viajar no tempo". A participação dela na produção do cineasta do estado com mais projeção no exterior (O som ao redor, de autoria dele, foi o indicado brasileiro à disputa do Oscar e listado entre os dez melhores filmes de 2012 pelo New York Times) ocorreu durante meses”.
Por seu lado, a atriz declarou: “Quando li Aquarius, tive que parar para respirar. Sim, respirar e entender que era real. Que era um roteiro do Kleber Mendonça e que ele estava me oferecendo para participar. Pareceu de cara um sonho: uma personagem íntegra, da minha idade, com meus sonhos, com os meus sonhados filhos e família. Quis logo viver esta mulher. As palavras do roteiro pareciam que ja tinham andado na minha boca”.
Pronto, estavam firmados os fundamentos para a grande realização. As filmagens aconteceram os vários locais da cidade do Recife, inclusive no famoso Restaurante Leite, no bairro histórico de São José. No entanto, as principais cenas foram gravadas no Edifício Oceania, na orla do Pina. Ainda segundo o Diario de Pernambuco, a curiosidade em torno das gravações gerou até problemas de trânsito na Avenida Boa Viagem, nos primeiros dias das gravações.
O Edifício Oceania foi construído na praia do Pina, nos anos 50 do século passado, quando o bairro eminentemente ocupado por pescadores e operários, começou a despertar a atenção da classe média e da pequena burguesia. Assim, a atriz e o prédio são contemporâneos, de uma época em que tanto o bairro do Pina, quanto a cidade e o país mostravam um perfil social e econômico que os tempos modernos trataram de modificar.
Kleber Mendonça Filho nasceu no Recife, em 1968. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco, trabalhou na imprensa pernambucana como crítico de cinema, antes de enveredar na sétima arte como diretor. Em 2013, dirigiu seu primeiro filme, O Som ao Redor, o qual foi aclamado por diversas fontes como o melhor, ou um dos melhores lançamentos do ano. Entre eles, o crítico americano de cinema A. O. Scott, do jornal The New York Times, e o compositor brasileiro Caetano Veloso, que na sua coluna do jornal O Globo, o classificou como “um dos melhores filmes feitos recentemente no mundo”. Era a glória.
Em agosto do ano passado, Sônia Braga cegou ao Recife para participar das filmagens de “Aquarius”, o novo filme de Kleber, com cenas filmadas em diversos locais da nossa cidade.
Segundo o Diario de Pernambuco do dia 7 de julho, “A atriz Sônia Braga, um dos ícones da dramaturgia brasileira e internacional, sobretudo pela atuação em Gabriela, vai protagonizar o próximo filme do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, batizado de Aquarius. Ela dará vida a uma escritora viúva, de meia-idade, crítica de música aposentada e mãe de três filhos, com o poder de "viajar no tempo". A participação dela na produção do cineasta do estado com mais projeção no exterior (O som ao redor, de autoria dele, foi o indicado brasileiro à disputa do Oscar e listado entre os dez melhores filmes de 2012 pelo New York Times) ocorreu durante meses”.
Por seu lado, a atriz declarou: “Quando li Aquarius, tive que parar para respirar. Sim, respirar e entender que era real. Que era um roteiro do Kleber Mendonça e que ele estava me oferecendo para participar. Pareceu de cara um sonho: uma personagem íntegra, da minha idade, com meus sonhos, com os meus sonhados filhos e família. Quis logo viver esta mulher. As palavras do roteiro pareciam que ja tinham andado na minha boca”.
Pronto, estavam firmados os fundamentos para a grande realização. As filmagens aconteceram os vários locais da cidade do Recife, inclusive no famoso Restaurante Leite, no bairro histórico de São José. No entanto, as principais cenas foram gravadas no Edifício Oceania, na orla do Pina. Ainda segundo o Diario de Pernambuco, a curiosidade em torno das gravações gerou até problemas de trânsito na Avenida Boa Viagem, nos primeiros dias das gravações.
Recife, fevereiro 2016
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
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