terça-feira, 10 de junho de 2014

Imaginação


IMAGINAÇÃO

Clóvis Campêlo

Numa atitude de coragem,
atirei no presidente
(na vitrola, Bob Marley
atirava no xerife).

Neste sangrento cenário,
entre heróis e patifes,
as balas do imaginário
alimentavam meu rifle.

Como você mesmo sabe,
não sou malandro malvado
e, como Kid Morengueira,
hoje estou regenerado.

Porém, se a autoridade
declina do seu papel
de acabar com a impunidade,
mando-lhe pro beleléu.

E não tenho piedade
dessa gente sem moral
pois o povo brasileiro
merece um grande final.

Acordei sobressaltado,
findando a revolução
pois o combate travado
fora na imaginação.

Recife, 1995

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