Depoimento prestado a Clóvis Campêlo em 06/9/2009, na sua casa, em Brasília Teimosa.
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Renato Rodrigues
Quem poderá entender o mundo?
QUEM PODERÁ ENTENDER O MUNDO?
Clóvis Campêlo
Não somos os donos do mundo. Muito pelo contrário. Estamos nele inseridos e nem sempre conseguimos entender a lógica do seu funcionamento. Para complicar ainda mais, a natureza nos deu o dom do pensamento e da memória. A partir daí, idealizamos e entramos em choque com o real. Essa angústia é inerente ao ser humano.
Vejam as galinhas, as maiores amigas do homem (não é o cachorro e nem o uísque). Simplesmente vivem. Ciscam, põem seus ovos em paz (não sei se curtem a TPM diária, as consequências da ovulação constante). Não têm preocupações com o comunismo, com as oscilações das bolsas de valores, não poluem os oceanos e nem os ares. Simplesmente vivem sem idealizar nada do que seja. Com seus olhos de galinha, não enxergam nada que não seja a realidade imediata: a comida, os pequenos insetos que as alimentam, a água para beber, etc. Tudo muito simples.
A complexidade da vida quem inventou fomos nós, os humanos. Adulteramos a natureza, criamos máquinas nem sempre úteis, evoluimos, perdemos a nossa condição intuitiva e instintiva. Inventamos a literatura, as religiões, as leis, as regras sociais, os sentimentos baratos, a angústia e a infelicidade. E ainda nos achamos feitos à semelhança de algum ser superior existente.
Somos realmente inteligentes ou a inteligência foi apenas mais um mecanismo diabólico inventado para a nossa infelicidade?
Sei que não é de bom aviltre filosofar antes da hora do almoço. Sabe como é: a barriga vazia, a hipoglicemia podem nos fazer delirar, inventar fantasias, nos trair. Como seres perdidos no deserto, andamos em círculos sem nos encontrarmos e ficamos a delirar, imaginando fantasias exóticas e oásis ideais.
Que diabo de mundo é esse onde o pensamento do ser humano em vez de levá-lo à felicidade cria dicotomias, guerras fratricidas, insatisfações, violência, artificialismos degradantes.
Sei lá! A vida é curta, passa depressa e nem sempre devemos alimentar a ilusão de que temos controle sobre isso tudo.
Imaginem se usássemos mais de 10% da nossa cabeça animal. Poderia ser muito pior. O mundo é simples se o entendermos como o vemos, sem idealizações bobas e sem fantasias construtivistas inúteis.
Não sei se isso é possível, já que essa crônica besta é mais uma divagação, uma construção teórica sobre o nada.
Mas que ao menos tentemos exercitar a simplicidade e a compreensão.
Antes que o outro nos destrua.
Recife, 2010
Não somos os donos do mundo. Muito pelo contrário. Estamos nele inseridos e nem sempre conseguimos entender a lógica do seu funcionamento. Para complicar ainda mais, a natureza nos deu o dom do pensamento e da memória. A partir daí, idealizamos e entramos em choque com o real. Essa angústia é inerente ao ser humano.
Vejam as galinhas, as maiores amigas do homem (não é o cachorro e nem o uísque). Simplesmente vivem. Ciscam, põem seus ovos em paz (não sei se curtem a TPM diária, as consequências da ovulação constante). Não têm preocupações com o comunismo, com as oscilações das bolsas de valores, não poluem os oceanos e nem os ares. Simplesmente vivem sem idealizar nada do que seja. Com seus olhos de galinha, não enxergam nada que não seja a realidade imediata: a comida, os pequenos insetos que as alimentam, a água para beber, etc. Tudo muito simples.
A complexidade da vida quem inventou fomos nós, os humanos. Adulteramos a natureza, criamos máquinas nem sempre úteis, evoluimos, perdemos a nossa condição intuitiva e instintiva. Inventamos a literatura, as religiões, as leis, as regras sociais, os sentimentos baratos, a angústia e a infelicidade. E ainda nos achamos feitos à semelhança de algum ser superior existente.
Somos realmente inteligentes ou a inteligência foi apenas mais um mecanismo diabólico inventado para a nossa infelicidade?
Sei que não é de bom aviltre filosofar antes da hora do almoço. Sabe como é: a barriga vazia, a hipoglicemia podem nos fazer delirar, inventar fantasias, nos trair. Como seres perdidos no deserto, andamos em círculos sem nos encontrarmos e ficamos a delirar, imaginando fantasias exóticas e oásis ideais.
Que diabo de mundo é esse onde o pensamento do ser humano em vez de levá-lo à felicidade cria dicotomias, guerras fratricidas, insatisfações, violência, artificialismos degradantes.
Sei lá! A vida é curta, passa depressa e nem sempre devemos alimentar a ilusão de que temos controle sobre isso tudo.
Imaginem se usássemos mais de 10% da nossa cabeça animal. Poderia ser muito pior. O mundo é simples se o entendermos como o vemos, sem idealizações bobas e sem fantasias construtivistas inúteis.
Não sei se isso é possível, já que essa crônica besta é mais uma divagação, uma construção teórica sobre o nada.
Mas que ao menos tentemos exercitar a simplicidade e a compreensão.
Antes que o outro nos destrua.
Recife, 2010
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
A beata de amarelo
A BEATA DE AMARELO
Feito no dia 16 de julho de 2009, dia da comemoração do centenário de Nossa Senhora do Carmo como padroeira do Recife.
Vídeo de Clóvis Campêlo
Marcadores:
Histórias do Recife Olinda e Adjacências
Todas as mulheres do mundo
TODAS AS MULHERES DO MUNDO
Clóvis Campêlo
TÂNIA FRANÇA
Rústico ambiente,
ânsias de verdes varandas,
mar de azul fremente.
DALVA AGNE LYNCH
ânsias de verdes varandas,
mar de azul fremente.
DALVA AGNE LYNCH
Cordeiro divino,
imenso abismo purpúreo,
astro matutino.
VERÔNICA AROUCHA
Doce irmã dos pássaros,
frequentes tardes bucólicas,
estrelado lábaro.
CONCEIÇÃO PAZZOLA
Solidez de pedras,
influente demiurga,
altivez que medra.
VILMA ABUBUA
Voz da liberdade,
doce água do afluente,
clara luz que arde.
LIRIS LETIERES
doce água do afluente,
clara luz que arde.
LIRIS LETIERES
Colo amorenado,
libertária voz poética,
pureza imagética.
MARTHA GALRÃO
libertária voz poética,
pureza imagética.
MARTHA GALRÃO
Olhos de remanso,
dorso largo de enseada,
flor ensimesmada.
OLGA MATOS
dorso largo de enseada,
flor ensimesmada.
OLGA MATOS
Música dos pampas,
correnteza do rio grande,
natural estampa.
LUCELENA MAIA
correnteza do rio grande,
natural estampa.
LUCELENA MAIA
Pálidos crisântemos,
precipitadas crisálidas,
sabores amenos.
CRISTINA HENRIQUES
precipitadas crisálidas,
sabores amenos.
CRISTINA HENRIQUES
Imensa, frenética,
acridoce melodia,
intensa alegria.
SÍLVIA CÂMARA
acridoce melodia,
intensa alegria.
SÍLVIA CÂMARA
Nota em tom maior,
sinfonia campesina,
siará menina.
GERLANE NEVES
Romântico cais,
sonoro caleidoscópio,
cores tropicais.
CIDA MACHADO
sinfonia campesina,
siará menina.
GERLANE NEVES
Romântico cais,
sonoro caleidoscópio,
cores tropicais.
CIDA MACHADO
Sólido refúgio,
florido jardim edênico,
mito ecumênico.
IRANI PAIVA
florido jardim edênico,
mito ecumênico.
IRANI PAIVA
Firme elegância,
côco verde e tamarina,
forte substância.
ALINE MACHADO
côco verde e tamarina,
forte substância.
ALINE MACHADO
Carne feita em pedra,
areias de Moçambique,
consciente dique.
CLÁUDIA CORDEIRO
areias de Moçambique,
consciente dique.
CLÁUDIA CORDEIRO
Musa inspiradora,
alicerce dos poetas,
luz que nos desperta.
SIMONE GUIMARÃES
alicerce dos poetas,
luz que nos desperta.
SIMONE GUIMARÃES
Deusa carioca,
samba-enredo cristalino,
esplêndido hino
JACIARA SENA
samba-enredo cristalino,
esplêndido hino
JACIARA SENA
Olhos verde-mar,
tranquilo sorriso franco,
puro linho branco.
tranquilo sorriso franco,
puro linho branco.
Recife, 2008
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
O verdadeiro caminho do sol
O VERDADEIRO CAMINHO DO SOL
Clóvis Campêlo
O verdadeiro caminho do sol
despe-se do escuro
e veste-se de verde.
Talvez seja apenas
uma linha reta,
insípida e previsível,
mas nele está contida
toda a alegria da manhã.
O verdadeiro caminho do sol
descerra-me o azul piscina
pairando sobre a cidade.
Talvez seja apenas
a abóbada celeste
diariamente reinventada
pela Natureza,
mas nele eu mergulho
a minha alegria
recém despertada.
Recife, 2010
O verdadeiro caminho do sol
despe-se do escuro
e veste-se de verde.
Talvez seja apenas
uma linha reta,
insípida e previsível,
mas nele está contida
toda a alegria da manhã.
O verdadeiro caminho do sol
descerra-me o azul piscina
pairando sobre a cidade.
Talvez seja apenas
a abóbada celeste
diariamente reinventada
pela Natureza,
mas nele eu mergulho
a minha alegria
recém despertada.
Recife, 2010
terça-feira, 25 de novembro de 2014
A Via Mangue
Travessia da Via Mangue, nova via de acesso ao bairro da Boa Viagem.
Recife, 22/11/2014.
Vídeo de Clóvis Campêlo
Marcadores:
Histórias do Recife Olinda e Adjacências
Marcos Lothar
Depoimento de Marcos Lothar, ex-integrante do JUBRAPI, músico, compositor e líder na comunidade do Encanta Moça, no Pina. Depoimento prestado em 23/8/2009 a Clóvis Campêlo.
- Postagem revisada em 25/01/2018
- Postagem revisada em 25/01/2018
Meninos do Brasil
Fotografia de Clóvis Campêlo/1993
MENINOS DO BRASIL
Clóvis Campêlo
Os meninos do Brasil olham o futuro sem medo. Olhares miscigenados, cafusos. De que riem os caborés? Talvez das nossas caras pálidas de quem tudo quer e nada oferece em troca. Riem desarmados, confiantes, alegres e serenos. Felizes.
As gravuras na parede compõem o cenário da fé. No balcão, mezinhas, cafés, vidros reutilizados, um comércio tênue, sazonal.
Na tosca casa de taipa em Juazeiro do Norte, no Ceará, uma incrível estrela do mar, branca, orienta-lhes o caminho do sertão ao litoral.
Recife, 2010
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Spok Frevo Orquestra
SPOK FREVO ORQUESTRA
Gravado quando da posse do maestro Spok na Academia Pernambucana de Música, Recife, 19/5/2010.
Vídeo de Clóvis Campêlo
domingo, 23 de novembro de 2014
O surto
O SURTO
Video feito em 16/7/2009 durante as comemorações do centenário de Nossa Senhora do Carmo como padroeira do Recife.
- Postagem revisada e atualizada em 08/01/2018
Papangu
Fotografia de Clóvis Campêlo/1994
PAPANGU
Clóvis Campêlo
Para nós, recifenses, já se tornou uma tradição, no domingo de carnaval, subir a Serra da Russa, rumo à cidade dos Bezerros, para assistir a Folia de Papangus.
Situada no agreste de Pernambuco, a cerca de 90 quilômetros do Recife, a cidade tem um carnaval tranquilo e que lembra os carnavais de outrora.
No domingo, a partir das 9 horas da manhã, na Praça de São Sebastião, começa o desfile oficial dos papangus, com direito a premiação e tudo mais.
Dizem que tradição dos papangus surgiu no início século passado, quando um grupo de amigos saia fantasiado com máscaras de pano para comer e beber sem ser reconhecido.
Como a comida servida era a base de milho, o famoso angu nordestino, o nome pegou e terminou, ao longo dos anos, por transformar uma brincadeira entre amigos em uma das atrações mais prestigiadas do carnaval pernambucano.
Recife, 2010
sábado, 22 de novembro de 2014
Valmir Sá
Depoimento de Valmir Sá sobre o JUBRAPI (Juventude Unida de Brasília e Pina) nos anos 60 e 70, sobre o Pina e sobre a cidade do Recife e os tempos atuais.
Recife/PE, 22/7/2009
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Liêdo Maranhão declama Baudelaire
LIÊDO MARANHÃO DECLAMA BAUDELAIRE
E fala sobre a solidão
Olinda, 13/01/2010
Vídeo de Clóvis Campêlo
Vídeo de Clóvis Campêlo
Com o sol em capricórnio
COM O SOL EM CAPRICÓRNIO
Clóvis Campêlo
Vocês verão
com o sol em Capricórnio,
vocês verão
com o sol nos olhos dela -
janela da alma,
tranquila, serena
e calma -
que o passado
é tão somente
um velho filme
guardado
nos porões
da mente
e se agitar
é lance
de Sagitário.
Pois é preciso coragem
pra mexer
no lado acidental
dos corações;
pois é preciso coragem
pra mexer
no lado ocidental
de velhas transações.
Recife, 1976
Vocês verão
com o sol em Capricórnio,
vocês verão
com o sol nos olhos dela -
janela da alma,
tranquila, serena
e calma -
que o passado
é tão somente
um velho filme
guardado
nos porões
da mente
e se agitar
é lance
de Sagitário.
Pois é preciso coragem
pra mexer
no lado acidental
dos corações;
pois é preciso coragem
pra mexer
no lado ocidental
de velhas transações.
Recife, 1976
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Antônio Abujamra declamando Auto-Retrato
O prazer de ver o meu poema AUTO-RETRATO declamado por Antônio Abujamra no seu programa Provocações, em julho de 2013.
Querer é poder?
QUERER É PODER?
Clóvis Campêlo
Querer não é poder, querer é saber!
Saber ter sossego, saber olhar,
saber cheirar, atar elos
e desatar nós.
O querer pode ser forte
mas também tem de ter
uma boa dose de sorte.
Sorte de estar no lugar certo,
na hora certa;
sorte de ter o desejo
possível e uma saudade
não patológica.
Enfim, ter um norte.
Querer é saber que o todo,
o tudo, os cabelos, a pele,
o mundo formam um só
corpo e como corpo
sólido que é, não pode
contrariar as leis da física
dos homens e ocupar
de outro corpo sólido
o mesmo lugar no espaço.
Finalmente, querer é saber
que tudo é possível
porque tudo se inventa.
E quando a gente se
contenta com a própria
invenção, independentemente
das convenções sociais ou dos
sentimentos de posse mesquinhos
o querer pode ser tão bom
e tão simples
como simples e bom
é o prazer de
querer e de ter.
Recife, 1994
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Salve o povo brasileiro!
SALVE O POVO BRASILEIRO!
Clóvis Campêlo
De onde vem essa raça,
de onde vem essa força,
de onde vem essa fé?
Que imagens vêem esses olhos,
que caminhos pisam esses pés,
que futuro constróem essa mãos?
Por onde anda o povo brasileiro?
De onde ele vem e pra onde ele vai?
Com que letras se escreve a sua luta,
de que se alimenta a sua coragem?
Da secular fé mariana ou dos restos da
lata do lixo?
Do passado calejado dos seu velhos ou
do olhar tranquilo das suas crianças?
Em quantas ideologias se baseia a sua
consciência?
Nas utopias revolucionárias dos tempos
modernos,
no conhecimento pragmático dos seus
ancestrais subjugados e dizimados
ou no imaginário lúdico empresarial do
homem contemporâneo?
Pouco importa! Entre dúvidas e
certezas, tristezas e alegrias, dia a dia,
o povo brasileiro escreve a sua história.
Salve o povo brasileiro!
Recife, 1999
De onde vem essa raça,
de onde vem essa força,
de onde vem essa fé?
Que imagens vêem esses olhos,
que caminhos pisam esses pés,
que futuro constróem essa mãos?
Por onde anda o povo brasileiro?
De onde ele vem e pra onde ele vai?
Com que letras se escreve a sua luta,
de que se alimenta a sua coragem?
Da secular fé mariana ou dos restos da
lata do lixo?
Do passado calejado dos seu velhos ou
do olhar tranquilo das suas crianças?
Em quantas ideologias se baseia a sua
consciência?
Nas utopias revolucionárias dos tempos
modernos,
no conhecimento pragmático dos seus
ancestrais subjugados e dizimados
ou no imaginário lúdico empresarial do
homem contemporâneo?
Pouco importa! Entre dúvidas e
certezas, tristezas e alegrias, dia a dia,
o povo brasileiro escreve a sua história.
Salve o povo brasileiro!
Recife, 1999
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Sólido
SÓLIDO
Clóvis Campêlo
Tudo se liga, tudo se ata
formando um artefato sólido
que se desmancha como um bólido
ao corromper a inércia inata.
Recife, 1994
Tudo se liga, tudo se ata
formando um artefato sólido
que se desmancha como um bólido
ao corromper a inércia inata.
Recife, 1994
sábado, 8 de novembro de 2014
Quem viver, verá!
QUEM VIVER, VERÁ!
Clóvis Campêlo
Interessante essa história de José Sarney apoiar Dilma Rousseff e votar em Aécio Neves para presidente. Mais interessante, ainda, foi a desculpa dada por ele ao ser flagrado no ato. Disse que assim o fizera em homenagem a Tancredo Neves, avô de Aécio e primeiro presidente civil eleito pelo colégio eleitoral do Congresso Nacional.
Tancredo foi eleito mas não assumiu a Presidência. Uma diverticulite mal curada nos poupou do seu governo. Para quem não se lembra, foi o próprio Sarney, na condição de vice-presidente eleito, que se tornou o primeiro presidente civil pós-ditadura.
Como um pouco de história não faz mal a ninguém, vale lembrar também que Tancredo e Sarney bateram chapa com Paulo Maluf (ele mesmo!) e Flávio Marcílio, os candidatos do Governo Militar de João Figueiredo. Vitória significativa com 480 votos (72,4%). O povo brasileiro foi às ruas e aplaudiu o fim da ditadura. Com a morte de Tancredo Neves, político oriundo do Partido Social Democrático (PSD) e um dos líderes do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) na luta pela redemocratização do país, assumiu José Sarney, instituindo a Nova República.
Transcrevo na íntegra a definição de Sarney dada pela Wikipédia: “José Sarney é o político brasileiro com mais longa carreira (59 anos) no plano nacional, superando o senador Limpo de Abreu (53 anos de carreira política e 36 como senador vitalício). Ruy Barbosa, o mais duradouro político no período republicano, foi senador por 31 anos contra os 36 de Sarney e Limpo de Abreu. Durante sua vida pública José Sarney atuou sob quatro constituições (1946, 1967, 1969 e 1988, esta última convocada por ele, no exercício da Presidência da República) e quatro governos sob a Constituição de 1946, seis no governos militares e, depois de seu mandato presidencial, cinco sob a Constituição de 1988 — 15 governos. Como parlamentar integrou 13 legislaturas, quatro como deputado federal e seis como senador. Era parte da oposição ao governo antes de 1964 e, a partir daí, parte das forças de apoio ao regime militar. Paradoxalmente, acabou sendo o primeiro presidente civil após o regime militar, em razão da morte de Tancredo Neves”.
Ou seja, na sua política longa e de certa forma coerente ideologicamente, talvez tenha sido esse o momento de maior sinceridade por ele expressado. Sozinho, no recesso da urna, não imaginava que alguém teria a perspicácia de observar-lhe o ato de cidadania e decifrar, pelos movimentos dos dedos, a definição do seu voto.
Cumprindo mais um mandato que lhe foi conferido pelo voto popular e um dos líderes do PMDB, partido fisiologista e com a maior bancada no Congresso Nacional, cujo apoio e composição é condição indispensável para viabilizar qualquer administração presidencial, Sarney ainda estará presente no cenário político brasileiro por um bom tempo.
Quem viver, verá!
Recife, novembro de 2014
Interessante essa história de José Sarney apoiar Dilma Rousseff e votar em Aécio Neves para presidente. Mais interessante, ainda, foi a desculpa dada por ele ao ser flagrado no ato. Disse que assim o fizera em homenagem a Tancredo Neves, avô de Aécio e primeiro presidente civil eleito pelo colégio eleitoral do Congresso Nacional.
Tancredo foi eleito mas não assumiu a Presidência. Uma diverticulite mal curada nos poupou do seu governo. Para quem não se lembra, foi o próprio Sarney, na condição de vice-presidente eleito, que se tornou o primeiro presidente civil pós-ditadura.
Como um pouco de história não faz mal a ninguém, vale lembrar também que Tancredo e Sarney bateram chapa com Paulo Maluf (ele mesmo!) e Flávio Marcílio, os candidatos do Governo Militar de João Figueiredo. Vitória significativa com 480 votos (72,4%). O povo brasileiro foi às ruas e aplaudiu o fim da ditadura. Com a morte de Tancredo Neves, político oriundo do Partido Social Democrático (PSD) e um dos líderes do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) na luta pela redemocratização do país, assumiu José Sarney, instituindo a Nova República.
Transcrevo na íntegra a definição de Sarney dada pela Wikipédia: “José Sarney é o político brasileiro com mais longa carreira (59 anos) no plano nacional, superando o senador Limpo de Abreu (53 anos de carreira política e 36 como senador vitalício). Ruy Barbosa, o mais duradouro político no período republicano, foi senador por 31 anos contra os 36 de Sarney e Limpo de Abreu. Durante sua vida pública José Sarney atuou sob quatro constituições (1946, 1967, 1969 e 1988, esta última convocada por ele, no exercício da Presidência da República) e quatro governos sob a Constituição de 1946, seis no governos militares e, depois de seu mandato presidencial, cinco sob a Constituição de 1988 — 15 governos. Como parlamentar integrou 13 legislaturas, quatro como deputado federal e seis como senador. Era parte da oposição ao governo antes de 1964 e, a partir daí, parte das forças de apoio ao regime militar. Paradoxalmente, acabou sendo o primeiro presidente civil após o regime militar, em razão da morte de Tancredo Neves”.
Ou seja, na sua política longa e de certa forma coerente ideologicamente, talvez tenha sido esse o momento de maior sinceridade por ele expressado. Sozinho, no recesso da urna, não imaginava que alguém teria a perspicácia de observar-lhe o ato de cidadania e decifrar, pelos movimentos dos dedos, a definição do seu voto.
Cumprindo mais um mandato que lhe foi conferido pelo voto popular e um dos líderes do PMDB, partido fisiologista e com a maior bancada no Congresso Nacional, cujo apoio e composição é condição indispensável para viabilizar qualquer administração presidencial, Sarney ainda estará presente no cenário político brasileiro por um bom tempo.
Quem viver, verá!
Recife, novembro de 2014
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Liberdade de imprensa, responsabilidade e ética
LIBERDADE DE IMPRENSA, RESPONSABILIDADE E ÉTICA
Clóvis Campêlo
Liberdade de imprensa pressupõe responsabilidade e ética. Não é admissível que uma grande revista nacional, na véspera do segundo turno da eleição presidencial, divulgue reportagens dúbias e afirmações não comprovadas. Mais do que isso, aliás, informações que atingiam em cheio a candidata Dilma Rousseff e que depois seriam desmentidas pelos envolvidos.
Não é de se admirar, também, que no dia da eleição tenha sido forjada na internet a notícia de que o doleiro Alberto Youssef teria sido encontrado morto no hospital onde estava internado, numa atitude de provável queima de arquivo. Essa última notícia foi desmentida pela própria fila do doleiro, que foi à imprensa afirmar que pai estava vivo e bem.
A mentira da revista Veja, afirmando que o Youssef dissera que Lula e Dilma sabiam de um possível esquema de corrupção na Petrobras, foi desmascarada pelo próprio advogado do doleiro, Antônio Figueiredo Basto. Em matéria publicada pelo Jornal do Commercio do Recife, no dia 31/10/2014, quando afirmou com convicção: “Asseguro que eu e minha equipe não tivemos nenhuma participação nessa divulgação distorcida. Acho mesmo que isso tem que ser investigado. Queremos uma apuração rigorosa”. Não é preciso que se seja um expert em contrapropaganda política para se perceber qual o objetivo da mentira e o boato. Não é mais possível que se confunda liberdade de expressão com irresponsabilidade e mentira.
Por coincidência, dois dias antes, o senador Jarbas Vasconcelos, do alto da tribuna do Congresso Nacional, pediu que haja uma fiscalização sobre a censura aos veículos de comunicação do País. O senador que não disputou a reeleição por não se sentir seguro, preferindo garantir um mandato de deputado federal na próxima gestão, entre outras bobagens, disse o seguinte: “Infelizmente a presidente da República já deu exemplos da sua postura autoritária e da sua falta de apreço pelas críticas e questionamentos. O Partido dos Trabalhadores também sinalizou claramente que pretende implantar medidas de cunho bolivariano contra a imprensa, copiando o que de pior surgiu na América Latina, nas últimas décadas”. E terminou o seu depoimento defendendo o direito da revista Veja de ir às ruas divulgando um fato categoricamente negado. Seria de se perguntar a serviço de quem está o senador.
Voltando à revista Veja, o advogado do doleiro negou que no dia 22 de outubro Youssef tenha citado Lula e Dilma, no âmbito da delação premiada, como sabedores do esquema de corrupção da estatal. Segundo ele, nesta data, nem mesmo teria havido depoimento. Convicto afirmou: “Isso é mentira. Desafio qualquer um a provar que houve oitiva da delação premiada na quarta-feira”.
Na verdade, as mentiras e os boatos não impediram a reeleição de Dilma Roussef. O povo brasileiro passou por cima disso e lhe garantiu mais quatro anos de governo e avanços sociais.
Recife, novembro 2014
Assinar:
Postagens (Atom)



















