quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Mercado Eufrásio Barbosa











MERCADO EUFRÁSIO BARBOSA
Olinda, julho 2014
Fotografias de Clóvis Campêlo


O astro rei


O ASTRO REI
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, PE, 1992


Bacalhau de Garanhuns e Chico da Cobra


BACALHAU DE GARANHUNS E CHICO DA COBRA,
Recife, março 2009
Fotografia de Clóvis Campêlo

Gatos na praça







GATOS NA PRAÇA
Recife, 10/12/2014
Fotografias de Clóvis Campêlo

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O gato da Sé


O GATO DA SÉ
Alto da Sé, Olinda, junho 2014
Fotografia de Clóvis Campêlo


Ela


ELA

Clóvis Campêlo

A lua? Achei-a bem cheia,
uma gueixa, sem queixas,
nua, iluminando a rua.

Recife, 2010

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Quando dezembro chegava


QUANDO DEZEMBRO CHEGAVA

Clóvis Campêlo

Para mim, dezembro sempre foi um mês especial.
Primeiro, por conta do meu aniversário, no começo do mês. As alegrias começavam aí.
Depois, vinham as férias escolares. A liberdade do final das aulas deixava em aberto a praia do Pina, as peladas, as pescarias, as incursões no areial do Aeroclube, em busca de passarinhos e barba-de-bode para construir as gaiolas.
Por falar em passarinhos, a casa onde morávamos ficava junto ao Grupo Escolar Landelino Rocha, com um vasto terreno repleto de pés de oitis da praia, onde os papacapins, canários e patativas, quando chegava o verão, procriavam em profusão. No verão, aliás, o nosso quintal se coloria de pássaros, em busca dos frutos das árvores plantadas pelo meu pai.
Dezembro trazia e traz, ainda hoje, a festa de Nossa Senhora da Conceição, que mesmo sem ser a padroeira do Recife é reverenciada com fervor pela cidade inteira. E lá íamos nós para o Morro da Conceição, em Casa Amarela, rezar aos pés da Santa e também curtir o lado profano da festa.
Essa tradição de reverência foi cultivada por dona Tereza, minha mãe, até o final da vida. Um ano, no dia 8 de dezembro, acordamos tarde e notamos a sua ausência. Saíra sem deixar nenhum recado e sem dizer para onde ia. Já se aproximava a hora do almoço e nada de notícias dela. Começávamos a ficar preocupados, quando vimos na televisão a imagem da festa no morro e quem aparecia em primeiro plano? Exatamente ela, dona Tereza, que tinha ido saldar o seu compromisso com a Santa.
Mas, dezembro também era a perspectiva da aproximação do Natal, com suas festas, presentes, comidas e comemorações, numa época em que os vizinhos ainda primavam por uma política do bom relacionamento e da consideração.
Dezembro também trazia os pastoris e os reisados, tradições culturais alimentadas e mantidas pelas camadas mais pobres da população. Embora na minha rua tivesse um palco onde se apresentava o Pastoril de “Seu” Nequinho, com o seu saxofone sempre em punho, gostava de enveredar pelas comunidades do Encanta Moça e do Bode em busca de outras alegrias e alegorias.
Era uma festa de cores, sons e alegrias que culminava, no final do mês, com a entrada do Ano Novo.
Só não era feliz quem não queria.

Recife, 2010

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Pelas ruas do Recife - Cena 2


PELAS RUAS DO RECIFE - CENA 2
Comemoração do centenário de Nossa Senhora do Carmo como padroeira do Recife, 16/7/2009
Vídeo de Clóvis Campêlo


Israelita Sport Club


ISRAELITA SPORT CLUB

Clóvis Campêlo

Para Paulo Lisker

Segundo consta, o Israelita Sport Club foi fundado no dia 8 de setembro de 1922 por um grupo de alunos do Colégio Israelita do Recife.
Seu uniforme tinha as camisas brancas e os calções e meiões azuis. Seu mascote era um pombo.
Sem nenhum mérito, participou do Campeonato Pernambucano nos anos de 1931, 1932 e 1933, sendo um autêntico saco de pancadas.
Em 1931, ano em que o Santa Cruz foi campeão pernambucano pela primeira vez, tendo o Náutico como vice, além desses dois clubes, o Israelita disputou o certame ao lado do América Futebol Clube, Associação Atlética Arruda, Club Sportivo da Encruzilhada, Íris Sport Clube, Sport Clube do Recife, Sport Club Flamengo, Torre Sport Club e Fluminense do Recife.
Disputou 10 jogos, perdendo todos, marcando apenas 11 gols e sofrendo 68, com um saldo negativo de 57 tentos.
Estreou no dia 14 de maio, enfrentando o Náutico e perdendo por 12x0.
No dia 31 de maio, voltou a campo para ser derrotado pelo Fluminense pelo placar apertado de 3x2.
Só voltaria a jogar em 21 de junho, quando perdeu para a Associação Atlética Arruda por 3x2.
No dia 30 de agosto, mês do desgosto, sofreu nova goleada, dessa feita para o América: 10x0.
No dia 20 de setembro, perdeu para o Flamengo por 3x0.
No dia 18 de outubro, enfrentou o Sport e foi derrotado pelo placar de 7x4.
Só voltaria a jogar noa dia 15 de novembro, Dia da Proclamação da República, sendo impiedosamente goleado pelo Santa Cruz: 10x0.
Ainda em novembro, nova derrota. Dessa feita para o Íris, por 8x2.
Em dezembro, duas novas derrotas pelo mesmo placar: 5x0. No dia 13, para o Encruzilhada, e no dia 20, para o Torre, despedindo-se do certame de forma melancólica.
Em 1932, o Santa Cruz conquistaria o seu primeiro bicampeonato, dessa feita tendo o Íris Sport Club como vice-campeão.
O campeonato foi dividido em duas séries. Da Série Azul, ganha pelo Íris Sport Club, além dele, participaram o Club Sportivo da Encruzilhada, Clube Náutico Capibaribe, Sport Clube do Recife e Torre Sport Club. Da série Branca, ganha pelo Santa Cruz, além do clube coral, participaram o América Futebol Clube, Associação Atlética Great Western, Israelita Sport Club, Sport Club Flamengo e o Fluminense do Recife.
Naquele ano, o Israelita teve um melhor desempenho, disputando 10 jogos, dos quais perdeu 8, venceu um e empatou outro. Marcou 14 gols e sofreu 51, ficando com um saldo negativo de 37.
Estreiou no dia 10 de abril, perdendo para O Santa Cruz por 8x0.
No dia 24 de abril, nova derrota, dessa feita para o América: 9x1.
No dia 15 de maio, perdeu para o Flamengo por 4x1.
Em 5 de junho, foi atropelado pelo trem da Great Western: 6x2.
No dia 16 de julho, num momento de grande superação, conseguiu empatar como Fluminense: 3x3.
Em 15 de agosto, no jogo de volta da Série Branca, deixou de se apresentar em campo, perdendo para o Santa Cruz por WxO.
No dia 4 de setembro, levou outra lapada do América: 12x1.
Ainda em setembro, porém, no dia 18, seu grande momento de glória: venceu a equipe do Flamengo por 3x2.
No dia 2 de outubro, no entanto, teve uma recaída e voltou a perder para a Great Western: 3x1.
E despediu-se do certame, naquele ano, perdendo para o Fluminense por 4x2, no dia 30 de outubro.
Em 1933, ano em que o Santa Cruz conquistou o tricampeonato pernambucano de futebol, com o Varzeano como vice, o torneio foi novamente dividido em duas séries (Azul e Branca).
O Israelita fez a sua despedida do certame participando da Série Branca, ao lado da Associação Atlética Great Western, Ateniense Futebol Clube, Varzeano Sport Club, Fluminense do Recife e Tuyuty.
Estreiou no dia 23 de abril, perdendo para o Tuyuty por 6x1.
Mais de um mês depois, no dia 28 de maio, voltou a ser derrotado, dessa feita pelo Atheniense, por 2x1.
Para não perder o ritmo, no dia 2 de julho, enfrentou o Fluminense e experimentou mais uma derrota: 3x0.
Incansável, ainda em julho, no dia 23, consegui um empate glorioso contra a Great Western: 2x2.
Não satisfeito, no dia 3 de setembro, carimbou outro empate por 2x2, contra o Tuyuty.
Mantendo uma incrível série de três jogos sem derrota, no dia 17 de setembro, empatou com o Varzeano em 0x0.
Mas, como nem tudo é perfeito, no dia 29 de outubro, voltou a perder para o Atheniense por 2x0.
No dia 19 de novembro, Dia da Bandeira, encarou mais uma derrota: 3x1, para o Fluminense, seu jogo de despedida, já que o jogo final, contra a Great Western não chegou a ser realizado.
Foram 9 jogos, em 1933, com três empates e seis derrotas, sete gols a favor e 21 contra, com saldo negativo de 14.
Ao todos, nos três anos, o Israelita realizou 29 jogos, com apenas uma vitória, quatro empates e 24 derrotas, marcando, nos três anos, 32 gols e sofrendo 140, com um saldo negativo de 108 tentos. Uma retrospectiva de fazer inveja ao Íbis, que seria fundado em 1938.
Porém, nem tudo foi negatividade na vida do clube judeu do Recife. Segundo a Wikipédia, em raros momentos de surtos vencedores, nos anos de 1927 e 1941, ele chegou a ganhar a desconhecida Copa Torre.
Vencedor ou não, o Israelita Sport Club faz parte da história do futebol pernambucano.

Recife, 2010


domingo, 7 de dezembro de 2014

Escultura de João Cabral de Melo Neto



ESCULTURA DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO
Recife, dez/2013
Fotografias de Clóvis Campêlo


Já que sou brasileiro!


JÁ QUE SOU BRASILEIRO!
Desenho de Autor Desconhecido
Recife, 2013
Fotografia de Clóvis Campêlo


Na Bacia do Rio Pina


NA BACIA DO RIO PINA
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife/PE, 2009


sábado, 6 de dezembro de 2014

Curtindo Chico Bode


CURTINDO CHICO BODE

O Bar de Chico Bode fica em São Luís do Maranhão, no bairro da Cohama, e é um reduto de boêmios e out-sides.
Vídeo de Clóvis Campêlo
São Luís/MA, 2010

Forte Orange


FORTE ORANGE
Ilha de Itamaracá/PE, 2004.
Fotografia de Clóvis Campêlo


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

José Calvino de Andrade Lima


Depoimento do escritor e poeta José Calvino de Andrade Lima, membro do grupo virtual Poetas Independentes, a Clóvis Campêlo.
Recife, 08/10/2009

Bloco Minha Cobra


BLOCO MINHA COBRA
Olinda/PE, 2013
Fotografia de Clóvis Campêlo


A arraia pintada






Fotografias de Cida Machado e Clóvis Campêlo/2010

A ARRAIA PINTADA

Clóvis Campêlo

Houve um tempo em que era comum se encontrar peixes e crustáceos em abundância na para do Pina. Depois, o progresso chegou e os espantou. É bem verdade que nos anos 60 existia o cano que servia de emissário submarino e despejava no mar os dejetos vindos da estação de tratamento de esgotos, no bairro da Cabanga. Isso servia de alimento para os peixes que eram por eles atraídos. A pesca era farta naquele local. Pescava-se de rede, anzóis e mergulho. Havia até quem se utilizasse das temidas bombas, soltadas dentro da água e atordoando os peixes que se tornavam presas fáceis.
Nos corais existentes, havia ainda lagostas, guajás, aratus e moréias, além da mariquita um peixe vermelho abundante que ficava preso nas pequenas poças de água das pedras quando a maré baixava. a retirada do canos do local, nos anos 90, diminuiu a oferta de peixes e outros animais, e muito menos de arraias pintadas.
Hoje, por conta do assoreamento, até as pedras de corais estão desaparecendo.
Segundo a Wikipédia, a arraia pintada é um peixe da família dos miliobatídeos. A sua boca assemelha-se ao bico de uma ave e a cauda tem um chicote com até cinco ferrões que inoculam um forte veneno. Tem o dorso azul-escuro pintado com bolinhas brancas. O ventre é branco.
Pode ser encontrada em todas as águas tropicais do Atlântico. Habita normalmente os fundos de estuários e baías e é capaz de nadar grandes distâncias em mar aberto. Quando adulta, pode pesar até 120 quilos.
A arraia pintada pescada na praia de Ponta de Pedras era pequena, com cerca de 12 quilos. Enrolou-se na rede do pescador que a trouxe para a praia onde rapidamente a destrinchou. Mal deu tempo de fazermos o registro fotográfico.

Recife, 2010

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Jangadas do Pina



JANGADAS DO PINA
Recife, dezembro 2013
Fotografias de Clóvis Campêlo

Djalma Machado


Depoimento de Djalma Machado de Souza Filho, economiário aposentado, ex-participante do Jubrapi e morador de Brasília Teimosa nos anos 60 e 70.
Depoimento prestado a Clóvis Campêlo, Recife, 08/08/2009.


A Casa da Cultura


CASA DA CULTURA
Recife/PE, 1990
Fotografia de Clóvis Campêlo


O Homem da Meia Noite


O HOMEM DA MEIA NOITE

Clóvis Campêlo

É o mais famoso boneco gigante do carnaval de Olinda.
O bloco foi criado por Benedito Bernardino da Silva, Sebastião Bernardino da Silva, Luciano Anacleto de Queiroz, Cosme José dos Santos, Manoel José dos Santos e Eliodoro Pereira da Silva, no dia 2 de fevereiro de 1932, como uma dissidência do bloco Cariri, que saía às 4:30 horas do domingo de carnaval e se intitulava com a primeira agremiação a desfilar pelas ruas da Marim dos Caetés.
O boneco foi concebido pelos amigos e fundadores do bloco Benedito e Luciano, que o criaram para desfilar puxando o bloco à meia-noite do sábado de Zé Pereira, abrindo o carnaval da cidade.
Ao longo dos anos, foram vários os carregadores oficiais que conduziram com sucesso o boneco famoso pelas ruas e becos de Olinda: Enrique Alabamba, Amaro Biluca, Basto, Paulo 19 e Alcides Honório dos Santos, o Cidinho, este o mais famoso que conduziu com elegância o calunga por mais de 40 anos. Hoje é Pedro Garrido quem assume essa grande responsabilidade. O boneco chega a medir 4 metros de altura e pesa aproximadamente 50 quilos.

Recife, 2009

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Miguel Arraes e o MST











MIGUEL ARRAES E O MST
Recife, 1993
Fotografias de Clóvis Campêlo


Berto Pororoca


BERTO POROROCA

Depoimento de Carlos Alberto da Silva, o Berto Pororoca, ex integrante do JUBRAPI e da Oposião Metalúrgica de São Paulo. Técnico em refrigeração, hoje trabalha na sua oficina em Brasília Teimosa, é devoto de N. Sa. da Conceição e São Jorge, o santo guerreiro, e toca cuíca na Escola de Samba Saberé.
Depoimento prestado a Clóvis Campêlo, em 24/10/2009.


Escada


ESCADAS
Recife/PE, 1991
Fotografia de Clóvis Campêlo


Levino Ferreira


LEVINO FERREIRA

Clóvis Campêlo

Levino Ferreira nasceu no dia 2 de dezembro de 1890, na cidade de Bom Jardim, no agreste de Pernambuco.
Desde cedo dedicou-se à arte musical. Aos dez anos já compunha dobrados,polcas e valsas para as Bandas de Limoeiro, João Alfredo e Bom Jardim.
Estudou de início com o professor Pompeu Ferreira, tornando-se depois autodidata. Na Banda 22 de Setembro de Bom Jardim, regida pelo maestro Tadeu Ferreira, aprendeu a tocar vários instrumentos, passando, em pouco tempo, a mestre da Banda. Seu talento e a fama logo conquistada o levaram a mestre das bandas de Limoeiro, João Alfredo, Surubim, Orobó e Salgadinho.
Chegou ao Recife em 1935, aos 45 anos, a convite do maestro e compositor Zumba, o General do Frevo. Nesse mesmo ano, teve o seu frevo "Satanás na onda" gravado pela Orquestra Odeon, depois de vencer o Concurso de Frevos do Recife.
Na Rádio Clube de Pernambuco, tocou sax, trombone e piston. É o autor do poema sinfônico "A Dança Brasileira do Cavalo Marinho", que chegou a ser executado pela orquestra da BBC de Londres.
Além da Rádio Clube de Pernambuco, trabalhou em diversas outras rádios recifenses, como a Rádio Tamandaré.
Foi professor de música e integrou a Orquestra Sinfônica de Pernambuco como fagotista, por escolha do maestro Vicente Fitipaldi.
Faleceu no Recife, no dia 9 de janeiro de 1970, deixando uma extensa obra musical, entre frevos, maracatus, peças folclóricas e religiosas.
Em sua homenagem, no ano do seu falecimento, a Prefeitura do Recife e a Empresa Metropolitana de Turismo criaram o Troféu Levino Ferreira, para homenagear os clubes sociais do Recife.
Em 1971, recebeu postumamente a Medalha do Mérito da Cidade do Recife.
Em 2008, teve os frevos "Último dia" e Lágrima de folião" gravados pela Spock Frevo Orquestra, com as participações especiais de Armandinho e Léo Gandelman.


Recife, 2009

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A moça do maracatu


A MOÇA DO MARACATU
Recife/PE, carnaval de 2009
Fotografia de Clóvis Campêlo


Eu sou Dilma!


EU SOU DILMA!

Clóvis Campêlo

Em 1998, quando na disputa pelo Governo de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos derrotou Miguel Arraes de Alencar por uma diferença superior a 1 milhão de votos, estabeleceu com as forças mais reacionárias da política pernambucana um acordo visando dominar o Estado pelos próximos 20 anos. Esse projeto encampava a reeleição do prefeito Roberto Magalhães, em 2000, e a anulação das forças políticas de esquerda no Estado.
No entanto, naquela mesma eleição, o projeto começou a dar água e afundou de vez por conta das desavenças internas entre o personalista Jarbas e os seus aliados de última hora e da empáfia e arrogância do prefeito Roberto Magalhães, que tentava a reeleição contra o famélico João Paulo de Lima e Silva, negro, filho de um cobrador de ônibus, ex-metalúrgico, fundador da CUT e do PT no Estado de Pernambuco, e candidato heróico das oposições esquerdistas à cobiçada prefeitura.
Entre outras coisas, apoiando-se nas pesquisas que garantiam a sua vitória ainda no primeiro turno da eleição municipal, Roberto Magalhães chegou ao displante de dar uma banana às pessoas que o vaiavam no calçadão de Boa Viagem. Foi mais longe, porém: em um debate na televisão pernambucana, no alto da sua prepotência, chegou a afirmar aos telespectadores que não mudaria o seu jeito de ser e quem quisesse que votasse nele assim mesmo. Resultado: deixou de ganhar a eleição no primeiro turno e a perdeu definitivamente no segundo.
Com todo o seu perfil "negativo", João Paulo foi eleito prefeito do Recife, aniquilando o sonho reacionário da direita e abrindo caminho para a eleição de Eduardo Campos, neto de Miguel Arraes, ao Governo do Estado, em 2006.
Com dois mandatos conquistados pelo voto direto e com duas grandes administrações, João Paulo ainda se deu ao luxo de eleger o seu sucessor, João da Costa, um ilustre desconhecido do eleitorado recifense.
Hoje, a cidade do Recife e o Estado de Pernambuco vivem momentos de grande afirmação política e econômica, deixando para trás o que havia de mais retrógado.
Foi esse pessoal derrotado que José Serra escolheu para aliado. É esse pessoal derrotado que nós, recifenses e pernambucanos, não queremos mais ver de volta ao poder.
Foi esse pessoal derrotado que sofreu novo revés nas urnas, esse ano, quando Eduardo Campos devolveu com sobras, a Jarbas Vasconcelos, a derrota sofrida por seu avô, em 1998.
É por isso tudo e muito mais, e pensando no Novo Brasil que se consolida no presente como o país do futuro, que, amanhã, dia 31 de outubro, votarei em Dilma Roussef para a Presidência da República.
Atraso, nunca mais.

Recife, 2010

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Bartolomeu Lima


BARTOLOMEU LIMA

Depoimento de Bartolomeu Lima, professor, teatrólogo, poeta e membro da Turma do Pina pós Jubrapi.
Depoimento prestado a Clóvis Campêlo, em 30/8/2009, domingo, à tarde, no Parque das Esculturas, no Recife Antigo.


Dia de Finados




DIA DE FINADOS
Recife/PE, 1998
Fotografias de Clóvis Campêlo

A janela do meu quarto


O Pátio da Santa Cruz, no Recife

A JANELA DO MEU QUARTO

Clóvis Campêlo

Houve um tempo em que a janela do meu quarto dava para os telhados dos casarões do bairro da Boa Vista.
Nas noites quentes de verão, da janela do meu quarto, podia ver os gatos vadios peregrinando sobre as telhas em busca de sexo, ratos e outras bobagens mais.
Nos dias claros de verão, quando o céu iluminado do Recife intensificava o seu azul, da janela do meu quarto, podia ver as torres brancas da Igreja de São Gonçalo, realçadas, contrastando com o vermelho queimado dos telhados.
Nas manhã invernosas, da janela do meu quarto, via a cidade esfriar e se perder nas brumas da chuva fina e constante.
Nos Domingos de Ramos, da janela do meu quarto, podia ver os fiéis se encaminhando à igreja, logo cedo, pela manhã, com seus ramos de palmeiras, atendendo ao chamado dos sinos que convocavam para a primeira missa do dia e simbolizando a entrada de Cristo em Jerusalém, montado em seu burrico.
Nos sábados pagãos, da janela do meu quarto, podia ouvir o burburinho do Mercado da Boa Vista em festa, com seus bêbados e boêmios alegres convidando-nos aos prazeres inevitáveis do pecado.
Nos dias de carnaval, da janela do meu quarto, podia ouvir os clarins do frevo, com seus passistas famosos, e o baticum incessante dos maracatus no Pátio da Santa Cruz, com seus reis e rainhas negros e célebres.
Da janela do meu quarto, ainda nos dias alegres dos carnavais, escutava a algazarra das laursas e o som do bumba-meu-boi, cultuando a tradição e se negando a aceitar a modernidade que começava a invadir a cidade pequena e decente.
Da janela do meu quarto, vi o tempo passar, qual rio incessante e sinuoso, e desaguar no mar do futuro, deixando para trás lembranças, pessoas, amigos, fatos, parentes, pedaços da vida.

Recife, 2010