quarta-feira, 21 de março de 2012

Imaginação


Desenho de Gil Vicente
-
IMAGINAÇÃO

Clóvis Campêlo

Numa atitude de coragem,
atirei no presidente
(na vitrola, Bob Marley
atirava no xerife).

Neste sangrento cenário,
entre heróis e patifes,
as balas do imaginário
alimentavam meu rifle.

-
Como você mesmo sabe,
não sou malandro malvado
e, como Kid Morengueira,
hoje estou regenerado.

Porém, se a autoridade
declina do seu papel
de acabar com a impunidade
mando-lhe pro beleléu.
-

E não tenho piedade
dessa gente sem moral
pois o povo brasileiro
merece um grande final.
-

Acordei sobressaltado,
findando a revolução
pois o combate travado
fora na imaginação.


Recife, 1995


6 comentários:

  1. Clóvis
    Você vai se transformar num Bocage moderno, pela ironia poética.

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  2. Clóvis,

    Melhor deixá-lo vivo, preso até o último dia, na mesma cela,
    junto com:

    Sarney, Collor, Lula, Dilma & Temer: o Sexteto da Corrupção.

    abraçanto

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  3. Na verdade, amigo poeta, a intenção de matá-lo foi do Gil Vicente.
    Aliás, na sua série, Gil Vicente matou muita gente, fez uma limpeza ideológica e ética.
    Eu quis apenas matar o presidente simbólico, o cargo, o poder que dele emana.
    Mas, sua proposta está sendo encaminhada para o pintor.
    Abraços

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  4. Antônio Leal Campêlo15 de setembro de 2017 às 07:38

    Caro colega Clóvis,

    Espero que o Gil transforme minha ideia em mais 5 desenhos individuais
    e 1 coletivo com a turma dos 6 aloprados na mesma cela.

    Às vezes, penso em torturá-los (aliás tenho várias torturinhas a eles destinadas,
    a mais recente, deste mês, é a do cacho de coco):

    deixá-los soltos, ganhando um salário mínimo, estabelecido por lei,
    para o resto da vida, sem as benesses
    e corrupções do poder.

    Esse Gil é dos meus.

    abraçanto

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  5. Sua pena é muito branda, amigo.
    deveriam ir para a Sibéria quebrar pedras...

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  6. É porque você não conhece a tortura do cacho de coco, inspirada
    nuns 20 cocos que vi pendurados na barraca dum vendedor aqui de Olinda,
    a uns 4 metros do chão:
    pareceu-me próprio para os anões do Orçamento, dos quais Geddel, o anão mais sabido, escapou..

    Ontem imaginei a tortura do soro da verdade:

    cada político que negasse a delação
    do companheiro, teria as veias injetadas com ele, até confessar,
    depois seria colocado no polígrafo e em seguida teria um sessão de regressão hipnótica.
    Isso no programa daquele da Goldsmidt, transmitido pela Globo, tendo em vista sua boa audiência.

    Concordo com você quanto a Sibéria.

    Só acho que para lá deveriam ser remetidos tão--somente os companheiros da esquerda da direita,
    geralmente supostos estalinistas,
    para saber como Tio Stálin procedia com seus desafetos apenas por dizer que tinha bigode de barata,
    como nosso colega, o poeta Mendelstam, assassinado de fome.

    Mas tudo isso é mentira (invenção da direita, da prostituta mãe) e está faltando soro no mercado.

    Também poderíamos, com o mesmo propósito, reabrir as clínicas psiquátricas
    do bondoso Tio Bigode, pros companheiros entenderem o que vem a ser a suposta ditadura do proletariado,
    ou antes, sobre o proletariado, como dizia Tio Trotsky.

    abraçanto

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