segunda-feira, 25 de junho de 2012

Mistério



MISTÉRIO

Clóvis Campêlo

Meus males os atribui à chuva
quando interessava-me ter respostas,
e minha nudez sobre a mesa posta
era mão aflita a procurar a luva.

Meus medos os atribui ao vento
quando em busca de um porto mais seguro
mantinha a vida como o meu futuro,
singrando mares de puro tormento.

Porém, se foi a chuva com o medo,
o vento dissipou o mal bem cedo,
hoje navego em outro hemisfério,

levado pela força da paixão,
movido pelo instinto da razão
e perseguindo também o mistério.

Recife, 1991

8 comentários:

  1. Mais um belo soneto do Clóvis!

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  2. Muito bom Clóvis,entre chuvas e ventos surge um belo soneto. Parabéns

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  3. “e minha nudez sobre a mesa posta
    era mão aflita a procurar a luva.”
    Uma frase sintetizando todo o soneto e demonstrando a angústia do poeta..
    Maravilha de soneto, Clóvis ! Quando eu crescer quero seu um poeta assim..

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  4. Clóvis, imagens emocionantes essas que você transmite nesse seu belo soneto! Você é demais, poeta!

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  5. Mais uma vez, sou-lhes grato, meus amigos. Um poema tão antigo, retrato das angústias do poeta quando jovem. É claro que a juventude do poeta já se foi. As angústias, ainda não. Mas, a gente sempre aprende a conviver com elas.

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  6. Angélica Teresa Almstadter25 de junho de 2012 às 18:37

    Lindíssimo!

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  7. Mas que qualidade técnica e poética para a tenra idade! Caramba! Soneto perfeito e muito bonito. Parabéns a ele!

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