sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Praia da Boa Viagem


PRAIA DA BOA VIAGEM
Recife, 31/12/2015
Fotografia de Clóvis Campêlo


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A ponte estaiada


A PONTE ESTAIADA
Bairro do Pina
Recife, 15/01/2016
Fotografia de Clóvis Campêlo

Sobre as águas


SOBRE AS ÁGUAS
Praia da Boa Viagem,
Recife, 27/12/2015
Fotografia de Clóvis Campêlo


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Chico Science transformou-se numa longínqua lembrança


CHICO SCIENCE TRANSFORMOU-SE NUMA LONGÍNQUA LEMBRANÇA

Clóvis Campêlo

A criatividade da banda Nação Zumbi não sobreviveu à morte de Chico Science. É fácil perceber isso. Chico, aliás, era o cérebro da banda e todos aqueles caranguejos com cérebros. O catalisador. A catarse.
A banda ainda insiste e existe, mas institucionalizou-se. Pratica o continuísmo sem evoluções. Ultimamente, anda até se dividindo, desentendendo-se. Depois de 30 anos de estrada, descobriram que um dos companheiros não tinha mais (ou nunca teve) profissionalismo e espírito de grupo. Escondia-se atrás da alfaia que deveria tocar, muito embora o som da banda tenha sumido. Consumido-se. Convenhamos: além dos Beatles, ninguém mais resiste a trinta anos de revoluções. E nunca mais a estrovenga girou, passando perto do meu pescoço.
Hoje, escuta-se fácil a trovoada dos tambores ocupando as esquinas do Recife. Em mais uma apropriação indébita, a classe média e a gringalhada tomou conta dos maracatus. Essa mesma classe média que alimentou e viabilizou a revolução dos mangues boys, sufoca o maracatu legítimo, o maracatu de raiz. Acelera o seu ritmo e o desassocia do fundo religioso que sempre nele existiu. Deus nos salve do dinheiro importante e necessário da classe média. O maracatu embranqueceu. Dói-nos até dizer que esse embranquecimento pode ter se iniciado com o mangue-beat (ou bit).
Deus me livre, também, de querer exercitar algum sentimento de culpa se a ordem sempre foi misturar tudo (Are you experience?). Nem mesmo alcancei dona Santa correndo da polícia no Pátio do Terço ou na Rua das Calçadas. Figura carismática e sintetizadora, como Chico também o foi. O que os diferenciava era a bagagem que cada um trazia. Os tempos também eram outros. E o produssumo ainda não queimava a bagagem.
Mas, que sou eu, um típico exemplar da classe média usurpadora, para querer exercitar o saudosismo? Reis mortos, reis postos! Quem imaginaria que aquele poste em frente a Escola dos Aprendizes Marinheiros, no caminho de Olinda, encerraria de forma abrupta e absurda uma revolução sonora? Ainda hoje quando passo por ali me arrepio de emoção e escuto o silêncio medonho e dramático da catástrofe. Bem ali, na beira do mangue, o sangue estancou na lama.
Chico Science morreu no dia 2 de fevereiro de 1997, uma sexta-feira, nos limites dos municípios de Olinda e Recife, às vésperas do carnaval e do Galo da Madrugada. No Recife, Lenine propôs que não houvesse mais carnaval nas cidades naquele ano. Impossível. Milhões de gritos primais represados em gargantas profundas aguardavam a sua liberação. O espetáculo não deveria e não poderia parar. Assim foi feito.
Em vida Chico gravou dois discos com a banda Nação Zumbi: Da Lama ao Caos e Afrociberdelia, ambos incluídos pela revista Rolling Stones entre os cem melhores discos da MPB em todos os tempos. Posteriormente, Chico seria colocado pela mesma revista entre os cem maiores artistas da música brasileira. Para mim, mais do que justo.
Dona Santa faleceu no Recife, em 1962, aos 85 anos. Filha e neta de africanos, nasceu no Pátio da Santa Cruz, no dia 25 de março de 1877. Foi rainha do Maracatu Nação Elefante por dezesseis anos, de 1947 até a sua morte.
Vida eterna ao rei e à rainha!

Recife, fevereiro 2016

domingo, 31 de janeiro de 2016

A Igreja da Boa Viagem





A IGREJA DA BOA VIAGEM
Bairro da Boa Viagem
Recife/PE, 31/01/2016
Fotografias de Clóvis Campêlo

Aqui, neste mesmo lugar...


O NAVIO
Praia do Pina
Recife/PE, 18/01/2016
Fotografia de Clóvis Campêlo



OS POMBOS
Praia do Pina
Recife/PE, 18/01/2016
Fotografia de Clóvis Campêlo


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Prédios da Boa Vista


PRÉDIOS DA BOA VISTA
O Recife visto do Pina
Recife, 15/01/2016
Fotografia de Clóvis Campêlo

Praia da Boa Viagm


PRAIA DA BOA VIAGEM
Recife, 27/12/2015
Fotografia de Clóvis Campêlo

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

As torres gêmeas


AS TORRES GÊMEAS
O Recife visto do Pina
Recife/PE, 15/01/2016
Fotografia de Clóvis Campêlo

O pescador


O PESCADOR
Praia da Boa Viagem, Recife,
27/12/2015
Fotografia de Clóvis Campêlo


sábado, 23 de janeiro de 2016

O Recife visto do Pina


O RECIFE VISTO DO PINA
Bairro da Boa Vista
Recife/PE, 15/01/2016
Fotografia de Clóvis Campêlo

O Castelinho


O CASTELINHO
Praia da Boa Viagem
Recife, 27/12/2015
Fotografia de Clóvis Campêlo


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Pátio do Livramento


PÁTIO DO LIVRAMENTO
Bairro do Santo Antônio
Recife/PE, 15/01/2016
Fotografia de Clóvis Campêlo

Bandeiras


BANDEIRAS
Praia da Boa Viagem,

Recife, PE, 27/12/2015
Fotografia de Clóvis Campêlo


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A solidão do poeta


A SOLIDÃO DO POETA
Recife/PE, 15/01/2016
Fotografa de Clóvis Campêlo

Praia de Calhetas


PRAIA DE CALHETAS
Cabo de Santo Agostinho/PE, 28/12/2015
Fotografia de Clóvis Campêlo

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

O mistério das bermudas


O MISTÉRIO DAS BERMUDAS

Clóvis Campêlo

Nos anos 60, a turma do Pasquim reclamava que numa cidade tropical como o Rio de Janeiro não se pudesse ir aos cinemas de bermudas. Todos os cinemas cariocas, naquela época, tinham como praxe barrar o minúsculo vestuário. Se no Rio era assim, imaginem no Recife de então, cidade pequena e decente.
Os tempos e os costumes mudaram, no entanto, e hoje a bermuda foi não só reabilitada como incorporada às vestimentas dos tempos modernos. Hoje, ela pode ser vista nos consultórios médicos, nos cinemas, nos aeroportos e em quase todos os outros lugares das cidades grandes. Ainda bem.
Porém, nas repartições públicas da província, mesmo o Recife tendo se transformado numa cidade grande e indecente, a bermuda continua proibida nas repartições públicas federais, estaduais e municipais. Confesso que nunca entendi a lógica dessa proibição, já que continuamos vivendo em um país tropical e abençoado por Deus.
Acho irracional ver pacientes e beneficiários sendo despachados na portaria da repartição pública onde trabalho, simplesmente por estarem usando o traje transgressor. Muitas vezes são pessoas de poucos recursos, portando apenas o dinheiro da passagem, até mesmo vindos do interior do Estado e de outras cidade, que são obrigados a retornar aos seus pagos sem a resolução ou encaminhamento das suas pendências.
Segunda a Wikipédia, a minha querida e moderna mãe dos burros, a bermuda é traje típico nas ilhas Bermudas, onde surgiu e se alastrou pelo mundo inteiro e de onde tomou emprestado o nome. Na minha idade, é o meu traje preferido. Não entendo como nas repartições públicas da minha terra são permitidas as mini-saias (nada contra!) e proibidas as bermudas. Que mistério é esse?
De uma maneira geral, o recifense é conservador. Talvez esse seja um ranço das influências inglesas nos séculos passados. Durante muito tempo fomos por eles influenciados. O trust multinacional inglês, que dominou a nossa economia em meados do século XVIII e início do século XIX, deixou-nos essa marca. Antes deles, fomos marcados pelo conservadorismo da influência portuguesa. Talvez o que nos tenha salvo da subserviência moral definitiva. O que digo, porém, não tem embasamento científico nenhum. Aliás, corro disso como o diabo corre da cruz. Sou apenas um curiólogo que adora interpretar a realidade ao seu modo e escrever com liberdade e criatividade. Foi Deus quem me fez assim.
Assim sendo, ao mesmo tempo em que procuro motivos e assuntos para uma nova crônica, pratico a ousadia de inventar teorias. A moralidade do povo maurício é evidente. Basta ir ao calçadão de Boa Viagem e olhar a indumentária dos que ali praticar a salutar caminhada recomendada pela Organização Mundial de Saúde. As pessoas vão caminhar no calçadão excessivamente vestidas, como se estivessem indo à missa ou a um velório. Praia é lugar de descontração e pouca roupa. Vivamos a descontração das cores e o privilégio da luz que a Natureza nos proprociona.
Talvez assim consigamos decifrar e redefinir o mistério da proibição das bermudas.

Recife, janeiro 2016

Gritando por um mundo melhor


GRITANDO POR UM MUNDO MELHOR
Recife/PE, 14/01/2016
Fotografia de Clóvis Campêlo

Praia de Calhetas


PRAIA DE CALHETAS
Cabo de Santo Agostinho/PE, 28/12/2015
Fotografia de Clóvis Campêlo

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Homem olhando o mar


HOMEM OLHANDO O MAR
João Pessoa/PB, 12/01/2016
Fotografia de Cida Machado

Cabo de Santo Agostinho


CABO DE SANTO AGOSTINHO
Cabo de Santo Agostinho/PE, 28/12/2015
Fotografia de Clóvis Campêlo

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A terra dos altos coqueiros


A TERRA DOS ALTOS COQUEIROS
Praia da Boa Viagem
Recife/PE, 31/12/2015
Fotografia de Clóvis Campêlo

O pescador


O PESCADOR
Praia de Calhetas,
Cabo de Santo Agostinho/PE, 28/12/2015
Fotografia de Clóvis Campêlo


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Atravessando a Abbey Road


ATRAVESSANDO A ABBEY ROAD

Clóvis Campêlo

No dia 8 de agosto de 1969, os quatro beatles se encontraram na Abbey Road para fazerem as fotografias mais famosas do mundo em todos os tempos. Uma delas, terminaria por ser escolhida para a capa do disco que levou o nome da hoje famosa rua londrina.
O autor das fotografias foi o escocês Iain Macmillan, amigo de John Lennon e Yoko Ono, que precisou apenas de dez minutos para clicá-las. A fotografia que findou ilustrando a capa do disco, a quinta da sequência, foi escolhida por Paul McCartney. Iain, o fotógrafo, morreria em 8 de maio de 2006, aos 67 anos de idade, vitimado por um câncer de pulmão.
Antes de chegar aos Beatles, porém, Iain conheceu Yoko em 1966, sendo por ela convidado para fotografar sua exposição no Indica Gallery. Através de Yoko Ono, chegou a John Lennon, que o convidou para fazer as fotografias do álbum. Apesar de ser amigo do fotógrafo e tê-lo indicado para fazer as fotografias, consta que Lennon reclamava insistentemente da demora (apenas dez minutos) e queria ir para o estúdio concluir a gravação, terminando logo “essas fotografias idiotas”. Explica-se: a ideia das fotografias tinha partido de Paul McCartney e entre eles, naquela época, havia uma “briga surda” pela liderança do grupo.
Consta, inclusive, que o disco, gravado na época do LP, havia sido dividido de uma maneira que cada lado contemplasse um dos músicos. Assim, o lado A, que ia de "Come Together" a "I Want You", foi feito para agradar a Lennon. É uma coleção de faixas individuais, enquanto que o lado B (para agradar a McCartney) contém uma longa coletânea de curtas composições que seguem sem interrupção. A sequência de juntar músicas inacabadas criadas por McCartney e Lennon em um enorme pout-pourri foi ideia de Paul, constituindo-se numa espécie de ópera dentro do disco. Lennon, porém, não gostava muito disso. Queria voltar ao velho e bom rock'n'roll dos tempo de Hamburgo.
Segundo os entendidos da música pop, porém, apesar foi no álbum Abbey Road, o último gravado pelo grupo, que George Harrison se firmou como um compositor de primeira linha. Após anos vivendo sob a sombra de John Lennon e McCartney, ele finalmente emplacou dois grandes sucessos com este álbum: "Here Comes the Sun" e "Something". Ambas as canções foram regravadas incessantemente ao longo dos anos, sendo que Something chegou a ser apontada pela revista Time como "a melhor música do disco" e como a segunda música mais interpretada no mundo, atrás somente de "Yesterday", também dos Beatles.
Voltando a fotografia da capa, porém, a fotografia escolhida conteria supostas "pistas"indicando que Paul estava morto: Paul está descalço (segundo ele, aquele dia fazia muito calor, e ele não estava aguentando ficar com nada nos pés), fora de passo com os outros, está de olhos fechados, tem o cigarro na mão direita, apesar de ser canhoto, e a placa do fusca, em inglês, "beetle", estacionado é "LMW" referindo se as iniciais de "Linda McCartney Widow" ou "Linda McCartney Viúva" e abaixo o "281F", supostamente referindo-se ao fato de que McCartney teria 28 anos se (if em inglês) estivesse vivo. Um contra-argumento é que Paul tinha somente 27 anos no momento da publicação de Abbey Road, embora alguns interpretem isso como ele teria um dia 28 anos se ele estivesse vivo.) Os quatro Beatles na capa, segundo o mito do "Paul está morto", representariam o Padre (John, cabelos compridos e barba, vestido de branco), o responsável pelo funeral (Ringo, em um terno preto), o Cadáver (Paul, em um terno, mas descalço - como um corpo em um caixão), e o coveiro (George, em jeans e uma camisa de trabalho denim). Além disso há um outro carro estacionado, de cor preta, de um modelo usado para funerais e eles andam em direção a um cemitério próximo a Abbey Road. Notem também que atrás do Paul tem um carro como se estivesse passado pelo mesmo lugar que ele está. Outra suposta pista seria que na contra-capa do álbum, ao lado esquerdo da palavra Beatles, haveria 8 pontos formando o número 3 (sendo então "3 Beatles"). O homem de pé na calçada, à direita, é Paul Cole, um turista dos EUA que só se deu conta que estava sendo fotografado quando viu a capa do álbum meses depois.
Nunca, amigos, beatlemaníacos ou não, uma fotografia foi tão badalada ou inserida de interpretações como essa. Acredito que nem mesmo o velho Iain, teria tido a intenção de provocar tanta celeuma ao clicar na sua máquina fotográfica. Mas, com ela, o grupo inglês encerrava a sua revolucionária carreira na música pop.
Acho inacreditável que, 46 anos depois, isso tudo ainda cause interesse e rebuliço. Ou serei eu que não consigo enxergar nada mais além dos Beatles?

Recife, dezembro 2015

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Vida de cachorro


VIDA DE CACHORRO

Clóvis Campêlo

O meu amigo Renato Rodrigues reclama, com razão, que as ruas do bairro da Boa Viagem estão infestada de fezes de cachorro. Nem todos os cachorreiros tem a consciência de que devem limpar o cocô dos seus animais. E, como se não já bastassem os esgotos estourados, Boa Viagem é só excrementos.
Embora não crie nenhum desses bichos, todos os dias costumo passear com Romeu, o cachorro maltês de Pedro, o meu neto. Já criamos uma rotina que é por ele cumprida com muita alegria. Afinal, ninguém gosta de viver trancado o dia inteiro dentro de um apartamento.
Nesses passeios, Romeu satisfaz as suas necessidades diárias e se desestressa no contato com outros cães. É impressionante como cada vez mais as pessoas dividem a existência com esses animais, pequenos ou grandes e nem sempre dóceis. Existe hoje um verdadeiro comércio que gira em torno dessas criações. Produtos criados especificamente para o consumo dos cães, e que vão de rações, passam por biscoitos, roupas e até cervejas e refrigerantes. Também já estão no mercado planos de saúde e funerários para cães e outros animais, hospitais veterinários e lojas pet shop cada vez maiores e mais completas. Incrível e impressionante como o sistema sempre encontra novos guinchos para se expandir e lucrar.
Voltando a Romeu, porém, nem sempre esses passeios são amistosos e pacíficos. Algumas vezes, por razões que a própria razão desconhece, os animais se estranham e se agridem. Foi o que aconteceu no encontro entre Romeu e Jean Pierre, um cão da raça basset, no calçadão de Boa Viagem, que se engalfinharam numa briga feroz. Depois da rusga, a jovem senhora proprietária do cãozinho cuja raça é oriunda da França, o repreendeu com severidade. Não me pareceu, no entanto, que Jean Pierre tivesse compreendido a bronca, muito mais interessado que estava em continuar a briga com Romeu. Coisa de cachorros, imagino.
Já noutro dia, encontro com Paulo e seu cãozinho, John Lennon, esse sim, muito mais amistoso. Deram-se bem, ele e Romeu. E descubro que Paulo, assim como eu, também é beatlemaníaco. Estava com uma camiseta que fazia referência aos shows de Paul McCartney no Recife, em 2012. Como ambos fomos aos shows, conversamos sobre isso: a excelente qualidade dos músicos que acompanhavam o velho Maca naquela ocasião; o boa forma do velhinho roqueiro, após três horas de show sob o intenso calor recifense, com o qual, com certeza, ela não estaria acostumado; a sua presença de palco e a sua empatia com o público, numa demonstração evidente de que aquela é realmente é a sua praia. Descubro que Paulo mora na mesma rua em que eu moro, e percebo que aquela pode ser uma nova amizade que está se iniciando, alimentada pela paixão pelos Beatles e pelo amor aos nossos cachorros. Coisa de urbanóides, com certeza.
Em janeiro, eu e o cachorro vamos nos separar. Meu neto vai morar em João Pessoa e Romeu o acompanhará. Talvez eu venha a arrumar outro companheiro para os passeios diários. Gostaria que fosse um cão preto, talvez até um vira-latas. Vou chamá-lo de Tubarão.

Recife, dezembro 2015

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

O arranha-céu da Pracinha do Diário




O ARRANHA-CÉU DA PRACINHA DO DIÁRIO

Clóvis Campêlo

Sobre a edificação, no seu blog, o falecido escritor Geraldo Pereira disse o seguinte: "Eu vi os primeiros prédios que foram levantados na cidade, impressionando os moradores todos. O Arranha-Céu da Pracinha chamou a atenção por anos a fio, até que se construiu na Aurora o Edifício Capibaribe, uma novidade para a classe média da época, bonita paisagem e acomodações confortáveis. Morava por lá o Dr. Edgar Altino, médico no Recife e figura respeitadíssima. A avenida Agamenon Magalhães foi feita sobre um mangue, rico em caranguejos, os quais ao primeiro trovão saiam das tocas. O meu avô – Bartolomeu Marques – morava na Rua Montevideu n° 77, em casa alugada, com dois quintais separados por um muro e um portão. Lá atrás havia outra entrada e eu fui várias vezes ao mangue caçar caranguejos".
Já Augusto Saboia, também no seu blog, escreveu: "O Arranha-céu da Pracinha é um exemplo de preservação em meio ao caos da linda Praça da Independência, centro nervoso do Recife, completamente degradada, suja, um descaso completo, uma pena, pois a mesma esta localizada na confluência de importantes avenidas de nossa cidade como a Guararapes e Dantas Barreto".
Aliás, na grande rede, sobre o edifício existem mais indagações do que informações. Já se falou que o prédio, que na década 60 foi "engolido" pelo Edf. Lar Brasileiro, construído ao seu lado, teria sido o primeiro com elevador feito no Recife. Não sei se a informação procede, já que outros edifícios contemporâneos a ele, como o prédio do Hotel Central, no bairro da Boa Vista, também possuem elevadores.
Enfim, transfiro as indagações minhas e alheias para quem possa ter condições de esclarece-las.

Recife, dezembro 2015

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Sobre cores e goleiros


Lev Yashin, o Aranha Negra

SOBRE CORES E GOLEIROS

Clóvis Campêlo

No futebol, os goleiros sempre foram participantes diferenciados. Tanto é assim que dentro da pequena área, onde ele pisa, a grama não cresce. Além do mais, em um esporte que é praticado com os pés, dentro da grande área, ele é o único atleta que pode movimentar a bola com as mãos. O goleiro, em geral, submete-se a um treinamento mais intensivo do que o dos outros jogadores - e com um treinador específico -, pois precisa ter muito mais atenção, rapidez e elasticidade que os demais, embora muitas vezes careça de outros dotes. Em suma, é um atleta normalmente com características muito distintas dos demais jogadores. E, diferentemente dos outros futebolistas, nunca pode falhar. A sua falha pode significar a derrota da equipe e o seu ostracismo. Grandes goleiros já passaram por isso.
Desde os tempos de antigamente que essa diferenciação também se reflete na sua indumentária. O traje do goleiro diferencia-se do traje dos outros jogadores da sua equipe. Naquele tempo distante, os goleiros vestiam-se de preto ou de cinza. O russo Lev Yashin, um dos maiores goleiros da história do futebol mundial, só jogava de preto, o que lhe rendeu a alcunha de Aranha Negra. Começou como goleiro de hóquei no gelo, passando depois a atuar no futebol de campo. Consta que durante a sua carreira, teria defendido cerca de 150 penaltes. Gostava de jogar se antecipando e projetando-se para fora da área, como um líbero. Pela seleção soviética de futebol, participou das Copas do Mundo de 1958, 1962, 1966 e 1970, embora nessa última, já aos 40 anos, tenha ido apenas como reserva. Fã do futebol brasileiro e do goleiro Gilmar, do Santos e da Seleção brasileira bicampeã do mundo, em 1965 obteve licença de seu governo para visitar o Brasil, escolhendo a cidade do Rio de Janeiro. Passava as manhãs na praia e às tardes treinava os goleiros do Flamengo, onde também mantinha a forma. Faleceu em 1990, aos 60 anos de idade. Sempre de preto, tornou-se uma lenda do futebol.
No futebol brasileiro dos anos 60, quem quebrou o estigma de jogar sempre de preto ou de cinza, foi o goleiro Raul Plasmann, do Cruzeiro. Na fortíssima equipe mineira de então, ao lado de Tostão, Piazza e Dirceu Lopes, gostava de usar uma camisa amarela. Essa diferenciação lhe rendeu na época o apelido de Wanderléa, numa referência pejorativa à musa da Jovem Guarda. Raul jogou ainda no São Paulo e no Flamengo de Zico, onde encerrou a sua carreira. Pela seleção brasileira de futebol, atuou apenas 17 vezes.
Dois outros grandes goleiros, que romperam com o estigma de serem apenas defensores passivos, foram o colombiano René Higuita e o brasileiro Rogério Ceni. Higuita, com seu longo cabelo cacheado, uniformes estranhos e um jeito peculiar para criar as maiores maluquices, o goleiro se tornou ícone da irreverência dentro de campo. Seu estilo "louco" de jogar, em que saia de sua área jogando e driblando adversários muitas vezes interferia no resultado do jogo (favorável ou desfavoravelmente). Higuita também ficou famoso por seus gols de faltas, de pênaltis, e pela folclórica defesa escorpião, em que se joga para frente defendendo a bola com os pés. Enfim, um goleiro maluco e colorido como nunca antes se havia visto no futebol mundial.
Revelado em 1990 pelo Sinop, do Mato Grosso, Rogério ceni foi contratado no mesmo ano pelo São Paulo, equipe da qual é titular desde 1997. Sua principal característica é a lealdade ao clube que serve, sendo atualmente o jogador que mais vestiu a camisa de um mesmo clube na história do futebol mundial, tendo superado Pelé, que vestiu a camisa do Santos em 1.116 jogos, além do norte-irlandês Noel Bailie, que mantém o recorde europeu com 1.013 jogos pelo modesto Linfield, e Ryan Giggs, que disputou 963 partidas pelo Manchester United.
Ceni possui inúmeros outros recordes expressivos, tal como o de maior goleiro-artilheiro da história do futebol mundial (com 129 gols até o momento), o jogador que mais vezes foi capitão de uma mesma equipe (961 jogos), e também o de jogador que mais venceu por um mesmo clube na história (com mais de 601 vitórias, batendo o recorde de Ryan Giggs, que era de 589 vitórias).
Destaca-se por ser o maior goleiro-artilheiro na história do futebol mundial até hoje. Sua precisão nas cobranças, tanto de faltas quanto de pênaltis, fizeram dele, em agosto de 2006, o goleiro com o maior número de gols marcados na história do esporte, superando o paraguaio Chilavert.
Chama a atenção também por ser o jogador com mais vitórias pelo mesmo time, superando o britânico Ryan Giggs, do Manchester United, que possui 589 vitórias. Ultrapassou essa marca no jogo contra o Goiás, em 27 de outubro de 2014, em jogo válido pelo campeonato brasileiro.
Outro recorde batido por Rogério foi o de jogador com o maior número de partidas como capitão em jogos oficiais: 866, contados entre 14 de agosto de 1994 e 24 de novembro de 2013. O número atual é de 953 partidas.

Recife, novembro 2015

sábado, 14 de novembro de 2015

Barcos na bacia do Pina


BARCOS NA BACIA DO PINA

Fotografia e pesquisa de texto de Clóvis Campêlo

Segundo o site Pesca Nordeste, em artigo assinado por Chrony Joseph, a capital pernambucana é conhecida mundo afora como a Veneza brasileira. O emaranhado de rios que entrecorta a metrópole nordestina lembra os canais da cidade italiana e faz da presença ribeirinha uma realidade sempre presente na vida de seus conterrâneos. Hoje, já fortemente marcada pela presença humana, não mostra mais a exuberância de outrora, porém, mesmo após anos de agressão, a vida natural teima em mostrar a sua resiliência.
Um exemplo palpável dessa realidade é a Bacia do Pina,composta pelas confluências dos rios Capibaribe (braços sul), Tejipió, Jordão e Pina. Com características estuarinas, a região sofre os impactos ambientais causados pelo homem, principalmente despejos de esgotos domésticos e industriais. Tem grande importância para a população local, pois é a principal fonte de alimentação de comunidades carentes que subsistem em seu entorno através da pesca.
Segundo matéria publicada no Jornal do Commercio do Recife, em 14/3/1999, assinada por Alex Maurício Araújo, a Bacia do Pina está situada após a bacia portuária do Porto do Recife, em plena zona urbana da cidade e é separada do Oceano Atlântico por meio de um dique, o qual impede o contato direto de suas águas com as do oceano. Possui uma extensão de aproximadamente 3,6 quilômetros e larguras variáveis, sendo a mínima de 0,26 quilômetros, e a máxima de 0,86 quilômetros, perfazendo uma área total de espelho d'água de aproximadamente 2,02 quilômetros quadrados.
É um ambiente dinâmico do ponto de vista hidrográfico com características estuarinas sujeitas à ação das marés provenientes do Porto do Recife e às alterações ambientais devido aos despejos de efluentes domésticos e industriais nos seus rios formadores (Tejipió, Pina, Jordão) e contribuinte (Rio Capibaribe via braço morto e antiga ponte giratória). Durante o verão, época mais crítica em termos ambientais, a contribuição das vazões dos rios fica minimizada relativamente à das águas do mar.

Bairro do Pina
Recife, 2000


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Escultura de Chico Science



ESCULTURA DE CHICO SCIENCE

Fotografias e pesquisa de texto de Clóvis Campêlo

Segundo o site da Prefeitura da Cidade do Recife, a obra faz parte do projeto Circuito da Poesia e foi confeccionada pelo artista plástico Demétrio Alves, à base de fibra de vidro.

O Circuito da Poesia é constituído ainda pelas estátuas de João Cabral de Melo Neto, na Rua da Aurora; Manoel Bandeira, também na Aurora; Clarice Lispector, Praça Maciel Pinheiro; Mauro Mota, na Praça do Sebo; Chico Science, no memorial do artista (Rua da Moeda); Solano Trindade, no Pátio de São Pedro; Ascenso Ferreira, no Cais da Alfândega; e Luiz Gonzaga, na Estação Central do Metrô. O projeto foi iniciado em 2005 e concluído em 2007 e tem por objetivo homenagear expoentes da cultura pernambucana e aproximar a história deles do público recifense.
Segundo o Diario de Pernambuco, a imagem do compositor e criador do manguebeat não poderia estar em outro local. A Rua da Moeda, no Bairro do Recife é o ponto original dos eventos do movimento mangue e faz parte do Polo Anfândega, junto com as Ruas Madre de Deus, da Alfândega, Aluísio Periquito, Aluísio Magalhães e trechos da Vigário Tenório e Alfredo Lisboa. O movimento, que mistura ritmos regionais com rock, hip hop, samba-reggae, funk e rap nasceu no Recife da década de 90 e foi responsável por colocar Pernambuco nos holofotes da cultura em todo o mundo.

Bairro do Recife Antigo
Recife, julho 2015


sábado, 7 de novembro de 2015

Igreja Matriz da Boa Vista











IGREJA MATRIZ DA BOA VISTA
Fotografias e pesquisa de texto de Clóvis Campêlo

Segundo a historiadora Semira Adler Vainsencher, em texto publicao no site da Fundaj, "Situada no bairro da Boa Vista, a Igreja Matriz da Boa Vista é considerada como um dos templos mais bonitos do Recife. A sua construção teve início em 1784, porém os trabalhos só foram concluídos 105 anos depois (em 1889), graças aos novos recursos votados pela Assembléia Provincial de Pernambuco.
O altar-mor da igreja não apresenta imagens: apenas o Cordeiro de Deus e o Santíssimo Sacramento, gravados na própria pedra de cantaria (por um artista pernambucano), e que são expostos diariamente aos fiéis. No interior da matriz, existem vitrais e pinturas de valor. Entre duas figuras de mulheres sentadas, vê-se um cisne, com as asas abertas e um longo pescoço. Estão presentes anjos, vasos, mostradores de relógios e guirlandas.
A fachada, toda em pedra de cantaria e sem pintura, possui um estilo renascentista, equivalente ao santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, cidade situada ao norte de Portugal. Os blocos de pedras vieram de Portugal, sendo necessário de três a quatro juntas de bois para conseguir retirá-los dos navios lusos, que estavam ancorados no porto do Recife, e levá-los até às obras. Observa-se na fachada, ainda, oito grossas colunas, de capitéis dóricos (na parte inferior) e capitéis coríntios (na parte superior)".

Bairro da Boa Vista
Recife, julho 2015