sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
À luz da fogueira
Clóvis Campêlo
À luz da fogueira,
desce a lua, sobe o balão,
é só brincadeira!
Recife, 2010
À luz da fogueira,
desce a lua, sobe o balão,
é só brincadeira!
Recife, 2010
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Luiz Marinho
Fotografia de Clóvis Campêlo/1991
LUIZ MARINHO
Fotografia feita em 1991, na sua residência, no bairro de Casa Amarela, no Recife, para o projeto "Escritores Pernambucanos Contemporâneos - um levantamento foto-biográfico".
Luiz Marinho nasceu na cidade de Timbaúba, no dia 8 de maio de 1926, e faleceu no Recife, no dia 3 de fevereiro de 2002, em consequência de um câncer na bexiga.
Como teatrólogo, escreveu as peças "Um sábado em 30", que tem como cenário a cidade onde nasceu, no ano em que Getúlio Vargas chegou ao poder.
Também são de sua autoria as peças "Viva o cordão encarnado", "Incelença" e "A afilhada de Nossa Senhora da Conceição", entre outras.
Seu corpo foi velado na Academia Pernambucana de Letras, da qual era membro, e enterrado no Cemitério de Santo Amaro.
Clóvis Campêlo
Recife, 2011
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Chega de saudades!
CHEGA
DE SAUDADES!
Clóvis
Campêlo
Mais
um ano se inicia e mesmo sem querer levar em consideração a divisão artificial
do tempo, obra fragmentária do ser humano racional, somos impulsionados e
repensar projetos e questões pessoais, reconsiderar amizades e propostas de
vida.
Todo
redirecionamento implica em aproximações e afastamentos. Qualquer relação
esmaece diante da constatação de que mudamos nós, ou os outros; diante da
constatação de que diminuíram, ou mesmo cessaram os nossos pontos comuns, os
pontos de interseção.
Se
de início esse fato pode nos parecer assustador e isolante, vamos verificar a
posteriori que no novo caminho nos aparecerão outras identidades e referências.
O que de novidade irá se nos oferecer, vai depender da nossa capacidade de
aceitação ou não.
Como
diz o poeta, o novo sempre vem. E muitas vezes não nos sobrará nada, ou muito
pouco, do que antes nos alimentava as ideias e relacionamentos.
Chega
de saudades, portanto! Saudades do que já se foi e já se esgotou no
desdobramento do tempo. Muitos se voltam para trás, receosos de seguir em
frente. Tentarão reter as mudanças com a justificativa de que no passado havia
mais ordem e progresso, ou talvez até mesmo por terem a ele (o passado)
sobrevivido. Talvez tentem até interpretar o momento presente com as
explicações emboloradas do passado, com teorias que, embora já tenham sido
úteis antes, mostram-se um tanto quanto ineficazes hoje. Talvez, por não terem
digerido o que se foi, tentem reviver o passado de forma inútil e dolorosa. Não
adianta: o novo sempre vem!
Outros
ainda, incapazes de se conterem no momento presente, tentarão antecipar o
futuro, sem perceber que o futuro se constrói no presente e que não se
antecipada de modo algum: tudo tem a sua hora e o seu tempo.
Enfim,
viver hoje como se não houvesse amanhã, respeitando, porém, o que já se passou
e contribuiu para a nossa formação, e respeitando e entendendo que o que haverá
de vir será apenas a resultante do nosso somatório de forças no presente.
Todos
são livres e responsáveis para construir o amanhã e construir a sua liberdade. Todos
tem o direito à vida e à felicidade.
domingo, 4 de janeiro de 2015
O Parque 13 de Maio
Fotografias de Clóvis Campêlo/2008
O PARQUE 13 DE MAIO
Clóvis Campêlo
Medindo 6,9 hectares, o Parque 13 de Maio foi inaugurado no dia 30 de agosto de de 1939, numa área situada entre os bairros da Boa Vista e de Santo Amaro. Projetado pelo engenheiro Domingos Ferreira, é o maior parque planejado do Estado de Pernambuco e o primeiro parque urbano histórico do Recife.
Consta que a sua construção teve início durante o governo do general Barbosa Lima (1892-1896), com o nome de Jardim 13 de maio.
Antes, porém, consta que vários projetos foram elaborados visando a criação de um parque naquelas imediações. O primeiro deles, em 1860, foi criado pelo engenheiro inglês William Martineau. Adotando um estilo geométrico, no projeto estavam incluídos os jardins da Faculdade de Direito. Era dividido em quatro jardins que se estendiam até a ponte Princesa Isabel.
Em 1875, o engenheiro francês Emile Beringuer também elaborou um outro projeto para o parque, contendo um coreto e um aquário em arquitetura de ferro, assemelhando-se, segundos os especialistas, com o Parc Monceau, em Paris.
Em 1930, o Parque foi reprojetado pela Prefeitura do Recife e inaugurado durante a realização do III Congresso Eucarístico Nacional, realizado na cidade.
Consta ainda que o paisagista Burle Marx também participou da elaboração do projeto dos seus jardins.
Na década de 40, foi construído no Parque o restaurante Torre de Londres, posteriormente desativado e demolido.
Nos anos 50, uma parte do Parque foi utilizada para a construção da Biblioteca Pública de Pernambuco e de quatro escolas públicas.
Nos anos 70, foram feitas várias reformas no local, sendo instalado um mini-zoológico, fontes luminosas, duas esculturas em concreto feitas pelo artista plástico Abelardo da Hora, representando um vendedor de caldo-de-cana e dois sertanejos sentados, tocando viola.
Em 1979, tanto o Parque 13 de Maio quanto a Faculdade de Direito do Recife tiveram os seus sítios declarados como área de preservação histórica.
Nos anos 80, o Parque foi todo cercado por grades, visando a segurança dos seus frequentadores e visando protegê-lo contra as ações de vandalismo que vinha sofrendo.
No Parque, além da grande quantidade de árvores nativas e oriundas de outros países, também podem ser vistas postes de ferro esculpidos com figuras mitológicas, equipamentos de recreação para crianças a adolescentes, bustos de figuras históricas como o de Joaquim José de Faria Neves Sobrinho, um dos fundadores da Academia Pernambucana de Letras, do general Dantas Barreto e do historiador Pereira da Costa.
Em área separada dentro do Parque, no prédio on funcionou a Escola Normal do Recife, funciona hoje a Câmara de Vereadores do Recife.
Na entrada do Parque existe uma placa com a seguinte inscrição:
"Este parque, cujo primeiro projeto data de 1865, foi construído em 1939, no governo de Agamenon Magalhães, pelo prefeito Novais Filho, para as solenidades do III Congresso Eucarístico Nacional".
Recife, 2008
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Histórias do Recife Olinda e Adjacências
sábado, 3 de janeiro de 2015
Dom Hélder Câmara
Fotografias de Clóvis Campêlo/1991
DOM HÉLDER CÂMARA
Clóvis Campêlo
Por duas vezes, estive na casa de Dom Hélder Câmara, na igrejinha da Rua das Fronteiras, no bairro do Dérbi, para encontrá-lo.
A primeira, numa noite de verão do ano de 1969, ao lado de dois amigos que estudavam comigo na Escola Técnica Federal de Pernambuco, que nessa época ainda funcionava no mesmo bairro, no prédio onde hoje funciona a Fundação Joaquim Nabuco, e que militavam comigo no Jubrapi (Juventude Unida de Brasília e Pina), grupo mantido pelos padres oblatos, que tanto combatiam à ditadura quanto apoiavam o povo na luta pela ocupação e posse da terra, naquele areal que se transformara numa das maiores favelas do Recife, naquele tempo. No Jubrapi, editávamos, no mimeógrafo, um jornaleco chamado Evolução, que tentava levar ao povo daquela comunidade um pouco de informação politicamente diferenciada, tentando burlar a censura que imperava na época. Talvez por ser um jornal de pequeníssimo alcance, passássemos despercebidos aos homens do poder e não fossemos importunados.
A nossa intenção era entrevistar o homem para publicar a entrevista no jornal. O arcebispo nos recebeu com a simplicidade e humildade que lhes eram peculiares. Mas, com o cenho carregado de preocupação, reclamou das investidas que sofria do temido Comando de Caça aos Comunistas, o qual chegara até mesmo, de madrugada, a metralhar as paredes da sua residência, uma saleta e um quarto simples no fundo da igreja. Afirmou, naquela ocasião, que tinha plena convicção de que, não fosse um homem conhecido em todo o mundo, já teria sido eliminado pelo regime de exceção. Marcamos um outro dia para retornar e fazer a entrevista e não mais voltamos. A situação se exacerbava com a edição do AI-5 e com o fechamento do Congresso Nacional, que aconteceria em outubro de 1969. Aquilo tudo, para três rapazes com pouco mais de 18 anos, era temerário. A entrevista terminou por não acontecer.
A segunda vez que tiver a oportunidade de estar com Dom Hélder Câmara na sua casa, foi 20 anos depois, em 1989. O Dom havia completado 80 anos e o governador Miguel Arraes de Alencar, colocara uma placa alusiva ao fato no portão posterior de acesso aos cômodos que abrigavam o arcebispo. Desta vez, eu estava sozinho. Por telefone, havia acertado com a sua secretária, para fazer uma série de fotografias. Esperava levar um sonoro não, mas o convite foi aceito e me mandou para a Igreja das Fronteiras, municiado com a minha vela máquina Practika alemã. Fiz uma boa série de fotografias coloridas, às quais foram depois por mim doadas ao Departamento de Iconografia da Fundação Joaquim Nabuco. Imaginei que lá estariam guardadas com mais segurança. Depois, arrependi-me. Hoje, sinto falta dessas fotografias no meu acervo pessoal, embora acredite que estejam disponíveis para consulta, lá na Fundaj.
As fotografias acima, porém, foram feitas por mim no ano de 1991, na Universidade Federal Rural de Pernambuco, durante o seminário “Ano 2000 sem Fome”, promovido por Dom Hélder na sua incansável luta por justiça social. Devo admitir que me orgulho disso tudo.
Recife, 2015
Carnaval em Bezerros
Fotografia de Clóvis Campêlo/2005
CARNAVAL EM BEZERROS
Clóvis Campêlo
O Carnaval em Bezerros, cidade situada no agreste pernambucano, é assim: bom, bonito e barato.
Conhecida por sua folia de papangus, Bezerros já está definitivamente incluída no roteiro cultural e carnavalesco do Estado.
O auge da folia acontece no domingo de carnaval, quando a prefeitura da cidade organiza o desfile dos papangus.
Como a alegria é democrática, cada um se fantasia como quer dando asas à imaginação.
Recife, 2005
O Carnaval em Bezerros, cidade situada no agreste pernambucano, é assim: bom, bonito e barato.
Conhecida por sua folia de papangus, Bezerros já está definitivamente incluída no roteiro cultural e carnavalesco do Estado.
O auge da folia acontece no domingo de carnaval, quando a prefeitura da cidade organiza o desfile dos papangus.
Como a alegria é democrática, cada um se fantasia como quer dando asas à imaginação.
Recife, 2005
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
Restos de Campanha
Fotografias de Clóvis Campêlo/1992
RESTOS DE CAMPANHA
Clóvis Campêlo
Trabalho feito com o Grupo 3, no Recife, em 1992, durante as eleições municipais.
O registro reflete a luta pela ocupação dos espaços verticais durante a campanha eleitoral daquele ano, num trabalho inconsciente de criação coletiva que passava despercebido para a maioria das pessoas.
A nós, fotógrafos do grupo, coube apenas escolher o enquadramento e fazer o registro das composições originais e inusitadas.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
Sem nexo
Clóvis Campêlo
Gritei como um louco varrido, doido, doído, dorido, colorido.
A noite era imensa, vazia, vadia.
Eu eu a queria como se quer uma coisa qualquer, possível, acessível, temível.
A chuva caía e se encaixava como uma luva naquele cenário.
O asfalto molhado refletia no chão o neon, a lua oval da Esso, a marca monarquista da McDonalds, os signos da república democrátrica capitalista.
O sumo do consumo.
Era assim que a via.
Era assim que havia de ser.
Era assim.
Apenas uma mulher sensual, objeto do meu prazer.
Aquilo seria prova dos nove fora nada.
Chove chuva para apagar o fogo do meu desejo, meu ensejo de possuí-la, de tê-la a qualquer preço.
Que todos se fodessem: o guarda Ambrósio, o pé torcido dela, os transeuntes, a moral, a cultura e a civilização.
Naquele momento, eu era um bicho e queria sexo sem nexo.
Recife, 2011
Gritei como um louco varrido, doido, doído, dorido, colorido.
A noite era imensa, vazia, vadia.
Eu eu a queria como se quer uma coisa qualquer, possível, acessível, temível.
A chuva caía e se encaixava como uma luva naquele cenário.
O asfalto molhado refletia no chão o neon, a lua oval da Esso, a marca monarquista da McDonalds, os signos da república democrátrica capitalista.
O sumo do consumo.
Era assim que a via.
Era assim que havia de ser.
Era assim.
Apenas uma mulher sensual, objeto do meu prazer.
Aquilo seria prova dos nove fora nada.
Chove chuva para apagar o fogo do meu desejo, meu ensejo de possuí-la, de tê-la a qualquer preço.
Que todos se fodessem: o guarda Ambrósio, o pé torcido dela, os transeuntes, a moral, a cultura e a civilização.
Naquele momento, eu era um bicho e queria sexo sem nexo.
Recife, 2011
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